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Asunto:[encuentrohumboldt] 295/10 - AS TRANSFORMAÇÕES TÉCNICAS DA ATIVIDADE L EITEIRA NO OESTE CATARINENSE - BRASIL
Fecha:Martes, 30 de Noviembre, 2010  23:30:56 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..............org>

AS TRANSFORMAÇÕES TÉCNICAS DA ATIVIDADE LEITEIRA NO OESTE CATARINENSE - BRASIL [1]

 

Jóice Konrad

Mestranda em Geografia – UFSC

Bolsista CNPq

Clécio Azevedo da Silva

Prof. do Depto de Geociências – UFSC

 

 

RESUMO: No Brasil, o estado de Santa Catarina possui duas importantes bacias leiteiras: Oeste Catarinense e o Vale do Itajaí. Até meados de 1970, o Vale do Itajaí se destacava como principal região produtora de leite do estado. Com a intensificação de atividades urbano-industriais no Vale do Itajaí, há redução na produção de leite. Enquanto no Oeste, a produção apresentava-se crescente. Isso permitiu o deslocamento de capitais industriais para o Oeste Catarinense, ocorreu a (re) organização da atividade leiteira no estado. Atualmente, a principal bacia leiteira é o Oeste Catarinense, responsável por cerca de 70% da produção de leite do estado. Esta atividade é desenvolvida em sua maioria por produtores familiares, que não conseguiram se inserir/permanecer na suinocultura. Nos últimos anos, nota-se que a atividade leiteira no Oeste Catarinense tem passado por transformações, especialmente a inserção de objetos técnicos nas unidades de produção, dessa forma, transformando e dinamizando o espaço rural dessa região. Este processo de modernização tem sido induzido tanto pelo Estado, por meio da criação de normas específicas para a produção de leite, como por indústrias que atuam na industrialização de leite e derivados. Assim, este artigo tem por objetivo analisar a (re) organização espacial da atividade leiteira no Oeste Catarinense ao longo do processo histórico. E a partir disso, procurou-se identificar características da atividade leiteira, bem como, as transformações recentes que a atividade vem sofrendo.

 

Palavras- Chaves: Atividade leiteira; Transformações; Organização espacial; Oeste Catarinense;

 

THE TECHNICAL TRANSFORMATIONS OF THE DAIRY ACTIVITY IN THE WEST OF SANTA CATARINA - BRAZIL

 

ABSTRACT: The state of Santa Catarina in Brazil has two important dairy basins: the West Catarinense of the state and the Vale do Itajaí. Untill around 1970 the Vale do Itajaí stood out as the main dairy producer region in the state. With the intensification of urban-industrial activities in the Vale do Itajaí, the dairy production decreased, while in the West of the state the production kept increasing. It allowed the transference of industrial capital to the west of the state, and so there was a reorganization of the dairy activities in the state. Nowadays, the main dairy basin is the west of the state, which produces around 70% of the state’s milk. This activity is made on its majority by family farmers that were not able to get into or keep their business on pig farming. In the last years the dairy activity in the west of the state has been going through a process of transformation, especially the input of technical objects in the production units, which in turn has been transforming and increasing the dynamics of the rural areas in that region. This process of modernization has been induced both by the state, through the creation of specific regulations for dairy production, and by industries that operate in the sector of milk and derivatives industrialization. Therefore, this article aims on analysing the space reorganization of the dairy activity in the west of Santa Catarina along the historic process. From that we attempt to identify the characteristics of the dairy activity developed in the region, as well as the transformations that it has been undergoing.  

 

Key words: Milking activity; Transformations; Space organization; West of Santa Catarina

 

 

INTRODUÇÃO

           

Nos últimos trinta anos, o espaço rural catarinense tem sofrido profundas transformações, sobretudo, sociais e técnicas. Isso se deve em parte a modernização da agropecuária brasileira, ocorrida a partir de 1960, a qual contribuiu para uma maior inserção da agricultura na economia de mercado, intensificando as relações entre campo-cidade.

Na região oeste de Santa Catarina, essas mudanças refletem como agricultura familiar tem se organizado no espaço rural. A principal transformação foi à reestruturação da suinocultura, decorrente da política de modernização da agropecuária, criada pelo governo federal nos anos 1960.

