Inicio > Mis eListas > encuentrohumboldt > Mensajes

 Índice de Mensajes 
 Mensajes 3201 al 3220 
AsuntoAutor
203/11 - Urbanizaç Encuentr
204/11 - AS FEIRAS Encuentr
205/11 - A produçã Encuentr
206/11 - ATIVIDADE Encuentr
207/11 - CONFLICTO Encuentr
208/11 - OS IMPACT Encuentr
209/11 - PANORAMA- Encuentr
210/11 - EDUCAÇÃO Encuentr
211/ 11 - UM OLHAR Encuentr
212/11 - EDUCAÇÃO Encuentr
213/11 - Panel “Br Encuentr
214/11 - Espaço Gu Encuentr
215/11 - Análise s Encuentr
216/11 - A PARTICI Encuentr
217/11 - Reflexões Encuentr
218/11 - TURISMO P Encuentr
219/11 - XIV Encue Encuentr
220/11 - Moderniza Encuentr
220/11 - O PARADIG Encuentr
221/11 - TERRITÓRI Encuentr
 << 20 ant. | 20 sig. >>
 
ENCUENTRO HUMBOLDT
Página principal    Mensajes | Enviar Mensaje | Ficheros | Datos | Encuestas | Eventos | Mis Preferencias

Mostrando mensaje 3267     < Anterior | Siguiente >
Responder a este mensaje
Asunto:[encuentrohumboldt] 203/11 - Urbanização, Dinâmica Demográfica e Planejamento Inclusivo: os idosos na cidade de Rio Cl aro-SP. (1980- 2010)
Fecha:Viernes, 2 de Diciembre, 2011  00:57:47 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..............org>

  

*Urbanização, Dinâmica Demográfica e Planejamento Inclusivo:

os idosos na cidade de Rio Claro-SP. (1980- 2010)

 

**Odeibler Santo Guidugli.

 

Resumo

 

Originado da transição demográfica o aumento do número dos idosos e o envelhecimento populacional são temas relevantes no contexto da intensa urbanização humana. Seus significados e desafios crescem celeremente nas grandes, médias ou pequenas cidades. Lidas como responsáveis por um amplo processo de desenvolvimento, recentemente tornaram-se, também, o foco do declínio da qualidade de vida e do crescimento, para uma maioria, em especial aqueles que nelas são excluídos. O estudo objetivou avaliar, em perspectiva quantitativa, mas, especialmente, qualitativa, o envelhecimento demográfico em uma cidade de porte médio: Rio Claro-SP, criada em 1827 e que, no censo de 2010 registrou 186.253 habitantes.  A ênfase está centrada na espacialização do envelhecimento e dos idosos como dimensão relevante para: o planejamento urbano; as ações dos poderes locais; a sociedade e as famílias. Fundada e desenvolvida, em seu início, no contexto do avanço da cafeicultura, entre 1940 e 1980, registrou totais populacionais de 47 287 e 110 212 habitantes e de idosos (60 anos e +) de 2.373  para 4 350 habitantes crescendo, relativamente, em 133.0 e 83,3%, respectivamente. Entre 1980 e 2010 estes mesmos valores aumentaram em 69.0 e 153.0%. Neste ultimo período a totalidade do estado cresceu em 64.87 e 201.9%, respectivamente.  O estudo analisou, principalmente,  o período de 1980 – 2000, centrado nas diferenciações: da dinâmica demográfica urbana; do envelhecimento e, nas significativas mudanças na espacialização dos idosos. Finaliza com questões qualitativas decorrentes destes desajustes. As conclusões apontaram para a necessidade do poder público municipal; o empresariado; as famílias; a sociedade em geral e aqueles que já são idosos ou estão próximos, quanto à necessidade do conhecimento, na atualidade, deste processo, simultaneamente, inovador e desafiador para as ações futuras.

 

Palavras Chave – idosos espacialização demográfica, planejamento inclusivo, qualidade de vida, Rio Claro.

