Inicio > Mis eListas > encuentrohumboldt > Mensajes

 Índice de Mensajes 
 Mensajes 3341 al 3360 
AsuntoAutor
118/12 - El region Encuentr
119/12 - El diálog Encuentr
120/12 - LA INICIA Encuentr
121/12 - XV ENCUEN Encuentr
122/12 - ABORDAGEN Encuentr
123/12 - Ciudad ce Encuentr
124/12 - El Agua, Encuentr
125/12 - Primera C Encuentr
126/12 - “RECURSO Encuentr
127/12 - “LAS FORM Encuentr
128/12 - TERRITÓRI Encuentr
129/12 - Sequía en Encuentr
130/12 - LAS ISLAS Encuentr
131/12 - Isla Cedr Encuentr
132/12 - Expansión Encuentr
133/12 - Promoción Encuentr
134/12 - ESTUDO DO Encuentr
135/12 - TRANSFORM Encuentr
136/12 - La necesi Encuentr
Feliz ano novo Encuentr
 << 20 ant. | 20 sig. >>
 
ENCUENTRO HUMBOLDT
Página principal    Mensajes | Enviar Mensaje | Ficheros | Datos | Encuestas | Eventos | Mis Preferencias

Mostrando mensaje 3435     < Anterior | Siguiente >
Responder a este mensaje
Asunto:[encuentrohumboldt] 139/12 - Os complexos agroindustriais na agricultura fam iliar: o caso da fumicultura em Canguçu
Fecha:Lunes, 31 de Diciembre, 2012  10:17:16 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..............org>


Os complexos agroindustriais na agricultura familiar: o caso da fumicultura em Canguçu [1]

 

DUTRA[2], Éder Jardel da Silva

 

 

Resumo: Para efeitos de análise destaca-se a agricultura familiar inserida na lógica de mercado através da adesão aos complexos agroindustriais. O recorte espacial se dá no município de Canguçu. A análise utilizada foi a descritiva, com foco na agricultura familiar e nos produtores envolvidos com a produção fumageira. A abordagem utilizada foi a qualitativa, o que não descarta o uso de dados quantitativos, constituindo-se em estudo de caso. É importante ressaltar a relevância que a fumicultura adquire no contexto das propriedades familiares ao gerar empregos no campo e permitir a circulação de recursos econômicos que refletem no meio urbano. Com os acordos internacionais representados pela Convenção Quadro de consumo e controle dos produtos oriundos do tabaco, geram-se incertezas na continuidade da produção de fumo, bem como na permanência do homem no campo, podendo inclusive agravarem-se as consequências do êxodo rural.

 

Palavras-chave: Agricultura Familiar. Complexos Agroindustriais. Fumicultura.

 

The agroindustrial complexes in family farming: the case of tobacco farming in Canguçu

 

Abstract: For the purposes of analysis it is highlighted the family farm inserted in the logic of the market by adhering to the agroindustrial complexes. The spatial cut-out is the city of Canguçu. The analysis used was descriptive, focusing on family farming and producers involved in tobacco production. A qualitative approach was used, which does not exclude the use of quantitative data, constituting a case study. It is important to emphasize the relevance that the tobacco culture gains in the context of family properties generating jobs in the field and allowing the movement of economic resources that reflect in the urban environment. With the international agreements represented by the Framework Convention of consumption and control of products from tobacco, are generated uncertainties in the continuity of the production of tobacco, as well as the permanence of man in the field, what may even worsen the consequences of rural exodus.

 

Keywords: Tobacco culture. Family agriculture. Agroindustrial complexes.

 

 

1-Introdução

             

              O município de Canguçu[3], localizado no sul do estado do Rio Grande do Sul, conforme destaca a Fig. 1, estrutura-se do ponto de vista econômico com fortes articulações rurais, vinculado à agricultura familiar, sua diversidade e complexidade. Desde o início da ocupação e povoamento, houve o predomínio do caráter familiar da produção agrícola.

 

Figura 1: Localização do município de Canguçu;

Fonte: FIDENE – UNIJUÍ / ASC – Assessoria e Serviços Comunitários / GEOP – Geoprocessamento e Análise Territorial

 

              Boa parte das terras do atual município de Canguçu permaneceu com escasso povoamento até o início do século XX e eram ocupadas por remanescentes indígenas e descendentes de portugueses que não chegavam a consolidar núcleos de povoamento. No entanto, a partir do início do século XX começaram a chegar os primeiros colonos de origem alemã, basicamente pomeranos provenientes das localidades próximas dos atuais municípios de São Lourenço do Sul e Pelotas.

              Nesse período a vinda de imigrantes de origem italiana compôs juntamente com os colonos alemães a geração e instalação de importante polo de agricultura familiar, em um primeiro momento com características de subsistência. No entanto, com a evolução do município e da região muitos desses colonos passaram a comercializar sua produção, fato que teve grande impulso a partir do surgimento das indústrias conserveiras, especialmente localizadas no município de Pelotas.

