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Asunto:[encuentrohumboldt] 210/11 - EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONCEPÇÕES TE ÓRICAS E O PAPEL DAS ONGS
Fecha:Viernes, 9 de Diciembre, 2011  00:55:22 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..............org>

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONCEPÇÕES TEÓRICAS E O PAPEL DAS ONGS[1]

 

ENVIRONMENTAL EDUCATION: THEORETICAL CONCEPTIONS AND THE ROLE OF THE NGOs

 

María Riveliza da Silva

UFGD

 

Resumo

 

Este trabalho é parte das reflexões que estamos desenvolvendo em nossa dissertação de mestrado que tem por objetivo central compreender a trajetória, objetivos e propostas de atuação voltadas à Educação Ambiental da ONG “Ecologia e Ação” (ECOA), com sede em Campo Grande-MS no sentido de identificar as concepções que a permeiam e as formas como estas ações de Educação Ambiental são desenvolvidas. Neste texto em específico, buscamos recuperar os diversos olhares sobre a questão ambiental, principalmente quanto às concepções de Educação Ambiental e o papel das organizações não-governamentais neste contexto. Considerando que esta pesquisa está em desenvolvimento, apresentaremos parte das reflexões teóricas já realizadas e que referenciam nosso entendimento sobre a questão ambiental, a Educação Ambiental e o papel das ONGs em relação a esta questão.

 

 

Palavras-Chave: Meio Ambiente, Educação Ambiental, ONGs, ECOA, Mato Grosso do Sul.   

 

Abstract

This work is part of the reflections that are being developed in our Master Degree dissertation, whose main aim is to understand the trajectory, objectives and the proposals of performance for the Environmental Education of the NGO called “ECOA – Ecologia e Ação” (Ecology and Action). Its headquarters is in Campo Grande/MS.  The goal is to identify the conceptions that permeate the NGO and the ways that these actions of Environmental Education are being developed. In this text specifically, we try to restore several of the views about the environmental issue, mainly as for the conceptions of Environmental Education and the role of the non-governmental organizations in this context. Taking into consideration that this research is still being developed, we shall present part of the theoretical reflections which have already been carried out and which refer to our understanding of  the environmental issue, the Environmental Education as well as the role of the NGOs as far as this matter is concerned.

 

Key words: Environment, Environmental Education, NGOs, ECOA, Mato Grosso do Sul. 

 

 

 

 

 

Introdução

 

Decorrente de um legítimo temor de nossa possível extinção, bem como a reflexão sobre a conservação e direito à vida é que inquietações emergem, face a um planeta constantemente mutante e em intensa crise societária. Trata-se, na verdade, de uma sociedade contemporânea que se encontra diante de uma condição estrutural que admite a caracterização de várias crises (civilizatória, moral, política, ambiental, tecnológica, entre outras) e que pode ser considerada como uma situação complexa – pois exprime as várias patologias do capitalismo, desde o sentido de produção da modernidade até as incertezas e individualismo acentuado, num momento que ao mesmo tempo em que reuniu grandes avanços tecnológicos, promoveu também as maiores barbaridades contra a natureza, incluindo a humanidade.

Provenientes de distintas motivações e necessidades, quase todo sujeito – quer seja individual ou coletivo – reconhece e se refere ao ambiente como extensão indissociável da humanidade, mencionando-o, inclusive, como condição necessária para a conservação e perpetuação da vida na Terra. Assim sendo, a questão ambiental representa uma das mais importantes dimensões de atenção e análise por parte da sociedade moderna. A exemplo, tem-se o expressivo aumento de discussões, produções teóricas e manifestações sociais abordando a temática, isto, principalmente, desde a década de 1970.

 É, portanto, a partir daí que a Educação Ambiental adquiriu grande destaque como possibilidade de diminuir ou amenizar tal processo por meio de pressupostos e ações educativas. Assim, é necessária uma visão mais crítica e profunda sobre essa temática, refletindo sobre a complexidade do nosso atual modelo de produção bem como pensar não somente nas conseqüências que esse modo de produção acarreta, mas principalmente nas suas causas.

