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Asunto:[encuentrohumboldt] 290/10 - A colonização germânica nas serras adjace ntes a Ilha de Santa Catarina e o comércio de gênero s com a Capital
Fecha:Sabado, 13 de Noviembre, 2010  21:31:21 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..............org>

A colonização germânica nas serras adjacentes

a Ilha de Santa Catarina e o comércio de gêneros com a Capital.

 

         Paulo Rodrigo Zanin*

 

 

Resumo

A  ocupação  dos  vales  litorâneos  adjacentes  a  Florianópolis  pelo  imigrante  germânico  implicou em novos usos do  território e conseqüentemente sua  reorganização. Os circuitos  regionais de abastecimento alimentar de Florianópolis, inicialmente baseado no tropeirismo  entre  o  planalto  e  o  litoral,  adquire  com  a  colonização  alemã  um  maior  volume  e  diversificação  da  produção.  Porem  o  ambiente  pouco  propicio  a  atividade  agrícola  e  a  grande  quantidade  de  agentes  na  comercialização,  impediram  o  colono  de  obter  bons  rendimentos do seu trabalho. Hoje os municípios da região em estudo  especializam-se em  determinados produtos, vinculados a Divisão Territorial do Trabalho ampliada pela expansão  da rede urbana de Florianópolis.

 

 

Abstract

The  occupation  of  the  coastal  valleys  adjacent  to  Florianopolis  by  germanic  immigrants  resulted in new uses of the territory and consequently your reorganization. The regional food  supply  circuits  of  Florianopolis,  initially  based  in  drover way  between  the  plateau  and  the  coast,  acquires  with  the  German  colonization  a  increased  volume  and  diversification  of  production. However a large number of agents in the marketing, prevents the settler to obtain  good  yields  of  their  work.  Today  the  counties of region  in  under  study  are  specializing  in  certain products, linked to the Territorial Division of Labour expanded by the expansion of the  urban network of Florianopolis.

 

 

Introdução

O  presente  artigo  busca  através  da  categoria  de  formação  sócio-espacial  associar  a

colonização  alemã  em  Santa  Catarina  à  gênese  de  alguns  circuitos  regionais  de  abastecimento  alimentar  de  Florianópolis.  Os  circuitos  espaciais  de  produção  a  escala  regional,  aqui  investigados,  compreenderiam  os  fluxos  produzidos  a  partir  das  áreas  de  colonização  alemã  próximas  a  Florianópolis.  A  relação  direta  com  a  Capital  do  Estado  esteve  inserido  em  um  contexto  político-econômico  de  ocupação  e  usos  do  Brasil  meridional, político devido a necessidade de uma ocupação efetiva da  região garantindo o  domínio  português  e  econômico  pois  a  pequena  produção  mercantil  alemã  através  da  policultura  deveria  abastecer  o  mercado  da  capital  e  interprovincial  com  gêneros  alimentícios,  resultando  nas  bases  de  alguns  circuitos  regionais  correspondentes  a  atual  divisão territorial do trabalho da rede urbana de Florianópolis.** 

 

 

A região antes do imigrante germânico

A  Ilha  de Santa Catarina  e  região  serrana  adjacente  antes  da  chegada  dos europeus  era  habitada por povos de Sambaqui e índios Carijós e Xokleng, os carijós habitavam o litoral e  eram um povo sedentário, na agricultura de subsistência cultivavam a mandioca através da  pratica  da  coivara,    os  Xokleng  habitavam  a  região  serrana  e  planalto,  eram  um  povo  nômade  e  guerreiro.  Com  a  Chegada  do  Europeu  houveram  atritos,  resultando  em  uma  relação dialética na construção do espaço habitado, implicando na adaptação da cultura dos  povos europeus que aqui se instalaram.

O Governo Português antes do século XVIII, não teve interesse no Brasil meridional, sendo  a ilha de Santa Catarina utilizada eventualmente por espanhóis, portugueses e bandeirantes  para conserto de barcos e coleta de mantimentos, devido a sua localização em relação ao  Rio  da  Prata.  Diversos  Bandeirantes  tentaram  estabelecer  povoação  na  ilha  sem  obter  sucesso, até que Francisco dias Velho, na segunda metade do sec. XVII funda a povoa de  Nossa Senhora do Desterro. O povoador após incidente com piratas é assassinado em 1687  resultando  no  êxodo  populacional  da  povoa  que  manteve-se  com  algumas  dezenas  de  moradores. Alguns novos povoadores surgiram com pouca contribuição ao desenvolvimento  do povoado. Mesmo assim em 1726 Desterro é elevado a condição de freguesia.

