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Asunto:[encuentrohumboldt] 381/04 - ATIVIDADE TURÍSTICA EM ÁREAS DE PRESERV AÇÃO AMBIENTAL: O caso do Parque Estadual das Nascen tes do Rio Taquari-MS
Fecha:Martes, 31 de Agosto, 2004  16:37:22 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <humboldt @...............ar>

ATIVIDADE TURÍSTICA EM ÁREAS DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL:

O caso do Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari-MS

 

Roni Mayer Lomba

UFMS/Dourados

Edvaldo Cesar Moretti

 

UFMS/Dourados

 

 

Nível do trabalho: Iniciação Científica

 

 

Abstract

This research for a scientific initiation aims at analysing the production and occupation of the sul-mato-grossense space due to an economical activity – the tourism in areas of preservation.

The park of the heads of Taquari-Ms river is between the cities of Costa Rica and Alcinópolis, next to the border with Goiás. The area which the park takes is now very degraded because of the constant action of the capitalist society.

This parks follows a world-wide standard called “the natural paradise”, where people who are under stress can go and have some peaceful moments in order to get in touch with the nature. This meeting is possible by the selling of the nature, i.e. the space is sold to people who can pay and the tourism id the only way of inserting the capitalism.

To maximize this research, a bibliographical revision is being done, a survey of information about the Conservation Unity, interviews with different segments in the local society which aims at collecting data and opinions referring to the new job proposals and assessment which the park can provide to society.

 

 

 

O presente trabalho analisa o processo de criação da Unidade de Conservação das Nascentes do Rio Taquari e as transformações territoriais e culturais nos municípios de Alcinópolis e Costa Rica no estado de Mato Grosso do Sul, relacionadas à implantação de uma Unidade de Conservação com a perspectiva no crescimento da atividade turística.

Por isso faz-se necessário investigar o papel do poder público no momento em que realiza a proposta de transformar aquela área em uma unidade de conservação, analisando a relação existente entre a implantação de uma unidade de conservação, o desenvolvimento da atividade turística e as transformações na produção e consumo do espaço.

Para que a atividade turística se desenvolva, as relações da sociedade com a natureza deverão ser modificadas para poderem atender ao consumo especifico desta atividade, culturas originais deverão ser modificadas cedendo espaço a um outro modelo de desenvolvimento econômico  regional. A criação do Parque das Nascentes do Rio Taquari insere-se enquanto atividade turística, acarretando possível re-ordenamento do espaço local.

Com isso a unidade de conservação das Nascentes do Rio Taquari mostra-se como uma alternativa de preservar elementos da natureza e inserir uma atividade econômica com o intuito de preservar biomas e ao mesmo tempo gerar desenvolvimento econômico para suprir as necessidades da sociedade daquela região.

Dessa forma, exige uma reformulação cultural na região, ou seja, uma sociedade que tinha como base econômica a agricultura e a pecuária, com a crise econômica destes, surge a necessidade de buscar uma outra alternativa de desenvolvimento econômico, no caso o turismo. Portanto, analiso a existência  de uma contradição de paradigmas, pois, no momento em que este lugar era marginalizado pela classe dominante local por não permitir a agricultura ou a pecuária, agora é visto como a salvação de uma economia falida e uma forma de reencontro com o mundo natural.

A criação do Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari surge no momento em que ocorre o reencanto social com a natureza devido à problemática ambiental e artificialização das cidades, acrescido também a uma forte propaganda realizada pela mídia, que faz o ser humano sentir a necessidade de visitar os elementos da natureza nos momentos de lazer, ocorrendo entre outras problemáticas a artificialização do espaço, a desfiguração da cultura nas comunidades locais, a degradação dos ambientes naturais e o problema mais grave, a elitização do poder de compra do turismo, geralmente relacionado a uma pequena parcela da população mundial que possui as condições materiais e imateriais para realizar turismo.