 Até meados dos anos 1980, a suinocultura predominava em pequenos estabelecimentos rurais. O sistema de criação de suínos praticado na região se baseava no ciclo completo, isto é, todas as fases da criação dos suínos, desde a gestação e maternidade até a engorda, era desenvolvidas na mesma unidade de produção. Assim, a produtividade estava relacionada com o aumento no número de produtores.

Nos anos 1980, ocorreu a reestruturação da suinocultura, ou seja, a modernização da atividade, conseqüentemente, a redução no número de produtores. Esse processo se intensifica nos anos 1990, quando algumas empresas da região, transformam o sistema de ciclo completo em um modelo mais intensivo, dividindo o processo produtivo em várias fases, ocorrendo assim um desmembramento dessas atividades em outros estabelecimentos, dando origem, por exemplo, as Unidades de Produção de Leitão (UPL) e Unidade de Terminação (UT) (MIELE, 1997).

Essa mudança organizacional da atividade permitiu a redução do número de produtores, sem diminuir a quantidade da produção. Assim, o processo de intensificação da suinocultura levou a concentração espacial da atividade em determinadas microrregiões, especialmente aquelas localizadas nas proximidades dos frigoríficos abatedouros. 

Com a redução do número de suinocultores, a produção do leite que até então tinha um caráter secundário e/ou complementar nas unidades produtivas, surge como uma alternativa de renda para as propriedades que foram excluídas do sistema de integração de criação de suínos. Apesar da baixa competitividade da produção leiteira, devido a forma heterogênea e desconcentrada da atividade, esta possibilitou renda e, permitiu que esses agricultores familiares permanência no campo (MELLO, 1998).

Diante dessas transformações, este trabalho revisa a formação sócio-espacial do Oeste Catarinense, a partir desta busca analisar a (re) organização espacial da atividade leiteira no Oeste Catarinense ao longo do processo histórico. Procurou-se ainda, identificar suas características, bem como, as transformações recentes que a atividade vem sofrendo.

Para o desenvolvimento desse trabalho foi realizada revisão bibliográfica sobre a produção de leite no Oeste Catarinense e sua organização espacial, afim fornecer subsídios para interpretação da realidade empírica da bovinocultura de leite[2] no Oeste Catarinense. Para caracterização da atual organização da bovinocultura de leite foram utilizados dados de fontes secundárias como o Censo Agropecuário (IBGE); foi realizado também, entrevista com pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI).

O artigo está estruturado em três momentos, além da introdução e das considerações finais. No primeiro momento, deu ênfase para a formação sócio-espacial do Oeste Catarinense, de forma a apreender sua história e sua configuração espacial, a qual está baseada em atividades agropecuárias e agroindustriais. Em segundo momento, discuti-se sobre a (re) organização da atividade leiteira no Oeste Catarinense, destaca-se a importância da atividade leiteira na agricultura familiar regional, a partir da reestruturação da suinocultura a partir dos anos 80. E por último, destacam-se as transformações espaciais decorrentes dessa (re) organização espacial e como está tem/podem interferir nas unidades produtivas.

 

FORMAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL DO OESTE CATARINENSE

 

Com o intuito de compreender a formação sócio-espacial do Oeste Catarinense, elaboramos uma releitura do processo de ocupação, identificando agentes envolvidos, os sistemas de produção, que contribuíram para articulação da agricultura familiar regional com as agroindústrias.

O Oeste de Santa Catarina é delimitado ao norte pelo estado do Paraná; ao sul pelo estado do Rio Grande do Sul; a oeste com a Argentina; com a mesorregião Norte Catarinense ao nordeste e ao sudeste com a mesorregião Serrana do estado de Santa Catarina.

Esta possui uma área territorial de 27.288.763km², a qual está dividida em cinco microrregiões: São Miguel do Oeste, Chapecó, Xanxerê, Concórdia e Joaçaba, constituindo ao todo 122 municípios, aproximadamente 29% do estado (IBGE, 2006).

O Oeste Catarinense compreendeu área de muita disputa, inicialmente internacional, entre Portugal e Espanha[3], quando o Brasil era colônia de Portugal; em segundo momento, entre Brasil e Argentina – questão que ficou conhecida por “Questão de Palmas” ou “Questão de Missiones[4]” e, num terceiro interestadual, entre Paraná e Santa Catarina.

