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Asunto:[encuentrohumboldt] 197/11 - ABORDAGENS E CONCEPÇÕES TEÓRICO-METODOLO GICAS DA CLIMATOLOGIA GEOGRÁFICA
Fecha:Miercoles, 23 de Noviembre, 2011  10:44:29 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..............org>

   ABORDAGENS E CONCEPÇÕES TEÓRICO-METODOLOGICAS

DA CLIMATOLOGIA GEOGRÁFICA

  

[1]Elisandra Carolina Almeida Martins de Souza

[2]Charlei Aparecido da Silva

 

Resumo

 

No presente artigo objetiva-se compreender as abordagens teórico-metodologicas da Climatologia Geográfica, importante área de conhecimento da Geografia.  Busca-se dessa maneira estudar a distribuição das chuvas da bacia do rio Ivinhema. A bacia encontra-se localizada em uma faixa de limite zonal, havendo um equilíbrio na atuação dos fluxos extratropicais e intertropicais com pluviosidade anual variando entre 1500 mm e 1700 mm, podendo chegar até 2000 mm em certos anos. O estudo da pluviosidade na bacia do rio Ivinhema decorre pelo fato de sua grande importância no Estado de Mato Grosso do Sul. A região apresenta grande interesse agrícola, com o predomínio do cultivo de cana-de-açúcar, soja, milho e atividades de agropecuárias. A bacia congrega grande parte da população sul-mato-grossense e atualmente passa por uma grande transformação socioambiental decorrente de atividades ligadas ao setor sucroalcooleiro. Busca-se abordar assim temas referentes à Climatologia Geográfica e ao ritmo pluvial. Dessa forma, para o entendimento do regime pluvial da bacia do rio Ivinhema, foram construídos pluviogramas a partir de técnicas de análise clássicas na Climatologia, esses possibilitaram a compreensão do regime das chuvas sobre o espaço geográfico dessa região tão significativa para o Mato Grosso do Sul.

Palavras chave: Climatologia Geográfica; Bacia do Rio Ivinhema; Regime Pluvial.

 

Parte superior do formulário

Resumen

En el presente artículo tiene como objetivo entender los planteamientos teóricos y metodológicos de la climatología geográfica, una importante área de conocimiento de la geografía. El objetivo es, pues, para estudiar la distribución de las precipitaciones en la cuenca del Ivinhema. La cuenca se encuentra en una gama de límites de zona, con un equilibrio en los flujos de trabajo y intertropical extratropical con precipitaciones anuales que oscilan entre los 1500 mm y 1700 mm, llegando hasta los 2000 mm en algunos años. El estudio de las precipitaciones en la cuenca del río Ivinhema surge debido a su gran importancia en Mato Grosso do Sul. La región tiene gran interés agrícola, con predominio del cultivo de la caña de azúcar, soja, maíz y las actividades agrícolas . La cuenca abarca gran parte de la población del sur de Mato Grosso y está experimentando una gran transformación debido a las actividades sociales y ambientales relacionados con los productores de etanol. Por lo tanto se trata de abordar cuestiones relacionadas con la climatología geográfica y la tasa de precipitaciones. Por lo tanto, para entender los patrones de las precipitaciones de la cuenca del río Ivinhema, gráficos precipitaciones se construye a partir de técnicas de análisis tradicionales de la climatología, estos proporcionan una comprensión de los patrones de las precipitaciones sobre el área geográfica de esta región tan importante para el Mato Grosso do Sul.


Palabras clave: Climatología Geográfica; Ivinhema la Cuenca del Río; régimen de lluvias.

 

Abstract

 

In the present article aims to understand the theoretical and methodological approaches of Geographical Climatology, an important area of knowledge of geography. The aim is thus to study the distribution of rainfall in the basin of Ivinhema. The basin is located in a range of zonal boundary, with a balance in the work flows and extratropical intertropical with annual rainfall ranging between 1500 mm and 1700 mm, reaching up to 2000 mm in some years. The study of rainfall in the river basin Ivinhema arises because of its great importance in Mato Grosso do Sul The region has great agricultural interest, with the predominance of the cultivation of sugar cane, soybeans, corn and agricultural activities . The basin embraces much of the population of South Mato Grosso and is currently undergoing a major transformation due to social and environmental activities related to ethanol producers. Thus seeks to address issues related to Geographical Climatology and rainfall rate. Thus, to understand the rainfall patterns of river basin Ivinhema, rainfall charts were constructed from traditional analysis techniques in climatology, these provided an understanding of the rainfall patterns over the geographical area of this region as significant for the Mato Grosso do Sul .Parte superior do formulário

 

 

Keywords: Geographical Climatology; River Basin Ivinhema; Rain Regime.

