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Asunto:[encuentrohumboldt] 246/04 - Ecología de paisagens na Regiao de Pelotas
Fecha:Jueves, 8 de Julio, 2004  13:10:40 (-0300)
Autor:Humboldt <humboldt @............ar>

Ecología de paisagens na Regiao de Pelotas

                                                                                                                            Weiscamp da Cruz

 

ABSTRACT


            In the Pelotas region (31º17’S and 32º11’S; 52º00’W and 52º38’W), southeastern of the RS state, Brazil, an area of 3 550 square kilometers was studied on a landscape ecology approach basis. or the selection of this region it was taken into account the presence in there of two noticeable geological-geomorphological provinces: a structurally complex and lithologically diversified Precambrian dissected plateau (Planalto Sul-Rio-Grandense) , and a Cenozoic lagoonal sandy coastal plain (Planície Costeira). Besides the physiographic differences, these two provinces can also be distinguished from each other by the types of soil and characteristics of the plant cover they show, and by the way through which humans have been occupying and using the land. The soils are predominantly red-yellow podzolic in the plateau and hydromorphic in the coastal plain. The original plant cover consisted of an almost continuos semideciduos forest in the plateau and of pioneer plant formations in the coastal plain.

            Environmental attributes and historical-cultural characteristics are thought to be the main factors that determined different occupations and uses of the land in the two provinces. In the plateau most farms are generally small (10-50 ha) and the crops are diversified. The natural forest was drastically reduced to be converted in croplands and pastures, decreasing biomass production and increasing erosion. In the coastal plain the farms are larger (100-+1000 ha), extensively used to crop rice and raise cattle. Fallowing in low sensivity and high resilient soils has allowed rapid restoration of the agroecosystems in this province.

            The present configuration of the studied region, resultant for more than a century of intensive human activities, as unraveled by the analyses of satellites imageries (Landsat/TM5, 1989), scale 1:100 000, and of panchromatic aerial photographs (1995), scale 1:25 000, have shown the organization of the landscape mosaic, and mainly a profound change in the plateau landscape due to continuous processes of land transformation (fragmentation) of the semideciduous forest, that started in the last quarter of the 19th century and are still active.

            The constraints applied to these landscapes determined loss of vegetation cover and, as a consequence, loss of soil by erosion, bringing besides the hardly recovery of degraded ecosystems, serious social and economic problems for the rural populations that live on
this region.

1   INTRODUÇÃO

 

            A região de que trata o presente trabalho, compreendendo total ou parcialmente os municípios de Pelotas, Capão do Leão, Morro Redondo, Canguçu, São Lourenço do Sul, Turuçu, Rio Grande e São José do Norte, encontra-se incluída na porção sudeste do estado do Rio Grande do Sul - Brasil, em duas situações contrastantes, tanto no aspecto de fisiografia como no de uso e ocupação antrópica. Tais situações acham-se representadas pela encosta atlântica da Serra do Sudeste, do Planalto Sul-Rio-Grandense e pela Planície Costeira Sul-Brasileira.

            A porção correspondente à encosta atlântica da Serra do Sudeste caracteriza-se por terrenos pré-cambrianos com relevo bastante acidentado, com altitudes máximas em torno de 400 metros. Nessa área podem ser verificados vários setores de mata, uns nativos, outros florestados, configurados pelo desenvolvimento da policultura – principal atividade antrópica ali existente desde sua colonização. Na porção correspondente à Planície Costeira Sul-Brasileira, de idade cenozóica, observa-se um relevo predominantemente plano, com cobertura vegetal de campos, matas ripárias, resquícios de mata nativa e florestamentos, coexistindo com uma atividade agropecuária menos variada, porém extensiva, baseada no cultivo de grãos (principalmente arroz) e criação de gado de corte. Uma visão geral das diferenças fisiográficas entre essas duas porções territoriais pode ser obtida na imagem de satélite da figura 1.

Ver imágen: weycampdib0.gif (143758 bytes)

FIGURA 1 – A Região de Pelotas em Imagem de Satélite Landsat

FIGURA 1 – Limites: Norte = 31º17’S; Sul = 32º11’S; Leste = 52º00’W; Oeste = 52º38’W.