Neste sentido, concordo com o autor Ricardo Barbosa de Lima (1998) quando dá um exemplo bem claro de contradição de paradigmas, muito semelhante ao fato ocorrido no Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari:

As jazidas de cristal de rocha, sucedâneas das primeiras fazendas e da cultura do trigo, foram fundamentais para a ocupação da Chapada dos Veadeiros, formando os primeiros povoados (...) No começo do, os cristais de rocha atraíram as pessoas para as frentes de garimpo. O primeiro garimpo, o “Garimpão” foi descoberto em 1912. (...) Mais recentemente, no inicio da década de 1980, o interesse sobre esses mesmo cristais de rocha voltou a exercer uma força de atração sobre humanos errantes. Não mais garimpeiros, mas grupos de pessoas com vinculações com o pensamento ecológico, fundamentalmente religiosas e místicas. (...) No primeiro momento, os cristais de rocha estão vinculados à imagem de enriquecimento fácil e à sua utilização em equipamentos de guerra. No segundo momento, o interesse sobre os cristais atrai novos migrantes à Chapada dos Veadeiros, para uma vida despojada e ligada à defesa da vida e da natureza. (1998:, p.53-55)

 

As unidades de conservação são territórios demarcados por órgãos públicos com o intuito de manutenção da paisagem natural e desenvolvimento regional. É, no entanto, um bem comum da sociedade. Estes mesmos órgãos públicos vendem esses espaços através da cobrança de taxas para entrar e visitar os parques. Com isso tornam-se produtos  destinados às classes sociais com condições financeiras de adquirir e praticar turismo.

 O termo “unidades de conservação” surgiu como uma forma de amenizar as pressões políticas, econômicas e sociais, agravadas pelo modelo econômico capitalista de transformar a natureza em mercadoria de consumo. Assim as unidades de conservação (UC) surgem como uma outra forma de consumo dentro do sistema, uma alternativa de lazer, um lugar desabitado, “um paraíso”, que o ser humano com poder aquisitivo poderia visitar nas férias, onde poderia consumir as paisagens e eliminar todo stresse adquirido no cotidiano da vida urbana.(Santos, 1994)

O modelo de parque que é adotado no mundo todo, com raras exceções, surgiu nos Estados Unidos no século passado: o parque de Yelowstone foi o primeiro, era um modelo que exigia principalmente que essas áreas fossem totalmente desabitadas, nelas vivendo somente elementos da natureza, aberta para visita de turistas. Esse modelo de unidade de conservação foi exportado para todo o globo, principalmente para os países de Terceiro Mundo, com a proposta de transformar 10% de seus territórios em áreas de proteção ambiental. Essa proposta atingia principalmente os países periféricos, pois, para as potências capitalistas, o número de unidades de conservação, e a proporção territorial eram bem menores. (Diegues, 1994, p. 19-23).

O Brasil como o restante do mundo foi um dos países a adotar o modelo americano de UC (unidades de conservação – wilderness em inglês), o primeiro a ser criado foi o Parque Nacional de Itatiaia no Estado de São Paulo na década de 30, mas somente nas décadas de 70 e 80 ocorreu significativo aumento tanto em número como em espaço territorial de unidades de conservação.

O modelo de parque americano enfrentou críticas e conflitos, tanto dentro dos EUA, como no Brasil, devido à imposição de retirar toda a população que morasse nas delimitações do parque, e que vivia em relativa harmonia com a natureza. Um exemplo claro disso são os povos indígenas, que viviam  exclusivamente desse meio natural.