Em meados do século XVIII o comércio ultramarino Luso estava perdendo espaço para os

monopólios  mercantis  da  Inglaterra,  Países  Baixos  e  França  (Companhia  das  Índias

Orientais e Companhia das Índias Ocidentais), além de sua balança comercial se encontrar  desfavorável  em  relação  aos  ingleses,  seus  principais  parceiros  devido  ao  Tratado  de  Methuem (1703), onde Portugal comprava produtos manufaturados ingleses e pagava com  as  riquezas  extraídas  das  colônias,  como  o  ouro  retirado  de Minas Gerais. Frente  a  essa  crise  Portugal  cria  artifícios  para  superá-la,  através  de  meios  institucionais  como  o  protecionismo; apoio a monopólios privados, para concorrer no mercado externo; incentivo à  produção de manufaturas na metrópole; e incentivo à produção colonial, ai se enquadrando,  no  caso  sul  brasileiro  a  economia  baleeira,  baseada  no  trabalho  escravo  e  dominada  por  capitais  mercantis  portugueses.  Como  a  economia  Baleeira  necessitava  de  um  aparato  político-administrativo em 1738 é  criada a Capitania de Santa Catarina  com  sua  sede em  Desterro. Outra necessidade era a produção de alimentos, pois a única atividade no litoral  era a pesca da baleia.

Por outro lado, a disputa territorial com a Espanha fez surgir a necessidade de ocupar e dar  usos ao  território. A cana-de-açúcar predominava no  litoral do nordeste e na economia da  colônia , no Brasil central se fazia a atividade da mineração enquanto no interior do nordeste  e no sul se fazia a criação de gado para abastecimento interno. Assim, depois do tratado de  Madrid(1750), Marques de Pombal primeiro-ministro de D. José I, incentiva a ocupação do  território, em Desterro e adjacências frente a sua localização estratégica entre a capital, Rio  de Janeiro, e o Rio da Prata, e também pela necessidade de produção de alimentos para a  economia baleeira, decide-se implantar a policultura traves da pequena produção trazendo  casais das ilhas de Açores e Madeira. 

Estes  chegam  ao  Brasil  a  partir  de  1748  sendo  instalados  pelo  brigadeiro  José  da  Silva  Paes, administrador da Capitania, dentro do perímetro de Nossa Senhora do Desterro, se  expandindo  para  o  interior  da  ilha  e  para  as  freguesias  do  continente,  como São Miguel,  Nossa Senhora da Enseada do Brito, São José da Terra Firme, Vila Nova e Garopaba do  Sul.

Com o  tempo a mandioca  se  tornaria a base alimentar dos açorianos e em  trinta anos   existiam  300  pequenos  engenhos,  sendo  alguns  de  cana  de  açúcar,(CECCA,  1997)  Segundo Franklin Cascaes, em entrevista a CARUSO(1997), as  famílias que detinham os  engenhos processavam a produção dos produtores que não o possuíam ficando o dono do  engenho com um terço do produto final, havendo uma diferenciação social entre os colonos,  porém  o  pequeno  produtor  açoriano(dono  de  engenho  ou  não)  ficava  em  uma  situação  pouco lucrativa ao vender o excedente pois havia domínio interno do capital comercial de  Desterro, que manipulava os preços da comercialização. Este, todavia, era dominado pelo  capital  comercial  carioca,  para  quem  Desterro  vendia  o  produto.  Formava-se  assim  uma  cadeia  de  ação  reação:  a  cada  pressão  externa  (do  comerciante  carioca  sobre  o  comerciante  local)  havia  uma  resposta  interna(do  comerciante  local  sobre  o  pequeno  produtor). Por conseguinte, o comerciante local para manter sua margem de lucro, tinha de  explorar o produtor mais ou menos intensamente.(CAMPOS, 1989)  Isto,  aliado  ao  constante  recrutamento  por  parte  da  administração  de  produtos  e  homens  (para se tornarem soldados), aliado a outras questões, favorece ao processo de decadência  litorânea  de  ocupação  açoriana.  Não  obstante,  os  vales  litorâneos  continuavam  praticamente desocupados por luso brasileiros e europeus.

Com a independência do Brasil em 1822 a necessidade de ocupar e dar usos ao território

brasileiro  era  urgente,  pois  Brasil  e  Argentina  divergiam  quanto  a  fronteira  entre  seus  territórios  e  a  grande  quantidade  de  indígenas  resultava  em  atritos  com  os  colonizadores  Luso - brasileiros e tropeiros. Dessa forma o governo imperial decidiu por ocupar os espaços  vazios  do  território,  para  colonizar  essas  terras  o  colono  deveria  ser  tanto  um  soldado  quanto um agricultor, para poder tanto defender sua terra quanto cultivá-la.(WAIBEL, 1958)

O que será feito através da vinda de imigrantes europeus, que no caso de vales e encostas  das serras próximas a Florianópolis, será por população de origem germânica.