 

            Em ambas as situações, percebe-se claramente a importância e a necessidade do planejamento ambiental, baseado na geração de um conhecimento capaz de subsidiar as tomadas de decisão relacionadas aos procedimentos de conservação e, eventualmente, de restauração do ambiente da região em questão, considerando, para tanto, os processos de uso e ocupação que vêm ocorrendo desde há muito nessa região. Esses processos, atendendo ao paradigma econômico vigente, resultaram em diversas alterações do ambiente natural, muitas das quais reputa-se como prejudiciais à sua integridade. Tal avaliação baseia-se na constatação do não atendimento às vocações naturais do terreno no que se refere às atividades intrínsecas aos processos de uso e ocupação.

Geralmente, as alterações ambientais de origem antrópica atacam de forma grave a integridade ambiental, abrupta ou gradualmente, degradando os habitats e, consequentemente, afetando a biodiversidade local e regional. Essa constatação insere-se numa problemática mais geral em termos de escala temporal e espacial, que demanda como solução o uso prudente do terreno numa relação harmoniosa envolvendo o homem e o ambiente. A sustentabilidade, termo que expressa essa relação, baseia-se numa saudável interação entre o homem e o ambiente natural, com processos antrópicos privados de abusos na extração de recursos, assim como na devolução de rejeitos.

A busca da sustentabilidade escora-se numa conjetura sobre a falta de condições, tanto econômicas quanto ambientais, de se manter as quantidades expressivas de insumos aos processos antrópicos, hoje representados principalmente pela agricultura. Assim, ganha espaço a chamada Economia Ecológica, que considera a economia como um subsistema dentro do sistema natural, ao contrário do que é considerado pelo paradigma dominante baseado no modelo neoclássico da economia. Segundo ASMUS (1996), esse modelo, que prevalece desde o final do século XIX, mantém a característica de dissonância na relação entre o homem e a natureza, já verificada desde o surgimento da economia, em decorrência do processo civilizatório. De acordo com DALY (1993), tal desarmonia deve-se ao fato de o modelo neoclássico tratar a economia como um sistema isolado que se auto-regula e se auto-sustenta. Nessa equivocada concepção, não há conexidade entre a economia e o meio físico, estabelecendo-se entre os dois, ao contrário, uma relação de independência. O objetivo da economia vista na perspectiva do modelo neoclássico é, pois, crescer, valendo-se dos recursos naturais, considerados como sendo infinitos. As demandas crescentes desses recursos, associadas a um crescimento demográfico humano despertaram, em alguns, a consciência da finitude dos recursos naturais não-renováveis e a consideração da natureza como fonte de bens e serviços, capaz de produzir outros bens e serviços. Assim, por definição, a natureza deve ser vista como uma forma de capital (PRUGH, 1995).

De acordo com o anteriormente exposto, alteram-se as posições relativas da economia e da natureza vistos no modelo da economia convencional. Na situação real, com o expansível sistema econômico dentro do estável sistema natural, abre-se espaço para uma nova visão, que admite os resultados do crescimento e da expansão da economia como capital construído pelo homem, e os recursos naturais (fonte de bens e serviços), como capital natural. Os fatores que fornecem às sociedades humanas os meios e adaptações para tratar o ambiente natural e para modificá-lo ativamente constituem o capital cultural, que inclui, desde as pessoas, seus níveis de capacidade, instituições, coesão cultural, educação, informação e conhecimento, até à base institucional e cultural necessária para o funcionamento da sociedade (BERKES & FOLKE, 1994; SERAGELDIN, 1995).

CAPITAL CONSTRUÍDO

PELO HOMEM

CAPITAL

CULTURAL

CAPITAL NATURAL

 

 

 

 

 

FIGURA 2 – Capital cultural na interface entre o capital natural e o capital construído pelo homem

                      (Fonte: BERKES & FOLKE, 1994)

 

            Paralelamente ao despertar para a consciência ambiental, ocorreu um avanço no que se refere às técnicas e equipamentos para estudos científicos, escorados numa tecnologia que desencadeou, nos últimos tempos, elementos como a computação gráfica, o sensoriamento remoto, e o sistema de informações geográficas. Esse desenvolvimento tecnológico propiciou a realização de novos estudos e o aprimoramento de outros, muitos dos quais são, hoje, valiosas ferramentas para a obtenção e interpretação de dados relacionados ao meio ambiente e a influência nele exercida pelo homem. Todos esses modelos de concepção e tecnologia propiciaram a emergência de uma abordagem de estudo de sistemas ecológicos conhecida como ecologia de paisagens.