Especificamente no Estado de Mato Grosso do Sul, o governo estadual criou algumas unidades de conservação, a partir de 1990. O primeiro a ser criado foi o Parque das Várzeas do Rio Ivinhema, uma compensação da CESP pela área apropriada pela instalação da usina hidrelétrica engenheiro Sergio Motta, o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari, criado em área bastante degradada pelo homem; Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro; Estrada Parque do Pantanal; Estrada Parque de Piraputanga; Rio Cênico, Rotas Monçoeiras e Rio Coxim e Parques urbanos de Campo Grande. (SEMA, 1999, s/p)

A proposta do governo sul-mato-grossense é transformar estas áreas de conservação em pontos de atrativo turístico, como podemos aferir na publicação sobre unidades de conservação lançada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (1999, p. s/p):

O governo popular consciente de seu papel na defesa do patrimônio natural de Mato Grosso do Sul criou os Parques das Várzeas do Rio Ivinhema, do Pantanal do Rio Negro, das Nascentes do Rio Taquari, as Estradas Parques do Pantanal, de Piraputanga e o Rio Cênico Rotas Monçoeiras – Rio Coxim. Todas estas áreas são agora patrimônio da coletividade sob gestão do Governo Popular e, em breve, estarão abertas ao uso público.

 

Neste trabalho, analisamos a criação do Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari, com uma área de aproximadamente 30.618 hectares, com uma diversidade de belezas cênicas importantíssima para o desenvolvimento da atividade turística, que inclui um corredor ecológico Cerrado-Pantanal, sítios arqueológicos, cavernas, pinturas rupestres e petróglifos, além de uma rica diversidade de fauna e flora. Seu estudo, dentro da Geografia, se faz muito importante devido às transformações no local promovidas pela desapropriação da área e inserção da atividade turística .

O Parque das Nascentes do Rio Taquari, situa nas cidades de Costa Rica e Alcinópolis, as quais tendem a sofrer uma transformação muito grande na produção da paisagem local e na cultura de sua população, pois o modelo de desenvolvimento atual obriga    a população à nova dinâmica, principalmente se considerarmos que, em sua história cultural, as cidades de  Alcinópolis e Costa Rica tém na agricultura e pecuária suas atividades principais de sobrevivência e desenvolvimento. Assim com a inserção da atividade turística, as relações de trabalho se modificam, surgem novos ramos de serviços voltados a atender turistas, como trabalhos em hotéis, restaurantes, etc e também se verifica a informalição do trabalho, ou seja, empregos sem os direitos trabalhistas garantidos por lei.

Analisando a questão do trabalho,  Moretti (2001, p.48) argumenta:

Podem ser destacadas algumas destas problemáticas que possuem relação direta com a atividade turística: o debate sobre a questão do trabalho e de suas transformações; a questão do aumento do tempo fora do espaço e tempo do trabalho; o aumento da velocidade da locomoção e das comunicações; a homogeneização do espaço de lazer. Estas questões são fruto de transformações referentes ao movimento do modo de produção capitalista, com destaque para evolução da técnica que promove profundas mudanças nas relações societárias.

 

Entre as problemáticas relacionadas à atividade turística, entram as relações de trabalho, o aumento do ócio, as comunicações, a homogeneidade do lazer. Alguns autores como Paul Virilio (1998), colocam as mudanças relacionadas aos motores; Milton Santos (1994) refere-se à passagem da sociedade industrial para a informal.

Ainda sobre a questão do trabalho, o autor De Masi (1998) acredita que o avanço tecnológico deve aumentar o tempo livre do indivíduo, libertando-o em relação ao trabalho Assim o turismo é visto como uma atividade de lazer para preencher o tempo ocioso; outros autores como Boaventura de Souza Santos (1995) e Paul Virilio (1998) analisam o turismo como uma atividade construída em relações sociais desiguais e excludentes, assim o avanço tecnológico provocará o desemprego, o tempo livre gerará violência, não lazer. (Moretti, 2001, p. 49)

Através do turismo, as relações sociais locais de poder transformam-se de acordo com os novos ideários de desenvolvimento construídos a partir da década de 70, com a revalorização da natureza, representada pela idéia do chamado desenvolvimento sustentável, em que o modelo atual da atividade turística procura inserir-se.