 

Alemanha no sec. XIX e a imigração

O território alemão na passagem do sec. XVIII para o XIX encontrava-se fragmentado sendo constituído  de Reinados, Ducados,  algumas  cidades  livres, pequenos  principados  e  terras  eclesiásticas  independentes  entre  si.  A  economia  era  predominantemente  agrária,  sendo  que as relações sociais feudais eram mais ou menos intensas dependendo da região.

Em 1798 decide-se por emancipar os servos da Prússia, os mais castigados pelas relações  feudais, sendo seguido por outros Estados. Porem para o servo emancipado continuar na  terra em que tirava o seu sustento ele deveria pagar por ela. Incapaz de pagar pela terra ou  quando seus poucos recursos eram suficientes, incapaz de tirar o sustento da família de sua  pequena propriedade, o camponês se expropria da terra para se tornar nômade vendendo  sua força de trabalho para os senhores feudais ou para os chefes de oficio nas cidades. O  êxodo rural na primeira metade do sec. XIX foi tão violento que a cidade de Berlim duplicou  sua população no período de 1815 a 1850.(SEYFERTH, 1974)

Com pessoas  insatisfeitas com a  situação  socioeconômica em que  se encontram e  terras  em  abundancia  no  novo  mundo,  começou  a  se  formar  uma  serie  de  articulações  entre  governos, companhias de navegação, companhias de colonização, agentes de emigração e  mídia especializada. Os dois últimos eram os responsáveis por recrutar os alemães,a mídia  especializada(Jornais e revistas) trazia informações sobre as terras a serem colonizadas, as  ofertas  dos  governos,  relatos  de  antigos  emigrantes  sobre  o  novo  mundo,  alem  de  informações  sobre  como  emigrar.    os  agentes  de  emigração  eram  os  responsáveis  por  intermediar a viagem do alemão. As migrações se tornaram um negocio altamente rentável.

Em muitos casos os agentes e jornais contavam maravilhas sobre o novo mundo e faziam

promessas  falsas  a  população.  Tais  artimanhas  fizeram  com  que  o  Brasil  perdesse

credibilidade em alguns estados germânicos. 

Em Santa Catarina, os imigrantes foram  instaladas em locais onde os caminhos de tropas

adentravam  na mata,  na  extremidade  sul  do  caminho  do  sul,  próximo  a Porto Alegre,  foi  fundada a colônia de São Leopoldo  e a colônia de Rio Negro ao norte, na divisa de Santa  Catarina e Paraná. No caminho que seguia de Lages a São José foi fundada a colônia de  São  Pedro  de  Alcântara  à  25  km  de  Florianópolis.  Povoaram  as  áreas  de  entorno  para  atender  as  necessidades  alimentares  dos  centros  urbanos  com  problemas  endêmicos  de  abastecimento(WOORTMANN, 2004), como Porto Alegre e Desterro.

Na fachada atlântica catarinense os alemães foram assentados em alguns vales das serras  do  leste,  de  relevo  acidentado  e  solo  pouco  fértil.  Nos  vales,  as  colônias  geralmente  se  localizavam  em  sua  porção  intermediaria,  nem  perto  do  litoral  e  nem  perto  da  nascente,  constituindo núcleos  populacionais a meio  caminho  do  trajeto  planalto-litoral. As  primeiras  propriedades agrícolas  ficavam no  fundo de vale, devido a proximidade com os cursos de  água e pelas várzeas, que por serem planícies fluviais facilitavam a pratica agrícola. Com a  expansão do povoamento as encostas também foram ocupadas.

 

As primeiras colônias alemãs em Santa Catarina

Em  1828  aportaram  em  Desterro  os  navios    Luiza  e  o  Marques  de  Viana  trazendo  os  primeiros  imigrantes  alemães  destinados  a  colonizar  Santa  Catarina,  provenientes  de  Turíngia,  Luxemburgo  mas  principalmente  de  Hunsruch,  terra  eclesiástica  do  sudoeste  alemão,  totalizando  635  pessoas  entre  colonos  e  soldados.  Foram  levados  por  Silvestre  José  de Passos  até  o  vale  do  rio Maruim  ,  cerca  de  25km  de Desterro  para  iniciarem  a  derrubada da mata e construir suas casas, a cada chefe de família foi distribuído um lote de  100  braças  de  frente  por  750  de  fundos,  cerca  de  36ha,  sendo  dispostos  lado  a  lado  seguindo o caminho de  tropas. A colônia é  fundada oficialmente em 1º de março de 1929  sendo  denominada  pelo  Presidente  da  Província,  Albuquerque  e  Melo,  de  Colônia  São  Pedro  de  Alcântara  em  homenagem  a  família  Imperial.  As  reclamações  dos  colonos  ao  diretor da colônia eram freqüentes, os alemães queriam terras mais férteis. Desde 1829 eles  reivindicavam  terras do vale do Rio Cubatão, as quais  foram cedidas somente em 1836 e  simultaneamente  11  famílias  migraram,(JOCHEM,  1992).  Em  1837  sob  a  direção  do  Coronel Joaquim Xavier Neves é fundada a Colônia de Vargem Grande, na margem direita  do Rio Cubatão, a 3 léguas de São Pedro de Alcântara, ao longo da estrada  de Caldas do  Cubatão sentido Lages. O sitio da colônia se caracteriza por um extenso vale coberto por  vargens,  bastante  propicio  a  pratica  da  agricultura.  Vargem  Grande  se  tornou  local  de  atração, recebendo mais famílias de São Pedro de Alcântara e algumas famílias brasileiras,  que  por  sua  vez  não  se misturaram  aos  alemães,  se  estabelecendo  separadamente  no  Morro do Garcia. 