              O ciclo econômico das conservas foi um dos fatores responsáveis por várias alterações na economia local, com a demanda por produtos agrícolas de propriedades rurais próximas. Mas é necessário destacar que a pujança da cadeia conserveira implicou na exigência por trabalhadores nos parques industriais e muitos dos habitantes de Canguçu migraram para a cidade de Pelotas, ampliando os reflexos do êxodo rural, que ainda tem desdobramentos na atualidade. A cadeia produtiva das conservas, em especial ao longo da década de 90, sofreu os reflexos da economia globalizada e acentuou a perda de competitividade com a imposição de problemas aos produtores rurais que tinham neste setor uma das principais fontes de renda.    

              Neste ínterim, a fumicultura, que estava presente na realidade canguçuense desde os anos 60, passa a ocupar áreas maiores ampliando sua importância até consolidar o município como um dos polos produtores de fumo da região Sul do Brasil, que se alicerça na agricultura familiar, para consolidação dessa área como fonte produtora de matéria-prima. Por toda a importância que a agricultura familiar tem no referido contexto, é importante buscar sua caracterização.  

              Tomamos como referência as palavras de Wanderley (1999), para quem "a agricultura familiar não é uma categoria social recente, nem a ela corresponde uma categoria analítica nova na sociologia rural. No entanto, sua utilização com o significado e a abrangência que lhe tem sido atribuídos nos últimos anos assume ares de novidade e renovação".

É importante retomar as palavras de Wanderley (1999) ao salientar que a agricultura familiar é um novo personagem, diferente do camponês tradicional, que teria assumido a condição de produtor moderno. Propõem-se políticas para seu estímulo fundadas em tipologias que se baseiam em uma viabilidade econômica e social diferenciada. O ponto de partida é o conceito de agricultura familiar, entendida como aquela em que a família, ao mesmo tempo em que é proprietária dos meios de produção, assume o trabalho no estabelecimento produtivo. Torna-se relevante insistir que esse caráter familiar não é um mero detalhe superficial e descritivo, ou seja, o fato de uma estrutura produtiva associar família-produção-trabalho tem consequências fundamentais para a forma como ela age econômica e socialmente. Assim definida, essa categoria é necessariamente genérica, pois a combinação entre propriedade e trabalho assume, no tempo e no espaço, uma grande diversidade de formas sociais.

Para Schneider (2003) "a afirmação da agricultura familiar no cenário social e político brasileiro está relacionada à legitimação que o Estado lhe emprestou ao criar em 1996 o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Esse programa foi um dos marcos da consolidação da agricultura familiar no Brasil no momento em que houve o provimento de crédito agrícola e apoio institucional às categorias de pequenos agricultores que vinham sendo alijados das políticas públicas ao longo dos anos 1980 e encontravam sérias dificuldades de manterem-se na atividade".        

Sacco dos Anjos e Caldas (2009) destacam "a agricultura familiar como uma forma de produção que apresenta uma lógica peculiar de funcionamento, cuja racionalidade orienta-se na busca por assegurar reprodução social de seus membros". 

Gasson e Errington (1993) referem que a agricultura familiar pode ser definida a partir de alguns traços comuns, quais sejam: i) a gestão é feita pelos proprietários; ii) os responsáveis pelo empreendimento estão ligados entre si por laços de parentesco; iii) o trabalho é fundamentalmente familiar; iv) o patrimônio pertence à família; v) o patrimônio e os ativos são objeto de transferência intergeracional no interior da família; vi) os membros da família vivem na unidade produtiva. (SACCO DOS ANJOS e CALDAS, 2009).         

Como afirma Lamarche (1993), "a agricultura familiar não é um elemento da diversidade, mas contém nela mesma toda a diversidade" (WANDERLEY, 1999).     

 

 

2- Metodologia

           

   A pesquisa requer um objeto e ao mesmo tempo necessita da delimitação espacial desse objeto. Adotando esse critério o estudo terá enfoque local, constituindo-se em estudo de caso. Objetiva-se compreender as implicações que a produção de tabaco gera no município de Canguçu.  Segundo Raffestin et al. (1983), ''não se pode aceitar [...] que a pesquisa seja conduzida sem que a escala esteja claramente especificada''.

            Por suas especificidades, entender e compreender as transformações que se dão na agricultura, é importante para uma área de estudo que tem na agricultura familiar um de seus indutores do desenvolvimento. O município de Canguçu, por razões específicas, teve nos últimos anos aumentos constantes na produção fumageira realizada basicamente em estruturas de propriedades familiares, com profundas implicações no desenvolvimento econômico. Ainda é necessário destacar que essa produção realiza-se sob a égide de estruturação da cadeia produtiva via sistema integrado de produção que articula diferentes escalas de ações.         

