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Asunto:[encuentrohumboldt] 311/10 - TURISMO E ENSINO DE GEOGRAFIA: A PRÁTICA DA A ULA PASSEIO.
Fecha:Lunes, 20 de Diciembre, 2010  10:50:17 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..............org>

TURISMO E ENSINO DE GEOGRAFIA: A PRÁTICA DA AULA PASSEIO.

 

Claudemira Azevedo Ito

Docente do Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia – FCT Presidente Prudente.

 

Resumo

Este trabalho é fruto da aplicação de conceitos pedagógicos desenvolvidos por Célestin Freinet, e especialmente a metodologia da aula passeio. Esta atividade foi aplicada em crianças, com visitas monitoradas a lugares de interesse turístico da cidade de Presidente Prudente. A premissa básica desta experiência é a correlação existente entre turismo e educação. Pois na prática do turismo está presente o processo de aprendizagem, conceitos de diversas áreas do conhecimento são construídos e reelaborados, pois não se pode negar que ao visitar um lugar, o turista entra em contato com suas singularidades: Expressões artísticas, folclóricas, geografia e história, entre outros, que podem estimular e enriquecer o arcabouço de conhecimento e conceitos deste indivíduo. Através de visitas monitoradas aos pontos turísticos da cidade os estudantes podem construir conceitos referentes aos conteúdos da área de Geografia, História e temas transversais com muito mais facilidade, pois aprendem através da totalidade do espaço vivenciado, não aquele descrito em material didático, mas aquele percebido como síntese de múltiplos espaços e tempos. A paisagem ganha significado, pois é vivenciada pelo aluno, que passa a perceber sua construção e reconstrução, assim como os agentes atuantes neste processo, e acima de tudo, se reconhece como parte integrante desta realidade e como agente transformador da sociedade

 

TOURISM AND GEOGRAPHY TEACHING: APPLICATION THE LEARNING TOUR

Abstract:

This work was carried out through the application of learning concepts developed by Célestin Freinet, and specially the methodology of the “learning tour”. This activity was applied to children, with supervised visits to places of touristic interest in the city of Presidente Prudente. The basic assumption in this experience is the correlation between tourism and education. In the practice of tourism is present the learning process, concepts of several areas of knowledge are constructed and re-constructed, because we know that by visiting a place, the tourist gets in touch with its singularities: artistic and folkloric expressions, geography  and history, among others, that might stimulate and enrich the amount of knowledge and concepts of the individual. Through supervised visits to touristic places in the city the students can make concepts regarding contents of Geography, History and universal topics much more easily, because they learn through the totality of the visited space, not that one described in didactic resources, but that one perceived as a synthesis of multiple spaces and times. The landscape acquires signification, because it interacts with the student, who starts to perceive its construction and reconstruction, as well as the agents acting in this process, and above all, recognizes himself as part of this reality and a transforming agent of the society.

 

 

1. O conceito de aula passeio

 

A aula passeio baseia-se nas idéias de Freinet, homem de origem simples, ligado ao modo de vida das aldeias onde morou, “ seus escritos referem-se, constantemente, à natureza, à vida rústica, ao meio que lhe ensinou o essencial, especialmente a participação das crianças na vida e no trabalho dos adultos”Elias (1997:16). Sua proposta pedagógica está alicerçada na postura diante da vida, “na prática, procurava seguir o empenho dos alunos e transformá-los pelo trabalho, por uma vivência coletiva, permeada pelo meio ambiente, pela ação. Para ele, a liberdade faz parte do aprendizado histórico-social” Elias (1997:17).

O principal norteador desta nova pedagogia era definido por “uma pedagogia essencialmente prática e cooperativa”.

Havia em Freinet como uma necessidade biológica e moral para conviver com uma classe social(dos docentes, principalmente), refletir com eles sobre os elementos do meio de que ele mesmo fazia parte, para propor uma escola democrática, capaz de formar seres livres para decidir o seu destino coletivo e pessoal Elias (1997:26).