Quando em 1846, o Coronel Joaquim Xavier Neves, recebe do governo Imperial a tarefa de  fundar  um  novo  núcleo  Colonial,  decide-se  pelas  vargens  descobertas  por  seu  filho  na  vargem do Rio dos Bugres. Os alemães destinados a  constituir a colônia de Santa  Isabel  (hoje  Rancho  Queimado),  aportam  em  Desterro  no  dezembro  de  1846,  vindos  em  três  navios, totalizando 257 imigrantes provenientes da região da Westfalia-Renana, e algumas  famílias de cidades na Baviera, Pomerânia, Holstein, Oldemburgo, Birkenfeld e Hamburgo,  sendo a maioria protestantes. Em 1860 e no ano posterior a colônia recebe nova remessa  de  colonos  alemães,  recebendo  258  e  281  migrantes  alemães  respectivamente  provenientes das lavouras de café do Rio de Janeiro. 

Em 1852 o empresário Henrique Schutel inicia a criação de um núcleo colonial no alto vale

do  rio  Biguaçu,  entre  este  rio  e  o  Tijucas  grande,  ao  norte  da Colônia  de  São  Pedro  de  Alcântara,  sendo  vizinha  desta  pouco  a  pouco,  integra-se  no  mesmo  complexo  socioeconômico. Aos 55 colonos, migrantes de São Pedro de Alcântara, da recém fundada  Colônia  Leopoldina(hoje  Antonio  Carlos)  foram  distribuídos  lotes  de  14  datas,  cerca  de  49ha. 

No  caminho  de  Lages  a  Desterro  os  transeuntes  eram  constantemente  atacados  por  indígenas, sendo necessária uma presença militar mais efetiva na  região, dessa  forma no  janeiro  de  1854  é  instituída  a Colônia Militar  Santa  Tereza,  com  um  efetivo  inicial  de  19  praças mais suas famílias, sob o comando do Major Afonso dAlbuquerque e Melo. A colônia  foi instalada nas margens do rio Itajaí do Sul, seguindo o caminho de tropas em terras de  Serafim Muniz de Moura, em uma área de uma légua quadrada, distante dezoito léguas de  São José(PIAZZA,1994). A colônia por ser militar e estar sob regime especial não produzia  alimentos  suficientes  para  a  sua  demanda,  sendo  necessária  a  importação  de  gêneros  alimentícios, os quais não eram baratos,  no entanto, prestou  relevante serviço na  ligação  terrestre  entre  o  litoral  e  o  planalto  catarinense,  porquanto,  a  partir  de  sua  fundação  puderam  tropas e  tropeiros,  com  relativa segurança alcançar os pontos  terminais de  suas  viagens tendo, a meio caminho, aquele punhado de soldados a protegê-los(PIAZZA,1994).

Em  junho  de  1860  pelo Acto  da Fazenda Provincial,  fica  explicito  a  cobrança  de  imposto  sobre o gado que transitava no trajeto Planalto/Litoral. O local escolhido para a cobrança foi  a Colônia Militar Santa Teresa, havendo dois agentes da fazenda para  fiscalizar o  transito  do gado e cobrar os impostos. Em 1890 o Sr. Augusto Lima acompanhado de mais alguns  colonos de procedência germânica sobem o Rio Itajaí do Sul em busca de um local propicio  para  a  pratica  agrícola,  se  estabelecendo  na  barra  do  Rio  Adaga  e  Caeté,  em  barracas  rústicas, denominando o lugar de Barracão (hoje Alfredo Wagner). 