Neste sentido, entendemos ser relevante a realização de uma pesquisa que busque uma reflexão, a partir de análise fundamentada, visando discutir o papel das Organizações Não Governamentais (ONGs) no desenvolvimento de ações de Educação Ambiental. 

Assim sendo, neste trabalho procuramos situar teoricamente a discussão sobre as relações entre as concepções de Educação Ambiental e o contexto em que se inserem, destacando as vinculações existentes entre estas e a própria idéia de meio ambiente e natureza construídas na modernidade.

Ainda nessa direção e de acordo com disposições ambientalistas críticas e democráticas, a saída para a moderação dos chamados problemas ambientais não se limita ao objetivo das tecnologias limpas – que é o de diminuir o impacto negativo sobre o meio ambiente – tão pouco às mudanças comportamentais. É necessária, antes de qualquer coisa, a reorganização estrutural da sociedade, da política e da economia vigentes.

Deste modo, buscamos analisar os distintos pontos de vista sobre a questão ambiental, sobretudo no que concerne às concepções de Educação Ambiental neste contexto.

Levando em consideração que este trabalho em nível de mestrado encontra-se em desenvolvimento e que neste momento estamos realizando entrevistas com os membros da Ecologia e Ação, apresentaremos parte das reflexões teóricas já realizadas e que fazem referência ao nosso entendimento não somente sobre a questão ambiental, mas também à Educação Ambiental e o papel das ONGs em relação a esta questão. Procuraremos, também, caracterizar a ONG em estudo a partir da documentação já levantada sobre a mesma no sentido de pontuar, a partir de suas principais ações as questões relativas à Educação Ambiental.           

Cabe destacar que a ECOA foi fundada com os seguintes objetivos: desenvolver programas de proteção ambiental no meio urbano e rural; buscar a utilização racional dos recursos naturais e lutar pela manutenção da qualidade de vida em um ambiente ecologicamente planejado e equilibrado; participar e promover eventos sobre questões ambientais; emitir pareceres técnicos, quando julgar necessário ou quando solicitado; divulgar e registrar as ações e posicionamentos da entidade e questionar qualquer ação que seja considerada uma agressão ambiental.

Desde sua criação, a ECOA promove e apóia campanhas para proteção de áreas naturais e criação de unidades de conservação. De modo articulado em rede com entidades brasileiras e de outros países, busca questionar e conquistar medidas e políticas de compensação para os grupos atingidos por megaprojetos com forte impacto ambiental e social, como hidrelétricas, hidrovias e projetos de industrialização.

A ONG visa, ainda, integrar a participação das comunidades na formulação de políticas públicas pelo meio ambiente promovendo capacitações e a produção de informações sobre a sustentabilidade ambiental, econômica, cultural e social das localidades e seus povos.

A partir da investigação inicial sobre a ECOA, verificamos que esta ONG desenvolve ações que mostram preocupação e compromisso com as questões sociais e não meramente voltadas para uma “natureza em si” na medida em que a maioria dos projetos envolve discussões e articulação com as comunidades que vivem e se relacionam diretamente com esses ambientes naturais.

Neste sentido, entendemos ser relevante investigar de maneira mais verticalizada as ações da ECOA e neste contexto as práticas de Educação Ambiental desenvolvidas e implementadas a partir de seus projetos e sua contribuição para a construção de alternativas ambientais em Mato Grosso do Sul.

 

Educação Ambiental e suas concepções

 

Tendo em vista o intenso processo de degradação pelo qual o meio ambiente vem passando, principalmente nos últimos trinta anos, é que a Educação Ambiental aparece enquanto possibilidade de diminuir ou amenizar tal processo por meio de pressupostos e ações educativas.

