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Asunto:[encuentrohumboldt] 420/04 - NEOLIBERALISMO: Particularidades NA AMÉRICA L ATINA
Fecha:Miercoles, 8 de Septiembre, 2004  00:27:19 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <humboldt @...............ar>

 

NEOLIBERALISMO: Particularidades NA AMÉRICA LATINA

 

                                                                                  JOÃO BATISTA VILLAS BOAS SIMONCINI

                                                                                                                                             UFJF

SUmário

 

RESUMO

 

ABSTRACT

 

1    O quadro neoliberal na América Latina

 

2    Aplicação neoliberal na América Latina

2.2    Conto da Globalização

2.3   Os Povos e o Neoliberalismo

 

3    ReferÊncias Bibliográficas

 

 

Visão panorâmica do neoliberalismo na América Latina

 

O presente trabalho procura descrever a trajetória do neoliberalismo na América Latina, sua rápida aceitação e adesão quase unânime da grande maioria dos países.

            Sobre a égide do modelo neoliberal que difundiu a sua nova fórmula que visava corrigir grandes disparidades e o total estado de subdesenvolvimento que segundo alegação de seus ideólogos nem mesmo as políticas designadas pela CEPAL conseguiram combater adequadamente. A ineficácia e a inoperância dos governos na aplicação das diretrizes da CEPAL, contribuíram para agravamento do quadro de subdesenvolvimento. Este foi bode expiatório de que necessitavam os ideólogos neoliberais e na argumentação a qual se debruçaram para arquitetar o seu ataque letal nas economias periféricas latino-americanas.

            O ambiente encontrado para tal, foi o melhor possível, dado o passado conivente das elites que ainda persistem em reproduzir e praticar exaustivamente a interminável lista de procedimentos espoliativos como forma de assegurar para os centros de poder a consolidação da perniciosa estratégia neoliberal.

            Dentro dessa voracidade neoliberal destacamos as crises e as seguidas séries de desestabilizações por qual passaram diversos países do continente, por exemplo o Chile, México, Brasil, Argentina dentre outros.

            É notório que a emancipação latino-americana passa então a exigir um caráter urgente de transformação do modelo instaurado longe da velha herança de dependência centrada na enorme sangria externa e a sua descarada rede de deformações e limitações impostas pelo modelo neoliberal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

THE PANORAMIC VIEW OF NEOLIBERALISM IN LATIN AMERICA

           

The present work tries to describe the pathway of the neoliberalism in Latin America, your fast acceptance and almost unanimous adhesion of great majority of the countries.

Carrying the flag of the neoliberal model, and its ideological conception, faster than ever, they spread their new formula of domination once more, for this they used the CEPAL pattern as a scapegoat, it was all that they need, spreading their new formula, that sought to correct great disparities and the complete state of underdevelopment in the most countries, stating that, not even the politics designated by CEPAL, they didn´t manage to combat it properly. The inefficacy and governments incapability in the application of the guidelines of CEPAL contributed to worsening the underdevelopment picture. This was the scapegoat they needed and the argument, which they leaned over to build your lethal attack in the Latin America outlying savings.

The atmosphere found for such, it was the best possible, given the connivent past of our elites that still persist in to reproduce and its exhaustive practice of endless list of exploitation and which they walked hand in hand with the imperialist interesting; as a form of assuring for the core of power the consolidation of the pernicious neoliberal strategy.

Inside the ravenousness, that made a great deal of victims, we can mention a serie of crisis followed as a reflex of these politics by which went several countries of the continent highlighted, for instance: Chile, Mexico, Brazil, Argentina, among others.

It is well known that the Latin American emancipation starts then to demand an urgent character of transformations of the established model, far away from the old dependent inheritance, centered in the enormous bleeding of resources and it serves to express the shameless net of deformations an limitations imposed by the neo liberal model.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1    O quadro neoliberal na América Latina

           

No início da década 90, com gritos de triunfo os economistas latino-americanos da nova geração saudaram o advento de governos liberais na América Latina, um por um, todos os países aderiam ao novo modelo.