Em  novembro  de  1859  o  governo  Imperial  mandava  instalar  mais  um  núcleo  colonial,  denominado Teresópolis  (hoje Águas Mornas, São Bonifacio), sobre a estrada que seguia  para Lages, a partir do rio do Cedro em demanda a oeste. O agrimensor Joaquim José de  Sousa  recebe  a  incumbência  de  achar  terras  férteis,  medi-las  e  demarcá-las  para  a  distribuição  dos  lotes  as  40  famílias  alemãs  que  fundariam  a  respectiva  colônia.  Essas  famílias chegaram ao Brasil em 1849, tinham a mesma procedência dos colonos de Santa  Isabel,  e  ficaram  trabalhando  nas  fazendas  de  café  no Rio  de  Janeiro  a  espera  de  suas  prometidas terras. No decorrer dos meses do mesmo ano a colônia recebeu um efetivo de  549  alemães,  provenientes  da  Westfalia,  Solingen,  Münsterland  e  Holanda,  região  do  sudoeste germânico. As famílias se distribuíram em 6 linhas sendo elas, Cubatão, Rio Novo,  Cedro, São Miguel, Salto e Capivari. 

Na metade do século XIX parte do contingente de açorianos instalado no litoral catarinense  encontrava-se desprovido de um pedaço de terra, fruto da má distribuição das sesmarias e  fragmentação da terra pelos respectivos descendentes dos colonos açorianos. Dessa forma  visando  um  melhor  aproveitamento  do  território  decide-se  assentar  essa  mão  de  obra  disponível. Em 30 de novembro de 1859 propôs o Presidente da província, Francisco Carlos  de  Araujo  Brusque,  ao  governo  Imperial  a  fundação  de  uma  colônia  nacional  em  terras  devolutas  à margem esquerda  do Ribeirão  de Mundéus  e próxima da antiga  estrada São  José-Lages com 9000 braças quadradas, ampliadas ao dobro por ato de 27 de  janeiro de  1866.(PIAZZA,1994) A Colônia Nacional Angelina é fundada em 10 de dezembro de 1860,  o  local escolhido para a  instalação era um  local de pernoite dos tropeiros que  transitavam  entre  o  planalto  e  o  litoral.  Porém  a  colônia  de  caráter  nacional  acaba  sendo  ponto  de  atração para as famílias alemãs da  região. As primeiras 8  famílias a chegarem na colônia  chegaram em 23 de março de 1861. Em 1873 recebe uma leva de 8 famílias alemãs num  total de 48 pessoas, que ao contrario das já estabelecidas na colônia são imigrantes vindos  diretamente dos estados germânicos.   

Em 17 de julho de 1907 o Governo Federal resolveu criar mais um núcleo colonial destinado  aos imigrantes europeus recém chegados. A região escolhida era de difícil acesso, estando  no mesmo contexto das demais colônias, de relevo bastante acidentado e solo pedregoso e  pobre  em  nutrientes. Os  imigrantes  destinados  a  ocupar  a  Colônia  Federal  Anitápolis   chegam em 1911, sendo distribuídos em 32 seções  todas com nomes de  rios, sendo das  mais  variadas  procedências  Alemanha,  Romênia,  Rússia,  Tchecoslováquia,  Inglaterra,  Espanha, Boêmia,  Letônia, Finlândia, mas  predominando  o  imigrante  germânico,  nos  três  anos seguintes o fluxo de imigrantes chegados a colônia foi intenso. 

 

*O Centro Comercial Principal se deve ao Porto de Desterro que escoava a produção regional para o mercado  interprovincial, os Centros Comerciais Secundários correspondem aos locais onde o fluxo vindo do planalto e das  colônias  era  concentrado  para  fazer  o  transporte  de  Lancha  até  o Mercado  Publico  na  Capital,  os  Centros  Comerciais Terciários são pequenas vilas que detém trapiche para o transporte embarcado capital/continente ou  vice-versa,  porem  devido  a  não  terem  ligação  com  o  caminho  de  tropas  escoam  somente  uma  pequena  produção colonial.

 

 

Dinâmica local e Regional

Os  alemães  após  receberem  os  seus  lotes,  sementes,  uma  enxada  e  uma  espingarda,  partiam  para  a  derrubada  da mata,  da  qual  tiravam  a madeira  para  construção  de  suas  casas  de  pau-a-pique,  e  na  clareira  aberta  se  dava  o  inicio  das  primeiras  lavouras  com  gêneros  voltados  a  subsistência  da  família  como  mandioca,  milho  e  feijão.  Depois  de  realizadas  as  primeiras  atividades  no  habitat  rural  os  colonos    tinham  como  prioridade  a  construção  de  uma  capela  para  saciar  a  vida  religiosa,  a  simples  capela  era  o  ponto  de  encontro espiritual e cultural, meio de integração social para onde convergiam as naturais e  legitimas aspirações da comunicação (JOCHEM, 1992). Como os imigrantes eram católicos  ou protestantes é comum nas colônias a presença das duas igrejas. As capelas geralmente  se  estabeleciam nas  sedes  das  colônias,  quando da  grande distancia  com  a  sede  ou  por  divergências na comunidade, eram construídas capelas nas linhas de ocupação. Nas sedes  se  estabeleciam,  alem  das  igrejas,  a Direção  da  colônia,  o  comercio  do  sistema  colôniavenda  e alguns colonos artesãos. 