Nem todos os acontecimentos ou fenômenos ocorrem na mesma escala. A geografia busca superar a deficiência histórica que são as delimitações rígidas e arbitrárias. Segundo Raffestin et al. (1983), "os geógrafos adquiriram, apesar de tudo, o hábito de postular que todos os comportamentos estudados, todas as ocorrências, que observam, medem e correlacionam, se manifestam praticamente numa só escala". 

Parte-se da necessidade de delimitação da área de estudo, que neste caso é o município, especialmente a agricultura familiar envolvida com a produção fumageira. É importante destacar que o presente trabalho constitui-se em estudo de caso, com abordagem qualitativa. Para Chizzotti (1995) a abordagem qualitativa parte do fundamento de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre sujeito e o objeto, um vinculo indissociável entre o mundo subjetivo e a subjetividade do objeto.

 

Entende- se que:

O conhecimento não se reduz a um rol de dados isolados, conectados por uma teoria explicativa. O sujeito observador é parte integrante do processo de conhecimento e interpreta os fenômenos, atribuindo um significado. O objeto não é um dado inerte e neutro; está possuído de significados e relações que sujeitos concretos criam. (CHIZZOTTI, 1995, p.79)      

 

      É preciso entrever "que algumas pesquisas qualitativas não descartam a coleta de dados quantitativos", principalmente na etapa exploratória de um campo ou nas etapas em que eles podem mostrar uma relação mais extensa entre fenômenos particulares (CHIZZOTTI, 1995).  

Utilizam-se ainda dados obtidos de fontes secundárias, a partir da base de dados de órgãos como o Sindicato da Indústria do Tabaco (SindiTabaco)  e Associação dos Fumicultores do Brasil (AFUBRA).        

O presente trabalho divide-se em cinco partes: Introdução, Metodologia, A fumicultura no Brasil, As consequências da modernização no campo e Considerações finais.  Na ‘introdução’ faz-se uma breve explanação sobre a área de estudo e as relações com a agricultura familiar. Na ‘metodologia’ descrevem-se o tipo de abordagem utilizada e o recorte espacial adotado. Em ‘A fumicultura no Brasil’ aborda-se a trajetória do fumo no Brasil, destacando-se nos últimos anos a ligação da fumicultura com os complexos agroindustriais. Em 'As consequências da modernização no campo’ destacam-se os processos modernizantes presentes no campo e a integração que passa a existir em diferentes setores da produção agrícola.

 

3- A FUMICULTURA NO BRASIL

 

O fumo[4] é uma cultura agrícola cultivada em estruturas fundiárias de propriedades familiares, com emprego intensivo de mão-de-obra. A cultura do tabaco já estava presente na agricultura colonial, mas até o inicio do século XX era pouco expressiva. O fumo foi considerado planta mágica pelos indígenas, dotada de características alucinógenas. No passado, mesmo tendo seu consumo proibido, disseminou-se pelo mundo, não restando alternativa aos governos que não fosse taxá-lo com altos impostos (ETGES, 1991).

   Nas palavras de Etges (1991) com base em Jean Batiste Nardi, durante os três primeiros quartos de século XVI, os colonos portugueses obtiveram o fumo dos índios por meio de um sistema de escambo, entretanto, com os inúmeros confrontos entre índios e portugueses, os colonizadores optaram por cultivá-lo, tendo em vista o florescente comércio.

Numerosas eram as variedades cultivadas nas diferentes províncias, algumas importadas e outras obtidas a partir de cruzamentos feitos pelos próprios colonos, mas basicamente podem ser classificados em dois ramos, a saber: i) fumos escuros e ii) fumos claros.  Os fumos claros só deram resultado efetivo no estado do Rio Grande do Sul, mais precisamente aqueles importados de Cuba e dos Estados Unidos da América.

Nas três primeiras décadas do XX, a concentração espacial se acentuou basicamente no estado do Rio Grande do Sul e na Bahia. O estado da Bahia continuava produzindo fumos escuros para a confecção de charutos. No Rio Grande do Sul, houve a especialização em fumos claros, particularmente na variedade Virginia, bastante importante a partir do surgimento do processo de industrialização (ETGES, 1991).

O florescimento da indústria fumageira nas ultimas décadas do século XX é importante no estado do Rio Grande do Sul, ao englobar setores da produção rural (agentes de crédito, fornecedores de insumos e ocupação da mão-de-obra, entre outros) com geração de empregos e renda nos meios urbano e rural. Essa expansão, no caso da fumicultura, está vinculada diretamente à constituição dos complexos agroindustriais (CAIs).  

Embora a adesão não seja hegemônica, a agricultura familiar procura integrar-se ao mercado, ao passo que a agricultura de subsistência fica limitada a grupos de agricultores específicos (quilombolas, indígenas, entre outros). A origem da integração agricultura-indústria surge com maior intensidade a partir da década de 1980, diante do aprofundamento do processo de modernização, quando os agricultores tiveram que 'optar' por culturas e/ou criações melhor remuneradas pelo mercado.