A criação do Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari enquadra-se no novo processo de exploração capitalista, chamado desenvolvimento sustentável que analiso como a contradições, pois o termo desenvolvimento significa produção ilimitada de mercadorias e sustentável quer dizer manter, manutenção, ou seja, estas palavras se contradizem, abordam aspectos distintos em um modelo atual de sociedade que deposita sua fé na ciência, que esta irá resolver os problemas do mundo no futuro, como doenças, fome, etc., através da industrialização; da atividade turística, buscando assim novos caminhos para a vida no mundo. (Rodrigues, 2001, p. 20/1)

Devido ao momento de crise, o desenvolvimento sustentável mostra-se como um aprimoramento em relação ao antigo modo de reprodução da natureza, com ênfase na preocupação ambiental em conservar elementos da natureza para gerações futuras.

 As mudanças do modelo ocorrem por revoluções bruscas ou graduais; quando um ramo da ciência não consegue solucionar os problemas pelas regras vigentes, mudam-se conceitos e ocorrem trocas. A ciência que oferecer melhor resposta acumula status; o modelo que não oferecer respostas cabíveis, entra em crise. (Pires,  1998, p. 64/5)

A ciência que se mostrar mais competente consegue o consenso da maioria, as mudanças no modelo significam mudanças no mundo.

Assim analiso o atual momento de decadência, devido à inflação, desemprego, poluição, crimes, mostrando a existência de uma crise única, a crise do capitalismo. Neste sistema, ocorre a separação entre sociedade e natureza, vista pelo atual modelo como matéria-prima a ser apropriada. (Capra, 1990, apud Pires, 1998, p. 66)

A crise atual da ciência moderna mostra a necessidade de um outro modelo, denominado transição ao desenvolvimento. Nota-se atualmente a preocupação com o ecológico; percebe-se que os recursos naturais usufruídos para a reprodução do capital são frágeis e não infinitos. Define-se claramente a crise do desenvolvimento e da sociedade moderna.

Relacionado à crise, concordo com a autora Célia Serrano quando esta faz referências ao desenvolvimento sustentável:

Devido às catástrofes mundiais, ameaças nucleares, o meio ambiente é colocado em xeque,  sob uma nova visão, a natureza deixa de ser analisada apenas como recurso para se integrar à vida social humana. Atualmente no campo das ciências sociais há este estudo sobre o desenvolvimento sustentável, crescimento dos movimentos em proteção a natureza e a qualidade de vida. (1997, p. 05)

 

O processo de urbanização se intensificou nas últimas décadas, deslocando o ser humano do contato com a natureza para as cidades. Nos grandes centros urbanos, a paisagem natural é escondida através da pavimentação de ruas e calçadas, construção de edifícios e casas,  transformando-se em um ambiente artificial. O progresso observado nas grandes cidades esconde a natureza, transforma o lugar em uma área totalmente artificial, gera problemas ao meio ambiente como as ilhas de calor, poluição, efeito estufa; surgindo assim o mito do reencantamento da natureza, realizado agora pela atividade econômica turística. (Rodrigues, 2001)

Com o passar do tempo, o ser humano percebe que seu afastamento da natureza provoca uma série de efeitos maléficos à vida, também em função da agitação cotidiana das grandes cidades. Para Luchiari (1999, p.122),

A explosão da atividade turística está estreitamente associada à insatisfação com a vida cotidiana. As cidades, embebidas pelo mundo do trabalho, levam suas populações à mobilidade. Esta mobilidade tem, então, um caráter de evasão, de fuga planejada para o anticotidiano, que se coloca em contraposição à desumanização do lugar de moradia.

 

A reaproximação com a natureza através do turismo, torna-se algo necessário à vida humana, a atividade turística procura vender uma imagem, uma mercadoria que faz o ser humano sentir necessidade de compra, consumo e que pague por ela, fazendo surgir à necessidade da existência de lugares onde possa ocorrer essa espécie de mercantilização do espaço, como a criação parques, áreas naturais desabitadas, tornando possível usufruir um meio ambiente saudável nos seus momentos de lazer.