 

 

 

 

1. Introdução

 

            O estudo do tempo e do clima ocupa uma posição central e importante no amplo campo da ciência ambiental. A Climatologia como área de conhecimento pertencente à Geografia, procura estabelecer as relações que existem entre os fenômenos do clima e do tempo com a sociedade, ou seja, possibilita o entendimento da relação homem-natureza.

            Nesse sentido o clima deve ser compreendido, segundo SORRE (1951), como a série habitual de estados atmosféricos sobre um lugar na sua sucessão habitual, condição que permite incluir a importância da sociedade nas transformações dos processos de interação da atmosfera com a superfície terrestre.

            As mudanças climáticas ocorridas nos últimos séculos podem ser evidenciadas com a alteração do regime pluviométrico e aumento da temperatura na atmosfera em suas camadas mais baixas, a troposfera, em diversos locais do planeta. Acredita-se que a ação de caráter antrópico e natural tem contribuído significativamente para que isso aconteça. Camargo (2006) corrobora com essa afirmação:

 

 Recentemente, temos visto em todo o globo terrestre, possíveis indícios de alterações climáticas, associadas às novas tendências de aumento de temperatura e ao surgimento de eventos, às vezes catastróficos. Segundo os dados ligados a ciência de plantão, a culpa desses fenômenos relaciona-se á ação humana, que devido ao seu meio técnico cientifico, causaria os graves problemas que tem atingido a humanidade contemporânea.

 

            A dinâmica atmosférica influência os processos do ambiente, principalmente na biosfera, hidrosfera e litosfera (AYOADE, 2007). Nesse processo de interdependência e de inter-relação é necessário compreender o tempo como uma combinação passageira, efêmera e até mesmo acidental, enquanto o clima é um conjunto de tendências estáveis que resultam de condições permanentes durante um longo período, determinado pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM) como de 30 anos por definição (PEDELABORDE, 1970).

            Atualmente a temática sobre as mudanças climáticas ocorridas nos últimos séculos tem ganhado cada vez mais relevância nos estudos do tempo e do clima. Os fenômenos atmosféricos em que se tem uma maior sensibilidade, tais como a pluviosidade e a temperatura, são aqueles cujos estudos têm demonstrado as variações mais significativas e visíveis para a sociedade.

            Segundo MENDONÇA et. al. (2003), os efeitos oriundos do aquecimento global resultariam em previsões alarmantes, como a da elevação média da temperatura do planeta da ordem de 3,5ºC a 6ºC por volta do ano de 2100, muito superior àquelas registradas atualmente.

            A mudança nesse padrão aponta Mendonça, também para a possível intensificação de eventos climáticos extremos, como as chuvas muito intensas, tempestades e inundações, com seus malefícios correlacionados, principalmente para a sociedade. Fatos que corroboram com os argumentos de Sant’Anna Neto (1999):

 

Mesmo considerando uma série de problemas e dificuldades para a avaliação correta do grau de derivação do regime e distribuição dos fenômenos atmosféricos sobre a superfície terrestre, há já indícios de que venham ocorrendo mudanças climáticas.

 

            As maiores dificuldades para a análise geográfica do clima se referem ao curto segmento temporal das séries históricas e às falhas e as inconsistências dos dados meteorológicos. Desta forma, a tarefa de elucidação da gênese das alterações dos elementos do clima, como tem se verificado nas últimas décadas, fica obviamente prejudicada, pois, a partir da análise de dados das séries temporais, que não são suficientemente longas, é muito difícil separar as oscilações climáticas naturais daquelas decorrentes dos processos antropogênicos, (TARIFA, 1994).

