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Asunto:[encuentrohumboldt] 301/10 - A AGRICULTURA METROPOLITANA NO ABASTECIMENTO AL IMENTAR DO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS/SC
Fecha:Martes, 7 de Diciembre, 2010  16:55:21 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..............org>

A AGRICULTURA METROPOLITANA NO ABASTECIMENTO ALIMENTAR

DO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS/SC

 

 

Morgana Celina Alves

 

 

Resumo:

 

As áreas metropolitanas periféricas têm um papel importante para a alimentação da população de Florianópolis. Esta pesquisa tem como objetivo identificar os agentes e suas relações sócio-espaciais que constroem estes circuitos de produção, distribuição e consumo. Espera-se contribuir para estudos sobre os circuitos de proximidade - ou pequenos circuitos - no fornecimento de alimentos para as cidades e suas conseqüências sobre a dinâmica regional das atividades agrícolas.

 

Palavras-chave:

Agricultura metropolitana, abastecimento alimentar, pequenos circuitos.

 

 

Abstract:

 

The metropolitan peripheral areas have an important role to feeding the population of Florianopolis. This research aims to identify the agents and their socio-spatial relations that build these circuits of production, distribution and consumption. It is expected to contribute to studies about the circuits of proximity – or small circuits – in the food supply to the cities and their consequences for the regional dynamic of agricultural activities.

 

Keywords:

Metropolitan agriculture, food supply, small circuits

 

 

INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA

 

          Nas últimas décadas, ocorreram inúmeras transformações no espaço urbano e periurbano das grandes cidades, expondo áreas antes predominantemente agrícolas aos impactos da urbanização. Em um mundo cingido pela urbanização, o crescimento populacional das cidades superou largamente o da população rural, sendo alimentado em grande medida pelo êxodo rural.

Devido ao rápido crescimento das cidades, ocorre o surgimento de novas relações entre os espaços urbano e rural, surgindo novas demandas e necessidades relacionadas a esses espaços. Em meio a esse processo, as áreas periurbanas dos grandes centros urbanos e os municípios periféricos, passam a desempenhar um papel cada vez mais importante na alimentação da população.

Parte dos alimentos consumidos pela população do município de Florianópolis tem sua origem em propriedades rurais localizadas nos municípios que compõem a Região Metropolitana de Florianópolis[1] (RMF). Devido a importância que tem esse tipo de comercialização para o abastecimento alimentar da população de Florianópolis, que busca no consumo desses alimentos, manter os hábitos culturais e uma alimentação mais saudável, busca-se nesse projeto contribuir para a discussao e o debate sobre essa temática. O objetivo geral dessa pesquisa é analisar o papel da agricultura metropolitana no abastecimento alimentar de Florianópolis/SC. Como objetivos específicos busca-se identificar os principais atores envolvidos e o papel que desempenham nos círculos de cooperação espaciais; avaliar o papel da cidade na gênese e desenvolvimento da agricultura metropolitana; identificar os circuitos produtivos dos principais alimentos comercializados e gerar estimativas de fluxos internos dos principais produtos na área metropolitana.

Espera-se assim, contribuir na discussão sobre a importância dessa agricultura para o abastecimento alimentar do município, valorizando também o trabalho dos próprios agricultores.

 

 

Caracterização da agricultura metropolitana

 

O padrão de desenvolvimento capitalista recente trouxe com ele, novas condições: ao mesmo tempo em que a globalização da economia imprimiu a homogeneização de territórios, culturas, sistemas éticos e sociais, trouxe à tona a importância do individual e do fragmentário, valorizando a diferenciação espacial. Dentro de uma concepção de totalidade do processo de produção do espaço, o urbano e o rural, longe de constituírem uma dicotomia, são vistos como configurações diferenciadas – pela destinação do uso do solo, padrões de ocupação e requisitos de infra-estrutura distintos – dessa totalidade. Torna-se necessário, entender o processo de metropolização enquanto processo de expansão da urbanização e de transformação do território como um todo (SCUSSEL, 2002).