O turismo é um fenômeno social que abrange o mundo inteiro. Com a globalização, ocorre a melhoria nos meios de comunicação e transporte, envolvendo grande parte das camadas sociais, mesmo os não-turistas são atingidos indiretamente como trabalhadores no turismo ou entrando em contato com esses prestadores de serviços etc. Nesta relação, os  turistas são os consumidores, a demanda; os prestadores de serviços constituem a oferta. (Barretto, 2000, p.14)

A atividade turística ecológica ou ecoturismo, utilizando como base o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari, surge então como uma atividade econômica, pois, para voltar a ter contato com a natureza, o homem deverá consumir, pagar por ela. Desta forma, o turismo transforma a natureza em mercadoria. Justificando a mecantilização do espaço,  Altvater (1995, p.157) considera:

 O mercado mundial não é somente mercado, mas um conjunto de formas econômicas e instituições político-econômicas, cuja articulação mais ou menos coerente configura o modo de funcionamento do mercado mundial numa dada época histórica.

 

Outro autor, Ceballos-Lascuráin (1995, p.25/6), utilizando-se dos dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo, afirma:

O turismo de modo geral, já é a indústria civil mais importante do mundo... o turismo é hoje a maior indústria do planeta... A indústria do turismo é maior que a do automóvel, do aço, da eletrônica ou da agricultura. A indústria de viagens e turismo emprega 127 milhões de trabalhadores (um em cada 15 trabalhadores em todo mundo). Ao todo, a expectativa é de que a indústria do turismo duplique até o ano de 2005.  

 

Dentro da atividade turística, existem diferentes maneiras e formas de praticar turismo, e no que se refere  ao turismo com base na preservação da natureza, o ecoturismo apresenta-se como segmento turístico que mais cresce no mundo.

A industria do turismo hoje vê um de seus braços, o ecoturismo, espécie de atividade que vai desde os passeios em florestas a esportes radicais, como segmento turístico que mais cresce no mundo. A atividade turística emprega hoje 10% da população economicamente ativa, deve movimentar 7,9 trilhões até 2005, com crescimento entre 4 a 5% ao ano; no mesmo período o ecoturismo deve crescer 20% ano. (Serrano, 1997, p. 07)

Para que a atividade turística em parques obtenha um numero cada vez maior de adeptos, uma série de infra-estruturas deve ser criada, como estradas asfaltadas, redes de hotéis e restaurantes, aeroportos, portanto, apesar de o discurso oficial relacionar a criação das Unidades de Conservação à preservação de áreas naturais, ocorre ao mesmo tempo a urbanização destas , que garante as condições econômicas e políticas para a efetivação das unidades.

Para que se instale a atividade turística, faz-se necessário à região ter um potencial, uma paisagem histórica ou natural; o Estado se responsabiliza pela criação da infra-estrutura, como estradas, aeroportos; com a estrutura pronta, o Estado se retira, entregando à iniciativa privada o direito de apropriação dos lucros; ao turista cabe aproveitar o lazer; ao trabalhador, alcançar o bem-estar. (Rodrigues, 2001, p. 32)

Hoje a recriação do mito de paraíso natural vende os lugares como um paraíso que está sendo preservado, como atividades não-destruidoras dentro do “desenvolvimento sustentável”.

Utilizando o  pensamento de Barreto (2000), analiso que é falsa a idéia que o turismo traz desenvolvimento econômico à sociedade, pois quem retém a maior parte do dinheiro são os prestadores de serviços; os trabalhadores recebem salários baixos, não conseguem assim ter despesas significativas; ao governo atinge a evasão de boa parte dos impostos, e as diversas formas de isenção para atrair grandes empresas multinacionais turísticas faz com que este pouco lucre com esta atividade.