            Essas dificuldades são maiores principalmente em escalas meso e macro devido às generalizações. Nesse sentido ganha cada vez mais importância estudos climáticos em escalas de detalhe e semi-detalhe, haja vista a possibilidade de compreensão das alterações dos padrões climáticos, ficando mais evidenciado as condições causadoras das mudanças e suas conseqüências diretas e indiretas.

            Dentre os fatores climáticos, a precipitação envolve um papel fundamental para o entendimento do clima, ainda mais nas escalas de detalhe e semi-detalhe. Sabe-se que o padrão de distribuição da precipitação sobre o globo é bastante complexo devido à influência de vários fatores, tais como a topografia (elevação), à distância a partir dos grandes corpos hídricos, a direção e caráter das massas de ar predominantes, dentre outros.

            Desse modo, a distribuição sazonal da precipitação é tão importante quanto o volume total, tanto nas áreas tropicais como nas extratropicais. Em muitas partes dos trópicos, a precipitação ocorre principalmente durante o verão e abrangendo metade do ano, sendo outra estação relativamente seca, principalmente no inverno. As épocas do início, duração e término da estação chuvosa controlam as atividades agrícolas nos trópicos (AYOADE, 2007).  O conhecimento do padrão pluvial permite, portanto a elaboração de propostas de planejamentos ambientais regionais que possibilitem uma ordenação melhor do território em função do ritmo pluvial.

            O clima pode ser melhor compreendido e representado pelo estudo e análise de seus elementos, tais como, a temperatura, a pressão atmosférica, a umidade relativa, a precipitação, a direção dos ventos e a velocidade dos ventos. Por sua vez, o estudo da precipitação ou do regime pluvial de uma área pode ser feito utilizando conceitos da análise rítmica do clima, em grande parte, utilizando-se de técnicas, conceitos e métodos, como a construção de pluviogramas.

            Nesse caso o interesse do estudo da pluviosidade na bacia do rio Ivinhema decorre pelo fato de sua grande importância no Estado de Mato Grosso do Sul. A região apresenta grande interesse agrícola, com o predomínio do cultivo de cana-de-açúcar e atividades de pecuária. A bacia congrega grande parte da população sul-mato-grossense e atualmente passa por uma grande transformação socioambiental decorrente de atividades ligadas ao setor sucroalcooleiro.

 Sob o ponto de vista da dinâmica climática, a bacia do rio Ivinhema, segundo ZAVATINI (1992), encontra-se em uma faixa de limite zonal, havendo um equilíbrio na atuação dos fluxos extratropicais e intertropicais com pluviosidade anual variando entre 1500 mm e 1700 mm, podendo chegar até 2000 mm em certos anos. A presente proposta de dissertação objetiva-se em compreender a distribuição habitual, temporal e espacial da pluviosidade. Com isso, reúnem-se condições de compreender melhor a influência do regime de chuvas sobre o espaço geográfico da região.

 

 

1.1 Climatologia e Meteorologia – diferenciações teóricas

  

            Tanto o clima como o tempo são estudados pela Climatologia e Meteorologia respectivamente, são duas ciências que possuem a mesma base referencial científica para suas análises. Ambas se preocupam com a dinâmica da atmosfera, sendo que a diferença preside muito mais no escopo da análise.

            A Meteorologia está inserida na categoria das ciências físicas, que se utiliza de métodos matemáticos e físicos para a descrição do clima, e pouco se atenta às interações que ocorrem na baixa troposfera.

            A Climatologia Geográfica, por sua vez, trata de padrões de comportamento atmosférico e sua relação com a sociedade. Na atmosfera estão inseridos o clima e o tempo, que ocupam papel importante no amplo campo da ciência ambiental na atualidade, dessa forma havendo destaque em estudos de Geografia Física. Por sua vez a Climatologia é uma ciência, além da Geografia, dotada de individualidade, por permitir a compreensão do clima, e estuda de diversas formas os fenômenos presentes na atmosfera.  Para Sorre (2006, p. 89):

 

O que se propõe é fixar com nitidez a individualidade da climatologia e, particularmente, da climatologia entre as disciplinas que estudam a atmosfera e, dessa forma, chegar a uma definição correta da noção de clima. Os fenômenos que tem como teatro a atmosfera podem ser estudados sob muitos pontos de vista.