A fumicultura como componente dos complexos agroindustriais[5] surge no contexto da década de 1980. Nesse período os agricultores enfrentaram dificuldades de remuneração e renda na agricultura baseada na produção de cereais, tubérculos e frutas. A saída encontrada para muitas famílias rurais brasileiras foi o êxodo. Para outras, a ligação com os complexos agroindustriais.

O estímulo à produção de tabaco na região Sul do Brasil teve a participação direta e decisiva da indústria fumageira, com incentivos de Estado, dessa forma gerando as condições creditícias necessárias para o desenvolvimento da produção. Dessa forma, transformou-se em alternativa para parte dos agricultores familiares, em razão de que a cadeia produtiva do leite enfrentava problemas; a avicultura e a suinocultura consistiam em sistemas seletivos do ponto de vista técnico e financeiro, geralmente exigiam razoável aporte financeiro inicial, que as indústrias desses setores não disponibilizavam naquele período histórico, em que a agricultura familiar ou a atividade agropecuária de pequeno porte estava excluída do sistema oficial de crédito rural.

De acordo com Abramovay (1992), a previsão de Marx de que a grande empresa capitalista se generalizaria na agricultura tanto quanto na indústria possui a virtude histórica. As formas de produção familiar existentes á seu tempo exprimiam sobrevivências de um passado que o desenvolvimento capitalista se encarregaria de remover.

Com base na política de incentivos fiscais, os grupos econômicos passaram a fomentar a expansão da lavoura de fumo através do sistema integrado de produção. A partir da existência desse sistema, importantes áreas agrícolas outrora destinadas a cultivos agrícolas (como milho, feijão e hortaliças, entre outros) passaram a ser incorporadas à fumicultura, onde predominam exigências de produtividade e qualidade com o estabelecimento de metas a serem cumpridas pelos produtores, demonstrando e impondo uma lógica diferente, típica dos processos de modernização ‘forçada’.  

Os processos de modernização no campo foram bastante diferenciados. Enquanto regiões interagiam e adaptavam-se rapidamente aos influxos desse processo, outras permaneciam à margem. Surgem nesse momento as noções que iriam nortear a formação dos complexos agroindustriais.  

O final dos anos 60 é considerado como marco de constituição do chamado CAI brasileiro, denominado por alguns autores como arrancada do processo de industrialização do campo. Esse processo se caracteriza pela implantação no Brasil de um setor industrial de bens de produção para a agricultura. Paralelamente, desenvolve-se ou moderniza-se, em escala nacional, um mercado para produtos industrializados provenientes da agropecuária, dando origem à formação simultânea de um sistema de agroindústrias, em parte voltado para o mercado externo (DELGADO, 1985).

Os complexos agroindustriais foram formados a partir da introdução da lógica capitalista no campo, capaz de transformar a produção em agronegócio (industrialização da agricultura), sendo incorporados ao processo produtivo tratores, colheitadeiras, produtos químicos e sementes selecionadas, cuja produção foi orientada para uma demanda de origem urbana e industrial. Esse é o caso da produção de soja, laranja, café, cana-de-açúcar e fumo, entre outros produtos. (MARAFON, 2009).

As noções de complexo agroindustrial, em suas conexões e interações espaciais, forma uma rede que possibilita a produção em bases modernas. Nesse processo de expansão dos complexos agroindustriais no território brasileiro, não podemos subestimar o papel do Estado no financiamento da produção e pesquisa para a implantação de logística no território que permite a realização e circulação da produção (MARAFON, 2009). 

Nessa perspectiva, a produção agrícola destinada principalmente ao mercado externo e integrada aos grandes complexos agroindustriais expandiu-se, beneficiada pelas linhas de crédito e ocupando grandes áreas de terras, uma forma imposta de gestão e comercialização em escala mundial (MARAFON, 2009).   

Nas suas particularidades o campo brasileiro tem enorme diversidade de formas de produção, organização, atores e estratégias de reprodução social. Isso indica o sinônimo de pluralidade. Ao mesmo tempo estão colocados exemplos da agricultura empresarial, agricultura de subsistência... ora evidenciando a cooperação, ora demonstrando as contradições e idiossincrasias.

Em razão dessa diversidade convivem setores agrícolas altamente tecnificados que lograram inserir-se na lógica de mercado, enquanto outros continuam, com escassos recursos tecnológicos, vivendo e sobrevivendo no campo. Os casos específicos comprovam a existência de enormes disparidades entre setores.    

Radomsky (2009), com base em Graziano da Silva (1998), explicita que a modernização da agricultura brasileira foi seletiva em vários aspectos, tais como grupos sociais (privilegiaram-se as classes abastadas e empresariais do campo) e produtos (os que compunham a pauta de exportações da nação como, por exemplo, a laranja e o café). Muitos agricultores familiares que entraram nesse processo sentiram os efeitos da modernização, uma vez que ela foi determinante das transformações sociais no meio rural entre as décadas de 1960 e 1980.            