Assim, a configuração do limite do estado de Santa Catarina é datada do século XX.  Foi a partir de 1916, que a região oeste foi incorporada ao estado, após disputar a posse com o Paraná – a qual contribuiu para eclosão da Guerra do Contestado[5]. De acordo com Werlang (2006, p.22), “[...] a área em disputa possuía aproximadamente 48 mil km2, e tinha os rios Uruguai ao sul e Iguaçu ao norte como limites”.

A definição dos limites entre estes dois estados foi resolvida em 1916, por meio de um acordo o qual estabeleceu divisão da área disputada em duas partes, dessa forma, o Paraná ficou com a aproximadamente 20 mil km² e Santa Catarina com 28 mil km² (WERLANG, 2006).

A fim de legitimar sua posse sobre a área, o governo de Santa Catarina em 1917, criou os municípios de Mafra, Porto União, Cruzeiro (atualmente Joaçaba) e Chapecó. Buscou ocupar esse vazio[6], repassando imensas glebas de terras a empresas particulares de colonização, a maioria de origem rio-grandense (WERLANG, 2006).

Assim, competia às companhias colonizadoras abrir estradas e povoar as terras. Inicialmente, estas empresas exploravam a madeira, pois possuía um grande valor comercial. A partir de então demarcavam os lotes ao longo das estradas vicinais e vendiam aos migrantes (STÜRMER, 2008), especialmente das colônias velhas do Rio Grande do Sul[7].

Os lotes possuíam uma área de 20 a 30 ha – sendo denominada regionalmente “colônia”, as quais contavam com áreas destinadas a campos de culturas e matas (CAMPOS, 1987; ESPÍNDOLA, 1996). Este tipo de apropriação contribuiu para a formação da estrutura fundiária, baseada na produção familiar em pequenas propriedades.

Os migrantes buscavam terras baratas e melhores condições de vida, já que o crescimento das famílias e a divisão dos lotes contribuíram para inviabilizar sua reprodução. Essa situação levou muitos descendentes de alemães, italianos, poloneses a emigrar para outras áreas, sobretudo a partir de 1920, ao Oeste Catarinense e ao Sudoeste do Paraná. Com isso, houve a expansão da fronteira agrícola para hinterland do país, onde havia uma grande quantidade de terras ainda não ocupadas (WAIBEL, 1979)

Estes migrantes vinham por meio de transporte ferroviário até a estação de Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul. E de lá o transporte era feito em lombo de animais ou em carroças, puxadas a cavalo ou boi (MARCHESAN, 2003). Na bagagem, trouxeram além da tradição cultural, os sistemas produtivos e técnicos das colônias velhas baseados na policultura (PIZZOLATTI, 1996).

Os sistemas agrícolas desenvolvidos pelos migrantes baseavam-se no cultivo de mandioca, batata, feijão e milho. Dedicavam-se ainda, ao criatório de animais que servia para o consumo (carne e leite), o trabalho na lavoura e ainda, como meio de transporte. Ressalta-se que o milho, era o principal cereal utilizado na alimentação das famílias e dos animais, enquanto que a criação de suínos era a principal atividade pecuária, voltada a produção de banha.

A produção do leite, até 1970, era voltada para subsistência da família e para a produção de derivados, especialmente queijos e manteiga, sendo que o excedente era comercializado, voltado para atender o mercado local. Assim, ele possuía um papel secundário nas propriedades. Mesmo assim, de acordo com a Enciclopédia dos Municípios, publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no ano de 1959, a região Oeste apresenta vinte municípios[8], dos quais treze[9] o leite já se destacava como principal produto transformado ou não de origem animais (IBGE, 2009).

Assim, o excedente produzido representava uma reserva econômica para os produtores familiares, o qual podia ser vendido ou permutado por outros gêneros não produzidos na unidade de produção, como o sal, tecidos e medicamentos, em casas comerciais ou atravessadores, que abastecia o incipiente mercado local, (PIZZOLATTI, 1996).

Campos (1987) afirma no estágio inicial da colonização no Oeste de Santa Catarina, a inexistência de um mercado local e o isolamento, fez com que estes praticassem uma agricultura de subsistência, embora alguns migrantes já praticavam no Rio Grande do Sul, uma agricultura “mercantilizada” ou “comercial”.