 Para chegar ao ápice da sociedade moderna, a atividade turística vai passar por transformações, devido principalmente ao sistema econômico que propicia melhorias na tecnologia e em outros conceitos histórico culturais. Assim Virilio (1996, p.35) considera:

 Os motores como impulsionadores nesta história, primeiro o motor a vapor, depois o foguete e mais recentemente o motor da informática. Este motor faz com que o virtual derrote o real, alteram o tempo e o espaço local, assim um fato ocorrido em um lugar pode ser visto ao mesmo tempo no mundo todo; a atividade turística apropria-se do virtual, denominado era digital para vender produtos, imagens, etc.

 

A criação de Unidades de Conservação está atrelada a uma produção territorial voltada para a privatização das áreas naturais, com a atividade turística sendo a concretude desta ação.

O turismo não está relacionado apenas à visitação de pessoas a lugares, é necessário analisar a sua complexidade, a circulação de pessoas e mercadorias, a tecnologia para conhecer os lugares a serem visitados e os serviços; envolve então um universo amplo. (Rodrigues, 2001, p. 35)

O turismo de  base local, tendo como exemplo o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari só tem o espaço como local, pois este se insere em um contexto globalizante e mundial no sentido de consumo de mercadorias e serviços. O turismo deve ser entendido como um processo de produção, circulação e consumo de mercadorias.

Inserido nesta atividade econômica complexa, o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari mostra-se como ambiente natural apropriado pela atividade turística, que, utilizando a propaganda do lazer para o turista transforma o lugar de forma comercial, para gerar lucro.

Cabe à Geografia aprofundar os estudos sobre esta atividade turística, analisando as transformações no espaço, seja cultural, estrutural ou social, que tal atividade promove.

 

 

Referências bibliográficas

 

ALTVATER, E. O preço da riqueza. São Paulo : Edunesp, 1995.

BARRETO, M. As ciências sociais aplicadas ao turismo. In: SERRANO C.; BRUHNS,

H.               T. & LUCHIARI, M. T. (orgs).  Olhares contemporâneos sobre o turismo. São

I.                   Paulo: Papirus, 2000.

CEBALLOS-LASCURÁIN, H. O  ecoturismo como um fenômeno mundial. In: LINDBERG, K. & HAWKINS, D. E. (editores). Ecoturismo: um guia para planejamento e gestão. São Paulo: SENAC-SP, 1995, p. 16 – 22.

DIEGUES, A. C. S. O mito moderno da natureza intocada. São Paulo, 1994.

LUCHIARI, M. T. D .P. O lugar no mundo contemporâneo Turismo e Urbanização e Ubatuba-SP. Campinas: UNICAMP, Depto Sociologia, Agosto/1999. Tese  Doutorado.

MATO GROSSO DO SUL. Parque Estadual das Nascentes do rio Taquari. Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Campo Grande: SEMA, 1999.

MORETTI, E. C. Atividade turística: produção e consumo do lugar Pantanal. In: BANDUCCI Jr & MORETTI (orgs). Qual Paraíso? Turismo e ambiente em Bonito e no Pantanal. São Paulo – Campo Grande: Ed. Chonos/UFMS, 2001.

PIRES, M. O., A trajetória do conceito de desenvolvimento sustentável na transição de paradigmas. In: DUARTE, L. M. G. & BRAGA, M. L. de S. (org). Tristes cerrados. Sociedade e biodiversidade, Brasília: Paralelo 15, 1998.

SANTOS, M. Técnica, espaço e tempo. São Paulo: Hucitec, 1994.

SERRANO, C. Turismo e meio ambiente: leituras das Ciências Sociais. Campinas: Papirus 1997.

VIRILIO, P. A arte do motor. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.


Ponencia enviada al Cuarto Encuentro Internacional Humboldt. Puerto Iguazú, Argentina. Setiembre de 2002.