O modelo neoliberal era por fim a salvação, a saída da dependência e do Terceiro Mundo: o neoliberalismo seria por fim a libertação dos pobres tão maltratados pela economia da CEPAL.

Uma nova geração de políticos estava renovando o continente, abrindo as portas e janelas para a mensagem da salvação. Quais eram esses políticos que prometiam um futuro tão glorioso? Enumeravam-nos: Carlos Menem, Fujimori, Fernando Collor de Mello dentre outros. 

            O neoliberalismo encontrou na América Latina um espaço particularmente acolhedor. Devido às características da história latino-americana, à sua cultura e à sua estrutura social.

            O neoliberalismo surgiu contra a CEPAL. O demônio aqui foi Raúl Prebisch, o economista argentino que deu à CEPAL uma orientação muito especial. Porém, o modelo CEPAL não foi aplicado com suficiente desenvolvimento.

            A ideologia neoliberal foi recebida na América Latina dependente não só economicamente, mas também culturalmente. 

            Um dos maiores obstáculos da América Latina é o problema das elites, que tem como característica a obsessão de reproduzir o perfil daqueles que se dizem desenvolvidos. Dessa forma, há uma defasagem entre os desejos das elites e a capacidade tecnológica do país. Perante tal situação, há dois caminhos: ou desenvolver a tecnologia própria com recursos próprios e com a formação de tecnologias nacionais, ou importar tecnologias, importar os bens e serviços que a nação ainda não pôde obter. A América Latina escolheu o caminho da importação e do apelo às multinacionais para importar bens e tecnologias. Com essa opção, os recursos nacionais necessários para o desenvolvimento foram desviados à importação do consumo de luxo para as elites. As elites não somente querem o consumo, mas não querem pagar. Com uma consciência aristocrática herdada dos colonizadores, acham natural que os impostos sejam pagos pelos pobres.

“Na América Latina, as classes médias e abastadas negam-se ferozmente a pagar impostos, por muitas razões – muitas delas egoístas e inaceitáveis, mas também por uma muito boa: acreditam que os seus pesos ou reais serão mal gastos, roubados ou desperdiçados por governos antidemocráticos, insensíveis e impunes” (COMBLIN, 2001).

 “Nessas condições, a ideologia neoliberal foi recebida com entusiasmo como o mais novo dos produtos culturais, a última moda do Primeiro Mundo. Não receber esta última ideologia seria como vestir-se na moda do ano passado. Aplicaram-na sem discernimento, tomando literalmente todos os seus preceitos e escolhendo com preferência os economistas mais radicais” (COMBLIN, 2001). 

Os neoliberais alegam que o modelo da CEPAL foi um fracasso completo e a causa da permanência do subdesenvolvimento na América Latina, assim como todos os problemas econômicos do mundo em geral vêm de Keynes. O modelo da CEPAL, adotado na América Latina na década de 50, foi, segundo eles, o modelo econômico que levou praticamente a ruína.

Ao contrário de alegam os neoliberais, o modelo da CEPAL constava de três princípios: independência econômica, soberania política e justiça social. A emancipação econômica exigia a transformação do modelo anterior, em que o centro da economia era o comércio exterior, importações-exportações, o que tornava os países muito dependentes do mercado mundial.

A emancipação econômica fez-se pela industrialização. Tratava-se de produzir no país, em lugar de importar. Processo que havia começado durante a Segunda Guerra Mundial pela redução do comércio internacional, mas foi na década de 50, objeto de uma ação política clara. Todos os países entraram num processo de industrialização, alguns em forma mais adiantada, como Brasil e México, outros com mais atraso.

Na década de 70, o modelo começou a mostrar dificuldades. Já não se produziu como antes. Sobretudo veio a crise do petróleo e a abundância de petrodólares no mercado internacional. A tentação foi grande de recorrer aos capitais externos e foi a armadilha da dívida externa.

Os economistas cepalianos reconhecem que apareceram dois problemas que não foram resolvidos a tempo: o problema do investimento e o problema da tecnologia.