 

Freinet acreditava que educar é construir coletivamente, baseando em quatro alicerces fundamentais: A cooperação- forma de construção social do conhecimento; a comunicação- forma de integrar este conhecimento; a documentação- registro diário do que se constrói e por fim, a afetividade – elo essencial entre as pessoas e o objeto de conhecimento. Assim,afirma Elias (1997) a pedagogia de Freinet pode ser entendida como “prática coletiva” pois seu objetivo maior é o desenvolvimento da compreensão crítica da realidade e a ação participativa na transformação, conforme a designação do coletivo, referendando a idéia de que o sujeito da ação coletiva é o conjunto de indivíduos que participa do processo.

Neste sentido, a aula passeio proposta por Freinet apresenta-se como possibilidade de enriquecimento das atividades e ações pedagógicas. Sua metodologia permite que a criança alcance três objetivos principais: Autonomia – vivendo situações reais, assumindo novas responsabilidades e descobrindo capacidades; Pesquisa- ampliar o campo das investigações, chegando a descobertas inesperadas e interessantes e; Integração- privilegia o encontro com o outro (colega, monitor ou professor) em ambiente fora do cotidiano, incentivando o desenvolvimento do vínculo afetivo.

A motivação, o interesse, a curiosidade, o questionamento, a alegria criarão condições para que o meio físico e o meio humano constituam-se numa fonte de atividades e descobertas felizes. Eles também vão se integrar naturalmente na vida social, na vida afetiva e no conteúdo de todas as disciplinas do currículo escolar: matemática, ciências, estudos sociais, línguas, artes, filosofia, trabalhos manuais e educação física. Sampaio (1997:180)

 

A aula passeio proposta por Freinet é composta por cinco fases: Motivação, preparação, ação, prolongamento e comunicação.

A motivação é a fase que desencadeia o processo, inicia-se com a percepção de fatos e acontecimentos que são foco de discussão no dia a dia, ou que está nas páginas de jornais e revistas. Após  a identificação do interesse pelo assunto, naturalmente surge a proposição da visita in loco.

A preparação é a fase onde ocorre o planejamento, onde devem ser privilegiados aspectos como o plano pedagógico, o plano financeiro e material, onde os participantes, crianças e adultos preparam-se para se adaptarem às regras coletivas de conduta, tais como: fazer fila, hora de lanche, desembolso de recursos, normas de segurança.

A ação representa o auge da atividade: “ Durante a aula das descobertas surgem os momentos nos quais as crianças encontram ocasiões para desabrocharem, construindo seu conhecimento, situações autenticas nos planos social, intelectual e afetivo”, Sampaio (1997:184). É o momento de romper o cotidiano, explorar novos ambientes, interagir com o grupo que se enriquece com as observações individuais. A atividade deve ser realizada com a mente aberta e atenta para captar as sensações de todos os sentidos, e os professores devem estar atentos para as indagações, exclamações e atitudes dos alunos, pois eles serão fundamentais para o desenvolvimento da fase seguinte.

O prolongamento, nesta atividade as relações afetivas estabelecidas continuarão o que facilitará o processo de comunicação. “Os acontecimentos e as reflexões que forem registrados pelos professores responsáveis pelo passeio poderão levar a pistas inesperadas e abrir o coração para novos mundos de sensações. Isso pode acontecer tanto com as crianças como com os professores. Todos se enriquecerão.” Sampaio (1997:185)

A comunicação poderá ocorrer por diferentes formas: Jornal, exposições, teatro, música, ou seja, cada grupo decide como poderá realizar a comunicação do conhecimento adquirido, das sensações e das descobertas realizadas. Cada sala é única e cada professor tem suas convicções e formação diferentes, de tal forma, que duas salas poderão desenvolver sobre a mesma temática, mas as estratégias e resultados serão muito diferentes. Os resultados são variados, especialmente por que as individualidades são respeitadas, e o processo de construção é democrático.