 

            A individualidade da Climatologia é um elemento das características geográficas, a qual compreende um conjunto de elementos climáticos individualmente, expressando uma interdependência entre esses elementos. Esta particularidade climática é, por sua vez, apenas um elemento das características geográficas, as quais compreendem, ainda, a forma do terreno, as águas, o mundo vivo. Essa particularidade apresentada por Sorre nos permite pensar na Climatologia como uma disciplina que tem por objetivo central estudar a atmosfera e os fenômenos que ocorrem nela sob diversos olhares.

            A Climatologia pode ser definida como a ciência que faz um estudo científico do clima. Pertence ao ramo das ciências de observação, que trabalha com a interação das baixas camadas da atmosfera com a superfície terrestre, buscando assim, estabelecer e demonstrar a relação existente entre o clima e o tempo com a sociedade, nesse caso aproximando-se do escopo da Geografia.

            O conceito de clima e de tempo é diferente daquele adotado por Ayoade (2007, p. 2) que pode ser compreendido como o estado médio da atmosfera numa dada porção de tempo e em determinado lugar. O clima para o referido autor é a síntese do tempo num dado lugar durante um período de aproximadamente 30-35 anos. Para a elaboração desta pesquisa cientifica adotam-se as propostas de Sorre e Pédélaborde, bem como a proposta de Monteiro sobre o ritmo climático.

            O tempo e o clima são combinações dos elementos climáticos: temperatura, pressão, umidade, precipitação, etc. e são essas combinações que caracterizam os estados da atmosfera. Não podemos analisar o clima sem antes considerarmos o tempo, pois são as sucessões dos tipos de tempo que caracterizam o clima de um determinado lugar.

            Para Pédélaborde (1970) o tempo deve ser entendido como uma combinação passageira, efêmera, e, em muitas ocasiões como uma combinação única e singular da atmosfera. Essa combinação de elementos ocorre em um determinado lugar e é tão precisa que jamais ocorrerá nas mesmas condições que ocorreram naquele momento. A combinação ocorre em um lugar determinado, isto é, num ponto preciso da superfície da terra.

            Para Max Sorre o clima é definido como: á série de estados atmosféricos sobre um lugar na sua sucessão habitual. Sorre leva em consideração a dinâmica da atmosfera em geral, ao considerar a sucessão dos estados da atmosfera, bem como seus elementos em particular, pressão, umidade, precipitação, velocidade dos ventos, etc. Sendo a atmosfera analisada sob a ótica da Climatologia Dinâmica, que enfatiza os movimentos da atmosfera em várias escalas, particularmente na circulação geral da atmosfera.

            Dessa forma o clima não deve ser considerado como o estado médio da atmosfera. O estado médio corresponde ao uso de médias aritméticas para apresentar os fenômenos da atmosfera e também não menciona o movimento geral da atmosfera.

Por meio da definição proposta por Max Sorre, o clima por sua vez leva em consideração os tipos de tempo e a sua sucessão. A sucessão de tipos de tempo nos apresenta a noção de ritmo climático. Mendonça (2007, p.21) apud Monteiro (1971):

 

O ritmo climático só poderá ser compreendido através da representação concomitante dos elementos fundamentais do clima em unidades de tempo cronológico pelo menos diárias, compatíveis com a representação da circulação atmosférica regional, geradora dos estados atmosféricos que se sucedem e constituem o fundamento do ritmo.

 

            A Climatologia Geográfica assim é a base teórica e metodológica para a realização desta pesquisa. Tais condições permitem incluir a importância da sociedade nas transformações dos processos de interação da atmosfera com a superfície terrestre.

           

 

 

 

1.2 Climatologia Geográfica Brasileira e sua influência teórica

 

 

            A Climatologia Geográfica Brasileira nas últimas décadas têm seu referencial teórico fortemente ligado ao paradigma do ritmo climático. Esse paradigma surge de proposições derivadas da obra de Max Sorre e de Pédélaborde. Monteiro propõe um novo paradigma de análise haja vista que os estudos clássicos de climatologia não davam conta da complexidade e da dinâmica  exigida nas análises geográficas.

            Essas mudanças ou a crise climatológica que o autor discute, se referem à rediscussão do paradigma do ritmo climático. Procurando estar relacionada com as freqüentes e constantes mudanças que ocorrem no clima, em âmbito regional e mundial.

