Inicio > Mis eListas > encuentrohumboldt > Mensajes

 Índice de Mensajes 
 Mensajes 904 al 923 
AsuntoAutor
498/04 - EL FUTURO Centro H
499/04 - Turismo c Centro H
500/04 - SE TOMARO Centro H
501/04 - Paisajes Centro H
502/04 - O Reciclo Centro H
503/04 - PANEL GEO Centro H
504/04 - LOS CAMIN Centro H
505/04 - bailando Centro H
506/04 - EL CENTRO Centro H
507/04 - HUMBOLDT Centro H
508/04 - ÁREAS Y L Centro H
509/04 - CON NUEST Centro H
510/04 - PRIMERA C Centro H
511/04 - LA PERCEP Centro H
512/04 - EMILCE Centro H
513/04 - PARTICIPA Centro H
514/04 - Merlo - S Centro H
515/04 - METODOLOG Centro H
516/04 - INUNDACIO Centro H
517/04 - Hosteria Centro H
 << 20 ant. | 20 sig. >>
 
ENCUENTRO HUMBOLDT
Página principal    Mensajes | Enviar Mensaje | Ficheros | Datos | Encuestas | Eventos | Mis Preferencias

Mostrando mensaje 943     < Anterior | Siguiente >
Responder a este mensaje
Asunto:[encuentrohumboldt] 502/04 - O Reciclo da Região Turística por Expansã o Geográfica e Redistribuição Territorial das Funções
Fecha:Domingo, 24 de Octubre, 2004  01:38:50 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <humboldt @...............ar>

O Reciclo da Região Turística por Expansão Geográfica

e Redistribuição Territorial das Funções

 

 

Nilson Crocia

Universidade Federal de Pernambuco, Recife, Brasil

 

 

Resumo: O trabalho examina experiência brasileira de difusão do turismo na perspectiva da extração de lições para a construção do turismo sustentável. Relaciona a teoria dos ciclos das destinações (resorts) à análise da redistribuição territorial das funções dentro das regiões turísticas, identificando assim um tipo de reciclo ou rejuvenescimento continuado da destinação  mediante extensividade geográfica. Sugere urgentes correções no processo de extensividade (3 Figuras, 2 Tabelas, 1 Quadro-síntese e Referências Bibliográficas).

 

 

Introdução

 

     O presente Artigo, motivado pelas análises e problemas em torno do tema da sustentabilidade na atividade turística no Brasil, propõe-se a rediscutir a Teoria Evolutiva das Destinações Turística ou do Ciclo dos Resorts. Desta maneira, revisita-se este modelo teórico no contexto do imperativo da sustentabilidade e à luz das realidades empíricas de uma  experiência da difusão do turismo no Brasil. O campo central de observação é a Região Turística de Pipa (RTP), que envolve os Municípios de Tibau do Sul e de Canguaretama no Estado do Rio Grande do Norte, litoral ao sul da capital (Natal) (Figura 1).

     A cidade de Natal se transformou na última década numa das mais bem sucedidas destinações turísticas e foco de investimentos públicos – através do Projeto Prodetur - e privados do litoral do Brasil; daí e pouco a pouco, a função turística foi  se difundindo para o litoral dos Municipios ao norte e ao sul desta cidade. A Região Turística de Pipa (RTP), a cerca de 60 km de Natal,  representa a parte mais remota territorialmente dos efeitos consistentes da difusão do turismo em direção ao sul.  O Município de Tibau do Sul, onde se encontra a destinação Pipa que é a cabeça da RTP, teve um crescimento demográfico médio de 6,87% ao ano entre 1996/2000, e isto essencialmente provocado pelo turismo que se expande sobre o seu sítio geográfico de dunas e falésias. O outro Município pertencente à RTP, Canguaretama, onde se encontra a destinação Barra do Cunhaú, apresentou no mesmo período um crescimento populacional de 2,82% em média ao ano – a maior parte deste  dinamismo, é verdade, deve-se  à carcinocultura em larga escala (Tabela 1, Figura 1)[1].

    

 

Figura 1 (Mapa)
Tabela  1

Municípios da RTP e respectivas Populações Totais,  nos anos de 1991, 1996 e 2000, 

e Taxas Médias Anuais de Crescimento (%) entre 1991/1996 e 1996/2000. RN

 

 

Municípios

 

 

 

 

População Total

 em 1991

 

 

População Total

em 1996

 

 

População Total em 2000

 

 

Taxa méd. anual (%) de crescimento

 nos períodos

 1991/96     1996/2000

 

 

Superfície Municipal

(em Km 2)

 

1. Tibau do Sul

 

5,964

 

5,946

 

7,757

 

   - 0.06              6.87

 

 

104,0

 

2. Canguaretama

 

22,919

 

24,128

 

26,963

                            

     1.03              2.82

 

 

    96,6

 

Fontes:  Ibge , Censos Demográfico. do Brasil (1991, 2000), e Contagem de Pop. 1996, R. de Janeiro

 

Observação: de 1996 a  2000, a taxa média anual de crescimento para o Estado do Rio Grande do Norte (RN) (com  2,8 milhões de habitantes no ano 2000) foi 2,01% (Ibge, mesmas fontes).