 

Abstract:

 

Originated  of the demographic transition the increase of the number of elderly and aging population are important issues in the context of intense urbanization. Their meanings and challenges grow, the swiftly  in generating  large, medium or small cities. Held responsible for a wide process of development recently, have also become the focus of the  quality of living and in special of the growth of the ones excluded in them. The study aims to evaluate, in quantitave but mainly  in a qualitative dimension, the demographic aging in a middle-sized city, Rio Claro founded in 1827,  and that in the 2010 census recorded 186,253 inhabitants.  The emphasis had focused the spatialization of aging and of the aged as a relevant dimension for: the urban planning; the actions of the local government   the society and the families.  Founded, and developed in its beginning in the context of the advancement of the coffee planning, between 1940 and 1980, registered population totals of 47 287 and 110 212 inhabitants and of the aged (60 years +) from 2373 to 4350 inhabitants increasing, relatively, in 133.0 and 83.3%, respectively. Between 1980 and 2010 these same values ​​have increased by 69.0 and 153.0%. In the latter period, the state grew in 64.87 and 201.9% respectively. The study analyzed. dominantly the period between 1980 - 2000, focused on the differentiations: of the urban demographic dynamics of the aging and, in the significant changes in the spatialization of the aged. It ends with qualitative questions deriving from these disorders. The conclusions pointed to the necessity of the local government, the entrepreneurs, the families, the society in general  regarding the necessity of the knowledge at present of this process simultaneously, innovative and challenging  and for  the future actions.

Keywords:
aged, demographic spatialization, Inclusive Planning  quality of living, Rio Claro

 

 

 

Introdução

 

 A intensa urbanização da humanidade alterou profundamente as relações entre o homem e seu espaço geográfico. Traduzidas em desafios de toda a sorte: na habitação, transporte, trabalho, saúde, segurança, etc., vêm transformando as cidades  em  espaços de conflitos de natureza variada tais como entre: o público e o privado; o  individual e o coletivo;  a natureza e as construções  humanas; o centro e as diferentes formas de periferia; e, especialmente entre uma demografia composta por jovens e adultos e aquela, crescentemente,  dos idosos. Neste último aspecto as contradições entre os incluídos e os excluídos é dimensão bastante relevante.

Desta forma as ações humanas, sejam elas construtivas ou destrutivas e a população necessitam ser vistas além de uma simples distribuição espacial ou mesmo uma relação de densidades.  Elas necessitam ser vistas em termos de suas relações e implicações sociais, econômicas contextualizadas nas mudanças dos perfis demográficos. Particularizando a dinâmica demográfica, por exemplo, a tradicional avaliação da densidade (relação entre população e a área por ela ocupada), embora ainda em uso, tem sido objeto de muitas criticas. Estas são encontradas já no passado em: Trewartha, (1953), Zelinsky (1971); Goldstein e Sly (1975) e, igualmente, na atualidade em: Plane e Rogerson (1994) e Gould (2009) e outros.

Estas realidades impõem a busca de soluções práticas, as quais não podem ser obtidas se a demografia, seja ela em escala nacional ou local, não for adequadamente inserida. Trata-se de variável indispensável para a identificação da dinâmica dos diferentes perfis verificados como subsídios para a escolha das ações necessárias. Portanto, ela vai muito além da consideração apenas dos totais. Isto porque, suas diferentes dinâmicas (quantitativas e qualitativas) interferem, de forma diferenciada, sobre o espaço e a vida humana.

Os perfis das áreas urbanas exibem, na atualidade, eventos relevantes tais como: as migrações, especialmente as intra urbanas; a expansão inadequada do espaço com os conseqüentes problemas de infra estrutura; o desconhecimento e ineficácia do poder local e aqueles decorrentes das mudanças na dinâmica demográfica. Neste caso a estrutura etária merece destaque em termos da consideração dos espaços das crianças (cada vez mais raros) e aqueles dos idosos, crescentemente ignorados e, portanto, inexistentes.