 

1.1      A Ecologia de Paisagens

 

            Sob o enfoque de Sistemas Ecológicos, organizados numa escala hierárquica em ordem decrescente, a paisagem acha-se aninhada num conjunto, como mostrado na seqüência: Biosfera, Biomas, Regiões, Paisagens, Ecossistemas, Comunidades, Populações, Organismos. Sendo assim, tem-se a paisagem como uma porção de terreno heterogênea, composta por um agrupamento de ecossistemas que interagem entre si, e cuja seqüência se repete de forma semelhante através de seu arranjo espacial; por outro lado, quando se considera um conjunto de paisagens desiguais numa mesma porção de terreno tem-se uma região (FORMAN & GODRON, 1981; FORMAN, 1995).

 

 

 

 

Nível 8
Biosfera

 

­

Nível 7
Biomas

 

­

Nível 6

Regiões

 

­

Nível 5

Paisagens

 

­

Nível 4

Ecossistemas

 

­

Nível 3

Comunidades

 

­

Nível 2

Populações

 

­

Nível 1

Organismos

 

 

FIGURA 3 – A hierarquia convencional de níveis organizacionais, dos organismos à biosfera

                      (Fonte: ALLEN & HOEKSTRA, 1992)

 

 O destaque do nível correspondente às paisagens deve-se ao fato dele representar, da mesma forma que o dos organismos, o nível de maior tangibilidade dentre todos os citados (ALLEN & HOEKSTRA, 1992). De acordo com esses autores, a paisagem é a mais tangível das concepções ecológicas de larga escala, porque basta examinar o terreno para discerni-la literalmente; ela é tratável por ser óbvia e inequivocadamente ecológica. Distinta entre a região e o ecossistema, a paisagem é, segundo FORMAN & GODRON (1981), uma unidade mensurável e com várias características ecológicas interessantes. A Região, segundo FORMAN (1995), tem seus limites determinados por um complexo de fatores fisiográficos, climáticos, culturais, econômicos e políticos. Fatores relacionados com transporte e comunicação atuam como laços que amarram uma região1 de maneira realmente forte; entretanto, ela é extremamente diversificada do  ponto  de  vista  ecológico.

Os ecossistemas e as comunidades, por sua vez, nunca têm sido considerados óbvios, porque apresentam limites difusos e, conseqüentemente, ambos requerem medições especiais para que tenham sua identidade devidamente reconhecida (ALLEN & HOEKSTRA, 1992).

Assim, tem-se que a paisagem é formada por ecossistemas, e que esses apresentam limites difusos. Então, como pode a paisagem ser tão visível e óbvia? O que sucede, é uma demonstração por parte da paisagem, de um agrupamento de áreas menores, individualmente distintas, porém semelhantes ou padronizadas quando observadas em conjunto. Essas áreas menores, chamadas de elementos da paisagem, nada mais são do que a fração visível dos ecossistemas por ela englobados.

A Ecologia de Paisagens, para proporcionar informações úteis e se desenvolver, faz uso das importantes interações inerentes aos ecossistemas, todavia considerando componentes somente nela evidenciados, através de técnicas e procedimentos baseados na percepção visual.

Entre cada um dos distintos elementos da paisagem estão as zonas de transição ou ecótones. Também consideravelmente variável na paisagem é à extensão da área, de modo que uma área de poucos metros e uma outra de centenas de metros de lado a lado constituem-se ambas em paisagens, dependendo tal enquadramento conceitual, da adequação da escala de observação adotada.

Os elementos da paisagem, como o próprio nome indica, representam a estrutura da paisagem. A estrutura, junto com a função e a mudança estabelece as bases da Ecologia de Paisagens.

Segundo FORMAN & GODRON (1981), a explicação para as questões referentes à estrutura da paisagem se concentra, atualmente, na importância do número, tipo e configuração dos elementos que a formam. A esse agrupamento reconhecível e repetido de elementos corresponde um conjunto de regimes de distúrbios. Tais distúrbios são razoavelmente constantes ao longo da paisagem. A fronteira entre paisagens é relativamente distinta, particularmente em estrutura da vegetação. Assim, quando essa diferença de estrutura vegetal não for causada por fatores geomorfológicos, a verificação de quebra no conjunto de regimes de distúrbios é o melhor indicador para limites entre paisagens.