 

     Qual a contribuição devida aos investimentos do Prodetur[2] neste processo? O Prodetur, espacialmente, atua mediante Pólos, que são conjuntos de Municípios que se tornam regiões-plano para o projeto, tendo no Rio G. do Norte sido definido o Pólo de Turismo Costa das Dunas[3]. A maior parte dos gastos do Prodetur no RN aplicaram-se à melhoria do Aeroporto de Natal e às  obras da via costeira ao sul desta capital ligando-a ao litoral dos Municípios de  Parnamirim e Nísia Floresta, o grande foco das inversões. Na RTP, apenas o Município de Tibau do Sul foi beneficiado, com três projetos (1999): a Atualização Cartográfica dos Limites Litorâneos, o Plano Diretor e Legislação Urbanística do Município e o recapeamento asfáltico da estrada Tibau do Sul/Goianinha (18,4km). Na realidade, os efeitos do Prodetur I atingiram Tibau do Sul por reverberação e contigüidade com  a grande concentração dos investimentos do Pólo Costa das Dunas em Natal e no litoral imediatamente ao sul da cidade (área de Parnamirim/Nísia Floresta) (Figura 1). 

     Ao fim do Prodetur I, identificou-se que a fragilidade na capacidade de gestão a nível municipal, em toda a Região Nordeste, ameaçava a sustentabilidade do desenvolvimento turístico nos Pólos. Em decorrência disto, o fortalecimento desta capacidade assumiu o status – agora ao lado das infra-estruturas –  de  componente estratégico no Prodetur II (BNB/Prodetur, 2002). Daí certamente deriva na nova fase do projeto a enfática  exigência institucional que os municípios dentro dos Pólos Turísticos  tenham já, como condição para recepção dos investimentos, os seus Conselhos de Turismo instalados, assim como já elaborados os seus Planos de Desenvolvimento Integrado de Turismo Sustentável (PDITS).

     A seguir, o conceito de paisagem/região, que é central na epistemologia da Geografia (Gomes, 1995), é utilizado para cooperar no entendimento da experiência sob foco, circunscrevendo-a territorialmente, e deste modo fornecendo o objeto que vai ser submetido à análise temporal ou cíclica proposta no modelo de Butler (1980). Procede-se a uma revisão teórica sumária deste modelo, examinando-se alguns criticismo e endossos que se mostram relevantes para a análise e interpretação da difusão do turismo na Região Turística de Pipa (RTP). A análise temporal é relacionada com as discussões sobre turismo e sustentabilidade, e por fim o fenômeno mesmo da dinâmica têmporo-espacial da RTP  é analisado e tipificado formalmente do ponto de vista geográfico. Diretamente emergentes destas análises, são apresentadas propostas de ação no campo do planejamento territorial do turismo na perspectiva da sustentabilidade. 

     

1.1. Região/Paisagem, Sustentabilidade e Modelo Cíclico

 

Paisagem/Região. 

É com o objetivo de identificar, na continuidade da superfície da terra, identidades areais em função de um critério ou conjunto de critérios, que se emprega a terminologia Região/Paisagem. No caso presente, a Região Turística de Pipa apresenta uso dominante e progressivo do solo pela função turística e o comportamento desta função ao longo dos últimos anos tem sido o elemento chave para o entendimento da dinâmica da ecologia regional ou da paisagem.

     O resort pode ser entendido como região homogênea em transformação. O conceito de resort turístico em Geografia do Turismo representa uma área ou zona ou região geográfica – e não uma unidade hoteleira - mais ou menos diferenciada e individualizada em relação às áreas circundantes, onde as funções de acomodação, alimentação e recreação têm lugar.  Este domínio territorial entendido como uma Região ou Paisagem pode ser pesquisado em sua estrutura, em sua função e nas suas mudanças  (Zimmerer, 1994, p.116). Para proceder à análise temporal da Região Turística de Pipa, recorreu-se ao modelo dos ciclos de R. Butler (1980) e revisões, incluindo-se atenção a observações sobre a dinâmica morfologica dos resorts  oferecidas por Smith (1992), Oppermann (1993) e Evans (1979, cit. por Oppermann,1993).  

Sustentabilidade e Tempo.

O conceito de sustentabilidade remete-nos a hipóteses em torno do que pode acontecer ao planeta e aos assentamentos humanos à proporção que o Desenvolvimento se realiza, clamando ao mesmo tempo pela Ação Humana retificadora, e é desde a publicação do livro Os Limites do Crescimento (Meadows, 1972) e a  realização da Conferência de Estocolmo das Nações Unidas (1972) que se registra um movimento social crescente, complexo e contraditório postulando o imperativo da sustentabilidade.

     As dificuldades de definição e convergência em torno do tema da sustentabilidade derivam certamente de que este imperativo, na realidade, depende das seguintes dimensões - a economia, a sociedade e o meio ambiente no sentido mais estrito (Farrel, 1999, p.189), criando-se um poliedro de interesses. As discussões que convergem para os fóruns mundiais espelham pontos de vista de tantos agentes que sem prejuízo da importância que encerram não são raros os resultados polêmicos e  sempre aquém dos esperados. Extrair lições de alcance teórico das experiências concretas dos lugares talvez conduza a lições frutíferas para redesenhar perspectivas regionais e nacionais.

     No final do século 20 o turismo se tornou claramente um fenômeno de massas e se percebeu que ele também poderia ser denominado uma atividade extrativa “...no sentido de que opera se apropriando dos recursos ambientais para transformá-los e vendê-los” (Garrod & Fyall, 1998, p.199). Então, as discussões sobre o turismo sustentável penetraram o mundo das atividades de viagens, lazer e entretenimento e as discussões e as definições se multiplicaram. Pearce, por exemplo, enfatiza que a sustentabilidade envolve a transferência inter-gerações – temporal – de um estoque de recursos que não seja menor que o disponível pela presente geração  (Pearce, 1992, cit. por Garrod & Fyall, 1998, p.203). Vê-se, portanto, que a idéia da preservação, ampliação ou corrosão do patrimônio natural e cultural, à medida que a atividade turística se desenvolve, é sem dúvida crucial na noção da sustentabilidade turística.