          Devido às inúmeras transformações espaciais ocorridas nas últimas décadas - relacionadas principalmente aos processos de urbanização e metropolização - há o surgimento de diferentes termos ou conceitos referentes às áreas de produção agrícola localizadas nos espaços rurais e também nos espaços urbanos. Torna-se importante então caracterizar cada uma delas, para que possa ser feita uma análise sobre as características e diferenças existentes.

            No espaço rural, podemos falar da existência de duas agriculturas: Uma agricultura tradicional, de base familiar, caracterizada por ter uma abrangência mais local, com sua produção voltada para subsistência e para o comércio; e também, uma agricultura dita moderna, com o amplo uso de tecnologias e mecanização, a inserção no mercado e produção voltada principalmente para a exportação.

Ao analisarmos essa agricultura tradicional de base familiar, percebemos a existência de diferentes tipos de produtores, que estão ou não inseridos no mercado: Os produtores totalmente ligados ao mercado, que tiveram acesso ao pacote tecnológico da Revolução Verde; aqueles integrados aos Complexos Agroindustriais; agricultores familiares também chamados de colonos, ligados à policultura e que tem na pluriatividade, uma alternativa de permanência no campo; e ainda aqueles marginalizados do mercado.

Conforme aponta Ferreira (2002), a maior parte da população ativa na agricultura brasileira é constituída por agricultores que trabalham com sua própria família. Apesar de todas as imprecisões do conceito, principalmente do modo como ele é utilizado no Brasil atualmente, a agricultura familiar é expressiva quanto ao número de estabelecimentos e extremamente minoritária quanto à superfície total dos estabelecimentos (os diferentes tipos de grandes propriedades e grandes estabelecimentos continuam detendo a maior parte da área).

O conceito de agricultura urbana é analisado a partir de diferentes enfoques por diversos autores, que dão inúmeras contribuições para as áreas social, econômica e ambiental (ALVES, 2009). Analisando a agricultura urbana, Bicalho (1992) destaca que a agricultura praticada dentro das grandes cidades apresenta particularidades que lhe confere uma identidade no conjunto da organização espacial da atividade agrícola. Esta particularidade é resultante da estrutura fundiária, dos tipos de produtos cultivados, das relações de trabalho e das formas de comercialização da produção.

 

            Para a FAO (1999), a expressão agricultura urbana,

 

“se refiere a pequeñas superficies (por ejemplo, solares, huertos, márgenes, terrazas, recipientes) situadas dentro de una ciudad y destinadas a la producción de cultivos y la cría de ganado menor o vacas lecheras para el consumo propio o para la venta en mercados de la vecindad”.

 

Já a expressão agricultura periurbana, “se refiere a unidades agrícolas cercanas a una ciudad que explotan intensivamente granjas comerciales o semicomerciales para cultivar hortalizas y otros productos hortícolas, criar pollos y otros animales y producir leche y huevos”.

No seu texto “Processos metropolitanos e agricultura urbana”, Lima (2000) define agricultura urbana como aquela que apresenta “uma produção em pequena escala, de alimentos de origem vegetal e animal em áreas intraurbanas (comunidades ou bairros), através do uso de terrenos baldios, jardins, terraços e vasos para a produção de alimentos. A agricultura periurbana seria praticada em regiões e espaços geográficos mais amplos, nos arredores das cidades, tendo como objetivo satisfazer as necessidades da população e os mercados próximos.

Outra caracterização de agricultura urbana e periurbana é apresentada por Velásquez (2003). Ela analisa esse tipo de agricultura a partir da conjunção de elementos urbanos e rurais, partindo da sua localização geográfica ou das suas características culturais. A agricultura intraurbana ou citadina existiria no interior da mancha urbana, podendo ser exemplificada a partir da produção de animais e vegetais, tendo como prioridade a complementação da dieta familiar. Já a agricultura periurbana teria um caráter regional amplo, circundando as cidades e sendo realizada próxima a elas.