Ecologicamente, a organização de uma paisagem é medida pela distribuição de energia, nutrientes minerais e espécies (função) em relação ao número, tipo e configuração dos elementos que a compõem (estrutura). A dinâmica da paisagem é estabelecida pelos fluxos existentes entre esses elementos. Com o passar do tempo, a dinâmica da paisagem, associada ou não a processos antrópicos, causa alterações no agrupamento de elementos estruturais, de modo a determinar o que se chama de mudança da paisagem (FORMAN & GODRON, 1981; 1986).

_________________________

1  A existência de vários fatores para a delimitação de regiões resulta no emprego desse termo com diversas conotações (p. ex.: região geográfica, região geomorfológica, região morfoestrutural, região fitoecológica). Neste trabalho, o termo região é utilizado com duas conotações: uma, geográfica, referente ao espaço territorial ocupado pelo município de Pelotas e por porções de seus municípios vizinhos, e outra, ecológica, relativa ao sexto nível de organização da escala hierárquica de Sistemas Ecológicos.

Vê-se, pois, que embora a Ecologia de Paisagens seja uma área de estudo nova se comparada a outros ramos da ecologia, ela consiste numa útil ferramenta, muito eficiente justamente nos diagnósticos ambientais, de modo a gerar resultados que venham a embasar as tomadas de decisão envolvidas nos processos antrópicos de desenvolvimento.

Baseado nisso, este trabalho visa a aplicação na Região de Pelotas, dos conceitos e princípios da Ecologia de Paisagens, pressupostamente aceitos, com o intento de subsidiar futuros trabalhos e projetos de cunho ambiental, assim como de difundir a própria Ecologia de Paisagens como método científico.

 

2   METODOLOGIA

 

2.1   Fundamentação Teórica

 

            No sentido amplo e fundamental em que se emprega a metodologia, usa-se a teoria como fundamentação e orientação aos procedimentos executados na busca de dados e informações, e, subseqüentemente, na sua interpretação, a fim de se alcançar um alto grau de confiabilidade no que concerne os resultados obtidos (THORN, 1982). Nesse sentido, metodologia, de acordo com HEGENBERG (1976) é a arte de dirigir o espírito na investigação da verdade.

            A partir dessa premissa, a abordagem metodológica deste trabalho atenta para a Nova Filosofia da Ciência estabelecida nos anos 1930s, como uma nova alternativa para substituir o Empiricismo Lógico (Brown, 1977, citado por STRAHLER, 1992).

Considerando o acima exposto, este trabalho escora-se na Ciência Normal – pesquisa firmemente  baseada  em  uma  ou  mais  realizações  científicas  passadas (KUHN, 1975). A partir de pressupostos, almeja-se somar conhecimentos baseados na aceitação do paradigma de Sistemas Ecológicos nos seus diversos níveis de organização hierárquica.

 

2.1.1        O enfoque de Sistemas Ecológicos

 

Segundo ALLEN & HOEKSTRA (1992), os fenômenos em ecologia, como na ciência em geral, são manifestações de mudança, de modo que não pode haver fenômeno se tudo for constante. O reconhecimento das mudanças que constituem um fenômeno deve ser precedido por decisões do observador sobre o que constitui a estrutura a que correspondem as alterações.

Níveis são propriedades que só emergem da observação, ou seja, da interação entre decisões do observador e a parte do universo observada. Os níveis de organização são ocupados por entidades, e essas entidades são responsáveis pelas características do nível em questão. Se um nível é considerado ser mais alto ou mais baixo, depende da escala das entidades residentes. A escala de um nível é determinada pela granulação e extensão que são requeridos para ver as entidades que caracterizam o nível. Níveis mais altos são ocupados por entidades de grande escala e, assim, têm de ser observados com um protocolo de observação envolvendo uma ampla extensão. Devido ao fato de amplas extensões conterem um número demasiadamente grande de observações de granulação muito fina, uma ampla extensão implica uma correspondente granulação grosseira (ALLEN & HOEKSTRA, 1992).