 O surgimento e consolidação do complexo agroindustrial suscita o surgimento de novos interesses sociais comprometidos com o processo de modernização; conforma um novo bloco de interesses rurais com a participação do capital industrial, do Estado e dos grandes e médios proprietários rurais. Esse bloco evolui para novas formas e alianças, em que novamente o capital industrial, o Estado e a propriedade territorial estarão presentes, numa articulação de interesses que marcaria a forma integrada de capitais a nível intersetorial (DELGADO, 1985).

Dando continuidade à discussão:

 

Todo esse processo de modernização se realiza com intensa diferenciação e mesmo exclusão de grupos sociais e regiões econômicas. Não é, portanto, um processo que homogeneíza o espaço econômico e tampouco o espaço social e tecnológico da agricultura brasileira. (DELGADO, 1985 p 42)  

 

            O campo brasileiro é sensível às mudanças nas bases técnicas de produção. Não seria diferente com o setor familiar da produção agrícola, que sofreu os influxos da modernização, especialmente a partir da consolidação dos sistemas integrados de produção que são um dos principais pilares da agricultura em várias áreas do Brasil. A implantação e consolidação dos sistemas integrados se verificam na produção de suínos, aves, leite e fumo entre outros produtos..    

 

4- AS CONSEQUÊNCIAS DA MODERNIZAÇÃO NO CAMPO

 

O campo brasileiro passou nas ultimas décadas por intenso processo de modernização e transformações. Alterou-se a base técnica na qual se alicerça a produção; agricultores integraram-se aos complexos agroindustriais, enquanto outros permaneceram à margem.  Pode-se falar em uma modernização que conserva seus efeitos ‘perversos’ e o seu caráter ‘conservador’.       

O estudo do espaço agrário brasileiro durante o século XX, em especial da agricultura familiar, exige compreender a evolução da economia, visto que a agricultura é um importante setor. O Estado é o principal ator que formula e executa as políticas públicas para a agricultura brasileira e também passou por transformações.

O seu papel desenvolvimentista de Estado-empresa, inspirado nos preceitos da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), passou a enfrentar dificuldades financeiras e políticas. O colapso do socialismo, a ascensão de múltiplos polos hegemônicos mundiais e as crises do petróleo são fatores que lançaram grandes incertezas no plano mundial. No contexto interno, as pressões políticas para a redemocratização e a convocação da Constituinte que elaborou a Constituição de 1988 são direcionamentos que puseram em dúvida o modelo de Estado que vigorava.

Até então o Estado era o único vetor de poder. O território brasileiro era a base geográfica onde ele impunha e exercia o seu poder, mediante as políticas territoriais e setoriais. O que ocorre com o Estado brasileiro é pontual:

 

Conflitos entre forças internacionais e nacionais, entre grupos sociais que compõem a formação social e entre segmentos do próprio Estado, ressaltam a importância da instância política e demonstram que o aparelho governamental não é mais o instrumento único de poder. (BECKER, 1986, p.6)

 

As principais mudanças são o surgimento de múltiplos vetores de poder; a multidimensionalidade do poder, onde os diversos atores atuam relacionados com o Estado; o ressurgimento do território ''não apenas como espaço próprio do Estado-nação, mas sim dos diferentes atores sociais, a manifestação do poder de cada um sobre uma área precisa'' (BECKER, 1986).

A inserção brasileira e sul-americana na economia global foi acelerada pela adoção de políticas liberais em resposta à crise fiscal do Estado desenvolvimentista. O seguimento às doutrinas de organismos internacionais, fundamentadas em políticas econômicas, que tinha como palavras-chave: i) estabilizar, ii) desregular e iii) privatizar, levou ao mundo capitalista ocidental a mensagem de que o mercado era o único mecanismo competente de regulação econômica e social.

Essas são as condições sobre as quais se dá a formulação de políticas públicas pós-democratização. O Brasil encontrava-se inserido numa posição periférica na economia global e enfrentava uma grave crise fiscal. Esses fatores enfraqueceram o planejamento e a ação desenvolvimentista do Estado. De outro lado, houve surgimento de inúmeros atores sociais que passaram a atuar como parceiros do Estado, fazendo valer as suas aspirações e objetivos; o seu poder. Pode-se apontar a presença dos grupos transnacionais na economia brasileira, os movimentos sociais (a própria agricultura familiar), os estados e municípios.

Os grupos empresariais transnacionais, atores econômicos com origens e atuações múltiplas, sem apego territorial ou nacionalista, interessados em ocupar espaços deixados pelo Estado, se encarregam (indústria, comércio, produção, serviços etc.) de propiciar condições para que grupos sociais marginalizados e/ou excluídos das políticas de Estado integrem-se (momento em que a agricultura familiar encontrava-se excluída) e insere-os de forma submissa e periférica aos interesses econômicos.