No entanto, foi com a estrada de ferro São Paulo – Rio Grande que os excedentes alcançaram mercados mais longínquos, sendo escoados principalmente para São Paulo (WAIBEL, 1979). À medida que

 

“as frentes agrícolas vão se avolumando e diversificando, as pequenas cidades vão tomando corpo. O Oeste começa a despontar por sua grande produção agrícola e pecuária. A industrialização dos produtos agrícolas começa a diversificar as atividades” (POLI,1995, p.94-95)

 

Em outras palavras, a medida que o meio rural demandas por produtos, houve a constituição de núcleos urbanos, os quais supriam as necessidades básicas, comerciais e produtivas da região (ESPÍNDOLA, 1999), além de  na melhoria das vias de transporte e comunicação.

A criação de suínos desenvolvida na região foi responsável pela dinamização econômica local e regional. A partir de 1940, surgem os primeiros frigoríficos de abate de suínos no Oeste Catarinense, o que possibilitando a acumulação de capital e a intensificação das relações comerciais.

Estes foram beneficiados com as políticas públicas do Estado, que a partir da década de 1930, voltou-se para a industrialização do país, tendo como objetivo substituir as importações. A partir de 1960, o processo de modernização da agricultura, causou significativas transformações na estrutura técnica do país. Em síntese,

 

“a indústria deveria liderar o processo de desenvolvimento econômico e que à agricultura caberiam os papéis de “financiar” o esforço de substituição de importações, promover matérias-primas para a indústria nacional nascente e alimentar a crescente população urbana do país” (GRAZIANO DA SILVA, 2003, p.87).

 

Assim, no Oeste Catarinense “a evolução da agroindústria se deu a partir do aumento da produção, pelas facilidades encontradas na comercialização” (POLI, 1995, p.94-95).  Com isso, houve expansão das unidades de industrialização de carne e derivados, dando origem a importantes Complexos Agroindustriais (CAIs) [10], como Sadia, Perdigão, Seara Alimentos, atuando em vários ramos da atividade industrial.

A criação do sistema de integração[11] agroindustrial, responsável pela articulação entre a agroindústria e produtor, contribuiu para o sucesso da suinocultura e avicultura, bem como, para o desenvolvimento econômico e regional.

Além disso, a modernização da agricultura em Santa Catarina contribuiu para cimentar a relação entre agroindústria e produtor, isto é, estreitando relações com o mercado, permitindo assim, que uma significativa parte da agricultura familiar se modernizasse. Porém, este fato não pode ser generalizado, pois “o processo de modernização da agricultura não se verifica, no entanto, de forma homogênea: a modernização é lenta em algumas partes, rápida em outras e, fundamentalmente, desigual” (MOREIRA, 1999, p.130).

 

(RE) ORGANIZAÇÃO DA ATIVIDADE LEITEIRA EM SANTA CATARINA: O CASO DA BACIA LEITEIRA DO OESTE CATARINENSE

 

A bovinocultura de leite no Oeste catarinense está associada ao processo de ocupação e colonização dos descendentes de imigrantes, alemães e italianos, vindos do Rio Grande do Sul ocorrida a partir da metade do século XX. A estrutura fundiária dessa região caracterizava-se pela predominância de pequenas propriedades[12], as quais são exploradas essencialmente pela mão-de-obra familiar.

 Até 1970, no oeste catarinense, o rebanho de bovinos, tanto de leite quanto de corte, desempenhava três funções nas unidades produtivas: auxiliava no preparo da lavoura; servia ainda como meio de transporte e contribuía para a subsistência familiar com abastecimento, especialmente, de carnes e leite in natura, e de produtos derivados como a manteiga, queijo, requeijão entre outros.

O excedente derivados era comercializado, dessa forma, abastecia os núcleos urbanos. A renda obtida pela comercialização dos derivados era destinava a aquisição de bens não produzidos na propriedade, como sal, café, medicamentos, tecidos e ao pagamento da energia elétrica, quando existia.

Assim, pode-se perceber que o leite era um produto secundário nas propriedades, localizadas no Oeste Catarinense, significava apenas um complemento. A criação de suínos, desde a colonização do Oeste, destacou-se na economia regional, de forma que, a policultura familiar se tornou hierarquicamente subordinada à suinocultura (MIOR, 2003).

Além disso, a industrialização do leite se dava de forma artesanal, tendo como objetivo o abastecimento do mercado local com produtos lácteos (leite, manteiga, creme de leite e queijo). Apesar de, o leite já ser em alguns municípios o principal produto de origem animal (ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE 1956, 2009).