Em lugar de estimular a poupança interna, recorreu-se aos capitais estrangeiros. Em lugar de criar tecnologias próprias, fez-se apelo às multinacionais. Na hora crucial, o modelo cepaliano não foi assumido de modo renovado para assumir os novos desafios. A América Latina voltou aos seus demônios de sempre: dependência exterior.

Então os ideólogos do modelo neoliberal atribuíram todos os males à teoria da dependência condenada por irrelevante. Na realidade, a teoria da dependência está longe de ter perdido toda a relevância.

É interessante analisar que os países asiáticos fizeram a opção contrária: poupança interna e tecnologia própria.

 

 

2    Aplicação Neoliberal Na Améria Latina

 

Em 1975, no Chile, Pinochet entregou a economia a um grupo de economistas jovens da Escola de Economia da Universidade de Católica formados em Chicago, os chamado “Chicago Boys”. Estes tinham elaborado todo um programa destinado a planejar a “reconstrução” da economia do Chile após 40 anos de forte intervenção estatal.

No Chile, puderam contar com a mão de ferro de Pinochet para implantar o neoliberalismo, apesar dos protestos e dos gemidos de toda a população. Logo após, nos outros países já puderam apresentar o programa e dizer: é isto ou nada, isto ou o caos absoluto, não há alternativa. Políticos influentes na Argentina, no México, Peru, Brasil, puderam impor o modelo numa forma implacável. 

A transformação fundamental consiste em trocar o eixo da economia e tomar a orientação exatamente contrária à anterior. Em lugar de escolher o mercado interno como referência principal, escolhe-se o mercado externo. Em lugar de trabalhar para o mercado interno, trata-se agora de trabalhar para a exportação. Isto exige que se suprimam as barreiras para as importações, que se estimulem às exportações, que se abra o país para o capital externo, com o objetivo de entrar no mercado mundial. O país abre as portas e entra no jogo da concorrência no mercado mundial. Afirma-se que, de todos os modos, o mercado se torna global e quem não entrar no mercado mundial se condena à marginalização. O mercado mundial é o futuro econômico da humanidade e o país que não se abre ao mercado mundial perde a chance de entrar no desenvolvimento.

Para ser competitivo é preciso, por um lado, desenvolver os setores em que o país tem vantagens competitivas. Na prática, os países latino-americanos preferiram importar tecnologia abrindo as portas e oferecendo vantagens às multinacionais.

Acharam mais viável, a abertura ao mercado mundial, abrir caminhos para as multinacionais e permitir que estas ocupem um lugar predominante na economia nacional.

Para entrar no mercado mundial é preciso entrar na luta pelos capitais. Os capitais circulam pelo mundo inteiro à procura de melhores aplicações. Em lugar de buscar capitais internos, é mais fácil abrir para os capitais externos, oferecendo-lhes as melhores condições. Também facilitar as operações, é preciso organizar o mercado de capitais. A Bolsa de Valores tornaram-se o foco da nova economia.

As multinacionais têm total liberdade para substituir, comprando ou eliminando as empresas nacionais, seja na agricultura, na indústria ou no comércio. O capital externo toma conta das antigas empresas públicas. Chega-se a uma situação em que a maior parte da economia está em mãos estrangeiras.

O Estado fraco deve reduzir os gastos sociais (saneamento básico, serviços de saúde, educação, previdência social). Cada um deve cuidar da sua saúde, aposentadoria, educação dos seus filhos. 

O Chile foi também o país que levou mais longe o principio de privatização das empresas estatais. A Argentina seguiu com muito zelo e o Brasil embarcou decididamente no mesmo barco.

Em 1994 houve o desastre do México. Os Estados Unidos salvaram país injetando 20 bilhões de dólares. Assim mesmo, para a população foi um desastre. Milhões de pessoas foram prejudicadas. Milhões passaram da pobreza para a miséria. E o país teve que hipotecar o petróleo, principal recurso nacional.