O surgimento e a posterior consolidação da fumicultura no sul do Brasil ocorreu nessas circunstâncias. Entretanto, é necessário salientar que a fumicultura já existia antes da acentuação dos reflexos da modernização. O fato é que o impulso proporcionado pela modernização da agricultura, por meio da forte atuação da indústria fumageira (predominantemente de capital multinacional), organizou e consolidou a atividade dentro do segmento da agricultura familiar.

Muitos agricultores familiares acabaram se integrando à cultura do fumo. É importante enfatizar que a existência da fumicultura não significa que nessas propriedades se pratique a monocultura do fumo. Em praticamente todos os casos, nas propriedades onde é desenvolvida a fumicultura, são realizadas ao mesmo tempo outras atividades, embora o fumo traga maior aporte financeiro à propriedade.

A atividade fumageira é um tema polêmico. Nos últimos anos está sendo articulado o tratado internacional que visa regulamentar a atividade, sobretudo o consumo de produtos derivados do tabaco. Esse tratado foi denominado Convenção Quadro[6] para o controle e consumo do tabaco e congrega interesses de mais de 170 países. A discussão desenvolvida pela Convenção Quadro envolve a academia, os produtores, os sindicatos, a indústria e o sistema de saúde, entre outros atores. Surgem argumentos que defendem a atividade (geração de emprego e renda, atividade adequada para as propriedades familiares) e, como contraponto, os argumentos que questionam a atividade (malefícios à saúde, trabalho infantil, desmatamento).

Na discussão de interesses de cada categoria, a questão central e que deve preponderar são as perspectivas da agricultura familiar no horizonte próximo diante do quadro de incertezas quanto à continuidade da atividade fumageira.  Nesse momento se visualiza que não é possível o governo brasileiro assumir compromisso internacional sem avaliar as consequências que essa postura causará a milhares de agricultores familiares brasileiros, sobretudo na região Sul do Brasil, em condições históricas peculiares (colonização, propriedades familiares) e num ambiente natural que impõe limitações por suas especificidades climáticas.

No estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, entre os municípios com maior número de estabelecimentos produtores e área ocupada, destacam-se: i) áreas tradicionais (Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Sinimbu e Vera Cruz) e ii) áreas novas (Canguçu, São Lourenço do Sul, Pelotas, Morro Redondo, Arroio do Padre, Camaquã e Dom Feliciano), que tiveram nos últimos anos aumento nas áreas plantadas (SINDITABACO, 2009).

            Conforme expressa a tabela 1, os estados da região Sul do Brasil possuem relevância na produção fumageira, envolvendo grande número de famílias produtoras e expressiva produção.  

 

Tabela 1 - Evolução da Fumicultura na Região Sul do Brasil

Safra

Famílias

Produtoras

Hectares plantados

Produção (t)

1979/1980

94.080

171.080

286.090

1989/1990

127.400

201.940

367.960

1999/2000

134.850

257.660

539.040

2000/2001

134.930

253.790

509.110

2001/2002

153.130

304.510

635.110

2002/2003

170.830

353.810

600.540

2003/2004

190.270

411.290

851.060

2004/2005

198.040

439.220

842.990

2005/2006

193.310

417.420

769.660

2006/2007

182.650

360.910

758.660

2007/2008

180.520

348.720

713.870

2009/2010

185.160

401.703

669.619

2010/2011

186.810

372.930

832.830

Média

163.999

330.383

644.349

Fonte: SindiTabaco, 2012. (Organizado pelo autor)

 

Os números apresentados dão conta da importância e significação que a fumicultura adquiriu no sul do Brasil nas safras 2010/2011 pelo número de famílias envolvidas (186.810) para o mesmo período considerado com total de 372.930 hectares plantados. Isso demonstra, sem equívocos, a dinâmica e relevância da cultura do tabaco na agricultura familiar e principalmente na economia dos municípios produtores.  

Um dos principais fatores a ser analisados envolve as possibilidades que a fumicultura propicia na geração de renda nas zonas rurais em pequenas propriedades, dessa forma movimentando a economia de vários municípios, como é o caso de Canguçu, objeto de nossa pesquisa. Ainda é importante destacar que a dinamização da economia de municípios do sul do Rio Grande do Sul via fumicultura contribui decisivamente para reduzir os efeitos do êxodo rural, tão presente na realidade estudada.

Conforme evidencia a Fig. 2, a fumicultura é uma atividade que utiliza em uma das suas etapas de produção mão-de-obra do grupo familiar.

 

                   Figura 2 - Colheita de Fumo no Município de Canguçu.  

      Fonte: Acervo do autor, 2009. 

