Inicio > Mis eListas > encuentrohumboldt > Mensajes

 Índice de Mensajes 
 Mensajes 729 al 748 
AsuntoAutor
331/04 - Proyecto Centro H
332/04 - Inundacio Centro H
333/04 - Elementos Centro H
334/04 - DA NATURE Centro H
335/04 - LOS LÍMIT Centro H
336/04 - SALIDAS D Centro H
337/04 - El Turism Centro H
338/04 - Estudo Pr Centro H
339/04 - Fronteira Centro H
340/04 - Frontera humboldt
341/04 - NOTAS PRE Centro H
342/04 - INSCRIPCI Centro H
343/04 - El sistem Centro H
344/04 - TRÁMITE P Centro H
345/04 - TRÁMITE P Centro H
346/04 - EL MOVIMI Centro H
347/04 - LUGAR DEL Centro H
348/04 - RESPUESTA Centro H
349/04 - ¿Dónde qu Centro H
350/04 - AUSPICIO Centro H
 << 20 ant. | 20 sig. >>
 
ENCUENTRO HUMBOLDT
Página principal    Mensajes | Enviar Mensaje | Ficheros | Datos | Encuestas | Eventos | Mis Preferencias

Mostrando mensaje 760     < Anterior | Siguiente >
Responder a este mensaje
Asunto:[encuentrohumboldt] 333/04 - Elementos para uma análise regional: aspectos g eográficos da implantação do ramal Gasoduto Campo Gr ande/Dourados (MS)
Fecha:Martes, 10 de Agosto, 2004  00:24:23 (-0300)
Autor:Centro Humboldt <humboldt @...............ar>

Elementos para uma análise regional:

aspectos geográficos da implantação do ramal Gasoduto Campo Grande/Dourados (MS)

 

Adáuto de Oliveira Souza

Silvana Aparecida Lucato Moretti

Edvaldo Cesar Moretti

Silvana de Abreu

(UFMS)

 

 

Resumo

Essa pesquisa objetiva realizar uma análise sócio-econômica e energético dos municípios que poderão ser cortados pelo Gasoduto Bolívia/Brasil no seu ramal que, partindo de Campo Grande projeta-se chegar a Dourados. O Gasoduto em seu percurso original em Mato Grosso do Sul passará nas cidades-pólos de Campo Grande, Corumbá e Três Lagoas, contando com a implantação de uma termelétrica em cada uma dessas cidades. Tais empreendimentos são concebidos como instrumentos estruturadores de desenvolvimento econômico. É neste contexto que o governo estadual e seus parceiros  planejam construir uma extensão do GASBOL e uma termelétrica em Dourados, argumentando ser esta a única cidade-pólo do Estado que não fora contemplada no projeto, estando portanto, prejudicada por não possuir um gasoduto que propiciasse uma mudança na sua matriz energética, ao mesmo tempo em que superasse a restrição energética no seu desenvolvimento. Assim, justifica-se estudos interdisciplinares indicando as necessidades, possibilidades e os impactos desses empreendimentos nesse espaço geográfico.

 

 

Abstract

Elements for a regional analysis: geographical aspects of the gas pipeline branch Campo Grande-Dourados implantation

This research aims at doing a social-economical and energetic analysis of the boroughs which may be crossed by the gas pipeline Bolivia-Brazil in its branch which may start in Campo Grande and reach Dourados. The gas pipeline in its original trajectory crosses the pole-cities of Campo Grande, Corumbá and Três Lagoas and each of these cities are believed to have a thermoelectric installed. Such enterprises are understood as structuring instruments for the economical development. In this context the state government and its partners plan to build a new extension of the GASBOL and a thermoelectric in Dourados, saying that this later was the only pole-city which was not implanted in the project. They also say that this exclusion could cause harm to Dourados as it would not have a gas pipeline which would provide a change in the energetic die and, at the same time, it would not overcome the energetic restriction of its development. Therefore, cross-curricular studies which indicate the necessities, the possibilities and the impacts of these enterprises in this geographic space are reasonable.