Houve 1998 o grande susto. Muitos temeram que o Brasil sucumbisse ao mesmo desastre em que caíram os países do Sudeste Asiático e a Rússia. Se o Brasil caísse, o resto da América do Sul cairia também. Na última hora, o FMI quis salvar, graças aos 41 bilhões de dólares que foi possível juntar, porque o Congresso norte-americano contribuiu com 20 bilhões. O Brasil aumentou drasticamente a sua dívida externa e não se salvou!

 

 

2.1    Conto da Globalização

 

            A América Latina caiu no conto da globalização. Mais do que outras regiões do mundo, a América Latina acreditou na globalização e ainda muitos acreditam. Aceitaram como verdade evidente, confirmada pelos fatos, “cientificamente” comprovada.

            Segundo o mito da globalização, haveria somente um mercado e este seria mundial. De todas as regiões do mundo viriam todos os produtos de qualquer procedência, de tal sorte que as nações deixariam de ter significado para a economia. Todos os homens seriam vendedores e compradores no único mercado mundial.

            Esquecem que os países do Terceiro Mundo não poderão colocar livremente os seus produtos neste mercado mundial “aberto”. As potências econômicas controlam o comércio e colocam inúmeras barreiras à livre circulação. Defendem teoricamente a abertura dos mercados, mas esta idéia vale para os outros, para elas não vale.

            A liberdade de mercado está longe de existir na realidade. Os países latino-americanos que estão dispostos a abrir as suas fronteiras, pensando que vão poder exportar sem restrições, expõem-se a tristes desilusões.

Não só no Terceiro Mundo, mas de forma geral, a globalização significa dependência. Pois nunca serão os países do Terceiro Mundo que vão dominar o mercado. Outros dominam, porque o mercado está situado no mundo. Não é nenhuma realidade celestial independente das forças humanas. O mercado é dominado e nunca os países pobres são os dominadores.

            “A globalização serve para enganar os povos mais fracos, serve para forçar a livre entrada nos seus mercados, sem nenhuma reciprocidade garantida” (COMBLIN, 2001).

Os agravantes que condicionam tremendamente a evolução da América Latina no meio dos processos chamados de globalização ou modernização. A América Latina não enfrente o mercado global com as mesmas armas: entra com o peso da dívida externa e a defasagem tecnológica.

            Para poder adiar o pagamento de juros ou a amortização da divida, os países devem negociar com o FMI, tido como intermediário de fato entre os devedores e os paises que cobram ou o sistema bancário. O FMI concede ou recomenda. Os países contratam novas dívidas para pagar o que devem e, assim entram num círculo sem fim: precisa pedir dinheiro emprestado para pagar as dívidas, aumentar a dívida para pagar o que se deve. O círculo clássico da pobreza de todos os tempos.

            Lógico que o FMI concede com condições. Obriga os governos a entrar no Consenso de Washington, ou seja, o conjunto de medidas neoliberais que facilitam a entrada do capital externo nos países implicados. Os países devem abrir as portas e entregar a sua economia às entidades multinacionais, aos países dominantes.

            O FMI dita a cada governo o orçamento que deve aplicar. Cada governo deve adotar o programa de equilíbrio financeiro, manter a moeda estável e oferecer aos grupos estrangeiros certas regalias.

            Na América Latina, a única maneira de se chegar ao equilíbrio do orçamento do Estado consiste em restringir os gastos sociais. Reduzir os investimentos na educação, na saúde, no saneamento básico ou nas obras de infra-estrutura.

A dívida externa tira a liberdade dos Estados e os obriga a praticar uma política anti-social. As reuniões internacionais publicam documentos de boas intenções, mas, na prática, não acontece nada. A dívida externa é uma questão vital para os pobres do continente, que são os que pagam, sem terem nunca recebido vantagens dela. Os ricos usaram o dinheiro à vontade e agora os pobres têm de pagar a conta.

Em 1997, o Programa Das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) avisava que “somente a redução da divida poderá reduzir a pobreza em muitos países”. O Programa assinalava que já se fizeram muitas propostas, mas sem nunca chegar a conclusões práticas.