 

2. Educação e Turismo

 

A relação entre turismo e educação é um tema pouco explorado. De forma geral, a concepção de educação para o turismo ou a educação turística, faz-se a partir da prática do ecoturismo. O Ministério do Turismo, no documento Segmentação do Turismo: Marcos conceituais, define o Ecoturismo como um dos principais segmentos do turismo no Brasil e o define da seguinte forma:

 

O Ecoturismo caracteriza-se pelo contato com ambientes naturais e pela realização de atividades que possam proporcionar a vivência e o conhecimento da natureza, e pela proteção das áreas onde ocorre. Ou seja, assenta-se sobre o tripé: interpretação, conservação e sustentabilidade.  Assim, o Ecoturismo pode ser entendido como as atividades turísticas baseadas na relação sustentável com a natureza, comprometidas com a conservação e a educação ambiental. p.9.

 

O turismo entendido como prática social pode e deve ser associado com a construção de saberes. Viajar e visitar lugares, longe ou perto, curta ou longa duração, a trabalho ou lazer, não importa, a necessidade de viajar é criada pela sociedade. Krippendorf (2003) afirma que as pessoas viajam pela necessidade de se desvincular, mesmo que temporariamente, da rotina de trabalho e das obrigações sociais do cotidiano.

Ruschmann (1997) ressalta a importância da relação entre educação e turismo, assim como da educação ambiental como um fator imprescindível para a salvaguarda dos recursos naturais, patrimônio cultural  e turísticos locais.

Para justificar a necessidade da educação turística Krippendorf afirma que o aluno “aprenderá a olhar, a compreender e a respeitar a natureza e o modo de vida do próximo. Com a Geografia e a História, descobrirá o espaço e o palco dos acontecimentos.” Este processo deverá iniciar-se com pequenas viagens, com o objetivo de construir com o aluno as noções de espaço e tempo, e despertar seu interesse por diversas áreas de conhecimento como: Ecologia, Biologia, Zoologia, Geologia e muitas outras. (Krippendorf (2000), p.183).

A correlação entre turismo e educação é patente. Pois na prática do turismo está presente o processo de aprendizagem, conceitos de diversas áreas do conhecimento são construídos e reelaborados, pois não se pode negar que ao visitar um lugar, o turista entra em contato com suas singularidades: Expressões artísticas, folclóricas, geografia e história, entre outros que podem estimular e enriquecer o arcabouço de conhecimento e conceitos deste indivíduo.

Rodrigues (2008) fundamentando-se em diversos autores afirma que o turismo pedagógico “é aquele que serve as escolas em suas atividades educativas que envolvem as viagens, cuja finalidade é o conhecimento”, baseando-se em Fonseca Filho (2007) ainda, enfatiza o caráter pedagógico, mesmo havendo momentos de lazer, pois a prática educativa estimula e sensibiliza os estudantes sobre o respeito aos monumentos e patrimônios culturais.

Neste contexto é usual a discussão sobre o conceito de paisagem, pois alem de ser uma das principais categoria da Geografia “ reforça-se a idéia de que a relação entre paisagem  e turismo é íntima, justificando a colocação de que a paisagem é a matéria-prima do turismo”. Xavier (2007, p. 39)

O Ministério da Educação através dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino fundamental apresenta suas orientações sobre as áreas de conhecimentos e os temas transversais em dez volumes. Sendo que o volume 5 (5.1 e 5.2) traz as orientações sobre os conteúdos de  a História e Geografia. É a partir do referencial dos PCNs que trataremos de relacionar a área de Geografia com o turismo e lazer, especificando as possibilidades de utilização dos principais pontos de interesse turísticos do Município para o desenvolvimento dos conceitos e conteúdos de Geografia.

 

3. Geografia e turismo nos Parâmetros Curriculares Nacionais

 

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino fundamental espera-se que, ao longo dos oito anos, “os alunos construam um conjunto de conhecimentos referentes a conceitos, procedimentos e atitudes relacionados à Geografia, que lhes permitam ser capazes de: valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a sociodiversidade, reconhecendo-a como um direito dos povos e indivíduos e um elemento de fortalecimento da democracia”.

Na área de História, comparecem nos PCNs orientações sobre o estudo do meio, como recurso didático, o qual favorece à participação ativa do aluno na elaboração de conhecimentos, atividade que comporta a interpretação, a seleção e cria formas de estabelecer relações entre as informações. Fortalecendo o raciocínio de que o conhecimento é uma organização específica de informações, que se sustenta na materialidade da vida concreta, assim como a partir de teorias formuladas sobre ela.