Em sentido aplicado é indispensável contemplar o planejamento urbano na busca de soluções para estes desafios e contradições visando melhorar a qualidade de vida de todos. ;
Este deve ser um objetivo universal, para todos os espaços de que se compõem a cidade e, para todos aqueles que  nela residam. Para tanto é indispensável mudar nossas reflexões sobre a dinâmica demográfica. Em particular aquela que conduz ao envelhecimento para melhor compreensão da espacialização dos idosos e, a partir disto, identificar suas necessidades e demandas.

Com esta leitura, a conexão: planejamento urbano e geografia representam um exercício, tanto do ponto de vista teórico quanto pratico, que torna possível destacar o papel da ciência para a identificação, análise e propostas no sentido de equacionar as necessidades da sociedade urbana. Através dela passamos a considerar a relevância de seu papel na criação do conhecimento que vá, além da academia. Contudo, isto só poderá ser obtido através de suas diferentes aproximações espaciais evidenciando assim que ambos têm condições de ajudar a melhorar a qualidade de vida humana.

A pesquisa,  que se encontra em processo, tem como objetivo principal o de analisar a espacialização do envelhecimento (60 anos e +), como dimensão indispensável para as ações do planejamento sócio-espacial num contexto local (geralmente ignorado nos estudos neste nível), Uma leitura cuidadosa que se faça das feições atuais das cidades exibe, de forma evidente, diferentes aspectos da vulnerabilidade da população idosa em termos das várias dimensões que compõem a vida deste segmento populacional. Dentre eles o local de moradia; a necessidade de migrar dentro da cidade; a mobilidade intra urbana; os transportes (os três últimos analisados de forma interessante por Gant (1997)); o atendimento a saúde; a inserção social, a segurança e tantos outros.

 

Rio Claro se transforma espacialmente

 

Rio Claro-SP, é uma cidade de porte médio localizada no centro leste do estado de S. Paulo cujas populações, total e idosa, tiveram no período estudado, crescimentos de 69 e 150% enquanto o estado cresceu, em 64.8 e 201.9%, respectivamente. Para Rio Claro é relevante destacar alguns dados demográficos, registrados na tabela 1, os quais fornecem um perfil do município, em termos de seu processo de envelhecimento, em um contexto comparativo mais amplo.

 

Tabela 1 - Posições (ranking) decrescentes do município de Rio Claro, em 1980, 2000 e 2010, no contexto dos municípios paulistas cujos totais populacionais eram iguais ou superiores.

 

Ordem

 

1980

2000

2010

1

Ano de criação

1845

 

 

 

2

População Total 

31ª. posição

 36ª. posição

40ª. posição

3

Total de Idosos

20ª. posição

 21ª. posição

23ª. posição

4

Índice de Envelhecimento-IE

 3ª. posição

3ª.    posição

8ª. posição

5

% Idosos /Pop. Total

 2ª. posição

 2ª. posição

7ª. posição

  Fonte – Censos Demográficos – IBGE- 1980, 2000 e 2010

  Organizado- pelo autor.

 

A comparação temporal mostra as alterações nas posições quanto às populações totais e a dos idosos sem que, entretanto, isto signifique desaceleração do envelhecimento. Quanto aos totais constata-se que Rio Claro vem desacelerando seu crescimento demográfico e perdendo posição no conjunto do estado. Isto é um aspecto relevante quando se considera que as “cohortes” demográficas entre 30 e 50 anos estão sendo ampliadas como produto da fecundidade mais elevada em um passado relativamente recente.  A mudança, mais significativa, a do Índice de Envelhecimento (IE), decorreu da acentuação deste processo envolvendo municípios demograficamente menores que compõem a maioria do estado. Entretanto, seu posicionamento em face aqueles com populações superiores evidencia sua relevância no processo envelhecimento, conforme pode ser destacado pelos valores registrados nas fileiras 4 e  5.