 

A EXPANSÃO DA ECONOMIA LEITEIRA NO OESTE CATARINENSE A PARTIR DA DÉCADA DE 1970

 

Até os anos 70, a região do Vale do Itajaí era a principal região produtora de leiteira de Santa Catarina (PAULILO e SCHMIDT, 2003). No final dos anos 70, o volume de leite produzido no Oeste Catarinense supera a produção de leite do Vale do Itajaí. Porém, está última continua sendo a principal quanto a industrialização e o beneficiamento de leite in natura.

Essa redução no volume de leite produzido no Vale do Itajaí se deve especialmente a expansão urbana e industrialização dessa região. Com isso, na de 1980, o Oeste passa a ser a principal bacia leiteira de Santa Catarina, tanto no volume produzido quanto na industrialização e no beneficiamento de leite.

O rápido fortalecimento da economia leiteira se deu paralelamente à decadência da bacia leiteira do Vale do Itajaí. Mas isso não significa que está parou de produzir, mas sim que deixou de ser a principal produtora.  A produção da região Oeste, em 2006 correspondeu a 72,6% da produção de todo leite produzido no estado, enquanto que o Vale do Itajaí 11,3% (CENTRO DE INTELIGÊNCIA DO LEITE, 2009).

Segundo Rover e Lazarin (2008) os principais fatores que potencializaram a produção de leite no Oeste foram a possibilidade da utilização de terrenos não nobres, isto é, que não eram utilizados; absorvia mão-de-obra em épocas ociosas de lavoura; baixo investimento inicial na implantação da atividade na unidade produtiva. Ressalta-se ainda outro fator, não apontado por estes autores, mas que possui mesma ou maior relevância - a entrada de uma renda mensal, a partir da comercialização do leite.

Este aumento, que também ocorreu em outros estados, se deve em parte também ao fim do tabelamento de preço do leite, pois desde 1945 até início dos anos 90, o Estado controlava a importação e tabelava o preço do leite, fixando os valores a serem pagos ao produtor e pelo consumidor, com intuito de garantir preço baixo no mercado interno (COLI, 1992).

O tabelamento não incentivou investimentos na atividade leiteira, bem como, na sua industrialização, o que gerava um déficit na produção do país. Assim, era necessário recorrer a importação para abastecer o mercado interno.

Em 1976, o governo federal decreta a obrigatoriedade da inspeção sanitária para as empresas que atuam com produtos de origem animal. Com isso, todas as empresas a precisaram adequar seu sistema de produção, que era quase artesanal, já que maioria delas operava de equipamentos obsoletos. Isso fez com que várias empresas fossem fechadas, especialmente no Vale do Itajaí.

Até os anos 90, a cadeia produtiva do leite não se caracterizava como dinâmica e moderna, sem falar, que a produção no Oeste, era pulverizada e de baixa produtividade. A década de 1990 foi marcado por profundas alterações, Alves destaca algumas, tais como:    

 

o fim do tabelamento do leite pasteurizado; abertura da economia a concorrência externa pela redução de barreiras tarifárias e não tarifárias; liberação das importações de leite em pó e demais produtos lácteos para a iniciativa privada; concentração no setor industrial de laticínios e, principalmente, no setor varejista (grandes redes de supermercados) e início do crescimento das vendas de leite longa vida (ALVES, 2001, p.79).

Com a efetivação do MERCOSUL, intensificou-se a concorrência no mercado brasileiro, pois a Argentina e o Uruguai possuíam índice de produtividade e qualidade superior em seus produtos derivados, quando comparada com os brasileiros (PAULILO, 2002).

No Oeste Catarinense, outro fator que contribuiu para esse aumento foi a reestruturação da suinocultura nos anos de 1990, onde os produtores marginalizados do sistema de integração, encontraram na comercialização do leite in natura a alternativa de fonte de renda e trabalho (MELLO,1998).

Essa conjuntura atraiu capitais industriais à região, permitindo assim expansão e a consolidação da atividade (SOUZA, 2009).  Atualmente, o Oeste Catarinense continua sendo a principal bacia leiteira de Santa Catarina. De acordo com estudo realizado pelo Departamento de Estudos Sócio-econômicos Rurais, a bacia leiteira do Oeste Catarinense apresentou a maior variação (391%) entre os 1990 e 2007 no país, conforme pode ser visualizado na tabela 1.