     Garrod & Fyall (1998) revisam abordagens em planejamento sustentável baseados no balanço – perdas e ganhos nos estoques - do capital, entendido estes estoques como compostos por Capital Natural e Capital Sócio-Cultural (cultura) no sentido amplo. O que acontece com estas formas de capital, como elas se depreciam ou se substituem à proporção que um resort desenvolve-se? Estas questões revelam que as pesquisas sobre sustentabilidade podem própria e adequadamente se servir das análises de ciclos, como o diz Farrell (1999, p.189). 

 

1.2. Análise temporal ou cíclica das destinações turísticas.

 

A análise de longo prazo do resort. 

O modelo mais conhecido a introduzir a análise temporal das destinações turísticas é o modelo de tendência (longo prazo) dos resorts de R. Butler (1980). O  resort é equalizado a uma região turística e o seu desenvolvimento é modelado através da identificação de uma seqüência de seis estágios ou fases de evolução: 1) exploração, 2) envolvimento, 3) desenvolvimento, 4) consolidação, 5) estagnação e,  finalmente, a última fase na qual poderia acontecer ou o 6) declínio ou o rejuvenescimento da destinação. 

     Que os resorts passam por mudanças ao longo do tempo muitos haviam percebido. Likorish & Kershaw (1958, cit. por Choy, 1992, p.26) descreveram a tendência à substituição dos visitantes ricos pelos visitantes da classe média à proporção que o resort se torna mais antigo; e finalmente o domínio da destinação pelos visitantes de menor renda. Observações similares estão nos trabalhos de Christaller (1963, cit. por Butler, 1980, p.5) acerca de destinações na Europa, e de Plog (1972) e Stansfield (1970).  A idéia básica é que existe uma sucessão diferencial de visitantes e R. Butler sistematiza esta idéia inspirando-se no conceito de ocupação seqüencial de D. Whittlesey (1929) tal como o observa Johnston (2001, p.5). O modelo de Butler, portanto, inspira-se nas idéias ecológicas de dinâmica das populações, de difusões de mudanças pelo espaço (Wilkinson, 1996, p.17) e de ecologia regional ou da paisagem.     

     Para Butler existiria um processo acumulativo na evolução de uma zona turística, de maneira que o acontecido em uma destinação vai organicamente afetar o que irá acontecer no futuro. Neste modelo, um resort turístico possui origem, desenvolvimento e decadência, de maneira que dificilmente outro modelo poderia ser mais apropriado às discussões sobre o imperativo da sustentabilidade.

Fases e  análise de sustentabilidade da Região Turística. 

O modelo de Butler tem sido objeto de muitas críticas, inclusive quanto à seqüência das fases. O próprio Butler afirma que no caso de o turismo ter se difundido por áreas onde não havia assentamento humano anterior, ou em que este assentamento era de pequena importância, não faria sentido considerar os dois primeiros estágios (exploração e envolvimento) (Butler, 1980, p.11, baseando-se em Noronha, 1976). Douglas, por seu turno, aponta a situação das Ilhas Salomão que aparentam estar no início de seu desenvolvimento mas que devem, na realidade, já estar entrando em um “estágio modificado de declínio” (Douglas, 1997, p.17), situação similar à de Papua New Guinea que deixou os “primeiros momentos de evolução” para declinar desde 1973 (Douglas, 1997, p.17).

     Agarwal lamenta a ausência de indicadores claros para os pontos de passagem de uma fase a outra; melhor seria considerar momentos de superposição entre fases (Agarwal, 1997, p.69,70,71). Estas críticas lançam dúvidas sobre o poder antecipatório do modelo para enfrentar questões de sustentabilidade do resort. Outros acusam o modelo de Butler de oferecer uma interpretação naturalista e fatalista para o desenvolvimento das destinações turísticas.

Modelo, sustentabilidade e ação humana.     

O modelo, argumenta-se deconstrutivamente, seria reforçador das visões deterministas dos processos sociais e ambientais, produzindo uma desvalorização dos indivíduos como agentes sociais capazes de reações sustentáveis. O modelo, segundo Franklin & Crang,  modelaria o turismo  tomando-o como “um fenômeno cultural constante”, gerando-se, segundo Picard (1996, p.104, cit. por Franklin & Crang, 2001, p.7), um “esquema conceitual coercivo” (Franklin & Crang, 2001, p.7). Existem, evidentemente, outros modelos de natureza evolutiva similares ao de Butler[4], mas foi o seu modelo que acabou se tornando, segundo Franklin & Crang  (2001, p.7), o “vilão”.  

Fatores externos/internos, reciclo e sustentabilidade da destinação.  

Um dos aspectos do modelo de Butler a atrair maior criticismo refere-se ao papel exercido pelos fatores externos e internos no desenvolvimento da região turística. Sendo maior a ênfase conferida pelo modelo aos fatores orgânicos internos, o complexo ambiente de fatores culturais/sociais/políticos e econômicos externos seria sub valorizado.  Agarwal afirma, por exemplo, que mudanças em um destes fatores poderiam ser suficientes para afetar a forma geral da curva do ciclo do resort (Agarwal, 1997, p.66-67) e que as alterações nestes fatores são usualmente imprevisíveis (Agarwal, 1997, p.67)[5].          