Neste contexto de municípios com totais populacionais superiores ou similares constata-se, através da figura 1, a localização do município, distante 180 km da capital do estado, no conjunto, segundo a classe de participação. Neste aspecto é interessante retomar a questão da redução do crescimento demográfico de Rio Claro, que está em um importante eixo de desenvolvimento econômico, no qual, o que ocorre é o oposto como podem ser destacados os municípios de Americana, Limeira, São Carlos, Araraquara e outros.

 

 

 

Particularizando Rio Claro, a figura 2 registra a taxa de crescimento médio geométrico anual do município e do estado, para as populações totais e idosas envolvendo o período inter censitário de - 1940 e 2010 (estes como os primeiros dados disponibilizados, do último censo). Nela, é perceptível o significando do processo de envelhecimento para ambas as áreas.

 

 

 

 

Rio Claro re espacializa seu envelhecimento e também seus desafios.

 

Considerando os processos socioeconômicos que levam às mudanças na distribuição espacial da população em uma cidade, verifica-se que eles guardam relação: de um lado com seu crescimento vegetativo e de outro, ainda mais relevante, com a dinâmica dos processos migratórios. Assim, no caso das migrações, a espacialização demográfica de Rio Claro está associada aquelas de natureza interestaduais; inter municipais, particularmente aquelas provenientes do próprio estado e, as intra-urbanas. Estas últimas vinculadas a uma nova agenda quanto às questões que  determinam as oportunidades  concretas sobre: onde morar? Tudo isto, como produtos dos condicionantes quanto aos lugares de moradia fortemente afetados, historicamente, pelos processos de valorização/desvalorização decorrentes das ações do poder publico, e do mercado de terras. Estes são os principais indutores das formas de morar urbana. Desde grandes edifícios em áreas mais centrais; condomínios fechados em áreas menos centrais envolvendo aqueles pertencentes não só aos segmentos de renda mais elevada; as favelas e os assentamentos informais na periferia. Este conjunto de processos formata o espaço urbano.

Como produto, a figura 3 mostra o processo de construção histórica do espaço urbano de Rio Claro. Através dele pode-se identificar alguns elementos importantes para a compreensão da espacialização do envelhecimento demográfico.  Merecem destaques: a ferrovia que, historicamente,  dividiu a cidade em duas partes; a importante rodovia Washington Luiz que a liga a capital do estado; outras rodovias direcionadas a Piracicaba e Araras, as quais passaram a influenciar a distribuição das atividades econômicas e das pessoas. Igualmente o Horto Florestal, localizado na zona leste ou o processo de conurbação com a vizinha cidade de Santa Gertrudes, também comparecem com elementos da produção e reprodução do espaço urbano.

 

 

 

Através da analise espacial detalhada de sua demografia e acompanhando-se as mudanças ocorridas no número, forma e distribuição espacial dos setores censitários urbanos (197 e 264 respectivamente nos censos de 2000 e de 2010), constata-se a contradição entre o crescimento e a distribuição espacial da população e o crescimento do território tornado urbano. Há um descompasso significativo o que resulta na impossibilidade de ações mais equânimes sobre ele. Como conseqüência, temos as diferenciações e a piora da qualidade de vida para diferentes segmentos da população e em diferentes áreas a cidade. No caso estudado deve ser destacado o processo de espacialização, “in situ” ou por deslocamentos, dos idosos.

 

Pirâmides de Idade, o caminho para o envelhecimento e a espacialização do Índice de Envelhecimento.

 

As mudanças na composição da população segundo o sexo e a idade permitem construir a imagem de síntese (pirâmides de idade) do processo, possibilitando, em especial, que se avaliem suas velocidades de mudanças, o que é fundamental para o processo de planejar. Está analise é que permite não apenas a explicação do presente, mas, em especial, a identificação de componentes prospectivos que eles contêm. São eles, elementos indispensáveis para se preparar o planejamento urbano,

Considerando-se a relevância da espacialização intra urbana da população idosa é importante que a avaliação não contemple apenas imagens de síntese, mas sim particularize as diferenciações internas, o que pode ser identificado nas dinâmicas específicas  registradas nos dados dos setores censitários. Desta forma, associadas aos componentes da construção do espaço urbano, como já mencionado, permitem, igualmente, identificar as pessoas, seus suportes para viver e as deficiências apresentadas.