Outro conceito, presente nas análises de Bicalho (1992) e Rodrigues e Tubaldini (2002) é o de agricultura metropolitana. Para esses autores, essa agricultura seria caracterizada de maneira diferente das anteriormente citadas, pela sua íntima relação e a influência exercida pela metrópole próxima a ela.

A agricultura metropolitana corresponde à agricultura praticada no interior das metrópoles ou em áreas próximas a elas – até o raio de 80 a 100 km de distância do centro metropolitano – em que haja forte interação entre usos do solo rural e urbano, segundo Bryant e Johnston (1992) apud Rodrigues e Tubaldini (2002).

No trabalho “Agricultura Metropolitana e Sustentabilidade de Mário de Campos – MG”, Rodrigues e Tubaldini (2002), analisam a agricultura metropolitana presente na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Para esses autores, ao analisar a agricultura metropolitana, deve-se analisar também a agricultura familiar, pois na RMBH, a agricultura é praticada principalmente pelos produtores familiares. 

A agricultura metropolitana desempenha um papel preponderante para a produção de alimentos das áreas metropolitanas. A vantagem desse tipo de agricultura está na sua intensidade de produção e comercialização, ou seja, sua produção pode ser comercializada em centros atacadistas urbanos, com venda direta ao consumidor, aos mercados, feiras livres (Tubaldini e Coelho, 2002).

Para Bicalho (1996), a agricultura metropolitana deverá ser tomada cada vez mais como um importante setor de produção, gerando, mobilizando e promovendo circulação de elevados valores de renda, reforçando a interação rural-urbana e participando da construção de uma nova organização espacial. Segundo a autora, a metropolização do espaço é muito mais complexa do que um mero avanço urbano sobre o campo, dando origem a espaços interativos do urbano com o rural nos quais se mantêm atividades agrícolas dinâmicas. Mesmo com as mudanças que ocorrem nos espaços rurais próximos às áreas metropolitanas, não se pode dizer que essas áreas agrícolas serão substituídas pelo avanço das áreas urbanas. O que poderá ocorrer é a interação entre o uso do solo agrícola e urbano e, como resultado dessa interação, os as áreas agrícolas podem ou não desaparecer.

Na visão de Alonso (2002), o território rural metropolitano é, ao mesmo tempo, palco do desenvolvimento das mais diversas atividades agropecuárias e espaço que sofre pressões do urbano no sentido de transformação e incorporação ao seu uso.

Esse tipo de agricultura, voltada para o abastecimento de mercados locais e regionais, estaria inserida dentro dos “circuitos espaciais de curta distância” ou circuitos de proximidade, analisados por Silva (2009), onde a produção e a circulação do excedente se destinam ao consumo local e/ou regional.

Nos circuitos de proximidade, os agentes costumam fazer alusão a uma suposta condição mais “natural” ou “saudável” dos alimentos, muitas vezes buscando alternativas de produção “sustentáveis”, agroecológicas, orgânicas, etc. (SILVA, 2008). Os benefícios seriam alcançados mediante a aquisição preferencial de produtos da terra pela população local ou até mesmo com a atração de visitantes para a compra/consumo junto aos agricultores, às unidades locais de processamento ou ao setor de hotelaria e restaurantes. 

Apesar de não reunirem um volume de excedentes e de valor muito significativo para o conjunto do sistema alimentar, os circuitos configurados local e regionalmente ou circuitos de proximidade, permanecem tendo um papel muito importante na oferta de alguns tipos de alimentos, em sua maioria perecíveis ou pouco transformados (SILVA, 2008). 

             Buscando melhorar essa realidade, é importante a implementação de ações públicas que visem promover a produção e o consumo de alimentos de qualidade produzidos local e regionalmente, sob a forma de programas governamentais e de projetos envolvendo organizações não-governamentais de apoio e entidades representativas dos agricultores e dos consumidores (MALUF, 2004), através da criação de uma legislação específica, no que se refere à agricultura praticada em áreas metropolitanas.