Na sua maior parte, ecólogos buscam modelos preditivos que irão facilitar a resposta para questões ecológicas. A técnica é modelar o nível de organização correto. Quando um cientista tem a pretensão de entender um sistema, há duas considerações a serem feitas: 1) escala e 2) tipo qualitativo. O “nível de organização correto” só pode ser encontrado se ambas forem empregadas apropriadamente. O tipo qualitativo é reconhecidamente crucial; ele adiciona-se à identificação do que é importante pela asserção clara dos relacionamentos apropriados. É importante ignorar dados de granulação fina quando se tenta resolver problemas de larga escala.

Tais considerações, aplicadas à hierarquia de níveis de organização de sistemas ecológicos, reforçam o porque da consideração da paisagem (elemento intermediário, ao qual corresponde o nível cinco ¾ figura 3), como o mais tangível entre os de larga escala. Comparada aos outros níveis de larga escala da referida hierarquia, a paisagem apresenta uma estrutura facilmente reconhecível e, portanto, é tratável por ser tangível. Seus distintos elementos possuem superfícies definidas, superfícies essas, às quais correspondem alterações dos fluxos de processos ecológicos ocorridos em tal paisagem.

 

2.1.2        A Abordagem da Ecologia de Paisagens

 

O valor da Ecologia de Paisagens é, em primeiro lugar, sua ênfase em grandes áreas de terra com ecossistemas interagindo entre si. Ou seja, é focada no primeiro nível de organização superior ao ecossistema local. Em segundo lugar, está o seu valor como uma reação à tendência de compartimentalização. Estuda-se uma parte de uma floresta ou um lago, mas a Ecologia de Paisagens considera as conexões entre eles, tal como, por exemplo, o fato de garças que se provêm no lago nidificarem na floresta. Como um aspecto da sua rotina diária, as garças movem nutrientes da água para a terra (BREWER, 1994).

Como já visto, a paisagem apresenta três características básicas: estrutura, função e mudança. Os padrões espaciais dos elementos que formam a paisagem ¾ manchas, corredores e matriz ¾ constituem a sua estrutura. Ao arranjo espacial admitido por esses elementos dá-se o nome de mosaico.

As manchas e os corredores são feições estruturais caracterizadas pela heterogeneidade de recursos naturais, por perturbações ou ainda pela introdução de componentes antrópicos. As manchas, geralmente arredondadas, aparecem freqüentemente em grande parte da paisagem, variando, no entanto, no tamanho e no número. Os corredores, por sua vez, são elementos geralmente estreitos na escala de observação utilizada, podendo, de acordo com sua densidade e disposição com relação aos outros elementos na paisagem, constituir redes.

Segundo FORMAN (1995), reconhecem-se, relativamente às manchas, assim como aos corredores, cinco grupos, estabelecidos com base nas suas diferentes origens: recursos ambientais, perturbações, remanescentes, regenerados, e introduzidos. Esses cinco tipos são a seguir descritos de acordo com FORMAN (1995).

As manchas ou corredores de recursos ambientais são bastante estáveis em relação aos demais tipos, reagindo mais lentamente às pressões de mudança. Podem ser exemplificadas por áreas preservadas de vegetação nativa como, por exemplo, matas e banhados. 

 

2.2   Técnicas Metodológicas

 

Para o atendimento dos propósitos deste trabalho a região de Pelotas foi delimitada a partir de um critério básico que considerou a busca de uma maior variedade, grosso modo, de feições ambientais. Numa primeira análise, evidenciou-se a conveniência da consideração de duas situações geomorfológicas bem distintas, representadas pela encosta atlântica da Serra do Sudeste e pela Planície Costeira Sul-Brasileira, por sua diversidade de feições ambientais e uma problemática econômica e social associada. Para a definição mais refinada da área de trabalho, considerou-se a presença de feições naturais e antrópicas que representassem da melhor maneira possível os elementos da paisagem e a sua diversidade, de acordo com a variação das suas características mais marcantes.

            Após a confecção de roteiros, com o auxílio de imagens de satélite Landsat (1:100i000) e cartas do Serviço Geográfico do Exército (1:50i000), foram executadas seis saídas de campo, percorrendo um total de 1i100 km, de modo a abranger considerável parte da região estudada. Foram registradas em 250 fotografias, devidamente georreferenciadas por meio do GPS, diversos elementos das paisagens da região estudada. 

Como suporte gráfico às etapas seguintes, foram montadas e impressas, em diversas escalas, no Laboratório de Geoprocessamento da EMBRAPA/Pelotas, imagens de satélite datadas do ano de 1995. Em tal material buscou-se, além da localização das estradas de rodagem e limites dos municípios, uma visão da atual situação em termos de fisiografia e vegetação.