 A figura 4 mostra as pirâmides de idade para 1970 e 2000 as quais, decorrem dos processos anteriores que formataram as taxas de crescimento médio anual do município marcado pela redução da fecundidade e da mortalidade (infantil e total), associadas com  diferentes processos migratórios. Neste aspecto é importante destacar o aumento da população residente, não nascida no município.

 

 

 

As diferenciações, segundo a escala de aproximação espacial apontadas, mostram as diferenciações entre os perfis das pirâmides para toda a cidade e aquelas destacando diferentes setores demográficos urbanos.

 Neste sentido a figura 5 mostra, para o setor 11 (1970) e 23 (2000), localizados na área central,  os quais correspondem à mesma base geográfica, imagens bastante diversas que caracterizam o forte envelhecimento, nesta  área. Estas mudanças, embora em níveis diferenciados, são igualmente observáveis nos mais de 100 setores que constituem a base geográfica da coleta dos dados censitários. Esta identificação e detalhamento é que possibilita melhor direcionar as ações, tanto no setor público quanto no privado.

 

 

 

Segundo Serpa (2007), o espaço público assume um papel central nas ações de renovação urbana. Desta forma, é indispensável considerar os papeis da dinâmica demográfica; a natureza, e o alcance das ações dos governos locais e as formas de intervenção do setor privado, como geradores de processos integrativos para a toda a população em particular a idosa. Para este segmento a falta das ações especificas signifca  deixá-la na exclusão e na marginalidade.  Aqui é interessante estabelecer-se uma análise comparativa  entre os anos 60 e 70 do século passado, então marcados por elevadas taxas de fecundidade, consequentemente com muitas crianças e, também, muitas carências com o que começa a se verificar na atualidade,  marcada pelo aumento significativo dos totais de idosos, igualmente, com crescentes e críticas carências, embora de natureza diversa.   

Os níveis críticos da espacialização da população podem ser medidos quando temos diferentes concentrações sem a contrapartida da presença dos adequados componentes do desenvolvimento sócio econômico capazes de oportunizar melhores qualidade de vida. No caso da população idosa, temos discussões complexas diante de diferentes realidades como o forte envelhecimento nas pequenas cidades; aquele que ocorre nas grandes metrópoles e, em especial a diversidade que ocorre em nível local. Neste estudo a ênfase está na ultima modalidade.

 Um interessante índice utilizado para avaliar, espacialmente, o processo de envelhecimento demográfico em diferentes escalas de espaço e, em especial, no intra urbano é o Índice de Envelhecimento (IE). Através dele é possível estabelecer uma relação entre “cohortes” demográficas extremas: da população com 60 anos e mais e aquela com 0-14 anos. Embora, se possam efetuar algumas críticas aos seus pressupostos e resultados, é uma medida indicadora do grau de renovação de uma população e que possibilita aperfeiçoar a análise das relações entre  variáveis demográficas e não demográficas.

A figura 6 mostra, segundo o censo de 1980, as densidades demográficas dos diferentes setores urbanos. Embora com datação diversa da figura que se segue ele se constitui em um subsídio para a compreensão do processo de envelhecimento registrado na figura 7.

 

 

 

 

 

 

 

 

Acompanhando-se a dinâmica do envelhecimento, a figura 7 mostra, para muitos setores idênticos (as mudanças estabelecidas pelo IBGE como base para a coleta dos dados  revelam certa estabilidade), a relação entre as diferentes densidades da população total e o índice referido. A comparação entre os dois momentos exibem mudanças significativas, devendo ser destacados: os níveis elevados dos valores do índice, em especial nas áreas centrais mais antigas (há setores censitários com o registro de mais de 300 idosos para cada grupo de 100 crianças e jovens); a predominância geral dos valores mais elevados; o aumento da diferenciação entre as direções da espacialização do envelhecimento e uma inovação: a ocorrência da descontinuidade espacial nas áreas em envelhecimento como consequência da descontínua expansão urbana. Nesta direção, é importante ponderar  que as explicações desta dinâmica demandam uma leitura interdisciplinar da questão e não apenas estar focada na localização espacial dos idosos.