 

Pelo que se evidencia, a fumicultura desenvolve-se tendo como âncora as pequenas propriedades e como componente a mão-de-obra dos integrantes da família. A tabela 2 destaca a produção fumageira entre os anos de 2000 a 2010, no município de Canguçu, um dos expoentes da cultura de tabaco no Brasil. Enfatizam-se aspectos como área plantada e produtividade para o período analisado.      

 

Tabela 2- Produção de Fumo no Município de Canguçu

Anos*

Produção em toneladas

Hectares plantados

Produtividade kg/h

2000/2001

6.840

3.800

1.800

2001/2002

8.360

3.800

2.200

2002/2003

10.186

4.630

2.200

2003/2004

12.960

7.200

1.800

2004/2005

20.900

9.500

2.200

2005/2006

21.542

10.771

2.000

2006/2007

25.005

11.366

2.199

2007/2008

22.000

10.000

2.200

2009/2010

16.547

7.906

2.092

2010/2011

S/D

S/D

S/D

Média

16.371

7.664

2.077

  Fonte: SindiTabaco, 2012. (Organizado pelo autor)

 *Para os anos 2010/2011, dados a serem divulgados.

 

Ao observarem-se os dados colocados, pode-se ver que, apesar das oscilações que são comuns em culturas agrícolas como o fumo, de um modo geral destaca-se a significação que a produção adquire na realidade estudada, especialmente em um contexto de predomínio das propriedades familiares, com áreas de pequenas propriedades e emprego intensivo da mão-de-obra. A situação posta é de muitas incertezas frente às imposições evidenciadas pela Convenção Quadro de consumo e controle dos produtos oriundos do tabaco. Não bastam discursos fáceis e clientelistas que propõem a ‘simples’ reconversão produtiva, mas estudos aprofundados que permitam o diagnóstico da importância socioeconômica do setor.

No sul do estado do Rio Grande do Sul houve iniciativas pontuais que visavam a substituir as lavouras de fumo por outras variedades agrícolas (canola, girassol, entre outras), situações essas que tiveram aporte de recursos do Pronaf, que tinha como uma das possibilidades a produção de biodiesel e que se mostrou inviável do ponto de vista econômico.  É importante, ao pensar-se o planejamento rural e da agricultura envolvida com a fumicultura, que se possa vislumbrar alternativas à cultura do fumo, entretanto isto deve levar em conta a opinião das diferentes instâncias envolvidas, mas fundamentalmente dos agricultores familiares, que são os que mais sofrem com as decisões inadequadas, tomadas a partir de relatórios tecnocráticos.   

 

 

Considerações Finais

 

Muitos agricultores familiares acabaram ingressando na modernização agrícola e por sua vez aderiram aos pacotes tecnológicos, em casos representativos como o frango, os suínos, o leite e o fumo.  Em Canguçu houve adesão dos produtores familiares ao sistema integrado de produção, conduzido e coordenado pelas fumageiras, com reflexos na economia local, colocando situações novas, ao introduzir a lógica de mercado. O município de Canguçu, um dos maiores polos de agricultura familiar do Brasil, insere-se em uma lógica capitalista. Assim, o camponês tradicional tende a ter alterada sua relação com o mundo moderno, uma vez que os produtores buscam subsidiar o sustento de suas famílias em produções que possuam remuneração e inserção no mercado.

A desestruturação da cadeia conserveira na região como um todo e, logicamente, no município contribuiu para que a fumicultura ganhasse espaço e tivesse a importância econômica dimensionada ao envolver muitas famílias no meio rural com consequente desdobramentos no meio urbano como, por exemplo, a implantação de lojas especializadas para atender à atividade.

Estudar e compreender as implicações da expansão da fumicultura em Canguçu é relevante pela inserção de um município que passa a fazer parte das escalas de relações internacionais, uma vez que o tabaco produzido tem seus mercados de consumo em outros países. A interação da escala global implica diretamente na configuração local, com alterações que se processam no rural em um primeiro momento, mas que possuem seus desdobramentos no urbano.

Analisar os reflexos da produção fumageira em Canguçu é uma atividade que requer debate e envolva as diferentes instâncias (produtores, sindicato rural e comerciantes, entre outros) em razão de ser um processo em desenvolvimento, com consequências já aparentes, mas que carecem de diagnóstico. Desse modo, buscou-se um ensaio que aponte o que são e como estão se desdobrando os fenômenos representados pela expansão dos complexos agroindustriais, especialmente com a cultura do fumo e as incertezas para os produtores familiares colocadas pela Convenção Quadro, da qual o Brasil é signatário.

 

 

RefÊrencias

 

ABRAMOVAY, Ricardo. Paradigmas do capitalismo agrário em questão. 2°ed. Campinas: Hucitec, 1992. 