 

Tabela 1. Principais Mesorregiões produtoras de leite no Brasil - 1990 e 2007 (mil litros)

Mesorregião

Produção de leite (mil Litros)

1990

2007

Variação (%)

1

Noroeste Rio-Grandense –RS

610.548

1.853.343

204

2

Triângulo Mineiro/ Alto Paranaíba – MG

941.388

1.766.897

88

3

Oeste Catarinense – SC

274.798

1.348.291

391

4

Sul Goiano – GO

544.618

1.301.837

139

5

Sul/Sudoeste de Minas – MG

812.158

1.234.277

52

6

Oeste Paranaense – PR

226.492

783.177

246

7

Zona da Mata – MG

525.316

728.497

39

8

Centro Goiano – GO

295.760

688.014

133

9

Leste Rondoniense – RO

147.969

631.078

327

10

Oeste de Minas – MG

350.251

604.145

73

Fonte: Pesquisa Pecuária Municipal - IBGE. Elaboração: Deser.

 

Pode-se perceber na tabela 1, que a bacia leiteira do Oeste Catarinense compõe na verdade uma macrobacia leiteira que compreende o Noroeste do Rio Grande do Sul e Sudoeste do Paraná, ultrapassando os limites político-administrativos.

De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a atividade leiteira é desenvolvida por mais 50 mil produtores no estado de Santa Catarina (IBGE, 2006), tendo uma grande importância econômica e social para população rural.

 

TRANSFORMAÇÕES TÉCNICAS NA BOVINOCULTURA DE LEITE DO OESTE CATARINENSE

 

Para compreender as transformações socioespaciais, é fundamental contextualizar no tempo e no espaço as relações, tendo em vista que estas são dinâmicas e também dialéticas. As metamorfoses espaciais, não se limitam as explicações locais, o processo é muito mais amplo e complexo, envolvem diversas escalas.

A partir dos anos 1960, as transformações na agropecuária foram intensas, marcadas pelo período da modernização da agropecuária brasileira, a qual contribui para a integração das atividades comerciais entre campo-cidade. Dessa forma, as políticas públicas buscavam o desenvolvimento agrícola do país. Além de transformar a base técnica e socioeconômica do campo brasileiro, especialmente entre os anos 60 e 80. Entretanto, essas transformações se desenvolvem com intensidades e formas distintas.

 De acordo com Santos (1996) o espaço geográfico é constituído de um sistema indissociado de objetos e de ações. Os objetos podem ser tanto naturais como sociais. Para este autor, os fixos “são os próprios instrumentos de trabalho e as forças produtivas em geral, incluindo a massa dos homens” (2008, p.86). Já os fluxos, seria 

 

o movimento, a circulação e assim eles nos dão também a explicação dos fenômenos da distribuição e o consumo [...] Os fixos, como instrumentos de trabalho, criam massas. Mas não basta criar massas, impõe-se fazer com que se movam. E a capacidade de mobilizar uma massa no espaço é dada exatamente pelo poder econômico, político ou social – poder que, por isso, é maior ou menor segundo as firmas, as instituições e os homens em ação (SANTOS, 2008, p.86-87).

Assim, os fixos dão origem aos fluxos, cujos chegam novamente aos fixos, num processo dialético de interação e alteração. E, através desse movimento, o espaço é constituído.

Dessa forma, os fluxos transformam constantemente a organização espacial, (re) definem os meios de produção e as relações sociais de trabalho, contribuindo nas mudanças da paisagem, novas formas e até funções do espaço rural.

Estes correspondem aos fixos, os instrumentos de utilizados na produção do leite (ordenhadeira, tanque de resfriador) ou que dão algum suporte para que a produção (posto de resfriamento de leite, as estradas); já as ações, são os fluxos decorrentes dos fixos, neste caso o caminho que a captação da matéria-prima percorre do produtor até indústria; é também, as relações entre empresa e produtor; as códigos que normatizam a produção.

Nesta (re) organização, o papel do estado não pode ser ignorado. Tendo em vista que este financiou a modernização da agropecuária brasileira, bem como, tem criado diretrizes com objetivo de melhorar a qualidade do leite produzido no Brasil. É recentemente que a atividade leiteira no Oeste Catarinense tem se modernizado.  A bovinocultura de leite se distingue da suinocultura e avicultura, pois não há contrato formal entre os produtores e os laticínios.

A cadeia produtiva não está fechada, não há uma rigidez no sistema de produção. O produtor continua autônomo na escolha como do sistema de produção, além de ser livre para escolher para quem deseja comercializar.