Percebe-se então que a utilização de trabalhos fora da sala de aula torna-se importantes para a compreensão de diversos conteúdos de várias áreas de conhecimento, assim como de temas transversais.

O conceito de paisagem é muito caro à área de Geografia e também aos estudos de Turismo, cada qual com suas especificações. Nos PCNs, na área de Geografia dá-se destaque ao estudo do “ O lugar e a paisagem” assim descrito:

... trata das relações mais individualizadas dos alunos com o lugar em que vivem. Quais foram as razões que os fizeram morar ali (vínculos familiares, proximidade do trabalho, condições econômicas, entre outras) e quais são as condições do lugar em que vivem (moradia, asfalto, saneamento básico, postos de saúde, escolas, lugares de lazer, tratamento do lixo). Pode-se aprofundar a compreensão desses aspectos a partir da forma como percebem a paisagem local em que vivem e procurar estabelecer relações entre o modo como cada um vê seu lugar e como cada lugar compõe a paisagem. Outro ponto a ser discutido são as normas dos lugares: como é que se deve agir na rua, na escola, na casa; como essas regras são expressas de forma implícita ou explícita nas relações sociais e na própria paisagem local; como as crianças percebem e lidam com as regras dos diferentes lugares. É importante discutir tentando encontrar as razões pelas quais elas são estabelecidas dessa forma e não de outra, sua utilidade, legitimidade e como alteram e determinam a configuração dos lugares. P.76.

 

As paisagens, segundo Milton Santos, são arranjos de formas em um determinado momento, constituem-se em resultado e ao mesmo tempo um fator social, isto é, produto e agente do processo de produção do espaço. Entretanto, a sua característica de fixidez no espaço, ou seja, a sua concretude, é talvez a dimensão que mais colabora para o seu entendimento e compreensão aos estudantes dos ciclos básicos da educação.

O turismo é apontado por diversos estudiosos como a única prática social que consome espaço, o que ocorre pela apropriação do espaço pelo turismo: meios de hospedagem, restauração, de lazer e consumo da paisagem. O turismo se aproveita das características e belezas paisagísticas, englobando desde seus atributos naturais como clima, vegetação, relevo, assim como sua dimensão construída pelo homem.

O texto apresentado pelos PCNs é bastante explicativo e detalhado quanto aos objetivos e conteúdos de cada ciclo. Os conteúdos que podem ser trabalhados a partir do turismo são muitos, destacam-se no primeiro ciclo os “blocos temáticos e conteúdos: O estudo da paisagem local”. Verifica-se que as dimensões apresentadas abordam “observação e descrição de diferentes formas pelas quais a natureza se apresenta na paisagem local” , “a caracterização da paisagem local: suas origens e organização, as manifestações da natureza em seus aspectos biofísicos, as transformações sofridas ao longo do tempo”; “ identificação da situação ambiental da sua localidade: proteção e preservação do ambiente e sua relação com a qualidade de vida e saúde”; “ produção de mapas ou roteiros simples considerando características da linguagem cartográfica como as relações de distância e direção e o sistema de cores e legendas”; “valorização de formas não-predatórias de exploração, transformação e uso dos recursos naturais”; Estas dimensões propostas pelos PCNs são facilmente apreendidas no âmbito do turismo, pois a paisagem é a primeira instância do contato do turista com o lugar visitado e na maioria das vezes, os atributos da paisagem são os principais atrativos e centro da motivação para o visitante.

Como exemplo, a visita ao Museu Histórico Municipal pode ser utilizada para a discussão sobre o espaço geográfico, onde o aluno pode apreender que o espaço é historicamente produzido pelo homem enquanto organiza econômica e socialmente sua sociedade e que o homem é sujeito da construção deste espaço.

Dessa forma, há a valorização do espaço topológico – vivido, percebido e com laços emotivos. “A percepção que os indivíduos e comunidades têm do lugar nos quais se encontram e as relações singulares que com ele estabelecem fazem parte do processo de construção das representações de imagens do mundo e do espaço geográfico. As percepções, as vivências e a memória dos indivíduos e dos grupos sociais são, portanto, elementos importantes na constituição do saber geográfico.” PCNs, p.76.