Nas etapas de identificação e caracterização das feições ambientais constituintes deste trabalho, foram utilizadas aerofotografias, na escala 1:25i000 (1995) para os municípios de Pelotas, Capão do Leão, Morro Redondo, Canguçu e Turuçu, obtidas no departamento de Cartografia da Prefeitura Municipal de Pelotas. Para os municípios de Rio Grande e São José do Norte foram utilizadas aerofotografias na escala 1:110i000 e 1:60i000, datadas de 1975 e 1964, respectivamente.

Para viabilizar a interpretação das imagens de satélite e aerofotografias foram adotadas técnicas de computação gráfica, efetuadas por meio do processador de imagens PhotoStaker/Windows, em sua versão correspondente ao ano de 1994. Filtros de cor constituíram a ferramenta básica utilizada nessa etapa do trabalho.

 

3   RESULTADOS

            Os resultados obtidos através da execução das etapas deste trabalho buscam a percepção da região de Pelotas no que concerne a aplicação dos pressupostos conceituais relativos aos princípios da Ecologia de Paisagens nas diversas feições ambientais representativas dessa área. Várias situações interessantes do ponto de vista ecológico foram reveladas pelas técnicas e procedimentos adotados.

            Além do aspecto de caracterização, sobressaíram-se como resultados, as alterações sofridas pelas paisagens correspondentes à região estudada. A esses resultados correspondem diversas figuras (representadas neste trabalho pela figura 4) elaboradas com o auxílio do computador.

            No que se refere à interpretação de imagens de satélite e aerofotografias apresentadas neste trabalho, salienta-se a consideração prévia de algumas características da região de Pelotas: assentada em duas situações geomorfologicamente distintas, a encosta atlântica da Serra do Sudeste (terrenos pré-cambrianos com relevo acidentado) e a Planície Costeira Sul-Brasileira (terrenos cenozóicos com relevo predominantemente plano), a região de Pelotas mostra uma gama de feições ambientais. Todavia, a maior variedade de tais feições mostra-se exclusiva à porção dessa região assentada na Planície Costeira. As diferenças geomorfológicas, pedológicas e de estrutura vegetal resultante constituem um bom indício dessa variedade. A porção da região de Pelotas assentada na encosta atlântica da Serra do Sudeste do Planalto Sul-Rio-Grandense exibe como cobertura vegetal original uma Floresta Estacional Semidecidual, enquanto que a porção assentada na Planície Costeira caracteriza-se por campos secos, matas ripárias, campos úmidos, banhados, e pântanos salgados. Todas essas feições ambientais apresentam-se influenciadas pelos processos de uso e ocupação antópica, porém em diferentes graus de intensidade. A Floresta Estacional Semidecidual da porção da região de Pelotas incluída na encosta atlântica da Serra do Sudeste, de colonização principalmente alemã e pomerana, encontra-se reduzida de forma expressiva, coexistindo com pequenas propriedades onde se verifica uma policultura baseada no cultivo de pêssego, milho, fumo, batata, feijão e tomate. Na porção da região de Pelotas correspondente à Planície Costeira Sul-Brasileira, aos processos de uso e ocupação antrópica correspondem, predominantemente, grandes propriedades de agropecuária extensiva, com cultivos anuais, principalmente arroz e soja, além da criação de gado

            A figura 4 mostra a interpretação da imagem de satélite abrangendo a totalidade da área considerada neste trabalho. A cor verde, representando manchas e corredores de vegetação, mostra áreas de vegetação nativa (bosques, matas ripárias, capoeiras, campos úmidos e vegetação de banhado) ou outras áreas com vegetação discernível (porções de vegetação regenerada ou introduzida), incluindo bosques plantados, como os de eucalipto, por exemplo. Cabe acrescentar que a inclusão das áreas de vegetação introduzida no mesmo grupo das demais áreas de vegetação deve-se, principalmente, ao fato da escala de observação não propiciar uma definição segura para dar suporte a tal diferenciação. Ademais, observa-se uma densidade variável relativa ao número de manchas de vegetação. Nesse sentido, um forte contraste pode ser verificado entre a vegetação da encosta atlântica da Serra do Sudeste e a da Planície Costeira. Reforçando tal disparidade, tem-se que a porção correspondente à encosta atlântica da Serra do Sudeste mostra um padrão único relativo às paisagens que a constituem. Isso não ocorre na Planície Costeira, com paisagens variadas, como mostrado na figura 1.