Mas a medida que ocorre a (re) organização da atividade leiteira, novas técnicas são inseridas, desde a diversificação de pastagens até o uso de inseminação para o melhoramento genético do rebanho. O uso da ordenhadeira torna-se cada vez mais comum. Assim, vai ocorrendo adequação técnica da atividade conforme a legislação.

Assim, este processo tem sido conduzido e normatizado pelo interesse econômico de cooperativas e laticínios que buscam expandir sua produção e, também, pelo o Estado, através de políticas de iniciativa e modernização da atividade. No entanto, a forma como esta se configura sobre o espaço regional, é marcada por singularidades, dadas pela formação socioespacial da região, e algumas vezes, resiste as modificações impostas.

Para tanto, criou-se programas como Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite (PNMQL, 2009), juntamente com a Instrução Normativa 51 exige alterações no sistema de produção de leite, com intuito de padronizar a produção. As regras estabelecem índices mais rígidos em relação a contagem de células somáticas, contagem bacteriana, detecção de resíduos e temperatura do leite. Além de análises adicionais como: teor de gordura, de proteína, sólidos totais, contagem bacteriana e de células somáticas deverão ser realizadas quinzenalmente por laboratório credenciado pelo ministério da Agricultura (MAPA, 2009).

Outro programa lançado é o de Incentivo à Mecanização, ao Resfriamento e ao Transporte Granelizado da Produção de Leite (PROLEITE), criado pelo BNDES, e tem por objetivo financiar a aquisição de máquinas e equipamentos necessários à modernização da pecuária leiteira (MAPA, 2009).

Dessa forma, o produtor familiar é um importante elo da cadeia produtiva do leite, pois é ele o responsável pela produção da matéria-prima. No entanto, a relação indústria e produtor é conduzida por uma nebulosa, há dissenso, além de um carater dialético (PAULILO, 1990)

 

Os contratos de produção são um meio de ajustar a atividade do agricultor a uma economia dominada pela indústria: as indústrias agroalimentares têm necessidade de planificar; os agricultores têm a necessidade de assegurar o escoamento de sua produção em boas condições. Parece ser cada vez mais evidente que uma transformação das ligações entre os circuitos de compra ou de distribuição das indústrias alimentares e a agricultura é necessária (BODIGUEL apud TEDESCO, 1999, p.133)

 

Com essas transformações em andamento, muito se especula sobre ao destino dos produtores familiares de leite, sobretudo, se ocorrerá o processo seleção dos produtores que responde com maior eficiência as exigências da indústria, ou seja, especialização do produtor como ocorreu em outras atividades no Oeste Catarinense.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O modelo de desenvolvimento regional no Oeste está calcado principalmente atividade agroindustrial e na agropecuária, característica de sua formação socioespacial. A produção de aves e suínos talvez seja, até o momento, a expressão máxima da organizaçao da produção moderna e do modelo produtivista implementados na região.

Embora, atividade leiteira sempre esteve presente nas unidades produtiva, para atender seu consumo; é nos últimos vinte anos que ela tem ganhado outra conotação com a (re) organização da atividade, sendo o leite comercializado para empresas na forma in natural. Mas, isso não significa que ela seja a principal atividade da unidade, mas que ela, mesmo com essas transformações ela continua sendo, uma atividade estratégica para as unidades de produção.

No Oeste Catarinense, esta atividade não é formalizada por contrato, diferente das atividades de suínos e aves desenvolvidas na região. Dessa forma, o produtor possui maior autonomia e liberdade na produção e na comercialização desta quando comparada com outras atividades como suinocultura e avicultura.

Porém, com a (re) organização da bacia leiteira no Oeste e a legislação sanitária federal vigente, tem exigido mudanças no sistema de produção leiteira com o intuito de modernizar e o aperfeiçoar as unidades produtivas tendo em vista os níveis de qualidade estabelecidos.

O uso deste critério é um diferencial no mercado crescentemente competitivo, revelando a seletividade face aos custos de investimento e escala de produção que começa a exigir, poderá ocasionar alguns limites para o desenvolvimento da atividade, promovendo uma nova fase de exclusão sócio-econômica dos agricultores.

No entanto, não existe nenhuma política estatal específica que auxilie nesse processo de transição. Caberia ao Estado, reconhecer as particularidades do setor do agropecuário, especialmente da agricultura familiar, e desenvolver políticas agrícolas e agrárias que possibilitasse estes produtores sua manutenção na atividade, logo, no espaço rural com dignidade, evitando, assim, o êxodo rural.