            Os fundamentos climatológicos que estão presentes nas obras de Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro, sendo este o semeador do ritmo climático em Climatologia no Brasil, têm sua base teórico-metodologica nos fundamentos das pesquisas de Sorre e Pédélaborde.  Segundo Mendonça (2007, p.20):

 

Baseando-se na noção de tipos de tempo de Pierre Pédélaborde e nos questionamentos acerca do ritmo climático de Max Sorre, Monteiro propôs a abordagem da atmosfera a partir da análise do ritmo dos tipos de tempos, ou sucessão dos estados atmosféricos, sobre um determinado lugar.

 

            Por meio da análise rítmica tornou-se possível a obtenção de um estudo mais dinâmico do clima no país. O principal escopo de análise do método geográfico deve ser a explicação dos fenômenos climáticos pela compreensão do método dinâmico dos tipos de tempo.  Para Monteiro (1979) apud Zavattini (2004):

 

A finalidade precípua do método geográfico é a explicação do fenômeno climático, se essa compreensão só pode ser obtida pela circulação atmosférica regional, regulada pelos centros de ação térmicos ou dinâmicos que, embora distribuídos, zonalmente, na superfície do globo, são células cuja circulação e conflito sob a ação dos fatores geográficos, se definem na escala regional, esse objetivo só poderá ser alcançado pelo método dinâmico.

 

            Na Climatologia Dinâmica estão presentes no estudo de seus elementos como um todo, e não dissociados. Para a realização desse trabalho tomamos como fundamento as bases epistemológicas da Climatologia Geográfica.

            Contudo a Climatologia é uma ciência de cunho complexo. Discutiremos  a seguir os métodos e técnicas  que permitem uma análise dos elementos climáticos, focaremos dessa maneira na análise da pluviosidade como elemento indissociável do clima.

 

           

2.            Metodologia aplicada para analise a tratamento dos dados pluviais

 

            Para que essa pesquisa fosse consolidada tornou-se necessário dispor de técnicas e métodos que nos auxiliaram na construção desse contexto, permitindo-nos chegar aos objetivos ora propostos.

            Os princípios da Climatologia Geográfica foram de fundamental importância, e sem eles não seria possível ter uma análise correta do ponto de vista da Geografia, especificamente dos dados pluviais da bacia hidrográfica em estudo. Dessa maneira, o método é importante para que ao término do trabalho se obtenha êxito nos objetivos ora explicitados. Lakatos e Marconi (1985, p. 81) nos ensinam que:

O método é o conjunto de atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos validos e verdadeiros -, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.

            A técnica possui uma relação muito próxima ao método, sendo ela a responsável pela execução dos objetivos propostos. Cervo; Brevian et.al (2007, p. 29) propõe a relação que existe entre técnica e método:

[...] a técnica, por sua vez, é a aplicação do plano metodológico e a forma especial de executar. Comparando pode-se dizer que a relação que existe entre método e técnica é a mesma que existe entre estratégia e tática. A técnica está subordinada ao método, sendo sua auxiliar imprescindível.

            Nesse sentido com relação ao tratamento e análise dos dados foi utilizado o modelo teórico-metodológico proposto por Silva (2001), enquanto o estudo do regime das chuvas foi realizado por meio da aplicação da proposta de Schröder (1956) adaptada por Silva (2001) que se utiliza de programas estatísticos para sua elaboração em meio digital, ambos propuseram a técnica de pluviogramas para o estudo das chuvas em uma região.

A técnica dos pluviogramas nos dá condições de conhecer a distribuição e o regime das chuvas de uma determinada área, no caso deste trabalho os pluviogramas permitem analisar o comportamento do regime pluvial da bacia do rio Ivinhema. Para Schröder (1956, p. 234):

O pluviograma possibilita-nos fazer uma idéia rápida não só da média anual da chuva, mas também sobre cada ano de observação, ressaltando ainda os meses mais secos e os mais chuvosos. Permite ainda, classificar com restrição, um determinado mês como muito seco, apenas seco, apenas úmido ou muito úmido.

 

   Diante do exposto essa pesquisa visa o estudo do regime pluviométrico da bacia do rio Ivinhema tendo como base fundamentos da Climatologia Geográfica, os quais permitem uma explicação mais apropriada aos interesses da Geografia.