 

 

Os pequenos circuitos presentes no abastecimento alimentar: uma breve revisão teórica

 

Na análise de Milton Santos (1979) nos países subdesenvolvidos, ocorre a presença de dois circuitos da economia urbana: Um circuito superior, que apresenta produtos modernos e controlados por grandes monopólios internacionais e de grande circulação (nacional e internacional), que tem como principais atuantes o setor bancário, o comércio de exportação, indústria e serviços, com um alto nível tecnológico e com grandes recursos para investimento e apoio governamental. Um segundo circuito, seria um circuito inferior da economia urbana, representado pela população com menor renda, com o predomínio da economia informal e a criação de produtos mais simples e que tenham sua circulação local e/ou regional.

Silva (2009) utiliza a idéia desses circuitos da economia urbana ou circuitos espaciais de produção aplicando-a no sistema alimentar, como método para relacionar transferências entre agentes (capitalistas) ou setores (agricultura, indústria) com transferências entre países ou regiões. A análise dos circuitos espaciais se afirma como um método para revelar a forma e o conteúdo da organização espacial do sistema alimentar. A forma, pois o circuitos apresentam uma certa configuração, uma escala geográfica – local, regional, nacional, internacional – que inclui pontos de conexão (lugares) e suas relações através de fluxos de capital, tecnologia, informação, mercado, etc., necessários para a existência de todas as etapas do sistema. O conteúdo, porque os lugares se contrastam e se articulam segundo a capacidade dos agentes de coordenar a produção e a circulação do excedente no espaço.

Os circuitos espaciais de curta distância, definidos por Silva (2009), como circuitos de proximidade, muitas vezes ocupam a centralidade em economias rurais ou periféricas e dessa forma, os atores locais/regionais tornam-se protagonistas na conformação dos mercados de alimentos. Para alguns, estes circuitos freqüentemente preservam uma ligação mais estreita entre a sociedade e a natureza, pela maior proximidade física e a menor sofisticação técnica que podem lhe garantir um vínculo mais forte com sua origem na natureza. Espera-se que os circuitos de proximidade sejam compostos, principalmente por setores sociais caracterizados pela economia familiar e pelos pequenos negócios, considerando que os volumes circulantes são bem mais modestos que aqueles operados por grandes firmas e corporações. Os encadeamentos produtivos, quando efetuados na escala local ou regional, costumam incorporar um número significativo de pequenas unidades industriais (ou agroindustriais), as quais se dedicam a realizar uma primeira ou pouco sofisticada transformação.

De um modo geral, existiria uma maior oportunidade para a inclusão de produtores artesanais e de empreendimentos de pequeno porte no varejo e em serviços indiretos, favorecendo a constituição de redes de abastecimento entre agentes. Além disso, estes circuitos favoreceriam a melhoria da alimentação das populações de áreas periféricas, sob a hipótese de melhorar o auto-consumo e da capacidade de aquisição das famílias (preços mais acessíveis devido à combinação entre o aumento da oferta regional e a retirada do valor agregado extra-regionalmente). 

Ainda segundo o autor, a localização e a circulação seriam elementos essenciais para as análises geográficas sobre o sistema alimentar, pois se estaria enfocando movimentos contínuos e regulares de matéria (fluxos materiais) entre pontos concretos no espaço. Dessa forma, seria importante esclarecer como os fluxos de produtos e de valor ativam o fracionamento e também a produção do espaço.

Os agentes encaixam e negociam seus compromissos numa determinada escala traçada pela circulação dos produtos (do produtor até o consumidor). Dessa forma, os processos que ocorrem estão socialmente e espacialmente condicionados. Fala-se então que os circuitos estão submetidos às instituições e valores próprios das escalas onde se inscrevem (SILVA, 2009).

Santos e Silveira (2001) apud Silva (2009) aplicaram a noção de “círculo de cooperação espacial” como ferramenta para o exame deste condicionamento espacial.

 

“Trata-se de uma categoria que pode ser definida como o conjunto de agentes e relações que articulam lugares dispersos geograficamente através do controle dos fluxos de transferências materiais e imateriais (capitais, mercadorias, informação) que ocorrem desde a produção até o consumo final. Este círculo seria plenamente constituído no momento em que o circuito “se fecha” numa rotina de circulação do excedente” (SILVA, 2009, p.04).