Análises qualitativas na direção mencionada começam a ser elaboradas como instrumentos delineadores das ações de governo. Para a avaliação do conjunto urbano, em termos de qualidade de vida em geral e dos idosos em particular, utilizou-se o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social- IPVS, elaborado com base no Censo Demográfico de 2000, pelo governo do estado e publicado em 2008, para todos os municípios paulistas. Particularizando os idosos ele é bastante relevante por estar fundamentado em três dimensões importantes para a leitura da qualidade de vida deste segmento: a saúde, a proteção social e a participação.

Trata-se de uma avaliação simultaneamente integrada e detalhada, que permite identificar, localizar e compreender a espacialização da população segundo os diferentes níveis de vulnerabilidade e, de forma integrada, a pobreza A figura 8 registra os valores relativos da participação dos diferentes segmentos populacionais em termos de vulnerabilidade: Nenhuma; Muito Baixa; Baixa; Média, Alta e Muito Alta. Os dados mostram que apenas 2.8% da população de Rio Claro, viviam sem nenhuma vulnerabilidade enquanto 15.3% estavam sob vulnerabilidades alta e muito alta. Entretanto, estes percentuais de síntese, necessitam ser considerados segundo  os diferentes significados e pesos dos componentes, o que resulta numa análise de natureza mais qualitativa.

 

 

Fig. 8 – Espacialização do Índice Paulista de Vulnerabilidade Social – Rio Claro-SP – 2008.

 

 

Fig. 9 - Participação relativa da população segundo os níveis de vulnerabilidade social na área urbana de Rio Claro-SP - 2008.

Fonte- Censo Demográfico IBGE e Fundação SEADE

 

 

 

 

 

A última avaliação considerada até o momento envolve o Índice Futuridade. Elaborado e divulgado pelo governo do estado de S. Paulo em 2009, tem por base principal os componentes  do conceito de envelhecimento ativo estabelecido pela Organização Mundial de Saúde - OMS. Composto pela avaliação síntese de medidas de ação social e de saúde; dados demográficos relativos à mortalidade dos idosos e a dimensão: participação ativa ordena os municípios numa escala que varia de O a 100. Este último valor indica que as condições oferecidas aos idosos atendem, satisfatoriamente, a todas as variáveis consideradas. Contudo, nenhum dos municípios do estado atingiu este teto. Aquele que registrou o valor mais elevado foi o de Santo Antonio da Alegria, com um Índice de Futuridade de 86.2, um nível considerado muito alto, mas que  possui apenas 834 habitantes. Rio Claro, com um Índice de 41.5, foi classificado na 445ª posição, um nível considerado médio que evidencia problemas sérios com seus idosos. Do conjunto de municípios avaliados (645), 69% deles estavam em posição superior a de Rio Claro. Estes são indicadores relevantes quando se considera a estabilização da população total do município e o significativo crescimento da população idosa gerando muitos desafios para este segmento populacional.