A visitação de forma planejada e organizada destes lugares pode auxiliar a compreensão de praticamente todos os conceitos da área de Geografia, assim como de outros da área de História.  O Turismo e a Geografia podem levar os alunos a compreenderem de forma mais aprofundada a complexidade da realidade, a perceberem as relações socioculturais e históricas que transformam a paisagem. A compreender a interface entre o velho e o novo, as marcas do tempo na paisagem. Tal capacidade deverá envolver práticas que são descritas nos PCNs: “Problematização, observação, registro, descrição, documentação, representação e pesquisa dos fenômenos sociais, culturais ou naturais que compõem a paisagem e o espaço geográfico, na busca e formulação de hipóteses e explicações das relações, permanências e transformações que aí se encontram em interação”.

O turismo e a Geografia são fundamentais para a valorização do espaço vivenciado, aquele que é percebido, alem do imediato, ou seja, é observado, documentado e estudado. Assim o aluno passa a pensar e refletir sobre a realidade local relaciona-a com o contexto global.

 

 

4. A prática da aula passeio e turismo pedagógico

 

O que se apresenta é fruto de uma experiência na Escola Municipal Ettore Marangoni de Presidente Prudente-SP, que foi escolhida de modo a privilegiar crianças que moram distante da sede do Município, no caso a Escola localiza-se em um distrito do Município, a cerca de 15 Km da Cidade, com população de baixa renda. Com prevalência de atividades braçais e pouca escolaridade dos pais destas crianças.  Após a escolha da Escola e aproximação com os gestores, foram realizadas reuniões com os professores, a diretora e a coordenação pedagógica, onde foram discutidas estratégias e cronograma de trabalho.

Em paralelo, foi realizado o levantamento bibliográfico, onde foram coletados dados e informações sobre os principais pontos turísticos do Município, visitas e entrevistas junto à administração municipal, especialmente no Museu Municipal e Secretaria de Cultura são de grande ajuda nesta atividade.

Após esta fase, o trabalho foi construir o acervo de imagens dos atrativos turísticos ou mesmo dos lugares que demonstram potencial turístico, ou que representem o patrimônio cultural do lugar. A partir deste acervo foi organizado um filme.

Nesta fase do trabalho foi bastante conveniente o estabelecimento de parceiras Conselho Municipal de Turismo e da Secretaria Municipal de Turismo. Município que tem interesse no turismo. Estas parceiras ocorrem de forma a beneficiar todas as entidades envolvidas, e acima de tudo privilegia o desenvolvimento do turismo na Cidade.

A fase seguinte foi o trabalho em sala de aula, onde foram verificados junto aos estudantes quais pontos ou lugares que eles conheciam e consideravam importante na sua comunidade e na área urbana do Município. Esses relatos foram analisados e a partir deles foi organizado material fotográfico e imagens para demonstrar a importância histórica e geográfica destes lugares. Foi comprovado que a maioria dos estudantes não reconhecia os principais marcos urbanos, tais como o Museu, a Catedral, o Centro Cultural e os parques de lazer. A maioria tinha como referência da cidade as lojas populares do centro da cidade e alguns supermercados, comprovando a hipótese inicial de que havia forte desconhecimento sobre os atrativos turísticos, os marcos históricos e sobre o patrimônio cultural da Cidade.

Na semana seguinte, a atividade foi de campo: uma visita in loco aos lugares que se destacam como marcos urbanos: Catedral, Museu Municipal, Centro Cultural e um parque de lazer. Em cada um destes lugares foi realizado um trabalho de observação, explicação de seu valor histórico e cultural, chamando atenção para os conceitos de cidadania, preservação, lazer e cultura.

E, o trabalho foi finalizado na semana seguinte, quando foi apresentado um filme da visita, com o objetivo de relacionar cada um com os lugares visitados, de tal forma, que cada um pudesse se reconhecer como pertencente a aquele espaço e entender que aquele lugar só tem importância por que é utilizado pela comunidade. Para terminar e fixar estes conceitos foi solicitado que cada criança produzisse uma pintura sobre os lugares visitados, o que foi muito interessante, pois constatamos que muitos se auto retrataram nos lugares visitados, mostrando a integração deles com o lugar.