 

 

 

Introdução

 

Essa pesquisa, iniciada em dezembro de 2000 –financiada pelo FINEP- se insere no "Projeto Avaliação Estratégica Sócio-Ambiental da área de influência do ramal do gasoduto Campo Grande/Dourados e da usina termelétrica de Dourados (MS)." O referido projeto se caracteriza por sua interdisciplinaridade e intersinstitucionalidade, sendo coordenado pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e com as participações da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da EMBRAPA.[1]

Financiada pela FINEP, essa pesquisa tem como objetivo geral, realizar uma análise sócio-econômico e energética na área da Microrregião de Dourados[2] e naqueles municípios cujos territórios[3] poderão ser cortados pelo traçado do referido ramal. Convém esclarecer que inicialmente o traçado desse ramal, previa como alternativa I, chegar a Dourados passando por Nova Alvorada do Sul, Rio Brilhante e Douradina (BR 163) todavia, deverão ser avaliados traçados alternativos, em função dos resultados apresentados no decorrer desse diagnóstico. Nesse sentido, considerou-se como alternativa II, chegar a Dourados passando por Sidrolândia, Maracaju, Rio Brilhante e Itaporã (BR-060 e MS-156). Foi em função dessas alternativas que se fez o recorte espacial de investigação.

A instalação do Gasoduto Bolívia-Brasil (GASBOL), mais especificamente na extensão partindo de Campo Grande até Dourados pode, variando a escala, provocar alterações profundas na sociedade e na economia dos municípios por ele influenciado. A principal alteração vislumbrada para esses municípios é energética, sendo a avaliação do balanço energético, aqui proposta, imprescindível para realização de prognósticos, considerando-se a importância econômica do espaço geográfico atravessado/influenciado pelo ramal para o conjunto da economia estadual.

Com tais pressupostos, a análise das possíveis alterações decorrentes da implantação do ramal gasoduto Campo Grande-Dourados e o conseqüente prognóstico para o espaço geográfico atravessado pelos dutos são as principais justificativas deste projeto. Essa sistematização em escala necessariamente regional é pensada no contexto de transformações espaciais verificadas mundialmente, com a inserção ou não dos locais sendo definida pela sua capacidade de competitividade. Dessa forma, a pesquisa aqui proposta é entendida como essencial para  a implantação desse ramal do gasoduto e, principalmente, para uma compreensão interdisciplinar de suas conseqüências para o desenvolvimento regional.

No bojo desse processo, os seus objetivos específicos são: 1) identificar e analisar as potencialidades produtivas dos municípios definidos como área de estudo e as possibilidades de desenvolvimento econômico, principalmente, da atividade (agro)industrial; 2) fazer um diagnóstico do consumo de energia nesses municípios e; 3) caracterizar o perfil sócio-econômico da população residente nos referidos municípios.

Como procedimentos de pesquisa a  base conceitual dessa proposta é o planejamento regional tendo como suporte a relação dos aspectos social, econômico e energético.[4] Assim, os procedimentos foram divididos em três partes:

-A análise das potencialidades produtivas será realizado através de entrevistas junto aos órgãos (públicos e privados) representativos e/ou de fomento de cada município, considerando o seu planejamento a curto, médio e longo prazos;

-         O diagnóstico energético será realizado através do balanço energético, considerando o consumo energético de biomassa, gasolina, óleo diesel, álcool, carvão mineral, eletricidade e outros que demonstrem serem utilizados como energia nos municípios estudados. Essa etapa será realizada através de levantamento de campo nos locais de consumo e comercialização destas fontes energéticas;

-         A caracterização do perfil sócio-econômico da população dos municípios será efetivada através de coleta e análise de dados disponíveis no IBGE e nas secretarias de governos - estadual e municipais - cujas competências relacionam-se com a temática em evidência.

Portanto, as fontes dos dados serão de gabinete e de pesquisa de campo, com aprofundamento através de entrevistas dirigidas a órgãos legalmente competentes para as análises necessárias.

 

 

O gasoduto em Mato Grosso do Sul

 