     A introdução de novas atrações - tais como casas de shows, marinas - pode lançar a destinação em novo(s) ciclo(s) a ponto de alterar toda a lógica de seqüências do ciclo anterior, cortando-se os vínculos com a história prévia do resort (Choy, 1992, p.29). O modelo de Butler falharia em identificar as mudanças de produto em uma destinação. Estaríamos diante de um novo ciclo ou diante do mesmo antigo ciclo renovado (Choy, 1992, p.29). Oppermann (1993, p.550) reporta um fenômeno analisado por Evans (1979, cit. por Oppermann), aquele em que uma destinação original congestionada e enfrentando sérios problemas para se desenvolver acaba por se revitalizar como foco de visitas de um dia (mudança funcional e de produto), em função de longos desenvolvimentos hoteleiros ao longo da costa.

Modelo e previsibilidade. 

Cooper argumenta que o modelo é útil como “conceito descritivo unificador”, uma vez que permite ao pesquisador integrar diferentes fatores que influenciam a dinâmica de uma destinação turística, mas que apenas no caso de algumas destinações o desenvolvimento do resort coincidiria com o modelo (Cooper, 1994, p.344, cit. por Wilkinson, 1996, p.23). Não se deveria esperar muito da sua capacidade preditiva, conclui.

     Similarmente, Agarwal considera o modelo de Butler como uma estrutura conceptual descritiva útil para identificar agentes e processos atuando em uma destinação particular. Mas, quanto à capacidade de generalização do modelo, Agarwal é ainda mais restritivo que Cooper, ao afirmar  que cada destinação tem seu modelo específico (Agarwal, 1997, p.67). Choy, por seu turno, apesar de considerar o modelo de Butler  intuitivamente atrativo”, argumenta que ele não coincidiria com a experiência das destinações nas Ilhas do Pacífico (Choy, 1992, p.29).  Russel Smith, contudo, em seu trabalho sobre a destinação litorânea de Pattaya, na Tailândia, entende que os efeitos de deterioração da destinação, à proporção que a urbanização turística se expande, não negam as proposições gerais contidas no modelo de Butler (1992, p.318). O problema reside em que a evolução dos resorts, assim como que caminhos a morfologia urbana dos resorts acaba por seguir, são assuntos a exigir mais investigações (Smith, 1992, 317-318).  

     

2.1. Análise temporal da Região Turística de Pipa (RTP)

 

     É em torno da vila de Pipa - com 54 dos 79 hotéis e pousadas existentes na sua  Região Turística em 2001 (Tabela 2) - que a difusão do turismo é constelada ou gravita nos Municípios de Tibau do Sul, principalmente, e de Canguaretama. Esta difusão se realizou mediante uma forma alongada e litorânea apoiando-se na sede de T. do Sul, na vila de Pipa e na vila de Barra do Cunhaú (Canguaretama). A estrada que as liga todas, litorânea, especialmente no trecho Tibau-Pipa, está se transformando num emblemático corredor de hotéis e pousadas (Figura 1). A dominação pela atividade turística no Município de Tibau do Sul atingiu já uma intensidade muito alta, a julgar pelo cálculo do Índice da  Intensidade da Função Turística de Defert que atinge o valor de 31,5[6].     

     

Tabela 2

Acomodações na Região Turística de Pipa (RTP), RN.

N0 de Hotéis (NH), N0 de Unidades de Habitação (UH) e

Relação UH/NH (capacidade média de alojamento por Hotel),

segundo os elementos da estrutura espacial integrada turística de Pipa.

Ano de 2001 – pesquisa direta

 

 

Destinação

 

Número de Hotéis

 

N0 de Unidades

de Habitação

 

 

Numero de UHs/Numero de  Hotéis

 

Tibau do Sul sede

 

6

 

69

 

11,5

 

Corr. Tibau-Pipa

 

5

 

92

 

18,4

 

Pipa

 

54

 

565

 

10,5

 

Barra do Cunhaú

 

14

 

135

 

9,6

 

Total da RTP

 

 

79

 

861

 

10,9

     

     Ao longo dos anos de 1970 e 1980, Pipa, como as demais localidades que hoje compõem a sua Região, não apresentava importância quanto ao turismo.  Assim, toda a área em foco manteve até o começo dos anos de 1990 paisagens rurais tradicionais com estoques conservados de capital natural e cultural tradicional. Como se deu a difusão do turismo em Pipa? Ao final dos anos de 1970 uns poucos turistas aventureiros – drifters – oriundos dos países nórdicos e de perfil alternativo descobriram a vila de Pipa. Estes turistas eram atraídos pela autêntica cultura tradicional de Pipa povoado pesqueiro e pela conservada natureza das suas dunas e falésias (fases de exploração e envolvimento), e a difusão seguia lentamente.

     Mas, em 1994 a velha estrada colonial e carroçável cortando os campos de cana de açúcar ligando a cidade de Goianinha  - nas margens da BR 101 e a 60 km de Natal – a Tibau do Sul (sede) foi asfaltada, e foi aberta a  estrada ligando esta sede à vila de Pipa pela beira do mar, uma via costeira por cima das falésias e cortando as dunas. A aceleração na difusão turística já percebida desde 1992 ganhou energia (Figura 2),  evidentemente  em  sintonia e impulsionada

pelas mesmas forças da difusão geral da função na região de relações de Natal e no litoral do Nordeste (fase de desenvolvimento). Em decorrência disto, no litoral dos Municípios de T. do Sul e Canguaretama - formando a RTP - pode-se presentemente identificar a seguinte estrutura espacial:   

 

Æ a sede administrativa de Tibau, com apenas seis hotéis/pousadas, que mantém sua planta física tradicional pouco desfigurada e padrão funcional rural e pesqueiro, apesar de em franca turistização;

Æ o Corredor de Hotéis Tibau-Pipa, à frente do mar, com cinco hotéis cuja média de  Unidades de Habitação é o dobro do tamanho médio prevalecente em toda a RTP;

Æ a vila de Pipa, transformada ao longo dos anos de 1990 em localidade altamente especializada na função turística, com 54 hotéis/pousadas;

Æ e o assentamento de expansão hoteleira de Barra do Cunhaú, ao sul de Pipa, no Município de Canguaretama (Tabela 2, Figura 1).