 

Por definição, os círculos de cooperação espacial são os responsáveis pela construção sócio-espacial dos circuitos (SILVA, 2009). Quando os círculos de cooperação espacial expressam o predomínio dos agentes locais e regionais, seus respectivos circuitos possuem particularidades em relação às características físicas dos alimentos, ao seu processamento, à sua qualidade (nutricional, ambiental) e às formas de controle social sobre processos e produtos (registro, relação com o consumidor, exigências sanitárias, etc.).

O mapeamento dos circuitos espaciais de produção, distribuição e consumo possibilita o exame da estrutura do espaço social alimentar, revelando a cartografia dos fluxos e conexões que expressam hierarquias e solidariedades entre lugares. Os circuitos de alimentos se desenham a partir das peculiaridades próprias do sistema alimentar, como o apelo à preservação da integridade nutritiva da matéria viva, a heterogeneidade da base técnica e o papel da demanda nos ajustes das cadeias produtivas e no modelamento do produto final. É preciso considerar também, que as diferenças de escala – circuitos curtos x circuitos longos – não necessariamente revelam o grau de modernização incorporado no interior da cadeia produtiva, mas tendem a configurar relações de dependência e reciprocidade muito distintas no sistema alimentar (SILVA, 2007).

Ao se falar em sistema alimentar admite-se que a oferta social de alimentos encontra-se circunstanciada por relações construídas entre diferentes agentes e/ou instituições, na forma de encadeamentos produtivos. As cadeias produtivas são tão heterogêneas quanto pode ser a base técnico-econômica do sistema e constituem fluxos organizados que se dirigem das áreas de produção até o consumidor final. Assim, estabelece-se uma divisão do trabalho, do capital, das funções e das operações de produção, transformação, distribuição  e consumo (SILVA, 2007).

Para Maluf (1999), o abastecimento alimentar é abordado em termos da estrutura que disponibiliza os produtos alimentares, isto é, as formas pelas quais os alimentos são produzidos e distribuídos para a população. Nessa perspectiva, descrevem-se os fluxos seguidos pelos bens através de encadeamentos que “se iniciam” na etapa agrícola, passando pela intermediação mercantil e o processamento agroindustrial, até o comércio varejista.

Dessa forma, a concepção de abastecimento alimentar numa lógica dinâmica comporta o ponto de partida do alimento até o consumo, envolvendo as estruturas comerciais e as condições econômicas do consumidor. Impõe, assim, o aspecto do ‘acesso’ sobre o aspecto da ‘disponibilidade’ dos alimentos (ZIMERMANN, 2006).

De acordo com Linhares e Silva (1979) o conceito de abastecimento alimentar envolve uma série de questões como a produção, a circulação (transporte, comercialização e armazenagem) e o consumo dos alimentos, onde o Estado tem papel fundamental para sua efetivação.

A evolução da produção e da comercialização está diretamente relacionada aos hábitos alimentares da população e à qualidade dos alimentos ofertados, pois os hábitos alimentares acabam por direcionar a produção, muito embora o aumento da produção alimentar não esteja apenas atrelado aos hábitos alimentares, e dependem do funcionamento da economia rural. Essa por sua vez, deriva do grau de capitalização da produção agrícola caracterizada, no Brasil, pela elevada concentração da propriedade da terra, pelo trabalho assalariado e a progressiva introdução de inovações técnicas. As condições de acesso da população aos alimentos dependem basicamente do nível de renda das famílias urbanas e das condições de reprodução das famílias rurais, o que acaba por sua vez condicionada às políticas macroeconômicas (MALUF, 1994).