 

Considerações Finais

 

Nas cidades grandes e médias assistimos, de forma crescente, os embates nos processos de construção, alterações e mesmo de destruição dos espaços públicos e privados. Neste cenário a dinâmica demográfica converte-se, ao mesmo tempo, em variável determinante e determinada, produzindo mudanças nas formas pelas quais a população vai ocupando e moldando não só o espaço, mas suas vidas. Elas podem contemplar a predominância de crianças, de jovens ou de idosos; forte mobilidade intra urbana; processos migratórios significativos excepcionais como aqueles produzidos pelos programas oficiais de habitação; exclusão sócio-espacial como a dos favelados e muitos outros. A pesquisa, como já mencionada, em processo, cuida de avaliar, de forma detalhada, questões desta natureza no sentido da busca da compreensão desta dimensão segundo os setores censitários. O censo de 2010, que  começa a ser divulgado possibilitará comparações, dez anos depois. Os dados já existentes nos permitem compreender  sobre como chegamos até aqui, mas igualmente aponta para preocupações mais significativas envolvendo, quer como totalidade quer como idosos, para onde vamos a partir daqui.

 

 

Para refletir sobre estas alternativas futuras, dados prospectivos para a população de Rio Claro, registraram que as estimativas da população idosa, para o ano de 2020, será de 34 846 pessoas,  ou seja, 17% do total. Esta futura pirâmide vista de forma isolada ou comparada com aquelas dos censos de 1970 e 2000, mostra novas e significativas mudanças que não serão apenas de números, mas sim de relações e de demandas de natureza social, econômica e espacial.    

Na atualidade, um conjunto de insuficiências caracteriza a vida dos idosos em Rio Claro: deficiências na habitação (inexiste qualquer proposta nesta direção); na assistência a saúde (elevada insuficiência de médicos geriatras); na segurança pessoal e coletiva (ocorrências de violências envolvendo os idosos têm crescido); nos transportes afetando,  em especial  a mobilidade como avaliou GANT (1997) em seu estudo sobre diversas cidades inglesas;  na inclusão social (existe apenas um Centro Dia, onde os idosos permanecem entre  8:00  e 16:00 horas  em diversas atividades). Contudo, ele atende pouco mais de 50 pessoas o que é altamente insignificante face ao número de idosos demandantes. Inúmeras outras dimensões revelam, igualmente, insuficiências.

Em resumo, para esta modalidade de analise das diferentes formas de exclusão da população idosa na cidade de Rio Claro, o Estatuto do Idoso (Lei Federal No. 10741/2003), constitui-se num ordenado referencial para a análise espacial dos direitos do idoso, permitindo uma leitura geográfica dos mesmos. Igualmente são fundamentais para o estabelecimento de um Planejamento de natureza integrada e participativa  visando inverter as tendências dominantes  de exclusão dos idosos, por outra de crescente inclusão.

  Como estarão as demandas, em sua maioria, já não atendidas na atualidade, neste futuro? Que futuro teremos? Finalmente, a questão mais importante: quais serão as novas demandas e como fazer para, minimamente, atendê-las?

 

 

Referências Bibliográficas

 

BRASIL. Congresso Nacional. Estatuto do Idoso. Lei  No. 10741 de 01 de outubro de 2003. Brasília, 2003.  

GOLDSTEIN, S; SLY, D.F. The Measurement of Urbanization and Projection of Urban Population. International Union For The Scientific Study of Population, Liege,Belgium, 1975.

GANT, R. Elderly People, Personal Mobility and Local Environment. Geography, 82(3), p. 207-217, 1997.

GOULD, W.T.S. Population and development. Routledge: N. York, 2009.

PLANE, D. A; ROGERSON, P.A. The Geographical  of Population With Applications To Planning and Business. Nova York, USA, 1994.

SERPA. A. O espaço público na cidade contemporânea. São Paulo, 2007.

TREWARTHA, G.T. A case for population geography, Annals of the Association of American Geographers, v. XLIII.n.2, p.71-97, 1953.  

ZELINKY, Z. Introdução a Geografia da População. Zahar Editores S.Paulo, 1971.

 

*Trabalho apresentado no XIII Encuentro Internacional Humboldt – Dourados/MS – 2011.

**Professor voluntário – Depto. de Geografia e docente do Programa de Pós-graduação em Geografia – UNESP Rio Claro/SP.


Ponencia presentada en el XIII Encuentro Internacional Humboldt. Dourados, MS, Brasil - 26 al 30 de setiembre de 2011.