Para tanto, vem sendo crescente a busca por técnicas alternativas de produção de leite, de forma a minimizar os custos de produção e manter a produtividade. Além, de incentivos pela diversificação da produção nas unidades produtivas.

 

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[1]Este trabalho é parte do projeto de mestrado desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC - Brasil.

 

[2] Neste trabalho preferiu-se utilizar o termo bovinocultura de leite ao invés de pecuária de leite/ ou pecuária leiteira com o intuito de diferenciar pecuária de corte.

[3] Ver mais em Poli (1995).

[4] A área foi reivindicada pela Argentina durante quase todo o século XIX, como parte de sua província de Missiones, tendo limite a Leste os rios Chapecó e Chopim. Esta área corresponde a 30.620 km2. Sendo esta considerada um grande vazio demográfico. A controvérsia entre os países surge a partir da designação de dois rios limítrofes. O Brasil tinha como fronteira ocidental o rio Peperiguaçu e seu a fluente Santo Antonio. Os argentinos reivindicavam o estabelecimento da fronteira sobre outros dois rios a cerca de cem quilômetros a leste: Pequirí-Guazú e San Antonio –Iguazú  e pelos brasileiros de Chapecó e Chopim, respectivamente (WERLANG, 2006).

 

[5] A Guerra do Contestado foi um movimento armado, ocorrido de 1912 a 1915, teve por um lado uma motivação econômica – a luta pela posse dos ricos ervais da região, entre os estados de Santa Catarina e o Paraná; e, por outro, uma motivação social – a reação dos caboclos expulsos das terras, devido à concessão das mesmas pelo governo brasileiro a companhias colonizadoras estrangeiras, devido a construção da ferrovia São Paulo - Rio Grande do Sul (FERREIRA apud SILVA, 2001).

 

[6] No entanto, as terras do Oeste Catarinense eram povoadas por vários grupos de indígenas, conforme apontam historiadores e pesquisadores. Além disso, encontravam-se caboclos, os quais foram ao longo da história marginalizados/invisibilizados (RENK, 2006).

 

[7] As Colônias Velhas representam as primeiras regiões colonizadas por imigrantes europeus de origem não-portuguesa no Rio Grande do Sul. Tem-se em 1824, a chegada dos alemães no Vale dos Sinos, posteriormente expandem-se aos Vale do Caí e Vale do Taquari, e em 1875 tem-se a chegada dos imigrantes italianos na Encosta do Planalto (PESAVENTO, 1983).

[8] Caçador, Capinzal, Chapecó, Concórdia, Curitibanos, Descanso, Dionísio Cerqueira, Erval d’Oeste, Itá, Itapiranga, Joaçaba, Mondaí, Palmitos, Piratuba, São Miguel d’Oeste, Seara, Tangará, Videira, Xanxerê e Xaxim.

 

[9] Caçador, Capinzal,Chapecó, Dionísio Cerqueira, Erval d’Oeste, Joaçaba, Mondaí, Palmitos, Piratuba, São Carlos, São Miguel d’Oeste, Seara, Videira e Xanxerê.

 

[10] É uma unidade análise na qual a agricultura se vincula com a indústria de uma dupla maneira: com a indústria de bens de capital e intermediários, e com a indústria processadora de matérias-primas agrícolas. Designemos a primeira indústria para a agricultura e a segunda de indústria da agricultura”. (MÜLLER, 1981,p.23)

 

[11] Consideram-se as práticas produtivas dos produtores familiares adaptadas aos moldes modernos de produção e vinculadas especificamente a um produto. No entanto, acredita-se que hoje a agricultura moderna, principalmente no Sul do Brasil, está, de uma forma ou de outra, integrada aos vários ramos da dinâmica mercantil. O seu envolvimento, o seu grau de dependência e de influencia são muito diferenciados entre produtores (TEDESCO, 1999, p.118)

 

[12] Considera-se pequena propriedade, os estabelecimentos rurais com áreas inferiores a quarto módulos fiscais, esse equivale para maior parte dos municípios do oeste catarinense 18 hectares, ou seja, as pequenas propriedades podem dispor de ate 72 ha (INCRA, 2002).

 

 


Ponencia presentada en el XII Encuentro Internacional Humboldt "El Capitalismo como Geografía", La Rioja, Argentina - 20 al 24 de setiembre de 2010.




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