Grandes corredores de rios com vegetação ripária mostram-se facilmente detectáveis em ambas as porções de fisiografia distinta. No entanto, na porção referente à encosta atlântica da Serra do Sudeste, esses corredores de vegetação acham-se, em geral, remanescentes ao processo de fragmentação há muito inaugurado em tal região. 

Em vermelho mostra-se uma rede de corredores representando, em sua grande maioria, estradas de rodagem com considerável conectividade. Dos corredores representados pela cor vermelha, os poucos que não correspondem a estradas representam canais artificiais para abastecimento de água. Todavia, é importante considerar que ambos são elementos introduzidos no que tange a sua origem.

Em laranja, ressaltam-se grandes manchas de áreas urbanas, principalmente representadas pelas cidades de Pelotas e Rio Grande.

            Os corpos d’água, como, por exemplo, o Canal São Gonçalo e a Laguna dos Patos , encontram-se representados pela cor azul.

            As áreas restantes (em branco) consistem em terrenos utilizados predominantemente pela policultura (encosta atlântica da Serra do Sudeste) ou pela agropecuária extensiva (Planície Costeira Sul-Rio-Grandense), correspondendo às matrizes das paisagens verificadas em tais situações. 

 

 

 

 

 

                                                                                                               52º00’W

                                                                                                                             |__ 31º17’S

 32º11’S__

                 |

                  52º38’W

|¾|¾¾¾¾

      0   2           8 km

FIGURA 4 – Interpretação de imagem de satélite abrangendo a região de Pelotas como considerada neste            iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiitrabalho

4   DISCUSSÃO

 

            A abordagem deste trabalho, no que se refere à região por ele estudada, consiste num ineditismo que faz de qualquer alegação relativa tanto a estrutura como à dinâmica ambiental um conhecimento novo, sem bases ou referências locais anteriores. Todavia, o próprio caráter pioneiro desse estudo proporciona uma sensibilidade perceptiva mais apurada em relação às características de tal abordagem como método de estudo científico.

            A região de Pelotas, como delimitada para este trabalho, mostrou uma variedade de feições ambientais que, ao ser observadas e submetidas a uma análise interpretativa com base nos princípios da ecologia de paisagens, justificaram a obviedade e tangibilidade com que autores já mais familiarizados referem-se a esse nível ecológico de organização (Forman, Godron, Allen, Hoekstra, Dramstad).

            A óbvia estrutura organizacional associada a princípios básicos gerais faz da paisagem uma entidade ecológica evidente (auto-explicativa), sobretudo nas questões referentes ao seu funcionamento e mudança. Esta última mostra-se, inclusive na região estudada, representada principalmente pela fragmentação, processo gradual que resulta em restritas áreas desconectadas apresentando as características da paisagem original. Os diferentes níveis de percolação verificáveis no decorrer de tal processo constituem um indicador apurado para estabelecer a gravidade a que correspondem em termos de dano ambiental. Essas considerações (fragmentação e percolação) possibilitam atentar-se para situações em que se ultrapassam os limiares de recuperação natural do ambiente, seja por perda de biomassa, biodiversidade ou ainda do solo, através da erosão ou da queda da fertilidade natural.

            No caso da região de Pelotas, em que o atual estado de fragmentação da paisagem resulta de atividades como a policultura (na encosta atlântica da Serra do Sudeste) e a agropecuária extensiva (Planície Costeira Sul-Brasileira), o efeito da perda da fertilidade do solo consiste num potencial fator de agravamento da situação, uma vez que a solução freqüentemente encontrada nesses casos baseia-se na incorporação de um maior teor de insumos nos processos de produção, que assumem, assim, um funcionamento caracterizado por uma retroalimentação positiva.

            Tem-se como conseqüências mais diretas da fragmentação, porém não menos importantes, a descaracterização dos padrões estruturais da paisagem, tais como o isolamento de manchas que se tornam separadas de outras áreas com semelhante organização por uma matriz resistente ao fluxo de espécies, ou a remoção das matas ripárias de corpos d’água, que ficam diretamente expostos tanto à contaminação por produtos químicos utilizados na agricultura, uma vez que a função de filtro inerente a tais matas não mais existe, como a agentes de erosão, acarretando uma aceleração nos processos de assoreamento.