   Em sua elaboração fez-se o uso dos dados pluviais da ANA (Agência Nacional de Águas) presente na área da pesquisa e de outras instituições de pesquisa disponíveis, como a Embrapa Agropecuária Oeste. Ao mesmo tempo foram aplicadas técnicas específicas de Climatologia Geográfica e técnicas estatísticas de softwares como o Excel 2003, permitindo que os dados pluviais fossem tabulados, ordenados e trabalhados na escala temporal mensal.

 

 

2.1                  O levantamento e tratamento dos dados pluviais

 

 

Primeiramente foram selecionados os municípios que pertencem à bacia do Ivinhema, isso para que, posteriormente, fosse realizado cuidadosamente o levantamento dos dados pluviais. Foi selecionado o maior número de estações meteorológicas e de estações pluviométricas da bacia, a intenção foi minimizar a possibilidade de erro.

Nesse contexto recorreu-se a uma base de dados presentes e disponíveis na EMPRAPA-CPAO, que disponibiliza as chuvas mensais e decendiais de 58 municípios de Mato Grosso do Sul a partir de dados fornecidos pela ANA. Dentre esses municípios selecionaram-se os 25 municípios presentes na bacia e 11 municípios do seu entorno, totalizando assim 36 municípios.

 No que diz respeito aos municípios do entorno da bacia do Ivinhema sua escolha é justificada pelo fato apontado por Zavattini (2009) de que em estudos climatológicos, não se devem respeitar rigorosamente as fronteiras político-administrativas.

Nesse sentido constatou-se em consulta às séries pluviométricas da bacia que não são todos os municípios selecionados que possuem dados pluviais.

            Os dados foram organizados em 40 planilhas no software Excel 2003, sendo que para cada respectivo município com dados disponíveis foram construídas planilhas com os valores  mensais dos postos pluviométricos.

Ao término da confecção das planilhas foi constatado que existem anos com falhas, ou seja, com dados não disponíveis em alguns meses e chegando até mesmo a obter anos inteiros onde não houve dados disponíveis do registro de chuvas. É nesse sentido que SILVA (2001, p.71) nos adverte que:

 

Todavia, a primeira barreira enfrentada por quem realiza trabalhos climatológicos é a obtenção de dados meteorológicos de boa qualidade, sem falhas, e que venham a cobrir a área pesquisada de maneira satisfatória. A dificuldade deve-se à precariedade das redes coletoras de tais dados.

 

As falhas existentes na rede de estações meteorológicas do Estado são evidentes, fato este destacado por Zavattini (2009, p. 16): “Como a rede de estações e postos meteorológicos do estado de Mato Grosso do Sul possui sérias limitações, tanto no que se refere à existência de lacunas nas séries temporais quanto à sua distribuição espacial.”

 

 

2.2       Escolha dos postos pluviais utilizados na pesquisa

 

            Durante o processo de levantamento de dados e de informações sobre os postos pluviométricos, identificou-se na bacia do rio Ivinhema a existência de 22 postos. Após análise primária dos dados existentes, da espacialização dos postos pluviais e da configuração da bacia, optou-se, por escolher àqueles que fossem efetivamente representativos, priorizando aqueles localizados no alto-médio-baixo cursos da bacia.

Entre os critérios utilizados nessa escolha está a consistência das séries de dados, ou seja, aquelas que apresentavam o menor número de falhas, o que permite uma melhor análise das chuvas da bacia.. A escolha do posto de Sidrolândia, Dourados e Ivinhema se dá também por sua importância no contexto geográfico da área em estudo. Abaixo segue a tabela 01 com os postos pluviométricos utilizados para a confecção dos pluviogramas.

 

Tabela 01: Postos pluviométricos utilizados na construção dos pluviogramas e preenchimento da série histórica disponível.