 

     Sendo Pipa o foco da difusão, logo a escassez de terrenos no centro da vila – o DRC: Distrito de Recreação e Comércio -  impulsionou para cima o  preço  da terra na mesma, as edificações se  densificaram  e   os

congestionamentos na circulação se tornaram rotineiros[7].  Daí  a  sede Tibau, o   mencionado  Corredor  Tibau - Pipa    e   mais   recentemente Barra   do   Cunhaú[8]  - e ainda os terrenos nas bordas mais próximas da vila de Pipa, a 1 ou 2 km do DRC - tornaram-se    de    especial    interesse para  os investidores de maior porte, precisamente médios empresários com objetivos de instalar hotéis do tipo resort para as classes médias. A informalidade nos serviços turísticos foi cedendo

 

 

espaço à institucionalização médio-empresarial à medida que o desenvolvimento e a consolidação decorriam na RTP. 

     Tal disponibilidade de terras à beira-mar ou a pouca distância do oceano na Região Turística de Pipa, condição propiciada por um país continental com ainda largos estoques de capital natural,  permitiu mediante a extensividade que o desenvolvimento do resort Pipa (a vila) tivesse desviado o seu potencial curto caminho rumo à estagnação e à deterioração por declínio da qualidade ambiental e cultural (esgotamento do produto). A variável geográfica ofereceu generosamente sobrevida a esta destinação.  A identificação da natureza territorial e geográfica desta sobrevida, ainda que predatória e super-extrativa, constitui o problema central identificado neste Artigo acerca do desenvolvimento da RTP.  

     A Figura 2 permite visualizar, de maneira agregada – Região Turística de Pipa (RTP) –, ou   separadamente – na vila de Pipa e nos Assentamentos Externos -, o marcante crescimento  da oferta de acomodações nos últimos 12 anos (1990/2001). Tal oferta passa de ½ centena de Unidades de Habitação (UHs)[9] em 1990 para quase 9 centenas em 2001. O gráfico expõe ainda o caráter organicamente enredado e coeso – a extensividade - deste crescimento nas duas secções de área ou zonas internas que compõem a RTP.

     A Figura 3 esclarece como este crescimento se distribuiu entre aquelas duas zonas internas. A situação de partida (1990)  caracteriza-se por uma distribuição eqüitativa da baixíssima oferta de acomodações, entre Tibau sede e a vila Barra do Cunhaú – a expansão em Corredor evidentemente ainda não existia –  por um lado, e a vila de Pipa por outro, configurando uma indiferenciação distributiva.  Entre 1990 e 1992  o  crescimento de UHs tendeu fortemente a se concentrar na vila de Pipa, como foco da difusão turística e a vila obteve percentuais altos de concentração de UHs até 1995, quando passa a concentrar 3/4 de todas as UHs. A partir de então, o gráfico indica dois movimentos de declínio desta importância para a vila de Pipa (um mais brusco e curto em 1995/96, e outro mais leve e sustentado a partir  de  1998)   e    demonstra  que  desde  os  meados  da   década a importância relativa do número de UHs na vila de Pipa jamais voltaria aos níveis elevados e crescentes anteriores.     Observou-se, portanto, uma clara tendência de extensividade, argumento que se tornaria ainda mais consistente se adicionássemos à área ‘externa’ (Assentamentos Externos) a Pipa as UHs dos hotéis situados nas bordas a 1 ou 2 km do centro (RDB) a oeste da vila, processo espacial de clara identificação.  Para os hóspedes do Corredor, da sede Tibau, de B.  do  Cunhaú e das bordas indicadas, Pipa se tornou uma área de visitação para gastronomia, compras & entretenimento e diversão noturna. A extensividade  territorial reforçou sua função polarizadora dentro do espaço turístico local mediante uma sua maior especialização como DRC. Esta polarização de visitas de 1 dia exercida pelo DRC da vila de Pipa com base na gastronomia e entretenimento consegue mesmo atingir os turistas hospedados na cidade de Natal.

     Estes processos são acompanhados na vila de Pipa por problemas de abastecimento de água, de esgotamento sanitário, destinação do lixo e congestionamento de trânsito.  A coleta pública do lixo foi introduzida em 2001, não existe saneamento público e apenas naquele ano hotéis e restaurantes iniciaram pagamento de taxas e impostos à municipalidade. Do Plano Diretor e da Legislação Urbanística do Município de Tibau (1999), assim como do seu Plano Turístico, aguardam-se ansiosamente os seus efeitos. Fato é que a destinação encontra-se num claro momento de transição institucional, que se espera possa ser consolidado pela indução e exigências contidas no Prodetur II.      
     A Região Turística de Pipa parece apresentar, na perspectiva do modelo dos ciclos dos resorts de R. Butler, uma situação de complexa superposição  das  fases  de desenvolvimento e  consolidação.     Assim

 

 



 

 

 

Quadro Sinóptico Descritivo da Região Turística de Pipa (RTP), RN.