Através de visitas monitoradas aos pontos turísticos da cidade os estudantes podem construir conceitos referentes aos conteúdos da área de Geografia, História e temas transversais com muito mais facilidade, pois aprendem através da totalidade do espaço vivenciado, não aquele descrito em material didático, mas aquele percebido como síntese de múltiplos espaços e tempos.

Esta ação pedagógica é complementar as atividades de turismo pedagógico, onde a sua motivação baseia-se na preocupação com o processo ensino aprendizado. São as viagens com fins educativos e não de lazer, sempre privilegiando o lúdico e diversão, sem esquecer da construção do conhecimento. Seus defensores afirmam que a viagem dá um encantamento ao aprendizado, pois motiva os alunos em ambiente diferente da escola

O Turismo Pedagógico deve ser organizado e desenvolvido por equipes multidisciplinares formadas por Bacharéis em Turismo e Professores de diversas áreas. O projeto deve contemplar atividades com algum tipo de deslocamento do ambiente escolar, como por exemplo, visita a museu, a indústria, a parque ou participação em acampamento. Esta vivência prática reafirmará conceitos construídos na sala de aula, também possibilitará maior interação entre os alunos e contribuirá no processo de ensino e aprendizagem através de aulas mais dinâmicas, pois aproximará o professor do aluno, onde este terá mais possibilidades de expor conceitos e informações adquiridas fora da sala de aula. ITO (2009)

A paisagem ganha significado, pois é vivenciada pelo aluno, que passa a perceber sua construção e reconstrução, assim como os agentes atuantes neste processo, e acima de tudo, se reconhece como parte integrante desta realidade e como agente transformador da sociedade.

 

Referências Bibliográficas

 

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ARENDIT, Ednilson José. Introdução à economia do Turismo. 2ª ed. Campinas: Alínea, 2000.

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________ Possibilidades do Turismo: Da concentração de renda à inclusão social. Revista Dialogando no Turismo, n.3, v.1, junho, 2007. disponível em < http://www.rosana.unesp.br/revista/artigos_terceira.php>

_______Turismo e Ensino: Aproximações e Possibilidades. In Anais do 11º Encuentro Internacional Humboldt. Ubatuba-SP- 2009. Digital.

KRIPPENDORF,J. Sociologia do Turismo: Para uma nova compreensão do lazer e das viagens. São Paulo:Aleph, 2001.

LEMOS, Amália I. G. Turismo: impactos sócio-ambientais. São Paulo: Hucitec, 1996.

MOLINA, S. O pós-turismo. São Paulo: Aleph, 2003, 144p.

MOLINA, Sergio E. e RODRÍGUES, Sergio A. Planejamento integral do Turismo. 1ª ed. Bauru: Sagrado Coração de Jesus, 2001.

OURIQUES, H. R. A Produção do Turismo: Fetichismo e Dependência. Campinas: Alínea.2005.

PANOSSO NETTO, A. Filosofia do Turismo: Teoria e Epistemologia. São Paulo: Aleph, 2005.

RODRIGUES, A B.. Turismo e Espaço. São Paulo: Hucitec, 1997.

_________. Turismo e geografia – reflexões teóricas e enfoques regionais. 3ª ed. São Paulo: Hucitec, 2000.

RUSCHMANN, D. V. de M. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. Campinas: Papirus, 1997.

SAMPAIO, Rosa M.W.F, A aula-passeio transformando-se em aula de descobertas. In ELIAS, Marisa D C.(org) Pedagogia Freinet:Teoria e Prática. Campinas:Papirus, 1996

XAVIER, Herbe, A Percepção Geográfica do Turismo, São Paulo:Aleph,2007.

YAZIGI, C. Turismo – espaço, paisagem e cultura. 2ª Edição. São Paulo; Hucitec, 2000.

 

 

Ponencia presentada en el XII Encuentro Internacional Humboldt "El Capitalismo como Geografía", La Rioja, Argentina - 20 al 24 de setiembre de 2010.


 





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