 

POSTOS PLUVIOMÉTRICOS E SÉRIE HISTÓRICA DISPONÍVEL

Alto Curso

Médio Curso

Baixo Curso

Sidrolândia - 2154002

Dourados - 2254001

Ivinhema – 2253000

1974/2004

1974/2004

1974/1998

POSTOS PLUVIOMÉTRICOS UTILIZADOS NO PREENCHIMENTO DA

SÉRIE HISTÓRICA DISPONÍVEL

Maracaju – 2155000

Glória de Dourados -2354003

Anaurilândia - 2255000

 

Agosto e Dezembro/1998

Janeiro e Fevereiro/1999

Novembro/1980

Maio e Junho/1990

Fevereiro a Novembro/1992

 

Janeiro a Novembro/1974

Fevereiro a Novembro/1992

Julho a Dezembro/1998

Anos: 1988,1989,1999, 2000,2001,2002,2003e 2004

 

Organização: SOUZA, Elisandra Carolina Almeida Martins (2010)

 

O período utilizado durante a análise foi de 30 anos, condição aceita e clássica em estudos como esse, todavia, para o posto de Ivinhema essa condição não foi possível, pois, sua série histórica é de 24 anos. Nessa circunstância para o posto de Ivinhema em específico, os anos de 1974/1988/1989/1992/1998 utilizou-se os dados de Anaurilândia. Acredita-se que esse procedimento não trouxe prejuízos na análise, isso devido à consistência da série de dados utilizada no preenchimento das falhas.

 

 

2.3      O uso do software Excel Versão 2003 na construção dos pluviogramas

 

Durante o processo de construção dos pluviogramas fez-se uso da proposta metodológica elaborada por Silva (2001). O uso dessa proposta demonstra-se melhor adaptada aos objetivos da pesquisa, principalmente no que se refere ao uso de softwares, condição não prevista em Schroder (1956).  Nesse contexto utilizou-se o software Excel 2003, o qual se demonstrou de grande importância como recurso para que as figuras e os cálculos tomassem a forma apresentada nesse trabalho.

Silva (op.cit.) propõe os intervalos relacionados a seguir, que permitiram que as chuvas tivessem analise em escala de detalhe. Os sete intervalos ora propostos foram utilizados como referencia para a construção dos pluviogramas, como segue na figura 02.

 

Figura 02: Intervalos utilizados na construção dos Pluviogramas.

Fonte: SILVA (2001), p. 82.

 

 

O pluviograma por sua vez é composto por colunas que demonstram os anos e seus respectivos meses e aqueles meses onde a chuva atingiu seu valor máximo. Já para a identificação do mês mais seco foi utilizado um círculo identificando esse mês.  Para os sete intervalos foram utilizadas as cores magenta, azul escuro, azul claro, verde escuro, verde claro, amarelo e vermelho, que permitem uma visão mais clara das contribuições mensais da chuva na área. Também foi elaborado um gráfico de barras que é responsável por demonstrar o comportamento médio e o resumo da freqüência das chuvas anuais – conforme se verifica no exemplo apresentado a seguir denominado de figura 03:

 

 

Figura 03: Modelo de Pluviograma.

Organização: SOUZA, Elisandra Carolina Almeida Martins (2010)

 

 

 

  1. O ESTUDO DO REGIME PLUVIAL DA BACIA DO RIO IVINHEMA

 

O estudo do regime pluvial permite-nos obter o conhecimento do comportamento da pluviosidade durante períodos mensais, sazonais e anuais. No caso especifico desta pesquisa o regime pluvial nos dá perfeitas condições de saber como ocorre à distribuição das chuvas na bacia do rio Ivinhema durante um período estabelecido. Dessa forma a compreensão do regime pluvial, possibilita que haja o planejamento das atividades a serem desenvolvidas sobre a bacia em estudo.

Para o estudo do regime pluvial da bacia foram construídos 3 pluviogramas utilizando-se postos pluviométricos e estações meteorológicas, esses localizados no alto, médio e baixo cursos da bacia. A seguir apresenta-se a conclusão obtida a partir de sua análise.

Os pluviogramas passaram por um processo de analise individual e em conjunto, para que o resultado do estudo do comportamento das chuvas fosse o mais completo possível. O período de 30 anos, 1974/2003, foi analisado em escalas anuais, sazonais e mensais.