As ações de abastecimento podem contribuir para promover a produção e a distribuição dos alimentos sob formas sociais mais eqüitativas, dada a importância dessa iniciativa para a oferta de alimentos. Para isso, deve existir um apoio aos pequenos e médios empreendimentos rurais e urbanos dedicados ao cultivo, transformação e comercialização de produtos agro-alimentares, que promovam atividades econômicas geradoras de trabalho e de renda. Ao mesmo tempo, esse é um caminho que possibilita ampliar a disponibilidade de alimentos de qualidade de um modo menos custoso, valorizando a diversidade nos hábitos de cultivo e de consumo (MALUF, 1999).

 

 

 

 

 

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

 

Para a realização da pesquisa, está se fazendo levantamento bibliográfico e revisão teórica sobre as diferentes temáticas presentes no trabalho, sobretudo agricultura metropolitana, circuitos econômicos, círculos de cooperação espaciais e abastecimento alimentar. Essa revisão teórica ocorre através da leitura de livros, dissertações, teses, artigos e demais documentos que abordem os temas citados anteriormente e que possam subsidiar a discussão teórica sobre os referidos temas.

Para melhor caracterizar a pesquisa, estão sendo feitas visitas às comunidades rurais da RMF onde ocorre uma produção agropecuária expressiva.

Em uma próxima etapa dessa pesquisa, para melhor compreender como ocorrem os inúmeros processos já descritos e identificar os atores envolvidos, serão feitas entrevistas com os agricultores e também com outros sujeitos que fazem parte de outras etapas dos circuitos, como transportadores, embaladores e sujeitos vinculados aos espaços de comercialização dos produtos (feiras livres, supermercados, sacolões, etc.). Para isso, se utilizará um roteiro de entrevista semi-estruturado, que buscará informações e dados qualitativos, que possam melhor caracterizar a organização da agricultura metropolitana.

Para identificar a origem dos principais alimentos comercializados e gerar estimativas dos fluxos internos do que é produzido na região metropolitana, serão feitas visitas aos centros de distribuição de alimentos dos principais supermercados de Florianópolis, à CEASA/SC (Central de Abastecimento do Estado de Santa Catarina S/A) e às feiras livres que ocorrem na área urbana de Florianópolis/SC.  

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ALONSO, José Antonio. Apresentação. In: GRANDO, Marines Zandavali; MIGUEL, Lovoir Andrade (ORGs). Agricultura na região Metropolitana de Porto Alegre: aspectos históricos e contemporâneos. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2002. p.07.

 

ALVES, Morgana Celina. O crescimento urbano de Florianópolis no contexto da modernização agrícola: O caso da prática de Agricultura Urbana na comunidade Chico Mendes em Florianópolis/SC. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Geografia) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas/UFSC. 2009. 68p.

 

BICALHO, Ana Maria de Souza Mello. Agricultura e Ambiente no Município do Rio de Janeiro. In: ABREU, Maurício de Almeida (Org.). Sociedade e Natureza no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 1992, Cap. 9, p. 285-316.

 

BICALHO, Ana Maria de Souza Mello. A Agricultura Metropolitana. In: Encontro Nacional de Produtores e Usuários de Informações Sociais, Econômicas e Territoriais: Informações para uma Sociedade Justa. Rio de Janeiro: IBGE, 1996, p. 11-25.

 

FAO. La agricultura urbana y periurbana. In: 15º Período de sesiones. Comité de Agricultura. Roma, 1999. Disponível em: http://www.fao.org/unfao/bodies/coag/coaG15/X0076S.htm Acesso em: 20/05/2010

 

FERREIRA, Angela Duarte D. . Processos e sentidos sociais do rural na contemporaneidade: indagações sobre as especificidades brasileiras. Estudos Sociedade e Agricultura (UFRJ), Rio de Janeiro, v. 1, n. número 18, p. 28-46, 2002.

 

LEI COMPLEMENTAR Nº 162, de 06 de janeiro de 1998. Instituição das Regiões Metropolitanas de Florianópolis, do Vale do Itajaí e do Norte/Nordeste Catarinense.  

 

LIMA, Pablo Torres. Procesos metropolitanos y agricultura urbana. México, Universidad Autónoma Metropolitana, Unidad Xochimilco, Organización de lãs Naciones Unidad para La Agricultura y La Alimentación, FAO, 2000.