Em  1845  o monarca D. Pedro  II  quando  em  visita  a  província  de Santa Catarina,  decide  banhar-se  nas  águas  termais  de  Caldas  do  Sul,  hoje  Caldas  da  Imperatriz.  Para  a  passagem  do monarca  foi  recuperado  um  trecho  da  estrada...recuperando,  arborizando  e  embandeirando  o  trajeto...tal melhoria  foi  a  gota  dgua  para  a  transferência  definitiva    do  trajeto do vale do rio Maruim para o vale do Rio Cubatão(JOCHEM,1992), com a mudança  do  eixo  comercial  as  colônias  da  variante  do  vale  do  rio  Maruim  ficaram  totalmente  dependentes do mercado da capital, além de o trajeto ir se deteriorando com o passar dos  anos.  As  colônias  do  vale  do  rio  Cubatão,  por  onde  passava  o  imperial  caminho(denominação dos colonos ao caminho de tropas)foram beneficiadas pela logística  do transporte do gado, e pelas consecutivas melhorias que esta recebeu, sendo hoje parte  da moderna BR 282. 

Como muitos dos imigrantes não eram agricultores, estes adotaram a técnica agrícola que

os  Luso-brasileiros  adotaram  dos  indígenas,  idêntico  ao  sistema  de  pousio,  a  coivara  ou  sistema de rotação de terras primitivo que consiste em queimar a mata, cultivar a clareira  durante alguns anos e depois deixá-la em descanso, revertendo em vegetação secundaria,  enquanto  nova mata  é  derrubada  para  ter  o mesmo  emprego(Waibel,1958). Os  colonos  aplicaram essa técnica em suas pequenas propriedades, gerando o rápido empobrecimento  do  solo  comprometendo  a  produção  da  qual  teria  de  tirar  seu  sustento,  como  afirma  Waibel(1958)os  pequenos  proprietários  europeus  não  poderiam  aplicar,  por  gerações  o  sistema agrícola mais primitivo do mundo sem perder elementos essenciais da sua cultura e  tradição...muitos colonos alemães, italianos, polacos e ucranianos tornaram-se verdadeiros  caboclos  , gente extremamente pobre, com muita pouca ou nenhuma educação e vivendo  nas casas mais primitivas.... 

Com  o  habitat  rural  constituído  e  a  ajuda  dos  filhos  nas  lavouras  as  necessidades

alimentares  das  famílias  começaram  a  ser  saciadas  com  os  gêneros  produzidos  e  deste  começou a sobrar um pequeno excedente, o qual possibilitou a troca por outros gêneros. As  sedes  das  colônias  sempre  estavam  dispostas  sobre  os  principais  caminhos  existentes,  como  a  confluência  de  estradas  coloniais  e  o  trajeto Planalto-Litoral,  fator  geográfico  que  garantia  que  a  sede  fosse  o  ponto  central  de  articulação  entre  o  hinterland  rural*  e  o  contexto socioeconômico provincial. A partir desse momento começa a diferenciação social  com  o  surgimento  de  uma  serie  de  pequenos  comerciantes  através  de  uma  rede  de  articulações favorecidas por relações de amizade e a geografia da colônia. Devido a grande  quantidade de pequenos vales, muitos colonos  instalados em  linhas de ocupação distante  das sedes  tinham dificuldades de  trazer seu pequeno excedente ate o vendeiro  localizado  próximo ao caminho de  tropas, geralmente na sede da colônia, por sua vez algum colono  mais  bem  localizado,  no  encontro  do  afluente  com  o  rio  principal  e/ou  que  possui  uma pequena venda mas ainda pratica a agricultura, começa a fazer o intermédio entre aqueles

produtores e  o  vendista  da  colônia,  se apropriando  de parte  da mais-valia  do  produtor. O  vendeiro localizado na sede e/ou na intersecção de algum caminho colonial com o caminho  de tropas, concentra a produção da colônia, (ou de parte dela quando da concorrência com  outro  ponto  central)  e  faz  o  intermédio  com  os  tropeiros  que  se  deslocam  no  sentido  planalto-litoral ou inverso, pelo caminho de tropas, os quais trazem a produção colonial até  os mercados consumidores. As trocas são feitas pelo escambo e a relação com os tropeiros  resultou na aquisição de algumas cabeças de gado pelos vendeiros e posteriormente pelos  colonos.