           

 

2.2    Os Povos e o Neoliberalismo

 

Na Europa, no final da década de 90, os povos reagiram escolhendo governantes dos partidos socialistas, embora estes sejam dos mais moderados. Na Europa, a fórmula neoliberal é representada pelos 2/3. Há 1/3 de pobres e 2/3 integrados no sistema. Na América Latina vale o inverso: 1/3 integrado e 2/3 excluídos. Excluídos que continuam apoiando os governos neoliberais nas eleições democráticas, ou seja, nas eleições efetuadas de acordo com as regras fixadas nos países industrializados. Os excluídos elegem e reelegem Concertação no Chile, Menem na Argentina, Fujimori no Peru, Fernando Henrique Cardoso no Brasil.

Há indícios suficientes que permitem pensar que esses governos recebem mais apoio nas massas populares excluídas do que na classe média, e sobretudo, nas classes que passaram pela Universidade.

O apoio popular tem varias razões. Em primeiro lugar, em muitos países os governos neoliberais assumiram o mando depois de fracassos de governos populistas que levaram a uma inflação altíssima e a perturbações econômicas. O povo ficou preocupado e nervoso, buscando estabilidade e tranqüilidade. Foi o caso na Argentina, depois da explosão da inflação que Alfonsín não conseguiu controlar e o desestabilizou, a tal ponto que resolveu entregar o poder a Menem, antes mesmo de concluir o mandato. O caso no Brasil, depois das sucessivas tentativas de luta contra a inflação, sendo o mais famoso e o mais fracassado deles o plano Collor. Também o caso no Chile, depois do último ano de Allende numa confusão que desarmou os partidos de esquerda. O povo fica aterrorizado pela inflação alta que lhe faz perder até a metade dos seus recursos. No Brasil até hoje, o “real” tem efeito magnético. Basta recordar o “real” e o povo vai atrás da pessoa a quem se atribui o plano real: daí as eleições de 1998.

Em segundo lugar, na América Latina as expectativas populares são fracas. O povo dos pobres não espera e nem exige muito das autoridades. O Estado do Bem-estar nunca foi completo. O povo formou o mercado informal com milhares de excluídos que atuam nas ruas. Os trabalhos do setor informal permitem subsistir, mas o povo não espera do governo que lhe dê emprego. Todo emprego que se apresenta é tido por grande parte dessas pessoas como um benefício e privilégio. O político que arranja um emprego é tido por grande benfeitor, não como pessoa que cumpre o seu dever. Por isso, se a política provoca desemprego, o governo não é tido por responsável. Pode invocar qualquer pretexto, uma crise mundial e o povo aceita a desculpa.

Por fim, uma terceira razão é muito importante: a influência da propaganda. A mídia realiza um trabalho de bombardeio incessante. A propaganda nunca discute argumentos, mas apenas repete sem cessar as mesmas fórmulas. Como na propaganda comercial, o que vale é a repetição do mesmo slogan, da mesma imagem. O conteúdo importa pouco. Ora, os governos, partidos ou movimentos neoliberais dispõem de muito mais recursos.

O trabalho fica em aberto, esperando que as atitudes políticas direcionadas no presente, melhorem o quadro de degradação social e estruture a fragilidade social-política-econômica-cultural. Pois, a ordem até o momento permanece a mesma, continua a desenvolver o “darwinismo social” e o caos.

Sobre o futuro da América Latina cito trechos de duas obras de Eric Hobsbawm (A Era dos Impérios, 1875-1914; Era dos Extremos – O breve século XX – 1914-1991), que contribuirão para reflexão sobre o tema.