O Gasoduto Bolívia-Brasil (GASBOL) foi inaugurado em 1998, em seu percurso original em território sul-mato-grossense passará nas cidades-pólos de Campo Grande, Corumbá e Três Lagoas, contando inclusive com a implantação de uma usina termelétrica movida a gás natural boliviano (UTE/GN), em cada uma dessas cidades. Tais empreendimentos (o GASBOL e as UTEs) são concebidos como instrumentos estruturadores de um processo de integração energética e econômica, de importância estratégica para a Bolívia e o Brasil. É neste contexto que o governo sul-mato-grossense e seus parceiros (públicos e privados) planejam construir um ramal e uma termelétrica na cidade de Dourados - com capacidade de produzir 500 MW - argumentando ser está a única cidade-pólo de Mato Grosso do Sul[5] que não fora contemplada no projeto/traçado original, estando portanto, prejudicada no sentido de não possuir um gasoduto que propiciasse uma mudança na sua matriz energética, ao mesmo tempo em que corrigisse pontos de estrangulamento – a superação da restrição energética, assim como preços não-competitivos - do seu processo de desenvolvimento econômico, particularmente, o agroindustrial. Referindo-se aos objetivos desse ramal e conseqüentemente introduzindo o gás natural na matriz energética essas cidades tornar-se-iam auto-suficientes em energia elétrica possibilitando-lhes sua transformação em pólos agroindustriais, diversificando suas bases econômicas locais, além de agregarem maior valor aos produtos produzidos à partir do uso do gás natural.[6]

Nesse sentido, vem sendo mantidos entendimentos, desde novembro de 1999, ocasião em se assinou um Termo de Compromisso entre o governo estadual e o Ministério das Minas e Energia prevendo-se a verificação da atratividade técnica e econômica de levar gás natural a cidade de Dourados, através de um ramal do GASBOL, partindo de Campo Grande.[7]

Investigando a inserção da região Centro-Oeste no processo de divisão territorial do trabalho ao nível nacional, Abreu (1998) assevera que:

A região constituiu-se e consolidou-se como fronteira agrícola do País, sendo considerada como fronteira de recursos com grande potencialidade, o que, na prática apresentava duplo papel: de povoamento e de crescimento econômico (...).

 

Ainda sobre essa temática, porém, em termos de Mato Grosso do Sul, Lamoso (1999) argumenta que:

O aprofundamento da inserção do Estado de Mato Grosso do Sul no mercado nacional tem por base os mais atualizados parâmetros de produção em vigência e para isso a instalação das indústrias colaborou de forma fundamental, na implantação de um padrão agrário moderno (...).

 

Especificamente, a Microrregião de Dourados apresenta uma maior diversidade econômica no total do Estado, o que pode ser um fator diferenciador na própria dinâmica fundiária, pela presença de maior infra-estrutura, instalações industriais e o fato de o próprio mercado consumidor estar mais concentrado geográficamente, nessa porção de Mato Grosso do Sul. Analisando a inserção de Dourados em seu contexto regional, Souza (1995) argumenta que trata-se da segunda cidade mais populosa de Mato Grosso do Sul (com aproximadamente 160 mil/hab.), constituindo-se em pólo regional no universo da Microrregião que recebe o seu nome, assim como, em todo o polígono austral do território estadual.

No documento síntese do GASBOL (1997) se reconhece o Gasoduto:

 não como uma simples infra-estrutura de transporte de energia ligando pontos de oferta e demanda, em mercados já maduros, mas como o elemento estruturador de  profundas mudanças, de desenvolvimento de novos mercados na Bolívia e no Brasil e, como fator desencadeador de significativas alterações sociais e ambientais, tanto positivas como potencialmente negativas.[8] 

 

É esse também o reconhecimento do papel do gasoduto em termos sócio-econômico regional, seja por órgãos oficiais, seja pela iniciativa privada. Consubstancia-se, desse modo, que a implantação de um ramal do GASBOL até Dourados é uma aspiração local/regional de um desenvolvimento econômico impulsionado pela oferta de gás natural.

Há um consenso hoje, destacadamente nas esferas política e empresarial que o fornecimento de energia abundante e barata é um dos maiores incentivos ao desenvolvimento econômico regional, portanto, a investigação das condições sócio-econômicas dos municípios cortados pelo referido ramal, permite considerações referentes aos aspectos atuais do processo de desenvolvimento regional e, principalmente, apontam para as perspectivas.

Com o interesse das empresas ligadas ao transporte, distribuição e comercialização do gás boliviano em construir o referido ramal, faz-se necessário estudos indicando as necessidades, possibilidades e impactos sócio-econômicos do uso deste recurso nesse espaço geográfico.

É preciso desenvolver pesquisas para analisar a dinâmica desses processos nos Municípios que serão cortados/atravessados pelo ramal para apreendermos as suas características particulares no contexto das determinações gerais. E mais, é preciso refletir sobre os aspectos ideológicos que proliferam acerca das economias regionais. Nos propomos à através de minucioso levantamento bibliográfico reunir os elementos essenciais que ultimamente vêm alimentando as discussões em torno das mudanças geo-econômicas e regionais.