AFUBRA (Associação dos Fumicultores do Brasil). Disponível: <http://www.afubra.com.br> Vários Acessos em: 2012

BECKER, Berta K. O Uso político do território: questões a partir de uma visão do terceiro mundo. In: BECKER, Bertha K; COSTA, Rogério H.; SILVEIRA, Carmem B. (orgs). Abordagens Políticas da espacialidade. Rio de Janeiro: UFRJ, 1986. P.1-8

CEPAL (Comissão Econômica para America Latina e o Caribe) Disponível

< http://www.eclac.cl/>. Vários acessos: 2011. 

CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 2° ed. São Paulo: Cortez, 1995.

DELGADO, Guilherme da Costa. Capital financeiro e agricultura no Brasil (1965- 1985). São Paulo: Ícone, 1985.

ETGES, Virginia Elisabeta. Sujeição e Resistência: Os Camponeses Gaúchos e a Indústria do Fumo. Santa Cruz do Sul: Editora da FISC, 1991.

INCA (Instituto Nacional do Câncer). Disponível: <http://www.inca.gov.br/tabagismo>. Vários acessos em: 2012.   

MARAFON, Gláucio. J. Permanências e mudanças no campo: uma leitura sobre as transformações recentes no espaço rural fluminense In: MENDONÇA, Francisco de Assis; LOWEN- SAHR, Cicilian Luiza; SILVA, Marcia da. ( orgs) Espaço e tempo: complexidades do desafio e do pensar geográfico. Curitiba: Associação de Defesa do Meio-Ambiente e Desenvolvimento de Antonina (ADEMADAN), 2009. 

PREFEITURA MUNICIPAL DE CANGUÇU. Localização. Disponível em: <http://www.prefeituracangucu.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=51&Itemid=72>. Acesso em: 22 de fevereiro 2011

RACINE, J.B.; RAFFESTIN, C.; RUFFY, V. Escala e Ação, contribuições para uma interpretação do mecanismo de escala na prática da Geografia. Revista Brasileira de Geografia, v.45, n 1, p.123-135, jan-mar/1983.

RADOMSKY, Guilherme Francisco Waterloo. Práticas de certificação participativa na agricultura ecológica: rede, selos e processos de inovação. Revista IDeAS- Interfaces em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade.  Rio de Janeiro, v 3, n.1 p. 133- 164, jan, jun. 2009.   

SACCO DOS ANJOS, F; CALDAS, N. V. A horta agonizante: mercantilização da agricultura e transformações nas práticas de auto-consumo entre famílias rurais do extremo sul gaúcho. In: Pensamento Plural, v.5, p 151-169, 2009. 

SCHNEIDER, S. Teoria social, agricultura familiar e pluriatividade. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v 18 n 51 p 99-121, 2003.    

SIMCH, T. L. Produção familiar na agricultura: um exemplo de tipologia no município de Canguçu/RS. 2002. 197 f. Tese (Doutorado em Integração Regional). – Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2002.

SindiTabaco (Sindicato da Indústria do tabaco) Disponível em: < http://www.sindifumo.com.br>. Vários acessos em 2012.

WANDERLEY, Maria N B. Raízes do campesinato brasileiro. In: Tedesco, J.C. Agricultura Familiar: Realidades e Perspectivas. Passo Fundo: EDUPF, 1999. (Capitulo 1, p 23-56)   

 

 


[1] Trabalho desenvolvido para o XIV Encuentro Internacional de Humboldt a ser realizado na cidade argentina de Rio Hondo ...., Província de Santiago Del Estero;

[2] Aluno doutorando, PÓSGEA, UFRGS, sob a orientação do Professor Luiz Fernando Mazzini Fontoura;

[3] O município de Canguçu, localizado na região Sul do estado do Rio Grande do Sul, possui uma das maiores áreas territoriais do estado (3.252 Km²) caracterizada por uma enorme diversidade de córregos, arroios e relevo acidentado. (Prefeitura Municipal de Canguçu, 2010).   

[4] O fumo ou tabaco são designações vulgares de diversas plantas do gênero Nicotiana (família das Solanáceas) particularmente a Nicotiana Tabacum e a Nicotiana Rústica e dos produtos que são elaborados com suas folhas. (ETGES, 1991)

[5]  Nas palavras de Simch (2002) com base em Muller (1989) o CAI, é uma unidade de analise do processo sócio econômico que envolve a geração de produtos agrícolas, o beneficiamento e sua transformação, a produção de bens industriais para a agricultura, os serviços financeiros, técnicos e comerciais correspondentes.         

[6] A Convenção Quadro é definida como um instrumento legal, sob a forma de um tratado internacional, no qual os estados signatários concordam em empreender esforços para circunscrever a epidemia causada pelo tabaco, reconhecida como um problema global com consequências graves para a saúde.  (INCA, 2004).


Ponencia expuesta en el XIV Encuentro Internacional Humboldt. Las Termas de Río Hondo, provincia de Santiago del Estero - Argentina. 15 al 19 de octubre de 2012.