A quebra da conectividade em corredores de vegetação mostra-se como outro fator limitante ao fluxo de espécies através da paisagem, uma vez que, de acordo com a extensão das falhas e a resistência da matriz, pode-se ter impedido o trânsito de determinados organismos. Tal consideração ganha importância quando se considera a inviabilidade ecológica de se ter, numa paisagem, manchas preservadas e com biodiversidade representativa sem, no entanto, apresentar conexões com outros elementos capazes de manter, a longo prazo, suas características.

A introdução de elementos na paisagem, como verificado na porção da região considerada neste trabalho correspondente à Planície Costeira Sul-Brasileira, a maioria sob o aspecto de bosques de eucalipto, merece ser tratada com relativa atenção, uma vez que, ao passo em que se tem a incorporação de um elemento à paisagem, este, quando removido (cortado), causa um impacto súbito nas populações a ele relacionadas. Cabe aqui, apresentar uma constatação importante quanto a esse tipo de elemento vegetal: o efeito de borda, caracterizado por um aumento da diversidade de espécies animais na borda de manchas e corredores de vegetação, se aplica no caso de bosques de eucalipto, que geralmente apresentam bordas com uma diversidade de espécies animais maior que a sua entidade interna da mesma forma que relativamente a área de campo que o cerca.

Extrapolando-se os limites atribuídos neste trabalho à região de Pelotas, percebe-se que as características ora evidenciadas e vistas na perspectiva da ecologia de paisagens, podem, em grande parte, ser estudadas ao longo da faixa compreendida pela Planície Costeira Interna e pela encosta atlântica do Planalto Sul-Rio-Grandense que lhe é adjacente, e, dessa forma, evidenciar a dimensão das mudanças das paisagens, marcadas pela sua fragmentação e pelos danos ambientais dela decorridos.

 

5 CONCLUSÕES

 

- A abordagem relativa à ecologia de paisagens na região de Pelotas, a que se propôs este trabalho, evidenciou o caráter tangível e óbvio característico desse nível ecológico de organização, em comparação aos demais níveis da hierarquia de sistemas ecológicos.

- A aplicação dos conceitos e princípios da ecologia de paisagens na região delimitada para este trabalho mostrou-se eficaz em termos de caracterização e diagnóstico ambiental.

            - A geomorfologia mostrou-se como um fator determinante da diversidade de paisagens na região considerada no que se refere às observações de larga escala. Das duas situações geomorfológicas verificadas nessa região, a encosta atlântica da Serra do Sudeste, do Planalto Sul-Rio-Grandense, e a Planície Costeira Sul-Brasileira, a primeira, com terrenos antigos (do Pré-cambriano) e relevo acidentado, mostrou um padrão único de paisagens, enquanto que a segunda, mais recente (do Cenozóico) e predominantemente plana, expôs uma variedade relativamente maior, correspondente à discerníveis feições ambientais com características dessemelhantes, determinadas pelas diversas etapas evolutivas verificáveis nessa área quando considerada através do tempo geológico.

            - Os processos de uso e ocupação antrópica verificados na região estudada mostraram uma correspondente variação relativa às características fisiográficas do terreno. Todavia, esses processos apresentam-se, comumente, afastados do atendimento às vocações naturais do ambiente em questão.

- A região de Pelotas, como considerada neste trabalho, mostrou uma fragmentação avançada na porção correspondente à encosta atlântica da Serra do Sudeste, do Planalto Sul-Rio-Grandense, processo esse que constitui o principal fator de mudança experimentada por tal área. A porção da região de Pelotas correspondente à Planície Costeira Sul-Brasileira mostrou-se principalmente alterada pela introdução de manchas de vegetação, principalmente bosques de eucalipto.

- Considera-se como de suma importância a disseminação na comunidade científica da abordagem da ecologia de paisagens como ferramenta útil e eficaz nos trabalhos de avaliação ambiental, tal como se mostrou neste trabalho.

- É recomendável o emprego da abordagem da ecologia de paisagens em trabalhos que visem embasar projetos de planejamento, gerenciamento e recuperação ambiental.

 

 

 

 

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Ponencia enviada al Tercer Encuentro Internacional Humboldt. Salta, Argentina. Octubre de 2001.