Nesse sentido, a Educação Ambiental, enquanto educação política deve enfatizar o “porque fazer” ao invés do “como fazer”. Trata-se, portanto, de entender as causas do problema e não somente destacar as conseqüências. É necessário, deste modo, entendermos não só as relações que ocorrem no nosso atual modo de produção que se baseia na superprodução e no superconsumo, mas também vermos como este modo de produção busca minimizar os intrincados fenômenos da realidade visando, por sua vez, não desfigurar a sua forma de produção, isso, através de ações técnicas que tratam somente as suas conseqüências e não as suas causas. Além disso, questionam-se as ações tecnicistas que fazem recair sobre o indivíduo a responsabilidade, como se fosse ele realmente o maior responsável pela degradação ambiental.

A Educação Ambiental trata-se, ainda, de uma educação que não é neutra, mas sim ideológica, um ato político baseado em valores que estimulem a solidariedade, a igualdade e o respeito aos direitos humanos. Ela é individual e coletiva. Tem o propósito de formar cidadãos com consciência local e planetária que respeitem as relações entre si e entre o meio no qual vivem.

Assim, a questão central é refletirmos sobre fundamentos e conceitos de Educação Ambiental que não busquem um modelo padrão a ser seguido por todos, pois isso se trataria não só de um reducionismo de uma complexa realidade, mas também da negação do educar como processo dinâmico.

Ainda nessa direção, podemos colocar que certos conceitos e categorias teórico-metodológicas passaram a ser tão comuns e repetitivas na fundamentação dos projetos, programas e ações que acabaram perdendo seu sentido, caracterizando-se num dano no que se compreende por Educação Ambiental, esta enquanto política pública aprovada pela Lei nº 9.795/99, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental e que procura romper com o modelo conservador. Assim diz Loureiro (2006):

 

Modelo conservador de educação que não compreende a cultura como forma de representação e definição de valores decorrentes do modo como a sociedade produz, se organiza, e de como interagimos no ambiente. Aspectos estes que precisam ser levados em consideração em qualquer processo que se pretenda educativo.  (p. 26)

 

Uma das principais críticas feitas a este modelo conservador é que ele se baseia numa visão mecanicista que simplifica e reduz os fenômenos complexos da realidade não discutindo, por sua vez, as relações que ocorrem no interior do processo produtivo, na sua forma social, mas discutindo somente seus efeitos, o que implica em pensar em soluções pela via tecnicista sem alterar a forma social de produção com suas regras de mercado.

Outra questão a ser destacada é a de que muitos educadores ambientais pautam-se em uma única visão de mundo, possuindo os mesmos objetivos no que se refere à questão ambiental, mudando apenas o setor social em que atuam (escolas, comunidades, unidades de conservação, meios de comunicação, empresas, etc.), visão esta que precisa ser analisada e superada.

Não se trata, portanto, de estabelecer um caminho único para a “salvação” do meio ambiente, mas sim a possibilidade de construirmos, através de uma Educação Ambiental crítica, uma sociedade que vise romper com a perpetuação das relações de poder e interesses globais colocados, nas quais as nossas necessidades vitais se encontram cada vez mais submissas à necessidade do lucro imediato e nem mesmo o meio físico se encontra protegido dessas “necessidades”. Esse é um dos pilares da Educação Ambiental que não se contenta com o senso comum.

Assim, quando falamos em Educação Ambiental, esse tema se amplia, uma vez que, o maior desafio da mesma é fazer com que todos entendam a importância do meio ambiente para a preservação da própria vida humana, através de uma educação ambiental que se pretenda coletiva, solidária, crítica e permanente, aliadas à especificidade do momento em que vivemos. No entanto, modificar essa sociedade que se caracteriza pela racionalidade posta pela modernidade e que gosta dos confortos que este modo de produção proporciona - até mesmo quando esses confortos estão inacessíveis, na maioria dos casos, continuam sendo a nossa grande ambição - é um dos maiores desafios da Educação Ambiental, pois:

 

A maioria de nós aprendeu a viver de e para o supérfluo. Quando não o consumimos ou produzimos vemos nele o nosso grande alvo. Entre ter e o ser, nos confundimos e, muitas das vezes, ficamos com o primeiro, trocando nossa cidadania pelos sinais aparentes de um status que nos é impingido como ideal. (LEROY e PACHECO, 2006, p.41)

 

Todo esse processo ocorre pautado nos paradigmas da sociedade moderna que procura simplificar e reduzir a compreensão da realidade, limitando o entendimento de meio ambiente na sua complexidade.