Com a introdução do gado nas colônias os colonos passaram a utilizar o sistema de rotação  de terras melhorada substituindo o trabalho humano pelo animal, através do uso do arado,  conseguindo melhores  plantações. Com mais  excedentes  agrícolas  o  colono melhora  seu  nível  socioeconômico,    não  mora  mais  em  casas  de  pau-a-pique  e  sim  em  casas  de  enxaimel, de  forte  caráter germânico. O  colono que em sua  terra natal era  servo  tinha na  sua  segurança  alimentar  produtos  derivados  de  animais,  processados  por  eles mesmos,  como o queijo e o embutido, nos vales litorâneos adjacentes a Desterro, a incorporação do  gado bovino e suíno na propriedade agrícola, alem do uso do arado, permitiu que os colonos  detentores da técnica de processamento, produzissem queijos e embutidos para o consumo  próprio e algum excedente para ser comercializado, no qual conseguiam melhores preços  devido ao valor agregado no processamento da matéria prima. Porem somente os colonos  assentados na planícies fluviais ou em áreas pouco íngremes, com bom solo, puderam ter  um  pequeno  excedente  suficiente  para  adquirir  alguma  cabeça  de  gado  e  também  poder  aplicá-la  na  sua  propriedade,  se  diferenciando  daqueles  assentados  em  áreas  bastante

íngremes,  onde  o  colono  tinha  colheitas  menores,  e  se  conseguisse  a  custa  de  muito  esforço alguma cabeça de gado não poderia utilizar o arado em  função da declividade do  relevo, como observa CRUZ(2008)  a  inviabilidade do arado e de  técnicas mais modernas  de plantio repercutia num retardo das colheitas. As trilhas coloniais com o passar dos anos  são ampliadas e melhoradas, com o aumento da produção começam a surgir os primeiros  engenhos  (movidos  a  água  ou  tração  animal)  nas  linhas  de  ocupação  e  nas  sedes  das  colônias,  o  dono  do  engenho  também  se  diferenciava  socialmente  pois  ao  processar  a  produção alheia  recebe a  terça ou a meia parte do produto  final assim como na pequena  produção  mercantil  açoriana.  Para  os  vendeiros  o  gado  adquirido  consistia  em  uma  facilidade  e  aumento  do  transporte  dos  gêneros,  assim  muitos  vendeiros  passam  a  se  dedicar somente a atividade comercial. No caso dos comerciantes das linhas de ocupação a  centralidade exercida por sua venda e a Capela viria a constituir a sede de uma comunidade  e em alguns casos, futuramente elevados a categoria de distrito, como Barra Clara e Garcia  no atual município de Angelina. O vendeiro bem localizado, na sede ou não, que adquirisse  certa quantidade de gado e meios de estocagem da produção, se liberta do serviço prestado

pelo  tropeiro  passando  ele mesmo  trazer  a mercadoria  até  Lages  ou Desterro,  porem  no  caso de Desterro que exercia maior influencia sobre o circuito da produção colonial devido a  sua rede urbana dentritica, os comerciantes ao chegar a orla litorânea, São José da Terra  Firme,  Palhoça  e  São Miguel  acabavam  por  intercambiar  a mercadoria  com  os  caixeiros  viajantes os quais, através do pagamento de  frete para o  transporte de Lancha até a  Ilha  vendiam as mercadorias no Mercado Publico da Capital. A grande quantidade de agentes  na comercialização da produção colonial se deve a especificidade do sitio no qual se fez a  colonização.  As  Serras  do  Leste  catarinense  constituem  um  ambiente  montanhoso,  dissecado por vários cursos dgua, constituindo uma serie de vales, porem os cursos dgua  não  são  navegáveis,  ficando  o  escoamento  da  produção  regional  refém  da  precariedade  (principalmente após as chuvas) dos caminhos coloniais e do próprio caminho de tropas, no  qual  a  irregularidade  do  relevo  tinha  de  ser  vencido    por  caravanas  de  mulas,  ou  por  carroças. A grande quantidade de agentes na comercialização implica em maior extração de  mais-valia  do  colono,  pois  para  o  produto  ter  aceitação  de  mercado  o  preço  inicial  de  aquisição tem de ser baixo para sustentar o rendimento dos demais agentes. 

 

 *Compreende-se aqui, por hinterland rural a região na qual uma localidade, vila ou cidade exerce

influencia, os fluxos(produtos e informações) de uma determinada região rural são intermediados

com o mundo exterior pela centralidade da sua sede.