 

 

 

“Os indícios de que o mundo no século XXI será melhor não são negligenciáveis. Se o mundo conseguir não se autodestruir, a probabilidade será bastante grande. Mas não chegará à certeza. A única certeza que podemos ter em relação ao futuro é que ele surpreenderá até mesmo aqueles que puderam ver mais longe”. (HOBSBAWM, 2002, p. 469)

 

 

 

“Contudo, esperanças ou temores não são previsões. Sabemos que, por trás da opaca nuvem de nossa ignorância e da incerteza de resultados detalhados, as forças históricas que moldaram o século continuam a operar. Vivemos num mundo conquistado, desenraizado e transformado pelo titânico processo econômico e tecnocientífico do desenvolvimento do capitalismo, que dominou os dois ou três últimos séculos. Sabemos, ou pelo menos é razoável supor, que ele não pode prosseguir ad infinitum. O futuro não pode ser uma continuação do passado, e há sinais, tanto externamente quanto internamente, de que chegamos a um ponto de crise histórica. As forças geradas pela economia tecnocientífica são agora suficientemente grandes para destruir o meio ambiente, ou seja, as fundações materiais da vida humana. As próprias estruturas das sociedades humanas, incluindo mesmo algumas das fundações sociais da economia capitalista, estão na iminência de ser destruídas pela erosão do que herdamos do passado humano. Nosso mundo corre o risco de explosão e implosão. Tem que mudar”. (HOBSBAWM, 2002, p. 561-562)

      

 

 

“Não sabemos para onde estamos indo. Só sabemos que a história nos trouxe até este ponto e por quê. Contudo, uma coisa é clara. Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar. E o preço do fracasso, ou seja, a alternativa para uma mudança da sociedade, é a escuridão”.  (HOBSBAWM, 2002, p. 562)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3    ReferÊncias Bibliográficas

  CHACON, Vamireh. O Mercosul – A integração econômica da América Latina. São Paulo: Scipione, 1998.

 COMBLIN, José. O Neoliberalismo – Ideologia dominante na virada do século. Petrópolis: Vozes, 2001.

 EDIÇÕES LOYOLA. O Neoliberalismo na América Latina – Carta dos Superiores Provinciais da Companhia de Jesus da América Latina. São Paulo: Loyola, 1996.

 GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.

GENTILI, Pablo A. A. & ALENCAR, Chico. Educar na esperança em tempos de desencanto. Petrópolis: Vozes, 2001.

 GENTILI, Pablo A. A. & SILVA, Tomaz T. da (Orgs.). Neoliberalismo, Qualidade Total e Educação. Petrópolis: Vozes, 2001.

 GENTILI, Pablo A. A. (Org.). Globalização Excludente – Desigualdade, exclusão e democracia na nova ordem mundial. Petrópolis: Vozes, 2001.

 HOBSBAWM, Eric. A Era dos Impérios – 1875-1914. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

 HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos – O breve século XX – 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

 HOBSBAWM, Eric. Tempos Interessantes – Uma vida no século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

 KENNEDY, Paul. Preparando para o século XXI. Rio de Janeiro: Campus, 1993.

 KUCINSKI, Bernardo. O que são Multinacionais. São Paulo: Brasiliense, 1985.

 NOVAES, Carlos E. & RODRIGUES, Vilmar. Capitalismo para principiantes. São Paulo: Ática, 1987. 

 PASSET, René, A ilusão neoliberal. Rio de Janeiro: Record, 2002. 

 RAMONET, Ignácio. Geopolítica do caos. Petrópolis: Vozes, 1998.

 RIVERO, Oswaldo de. O Mito do Desenvolvimento – Os países inviáveis no século XXI. Petrópolis: Vozes, 2002.

 SADER, Emir & GENTILI, Pablo A. A. (Orgs.). Pós-neoliberalismo – As Políticas Sociais e o Estado Democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000.

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 SANDRONI, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo: Best Seller, 2002.

 SEVARES, Julio. Por qué cayó la Argentina – Imposición, crisis y reciclaje del orden neoliberal. Buenos Aires: Norma, 2002.

 SINGER, Paul. O Capitalismo – sua evolução, sua lógica e sua dinâmica. São Paulo: Moderna, 2002.

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Ponencia presentada en el Quinto Encuentro Internacional Humboldt. Neuquén, Argentina. Octubre de 2003.