Outra questão a ser considerada, é que apesar da grande difusão que há, atualmente, sobre Educação Ambiental, a sociedade moderna destrói hoje o meio ambiente mais do que há 30 anos atrás. Então, o que isso pode significar? Será que os educadores de hoje não estão sensíveis para a seriedade da questão ambiental que nos envolve atualmente? Ou será que a Educação Ambiental não é capaz de contribuir para uma sustentabilidade ambiental?

Apesar de bem intencionados, os educadores, ao desenvolverem atividades reconhecidas como Educação Ambiental, apresentam, na maioria das vezes, uma visão fragmentada, simplista e reduzida da realidade, se apegando, por sua vez, aos paradigmas da sociedade moderna. O problema consiste, então, no fato dessa visão simplista ser repassada não só na educação formal, mas na informal também. Isso ocorre pelo simples fato de que, os professores, ao não perceberem que os problemas ambientais decorrem dos conflitos entre os interesses privados e o bem coletivo, bem como, entre a sociedade e a natureza, não questionam as causas profundas da crise ambiental, difundindo-se nas esferas educacionais, e particularmente nas escolas.

Assim, não podemos deixar de enxergar as complexidades, dificuldades e crises do mundo, bem como o amplo meio ambiente à nossa volta. A verdadeira Educação Ambiental deve ter como preocupação proteger não só a flora, a fauna, a água e o ar, mas também os homens e as mulheres.

Deste modo, seu objetivo consiste em promover a compreensão dos problemas sócioambientais em suas múltiplas dimensões: geográfica, histórica, biológica e social contribuindo, por sua vez, para a transformação dos atuais padrões de uso e distribuição dos recursos naturais.

Cabe destacar que, a partir de levantamento bibliográfico realizado, notamos a complexidade da discussão teórica sobre Educação Ambiental, a qual envolve questões que vão além de decisões técnicas e ações individuais e comportamentais. Inclusive, para Brügger (2004) a educação ambiental desenvolvida atualmente, na maioria das vezes, assemelha-se a um adestramento, ou seja, uma instrução de caráter essencialmente técnico, fruto de uma visão de mundo cientificista e unidimensional. Há, então, uma ênfase na mudança de comportamento, mas não há mudança de valores e grande parte das ações de EA revela, em termos de conteúdo e de forma, uma visão essencialmente instrumental da questão ambiental e da educação.

Assim, há níveis de responsabilidade que vão muito além da esfera pessoal e de situações particulares. Daí a importância de se atuar em esferas coletivas, políticas e problematizadoras da realidade.

Outra questão a ser discutida em relação a esse tipo de projeto é o ideário de que o único responsável pela destruição do planeta é o homem, como se todos os impactos que geramos tivessem a mesma intensidade e que se cada indivíduo não fizer a sua parte, maior é a culpa dele. Entretanto, é necessário entendermos que todo esse processo se dá no interior de um determinado modo de produção, de acesso e uso desigual do patrimônio natural, o que torna imprecisa a generalização de uma grande empresa e um único indivíduo, bem como de um norte-americano e um africano.

É a partir daí que surge o papel da Educação Ambiental que visa fazer uma identificação dos problemas e conflitos que afetam o ambiente no qual vivemos. Isso tudo através de processos de ensino formal ou não-formal, bem como atuando no cotidiano escolar e não-escolar.

Vale lembrar também que aquilo que chamamos de “problema ambiental” nada mais é do que um problema social, proveniente do nosso atual modelo econômico de produção que se baseia na superprodução e no superconsumo praticados apenas por uma pequena parcela da humanidade. Neste sentido, Reigota (1998, p. 9) afirma que: “É necessário entender que o problema está no excessivo consumo desses recursos por uma pequena parcela da humanidade e no desperdício e produção de artigos inúteis e nefastos à qualidade de vida.”