A partir da análise dos três pluviogramas elaborados para o alto, médio e baixo cursos, respectivamente, foi possível identificar que o trimestre mais seco é composto pelos meses de Junho, Julho e Agosto. Enquanto que o período mais chuvoso corresponde aos trimestres de Janeiro/Fevereiro/Março e Outubro/Novembro/ Dezembro. Abril e Maio são os dois meses que antecedem o período de estiagem. Entretanto Maio sempre apresentou valores de chuvas maiores que Abril, o que é próprio do regime pluvial da área. O mês de Setembro é aquele em que as chuvas começam a aumentar seus valores e logo após o período chuvoso tem inicio.   

As chuvas de Verão são sempre maiores que as de Primavera. As duas estações totalizam 68% das chuvas da bacia, com contribuições em seis meses do ano. Enquanto que o período de Inverno é sempre mais seco que o de Outono. As chuvas de Outono e Inverno correspondem a apenas 32% das chuvas da bacia.

Os anos que apresentaram valores abaixo de 1300 mm nos três postos pluviométricos foram: 1978; 1984; 1985; 1988; 1991; 1994; 1995 e 1999. Não houve anos idênticos para os três postos em que as chuvas estiveram dentro do padrão médio. E os anos em que as chuvas ultrapassaram 1500 mm nos três postos foram somente 1989 e 1979.

Destaca-se o ano de 1985 como aquele mais seco, ou seja, com pluviosidade reduzida, o que corrobora com Zavattini (2009, p.73) quando afirma que: “a primeira metade da década de 1980 revelou mais anos chuvosos (1980, 1982 e 1983) que secos (1981) ou de pluviosidade média (1984). Contudo, 1985 já apresentou uma pluviosidade muito reduzida.” Merece destaque também o ano de 1989 como o mais chuvoso, com pluviosidade acima de 1500 mm durante o período de análise.

Portanto, o regime pluvial da bacia do rio Ivinhema apresentou chuvas bem distribuídas. Contudo em alguns casos houve períodos em que ocorreram excepcionalidades como o período seco de 1985 e as chuvas abundantes de 1989.

Ao final desta pesquisa acredita-se que os objetivos propostos inicialmente foram sanados e abre-se uma nova perspectiva para que estudos desse porte na bacia do rio Ivinhema sejam realizados, o que possibilitaria um estudo climatológico bacia hidrográfica em estudo.

Abaixo segue os três pluviogramas elaborados para o alto, médio e baixo curso da bacia do Ivinhema.

 

 

 

 

 

 

 

Pluviograma 01 – Posto de Sidrolândia

Organização: SOUZA, Elisandra Carolina Almeida Martins (2010)

Pluviograma 02 – Posto de Dourados

Organização: SOUZA, Elisandra Carolina Almeida Martins (2010)

 

Pluviograma 02 – Posto de Dourados

Organização: SOUZA, Elisandra Carolina Almeida Martins (2010)

 

 

 

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia Cientifica. Pearson Education, Sexta  edição. São Paulo-SP, 2007

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SILVA, Charlei Aparecido da Silva. A variabilidade das chuvas na bacia do rio Corumbataí e implicações no consumo e na qualidade das águas do município de Rio Claro (SP). Rio Claro: Dissertação (Mestrado em Geociências), IGCE, UNESP, 2001.

SORRE, M. Les fondements de la gëographie Humaine.Essai  d´une écologie de l´homme. LivreI : Le climat et l’homme.Chp Ier Le Climat. Tradução João Afonso Zavatini (Apostila). Paris, Librairie  Armand Colin, 1951, p. 13-43. Original francês.

ZAVATINI, J. A. Variabilidade e Mudanças Climáticas: implicações ambientais e Socioeconômicas. Maringá: Eduem, 2000 p. 95-119.

______________ Dinâmica Climática no Mato Grosso do Sul. GEOGRAFIA, Rio Claro, 17(2): 65-91, outubro de 1992.

 ______________As chuvas e as massas de ar no estado de Mato Grosso do Sul : estudos geográfi cos com vista à regionalização climática. São Paulo : Cultura Acadêmica, 2009.

 



[1]    Mestranda em Geografia pela Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD.

[2]    Docente do Programa de Pós-Graduação em Geografia pela Universidade Federal da Grande Dourados -UFGD.


Ponencia presentada en el XIII Encuentro Internacional Humboldt. Dourados, MS, Brasil - 26 al 30 de setiembre de 2011.





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