A análise constitui a explicitação do quadro real da situação existente, nos diversos níveis espaciais (municípios e microrregião, preliminarmente definidos) visando assumir uma posição quanto as soluções propostas, fundamentalmente, as alternativas de seu traçado.

É no interior desse processo que a proposta de identificação do perfil sócio-econômico e energético constitui-se num esforço pioneiro. Todavia, mais importante é o objetivo de, a partir dessa sistematização, compreender o conjunto destes processos, antecipar seus possíveis efeitos e traçar recomendações relativas as potencialidades de cada município, em particular, e da Microrregião como um todo. Enfim, produzir instrumentos que possibilitem uma decisão estratégica quanto ao traçado desse ramal do GASBOL, no sentido de induzir o desenvolvimento regional, através da viabilização de ampliação e instalação de empreendimentos -que, via disponibilidade do gás natural- reduzam o preço da energia consumida, propiciem a diversificação produtiva local e, sobretudo, melhore a qualidade de vida da população.

 

 

Referências bibliográficas

 

ABREU, S.  “Gerenciamento espacial: o projeto de integração da Região Centro-Oeste” In: Revista de Geografia.  Ano IV, Dourados: UFMS/AGB, nº 7, 1998, p.39-44.

BRASIL. MPO/SEPRE. Bases para um programa de desenvolvimento integrado da Região Centro-Oeste.  Brasília : Universa/UCB, 1997.

LAMOSO, L. P.  “Transformações recentes no território sul-mato-grossense” In: Revista de Geografia. Ano V, nº10 Campo Grande: UFMS/AGB, 1999, p.31-44.

PRIME Engenharia. Gasoduto Bolívia-Brasil: avaliação ambiental estratégica do empreendimento/Documento síntese. S.l.: Petrobrás/Enron/BTB Group/YPFB, 1997.

MATO GROSSO DO SUL. Governo de & PETROBRÁS.  Macrocenários e tendências mundiais, nacionais e de Mato Grosso do Sul  1996/2010. Campo Grande, 1996.

REDE GÁS. Projeto cooperativo. Implantação do ramal de Campo Grande a Dourados e construção da termelétrica de Dourados. S.l.: Petrobrás, s.d.

SOUZA, A. O. Distrito Industrial de Dourados: intenções, resultados e perspectivas. Presidente Prudente : Dissertação (Mestrado), 1995.

__________. “Intervenção estatal, polarização e industrialização: o caso de Mato Grosso do Sul” In: Revista Geopantanal.  Corumbá : AGB, 1998,



[1] Contando assim, com a participação de pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e tendo como objetivo precípuo a elaboração de metodologias de avaliação para o uso do gás natural.

[2] A referida Microrregião é composta pelos municípios de Amambai; Aral Moreira; Laguna Carapã; Juti; Caarapó; Ponta Porã; Antonio João; Vicentina; Fátima do Sul; Douradina; Itaporã; Maracaju; Rio Brilhante e Nova Alvorada do Sul.

[3] Sidrolândia.

[4] Além desses aspectos, se releva no projeto a análise da condicionante ambiental. A extração de energia da natureza, sua transformação em combustível e sua queima, geram poluição que, dependendo da fonte de energia utilizada, pode provocar alterações no ambiente natural e, principalmente, queda na qualidade de vida da população. Estas alterações podem ser em escala global, como por exemplo, o aquecimento global,  e mesmo em escala local, com  o aumento da poluição do ar, da destruição de áreas naturais  etc.

[5] Souza (1998) afirma que, em 1963, através da extinta Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai, a cidade de Campo Grande – hoje a capital de MS - foi escolhida como centro polarizador de todo o sul do território do então Mato Grosso. De outro lado, Dourados, Corumbá e Três Lagoas são elevadas à condição de pólos de desenvolvimento regional, somente na segunda metade dos anos setenta, no bojo do II PND. 

[6] Redegás (s.d., p.8/27).

[7] Através desse Termo de Compromisso se constatou a viabilidade tecnico-econômica do empreendimento, uma vez implantada também a usina termelétrica de Dourados. Assim, nos dias atuais está se definindo os parceiros interessados na obra para se colocar em prática as etapas subsequentes.

[8] Prime Engenharia.


Ponencia presentada en el Cuarto Encuentro Internacional Humboldt. Puerto Iguazú, Argentina. Setiembre de 2002.