Assim, quando falamos em meio ambiente logo vem a noção de “natureza”, “fauna e flora”, “vida selvagem”, “vida biológica”, portanto, o meio ambiente surge como uma tradição naturalista, mas que pode ser sobrepujada caso haja uma superação dessa dicotomia entre natureza e sociedade: através de uma visão sócio-ambiental, por exemplo. 

Nesse sentido Carvalho (2006) diz:

 

A visão sócio-ambiental pensa o meio ambiente não como um sinônimo de natureza intocada, mas como um campo de interações entre a cultura e a sociedade e a base física e biológica dos processos vitais (...). A presença humana, por exemplo, aparece longe de ser percebida como intrusa ou desagregadora (câncer do planeta), mas sim como um agente que pertence à teia de relações da vida social, natural e cultural e interage com ela. (p. 37)

 

Em suma, a visão sócioambiental chama a atenção para os limites reducionistas à dimensão física e biológica não negando, porém, a base “natural” da natureza.

Na mesma direção, Loureiro (2006) afirma que a reflexão sobre a problemática ambiental deve estar articulada com a contextualização social, cultural, histórica, política, ideológica e econômica para não cair numa visão de mundo dualista. Para ele, é impossível a EA ser praticada de modo descontextualizado das práticas sociais, pois não é possível reverter o quadro apenas com mudanças éticas ou comportamentais, depositando a responsabilidade no indivíduo e eximindo a responsabilidade da estrutura social e o modo de produção.

Inclusive, é justamente essa visão fragmentária que tende, fortemente, a desenvolver, na nossa sociedade, ações isoladas, voltadas para o comportamento individual, descontextualizadas da realidade socioambiental em que o indivíduo está inserido.

Assim, a complexidade da discussão teórica sobre Educação Ambiental envolve questões que vão além de decisões técnicas e ações individuais e comportamentais.

Surge, portanto, a necessidade de uma Educação Ambiental que rompa com os aspectos conservacionistas, buscando saídas para além do desenvolvimento econômico e de mudanças comportamentais. Embora seja um ponto importante, a questão é que não se trata apenas de garantir a preservação de determinados animais e vegetais, mas sim de levarmos em consideração as relações econômicas e culturais entre a humanidade e a natureza.

 

As organizações não-governamentais no contexto da questão ambiental

 

Por se declararem não pertencentes ao Estado, sem fins lucrativos e se constituindo enquanto representação legítima da sociedade é que, a partir da década de 60 do século XX surgem as chamadas Organizações Não-Governamentais. Estas passaram, principalmente nos últimos anos, a ganhar uma variedade de definições, dado seus objetivos múltiplos como cidadania, desenvolvimento local, ambiente, ações assistenciais, entre outros.

Determinada na Organização das Nações Unidas (ONU) e derivada da expressão inglesa Non-governmental Organization (NOG), o termo ONG foi empregado, pela primeira vez, na década de 1950, sendo caracterizada como entidades que não foram fundadas por acordos governamentais.

Representando um segmento importante da vida coletiva é que, a partir da década de 1980, a terminação ONG teve seu boom, se estabelecendo na principal forma organizacional na área do ambientalismo tanto nacional quanto internacional.

            As ONGs ambientalistas podem ser caracterizadas como entidades independentes, privadas, sem ligações formais com o governo, sem fins lucrativos e que visam atender às necessidades da população – dado seu caráter sócio-ambiental. Isso através de uma ação direta em comunidades específicas.