 

 

Ítem Analítico

 

 

Descrição

 

 

Sítio Geográfico

Dunas encimando falésias em geral sob ligeira abrasão; escarpas de falésias dominantemente perpendiculares ao datum ou acentuadas,  terminando em praias curtas cobertas na maré alta O assentamento central ( Pipa) desenvolve-se sobre três unidades topográficas: delgada pós- praia (sítio original), escarpa,  e dunas/falésias principalmente, onde o  relevo é forte ondulado sobre material arenoso.

 

Situação Regional

Região funcional urbana de Natal, da qual dista  cerca de 80 km por asfalto; a 24 km da rodovia BR 101 que conecta as capitais brasileiras no litoral oriental do Brasil. Natal funciona como ‘portão de entrada’ do turismo por via aérea nacional; integrada ao espaço cibernético (www.pipa.com.br).

 

 

 

Agentes, Escalas

Proprietários de pousadas e hotéis, empreendimentos de natureza  familiar (informal) ou médio empresarial, dominantemente de brasileiros oriundos equitativamente de áreas metropolitanas do Nordeste e do Centro Sul; poucos proprietários estrangeiros, oriundos do Mediterrâneo. Predomínio de hóspedes brasileiros de metrópoles do Nordeste e Centro Sul; presença sensível de europeus. Nenhuma ação inicial indutora governamental direta  e inconsistente papel gestor público. 

 

Relações do Assentamento Turístico com o Ambiente Biofísico

Drenagem dos  efluentes  dos assentamentos contamina água subterrânea e marinha; remoção da vegetação pioneira fixadora das dunas; perdas em biodiversidade; oclusão de panoramas; ocupação por hotéis dos antigos campos de produção local de alimentos (mandioca, milho, feijão) e de carvão (mata semi-caducifólia); rápida corrosão de estoques no Capital Natural.

 

 

Interações Sócio-Culturais-Econômicas

Alteração no mercado de trabalho: do trabalho agrícola e pesqueiro em direção às ocupações menos remuneradas dos serviços;  sentimentos de exclusão geográfica por parte dos residentes diante da urbanização turística e choque de valores,de  orientação  e de comportamento cultural; formação de ‘sub culturas’ ; dependência econômica do habitante local combinada com rejeições culturais mútuas.

 

Situação da RTP em Análise de Ciclo ou Tendência

A vila de Pipa revela  sintomas das fases de desenvolvimento e consolidação; à  escala da Região Turística de Pipa, reciclo por expansão geográfica e redistribuição territorial das funções de acomodação, por um lado, e entretenimento/gastronomia/compras por outro;

Capital Cultural da urbanização turística soterra Capital Cultural tradicional e ganha mais e mais importância como atratividade em comparação com o Capital Natural, que se corrói; necessidade imperativa de mecanismos institucionais de planejamento, gestão e monitoramento – especialmente do estoque de Capital Natural - para perseguir sustentabilidade p/a Região.

     

 
conclui-se pela identificação dos sintomas ambientais e sociais e de reação institucional já descritos. Ao mesmo tempo parece estar acontecendo na Região Turística de Pipa em seu conjunto -  mediante a expansão hoteleira no Corredor, na sede de Tibau, em direção à Barra do Cunhaú e nas bordas da vila mesma de Pipa  -  um re-ciclo ou rejuvenescimento  continuado do ‘produto’ por expansão geográfica e redistribuição territorial das funções de acomodação, por um lado, e entretenimento/gastronomia/compras por outro. As novas secções territoriais de expansão ostentam uma viva fase de exploração rápida, instantânea e empresarial-imobiliária, o que injeta  rejuvenescimentos nas funções do DRC, ao passo que a especialização do DRC em direção à melhoria dos serviços de gastronomia e  entretenimento reforça as novas secções.

    

Conclusões

 
     A conclusão geral que se oferece é que o emprego feito do modelo de tendência das destinações turísticas, associado à observação empírica da morfologia da destinação e das direções que têm tomado as distribuições das funções turísticas na Região Turística de Pipa, permitiu identificar uma forma de reciclo ou rejuvenescimento continuado da região turística em seu conjunto. Este fenômeno certamente está longe de ser único e peculiar à RTP no litoral brasileiro. O reciclo do produto acontece em condições de grande disponibilidade de estoque de recursos naturais e tem se dado praticamente livre de constrangimentos institucionais-ambientais de ordem  conservacionista e sustentável. Difícil é evitar a conclusão que  severos problemas de sustentabilidade impor-se-ão em futuro próximo.
     Outra conclusão geral é referente à escala de análise e decisão referente à busca do desenvolvimento turístico sustentável. A região  turística pode envolver um ou mais Municípios, de maneira que, sem prejuízo das ações municipais executivas e legislativas, as análises e as propostas que se desenhem na direção da sustentabilidade necessitam incorporar um raciocínio regional pluri-municipal. Por fim, apesar do risco de incorrermos em hiper-simplificação,  as observações e reflexões produzidas ao longo do presente trabalho, parcialmente sumariadas no Quadro Sinóptico, sugerem as seguintes ações em destinações similares no Brasil, com o objetivo de preservar a qualidade e imprimir sustentabilidade de longo prazo às regiões turísticas litorâneas emergentes:

 

u  reconhecer a divisão territorial das funções que já se produziu ou tende a se produzir à proporção que o resort evolui, derivando daí o plano integrado de desenvolvimento turístico  e o zoneamento a ser definido na escala da região turística local, região que pode incluir mais de um Município. Em conseqüência, elaborar as ações indutoras e de controle urbanístico, assim como definir prioridades, em atenção às zonas e de acordo com o ‘cenário-modelo’ que se defina para a destinação após ampla negociação de envolvimento local e multi-escalar. Enfaticamente se recomenda permanente atenção e monitoramento do estoque de Capital Natural, este recebendo definição operacional para fins de legislação de uso da terra.
v fortalecer linhas de pesquisa teóricas - baseadas em pesquisas comparativas das experiências brasileiras e do mundo tropical (América do Sul e Caribe, Pacífico e África) - nos Programas Brasileiros de Pós Graduação stricto senso em Turismo, Hotelaria, Geografia & Meio Ambiente direcionadas para produzirem capacidade estratégica e antecipatória de planejamento territorial turístico para a sustentabilidade.
w montar nas zonas de recente expansão turística, um preciso, atualizado e sustentado sistema municipal de registro das funções turísticas (acomodações, restaurantes, entretenimento,etc) desenhado não somente para fins tributários mas também para subsidiar as análises e as tomadas de decisão nos conselhos e nas instâncias técnicas no campo do planejamento, gestão e monitoramento dos aspectos econômicos, ambientais, sociais e territoriais do turismo, sem o que planos e diretrizes tornam-se de difícil elaboração, implementação, monitoramento e avaliação.
 
Agradecimentos: expressamos os nossos agradecimentos ao CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, DF, Brasil -, que financiou a pesquisa da qual resultou o presente trabalho.
 
Referências bibliográficas

 

ALBUQUERQUE, K. & McELROY, J. (1992), Caribbean small-island tourism styles and    sustainable    strategies, Environmental Management, 16(5):619-632, cit. por Wilkinson,    1996, op.cit.

 

AGARWAL, Sheela (1997), The resort cycle and seaside touris: an assessment of its applicability    and validity, Tourism Management, 18 (2):65-73.

 

BNB/PRODETUR (2002): site do Prodetur: www.banconordeste.gov.br/prodetur.

 

BUTLER, R. W. (1980), The concept of a tourist area cycle of evolution: implications for    management of resources, Canadian Geographer, 24(1):5-12.

 

CHOY, Dexter (1992), Life Cycle Model for Pacific Islands Destinations, Journal of Travel    Research, vol.30, p.26-31.

 

CHRISTALLER, W. (1963), Some considerations of tourism location in Europe: the peripheral    regions    – underdeveloped countries – recreation areas, Regional Science Association    Papers, 12, cit. por BUTLER, 1980, op.cit.

 

COOPER, c. P. (1994), The destination life-cycle: un update. in: SEATON, A.V., JENKINS, C.L.    and    others, ed. Tourism: the State of the Art, Chichester, West Sussex, John Wiley &    Sons, pp.340-346, cit. por WILKINSON, 1996.

 

DOUGLAS, Ngaire (1997), Applying the life-cycle model to Melanesia, Annals of Tourism    Research, 24(1): 1-22.

 

EVANS, N. H. (1979), The Dynamics of Tourism Development in Puerto Vallarta, in: Tourism –    passport to development?, ed. by E. de Kadt, New York, Oxford University Press, pp.305-   320, cit. por OPPERMANN (1993), op.cit.

 

FARRELL, B. H. (1999), Conventional or sustainable tourism? No room for choice, Tourism    Management  20(2): 189-191.

 

FRANKLIN, A. & CRANG, M. (2001), The trouble with tourism and travel theory?, Tourist    Studies, 1(1):5-22.

 

GARROD, B. & FYALL, A. (1998), Beyond the rhetoric of sustainable tourism?, Tourism    Management, 19(3): 199-212.

 

GOMES, P. Cesar (1995), O conceito de Região e sua discussão, in: Castro, I.; Gomes, P.C. &    Corrêa, R.L. Geografia: conceitos e temas, Rio de Janeiro, Bertrand, pp.49-76.

 

HARRISON, L. & HUSBAND, W. ed. (1996), Practising responsible tourism: international    case studies in Tourism p, policy and development , New York, John Wiley & Sons.

 

IBGE (1991, 2000), Censo Demográfico do Brasil, Rio de Janeiro.

 

IBGE (1996), Contagem de População do Brasil, Rio de Janeiro.

 

JOHNSTON, Charles S. (2001), Shoring the foundations of the destination life cycle model: part    1 (ontological and epistemological); part 2 (a case study of Khona, Hawai’i Island), Tourism    Geographies, 3(1, 2): 2-28 and 135-164.

 

LIKORISH, J. & KERSHAW, A. (1958), The Travel Trade, London, Practical Press, cit. por    CHOY, 1992,    op.cit.

 

MEADOWS, D. and all (1972), The Limits of Growth, New York: Universe Books.

 

NORONHA, Raymond (1976), Review of the sociological literature on tourism, Washington,    The World Bank, cit. por BUTLER, 1980, op.cit.

 

NORONHA, Raymond (1979), Social and Cultural Dimensions of Tourism, Staff Working Paper,    n.326, Washington DC, The World Bank.

 

OPPERMANN, Martin (1993), Tourism Space in Developing Countries, Annals of Tourism    Research, 20: 535-556.

 

PEARCE, D. (1991), Tourist today: a geographical analysis, New York, Long. Sc. & Tech.

 

PEARCE, D. (1992), Towards sustainable development through environmental assessment,    CSERGE    Working Paper PA 92-11, cit. por Garrod & Fyall, 1998.

 

PICARD, M (1996), Bali: Cultural Tourism and Tourist Culture, Singapore, Arquipelago Press,    cit. por FRANKLIN & CRANG, 2001, op.cit.

 

PLOG, Stanley (1972), Why destination areas rise and fall in popularity, Paper presented at    The Southern California Chapter, The Travel Research Association, (unpublished) , cit.    por BUTLER, 1980, op.cit.