 

LINHARES, Maria Y. L; TEIXEIRA DA SILVA, Francisco C. História política do abastecimento (1918 – 1974). Brasília: Ministério da Agricultura, 1979.

 

MALUF, R. Panoramas e mitos do abastecimento alimentar. Ver. Univ. Rural, Sér. CiênciasHumanas. V.16, n.1/2, 25-33, jan./dez. 1994.

 

MALUF, R. S. Ações Públicas Locais de Abastecimento Alimentar. S. Paulo: Inst. PÓLIS, 1999 (Série).

 

MALUF, Renato S. Mercados agroalimentares e a agricultura familiar no Brasil: agregação de valor, cadeias integradas e circuitos regionais. Ensaios FEE, Porto Alegre, v. 25, n. 1, p. 299-322, abr. 2004

 

RODRIGUES, Ronan da Silva; TUBALDINI, M. A. S. Agricultura Metropolitana e Sustentabilidade - Mario Campos-MG/2001. In: XII Encontro Nacional de Estudos Populacionais: Violência, o Estado e a Qualidade de Vida da População brasileira -ABEP -, 2002, Ouro Preto. p. 1-25.

 

SANTOS, Milton. O espaço dividido: os dois circuitos da economia urbana dos países subdesenvolvidos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979.

 

SCUSSEL, Maria Conceição Barletta. O rural e o urbano na Região Metropolitana de Porto Alegre: o processo de expansão metropolitana. In: GRANDO, Marines Zandavali; MIGUEL, Lovoir Andrade (ORGs). Agricultura na região Metropolitana de Porto Alegre: aspectos históricos e contemporâneos. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2002. p. 43 -70.

 

SILVA, C.A. Pensando o espaço social alimentar em benefício da agricultura familiar. In: IX Colóquio Internacional de Geocrítica, 2007, Porto Alegre. Actas del Colóquio, 2007.

 

SILVA, C. A. La configuración de los circuitos de proximidad en el sistema alimentario : tendencias evolutivas.. Documents d'Anàlisi Geogràfica, v. 54, p. 11/1-32, 2008.

 

SILVA, Clécio Azevedo. A construção sócio-espacial do mercado de alimentos coloniais: o caso de Florianópolis (SC). In: VIII ENANPEGE – Encontro Nacional da ANPEGE – Associação Nacional de Pesquisa e Pós graduação em Geografia. 2009.

 

TUBALDINI, M. A. S; COELHO, Paulo Enéas Ferreira. Formação de Pólo de Horticultura Orgânica e a Influência do Trabalho Familiar e Assalariado. In: XII Encontro Nacional de estudos populacionais: violências, estado e qualidade de vida da população brasileira. 2002. Ouro Preto/MG. XIII Encontro Nacional da ABEP, 2002. v. 1. p. 1-25.

 

VELÁZQUEZ, Blanca Rebeca Ramírez. La Vieja agricultura y la nueva ruralidad : enfoques y categorías desde el urbanismo y la sociología rural /Blanca Rebeca Ramírez Velázquez. - Sociológica.Vol. 18, no. 51 (ene.-abr. 2003), p. 49-66.

 

ZIMMERMANN, Silvia Aparecida. Políticas de abastecimento alimentar na perspectiva da segurança alimentar: o Programa de Abastecimento Alimentar de Caxias do Sul, RS. 2006. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade) - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesq. do Estado do Rio de Janeiro.

 

 


[1] Em 6 de janeiro de 1998, foi instituída  e oficializada pela Lei Complementar Nº 162, a Região Metropolitana de Florianópolis (RMF),  formada pelos municípios de Águas Mornas, Antônio Carlos, Biguaçu, Florianópolis, Governador Celso Ramos, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, São José e São Pedro de Alcântara.

 


Ponencia presentada en el XII Encuentro Internacional Humboldt "El Capitalismo como Geografía", La Rioja, Argentina - 20 al 24 de setiembre de 2010.