Assim diz Menescal (1996) apud Pignatti (2005):

 

As ONGs podem ser atualmente definidas como grupos de pressão sociais. Ou seja, como grupos de pressão que buscam, por um lado, influenciar e democratizar políticas governamentais para que essas supram de maneira mais extensa possível as necessidades da sociedade e de condições de vida iguais e justas no mundo todo e, por outro, movimentar a sociedade em que estão inseridas, utilizando-se de suas relações de solidariedade, na busca dessa democratização e influência política. (p. 38)

 

Voltadas à promoção e realização de projetos de desenvolvimento, as ONGs podem dizer respeito a vários segmentos como, por exemplo, organizações sindicais, partidos, igrejas, universidades, setores populares, entre outros. Trata-se de mecanismos que fornecem à sociedade bens coletivos públicos – já que estão à disposição de toda a população – e bens sociais – já que visa atender às necessidades da população e colaborar para a construção da cidadania, através de interações sociais como o altruísmo, confiabilidade e vínculos comunitários. Elementos estes que o Estado nem tão pouco o mercado oferecem. Para Scherer-Warren (1998) apud Pignatti (2005):

 

As ONGs são organizações formais, privadas, porém com fins públicos, sem fins lucrativos, autogovernadas e com participação de parte de seus membros como voluntários, objetivando realizar mediações de caráter educacional, político, assessoria técnica, prestação de serviços e apoio material e logístico para populações-alvo específicas ou para segmentos da sociedade civil, tendo em vista expandir o poder de participação destas com o objetivo último de desencadear transformações sociais ao nível micro (do cotidiano e/ou local) ou ao nível macro (sistêmico e/ou global). (p. 38)

 

Quanto à sua estrutura de funcionamento interno, observa-se alguns casos de entidades com um número limitado de membros e a existência, até mesmo, de líderes vitalícios ou honrados.

O principal modo de ação das ONGs ambientalistas se dá através de duas maneiras, sendo a primeira delas a ação voluntária de seus membros que destinam parte do seu tempo para realizarem atividades em prol das metas almejadas pela entidade, ou; num segundo caso, através da obtenção de recursos financeiros para a efetivação das ações propostas. Neste caso, costuma-se haver a contratação de profissionais aperfeiçoados com as metas da organização, profissionais estes que acabam por compor a estrutura organizacional e política da entidade.

Em síntese, são entidades instituídas voluntariamente, com relevante grau de independência na sua gestão e funcionamento, e que não visam a obtenção de lucros materiais. São, ainda, organizações voltadas para atividades vinculadas a questões sociais, ambicionando a institucionalização, a qualificação do trabalho e a profissionalização de seus administradores. Tratam-se, portanto, de entidades que visam a cidadania plena, isto é, uma melhor qualidade de vida para todos, permeando e politizando diferentes atividades neste sentido.

Muitos ambientalistas percebem que promover o social, muito contribui para a concretização de organismos democráticos aptos a criarem condições para as necessárias modificações estruturais da sociedade.

Inserir e formar novos atores sociais são características que fazem parte, atualmente, da tradição dessas organizações e que lhes conferem a certeza de que as atuações localizadas podem se multiplicar, o que aumenta o seu poder de efeito.

De acordo com essa lógica, a crescente mobilização e o compromisso individual e coletivo têm o poder de democratizar as relações na sociedade.

Cabe destacar que as ONGs não surgem para substituir as ações do Estado, mas sim como entidades que podem contribuir na elaboração e execução de propostas, colaborando assim, de forma positiva nas políticas de governo, buscando mudanças sociais significativas.

As ONGs assumem relativa importância como grupos de pressão, o que implica na sua forte atuação em nível político. Elas podem, ainda, serem avaliadas em relação ao seu caráter público, pois oferecem serviços sociais e assistencialistas, principalmente aos carentes e marginalizados.

Neste contexto, temos a ONG “ECOA – Ecologia e Ação” de Mato Grosso do Sul.A ECOA foi fundada em 1989 no Brasil. Sua sede é em Campo Grande, estado de  Mato Grosso do Sul. Tem atuação local, nacional e internacional. Do ponto de vista territorial sua prioridade é a América do Sul. As unidades ambientais onde atua diretamente são a bacia do rio da Prata, o Sistema Paraguai – Paraná de Áreas Úmidas, o Cerrado e o Pantanal. As principais áreas de trabalho são: desenvolvimento integral de comunidades, energia, infraestrutura e biocombustíveis.