 

SMITH, Russel (1992), Beach Resort Evolution: Implications for Planning, Annals of Tourism    Research, 19: 304-322.

 

STANSFIELD, Charles (1970), The development of modern seaside resort, Parks and    Recreation, 5    (10): 14-17 e 43-46.

 

ZIMMERER, Karl (1994) Human Geography and the ‘New Ecology’: the prospect and promise of    integration, Annals of The Association of American Geographers, 84 (1): 108-125.

 

WHITTLESEY, D. (1929), Sequent Ocupance, Annals of The Association of American    Geographers,    vol.19, p.162-165.

 

WILKINSON, Paul F. (1996), Graphical Images of the Commonwealth Caribbean. In: HARRISON    & HUSBANDS, p.16-40, op.cit.



[1] Esta surpreendente dinâmica populacional no período final dos anos de 1990, quando confrontada  com o comportamento demográfico da primeira metade da mesma década (1991/1996), evidencia uma das mais vertiginosas experiências de desenvolvimento litorâneo ao fim do século vinte no Nordeste do Brasil.

 [2] O Prodetur-NE é um projeto de investimentos públicos voltados para o turismo e que reúne o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID, credor: www.iadb.org) e os governos federal e estaduais. O Projeto injetou, de 1996/2002, no litoral dos Estados do Nordeste mais de U$ 670 milhões (U$400 milhões oriundos do BID) na sua primeira fase, denominada Prodetur I (BNB/Prodetur, 2002). No que se refere à ação dos investidores particulares em turismo, o BNB – agente financeiro do projeto – estima que no período de execução do Prodetur I cerca de 6,6 bilhões de reais tenham  sido investidos em turismo em todo o Nordeste pela iniciativa privada. O Prodetur II, assinado em 2002, prevê mais U$800 milhões de investimentos públicos nesta macrorregião a partir de 2003 (BNB/Prodetur, 2002). 

 [3] Este Pólo  é  uma faixa litorânea de 200 quilômetros composta por 15 municípios, desde Pedra Grande ao norte até Baía Formosa ao sul, tendo Natal ao centro. Dos U$ 800 milhões do Prodetur II, já mencionados, U$ 70 milhões serão aplicados neste Pólo.

[4] Entre outros, os  propostos por Noronha (1979, p.9) e Albuquerque & McElroy (1992), este último oferecendo uma versão para o modelo de Butler (Wilkinson, 1996, p.17-22).

 [5] Entre estes fatores externos estão comportamento das taxas de câmbio, eventos de médio e longo prazo de subversão da ordem e instabilidade políticas (terrorismo, guerrilha, crime organizado, insegurança), disseminação de epidemias, surgimento de destinações competitivas, mudanças nas políticas públicas, iniciativas empresariais, ação de organismos multilaterais de investimentos, comportamento climático, etc.

 [6] O Indicador de Defert é expresso pela seguinte fórmula:

[(número de Leitos disponíveis na Unidade Territorial/Total da População na Unidade Territorial) ´ 100] (Pearce, 1991). Número de leitos calculado na base de 4 leitos por Unidade de Habitação(UH). Ainda  no ano de 2000, para o Município de Canguaretama, que inclui a destinação Barra do Cunhaú, o índice é de 1,8, e no Município de Baía Formosa é de 3,6 (pesquisa direta).

 [7] A expansão de Pipa desencadeou uma deformação na sua morfologia original baseada na escala humana e animal com severos problemas para a circulação automotora. As vias centrais se estreitaram mais ainda pelo avanço frontal dos bares e lojas, e as edificações passaram a ostentar até quatro pavimentos sobre lotes cada vez menores resultantes de desmembramentos. A vista para o mar ou para as dunas – recursos naturais cênicos - foi em parte perdida. Em ruas laterais, ora  subindo as dunas e afastando-se da praia, ora descendo as escarpas das falésias em direção à praia, os desmembramentos e as verticalizações sem regulamentação produziram aquilo que estudiosos denominam de ‘tourist slums’ (favelas turísticas). 

 [8] Na metade final dos anos de 1990, o rush de construções que estava a atingir Pipa (Tibau do Sul) começou a transbordar para os 6 quilômetros litorâneos em direção ao sul, à vila de Barra do Cunhaú. Rapidamente uma mistura de novos hotéis,  restaurantes e algumas casas de veraneio invadiu a área, ligando Barra do Cunhaú a Pipa mediante um cordão de urbanização turística praticamente contínuo.  Dos 14 hotéis que em 2001 existiam em Barra do Cunhaú (Tabela 2), 13 foram construídos após 1996 e 10 deles após 1999.

  [9] Em vez do número de visitantes como indicador (variável) central para reconstruir a curva do desenvolvimento turístico da destinação, o que seria absolutamente impossível de se fazer, foi utilizada no presente trabalho a variável Número de Unidades de Habitação (apartamentos ou chalés), variável possível de se reconstruir através de entrevistas. Este procedimento não está livre de problemas. Por um lado, a própria técnica de coleta acarreta erros; e por outro lado, a existência das Unidades de Habitação (UH) não significa necessariamente visitação efetiva. Mas, uma vez que não se registra na história da área nenhum fechamento de hotel ou pousada, antes expansão na capacidade dos estabelecimentos existentes e criação de novos, aceitou-se por hipótese e com certa ousadia que, especificamente na área em foco e sob condições de desenvolvimento, o comportamento da variável UH reflete o movimento da visitação turística. 


Ponencia presentada en el Quinto Encuentro Internacional Humboldt. Neuquén, Argentina. Octubre de 2003.