Esta ONG foi fundada com a finalidade de desenvolver programas de proteção ambiental no meio urbano e rural; buscar a utilização racional dos recursos naturais e lutar pela manutenção da qualidade de vida em um ambiente ecologicamente planejado e equilibrado; participar e promover eventos sobre questões ambientais; emitir pareceres técnicos, quando julgar necessário ou quando solicitado; divulgar e registrar as ações e posicionamentos da entidade e questionar qualquer ação que seja considerada uma agressão ambiental.

Desde sua criação, a ECOA promove e apóia campanhas para proteção de áreas naturais e criação de unidades de conservação. De modo articulado em rede com entidades brasileiras e de outros países, busca questionar e conquistar medidas e políticas de compensação para os grupos atingidos por megaprojetos com forte impacto ambiental e social, como hidrelétricas, hidrovias e projetos de industrialização.

A ONG visa, ainda, integrar a participação das comunidades na formulação de políticas públicas pelo meio ambiente promovendo capacitações e a produção de informações sobre a sustentabilidade ambiental, econômica, cultural e social das localidades e seus povos.

A ECOA busca promover campanhas e processos de diálogos multisetoriais para criar espaços de reflexão, negociação e decisão frente a questões prioritárias para a conservação ambiental e a sustentabilidade. Uma das principais características da instituição é o permanente suporte para o surgimento e desenvolvimento de redes, fóruns, articulações e organizações locais no Brasil e em outros países.

Diante do exposto entende-se, a priori, que a ECOA desenvolve ações que mostram preocupação e compromisso com as questões sociais e não meramente voltadas para uma “natureza em si” na medida em que a maioria dos projetos envolve discussões e articulação com as comunidades que vivem e se relacionam diretamente com esses ambientes naturais.

Nos levantamentos iniciais que realizamos, foi possível constatar que para a ECOA a Educação Ambiental é algo mais amplo e complexo, que envolve saúde, meio ambiente, educação, elementos estes que são direitos de todos, o que coloca a ONG numa perspectiva de Educação Ambiental que entendemos mais interessante e coerente com as preocupações na dimensão socioambiental. A partir das entrevistas e outras informações que estamos levantando, pretendemos reunir elementos para fundamentar esta impressão (ou hipótese) aqui apontada.

  

 

Bibliografia

 

BRÜGGER, Paula. Educação ou adestramento ambiental? 3ª ed. Chapecó: Argos; Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2004.

CARVALHO, I. C. M Educação Ambiental: a formação do sujeito ecológico. São Paulo: Cortez, 2006.  

CARVALHO, M. O que é natureza. São Paulo: Brasiliense, 1991.

GUIMARÃES, Mauro. A formação de educadores ambientais. Campinas: Papirus, 2004.

___. Armadilha paradigmática na educação ambiental. In: LOUREIRO, Carlos F. B. Carlos F.B et al (Orgs) Pensamento complexo, dialética e educação ambiental.  São Paulo. Cortez, 2006.

LAYRARGUES, P.P. Muito além da natureza: educação ambiental e reprodução social. In: LOUREIRO, Carlos F. B. et al (Orgs.) Pensamento complexo, dialética e educação ambiental. São Paulo: Cortez, 2006, p. 72-101.

LEROY, J.P. & PACHECO, T. Dilemas de uma educação em tempo de crise. In: LOUREIRO, Carlos F. B. et al (Orgs.) Pensamento complexo, dialética e educação ambiental. São Paulo: Cortez, 2006, p. 30-71.

LOUREIRO, Carlos F. B. Trajetória e fundamentos da Educação Ambiental. São Paulo: Cortez, 2006.

REIGOTA, Marcos. O que é Educação Ambiental. São Paulo: Brasiliense, 1996.

_________. Meio Ambiente e representação social. São Paulo: Cortez, 1994.

   


[1] Trabalho orientado pela profa. Dra. Flaviana Gasparotti Nunes pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal da Grande Dourados.


Ponencia presentada en el XIII Encuentro Internacional Humboldt. Dourados, MS, Brasil - 26 al 30 de setiembre de 2011.  






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