 

 

Quando  os  filhos  estavam  em  idade  adulta  e  casavam,  os  colonos  que  tiveram  bons  rendimentos na agricultura e/ou uma pequena acumulação de capital através do comercio  puderam comprar terras para seus filhos nas novas frentes de colonização na região, porém  os colonos mais pobres acabaram por ter de dividir o pequeno lote colonial, que assim como  aconteceu  com  os  açorianos,  os  lotes  retangulares  ficaram  cada  vez  mais  estreitos  e  compridos,  os  quais  devido  a  menor  quantidade  de  terras  para  o  plantio,  forçavam  o  produtor  a  reduzir  o  tempo  de  pousio  do  solo  acelerando  seu  esgotamento.  Muitos  descendentes  de  colonos  migravam  em  busca  de  melhores  terras,  ou  abandonavam  o  campo para vender sua força de  trabalho na cidade. Os que se mantiveram nesse habitat  rural,  continuaram  a  usar  a  rotação  de  terras  primitiva,  devido  a  seu  baixo  custo  de  aplicação, e ficaram reféns do vendista da localidade, em condições de estrema pobreza.

Com muitos colonos, cada qual produzindo um pequeno excedente, e a  logística prestada

ao transporte do gado, pois com o processo de ocupação dos vales litorâneos por colonos  europeus,  as  relações  comerciais  litoral-planalto  se  avolumaram...(CAMPOS,  2004),  as  sedes das colônias se transformaram em pequenas vilas, onde muitos artesãos puderam se  aplicar somente a sua  técnica, deixando de  lado a agricultura, surgindo pequenas oficinas  artesanais com destaque para Santa Isabel e Teresópolis.

As  colônias  Santa  Isabel  e  Teresópolis  tiveram  uma  boa  diversificação  nas  atividades  desenvolvidas  na  colônia,  devendo-se  ao  fato  de  que  muitos  imigrantes    eram  comerciantes e artesãos nos seus estados germânicos, Outro fator de grande  importância  foi que a partir da segunda metade do sec. XIX a variante do caminho de tropas que passa  pelo  vale  do  Rio  Cubatão  torna-se  o  principal  eixo  comercial  planalto-litoral,  sendo  as  colônias  desse  vale,  beneficiados  pela  logística  e  relações  comercias  com  os  tropeiros(primeiramente escambo, depois compra/venda) entre a produção colonial(gêneros  agrícolas, derivados de matéria prima animal e semi-manufaturados) e bens não produzidos  na  colônia(querosene,  sal),  assim  como  das melhorias  que  o  caminho  recebeu.  Porem  o  crescimento econômico desses locais centrais era controlado pela concorrência natural que  um exercia sobre o outro em  função do baixo adensamento populacional, pois as  funções  centrais eram as mesmas, sendo a região complementar de cada centro determinado pela  distancia e topografia. Das iniciativas artesanais nessas colônias são raros os casos de que  tenham  constituído  uma  acumulação  de  capital  consistente  para  resistir  as  oscilações  do  mercado, a Fábrica de Bebidas Leonardo Sell, em Rancho Queimado(antiga Santa Isabel) é uma dessas iniciativas e hoje abastece todo litoral sul centro e sul de Santa Catarina.

Com as melhorias das estradas Os produtos dos municípios vizinhos começaram a chegar  com  mais  facilidade  aos  pontos  de  embarque  até  o  porto  da  Capital.  Este  movimento  favorecia o crescimento de São José, Palhoça do Estreito, locais onde se concentravam os  produtos que seriam transportados para a Ilha.(ANDRADE, 1981) Depois do transporte de  Lancha, com exceção do gado vivo que  tinha de nadar até a  Ilha,  os produtos vindo das  colônias e a carne de boi eram vendidos nas feiras livres, realizadas ao lado da Alfândega,  onde hoje é o mercado publico, todas as terças- feiras.(ANDRADE, 1981)

Desterro  no  século  XIX  havia  desenvolvido  uma  burguesia  comercial,  em  função  do

comércio de cabotagem que se utilizava de seu porto, que foi o mais importante da província  nesse  século, para o escoamento da produção da  ilha e  faixa  litorânea, estando o  capital  comercial local submetido ao capital comercial do Rio de Janeiro. Ao aumento da demanda  de gêneros alimentícios  foi acompanhado pelo aumento da produção nas colônias alemãs  que passaram a se destacar na pauta de exportações com seus produtos hortigranjeiros e  semi-manufaturadas(HUBENER,1981)como também se observa no relato do Presidente da  Província  em  1877  como  é  sabido,  é de Angelina,  de Teresópolis  e Capivari, que  vem o  abastecimento semanal ao mercado da capital. É talvez a parte da província onde menos se  despende com melhoramentos materiais, de que os habitantes se ocupam tanto quanto lhes  permitem os fracos recursos(JOCHEM,1992). 

Na  passagem  para  o  século  XX Desterro  tem  seu  nome mudado  para  Florianópolis,  em  homenagem ao Presidente da Republica Floriano Peixoto. Nas primeiras décadas do século  XX a Ilha de Santa Catarina é marcada por duas tendências, a queda da atividade portuária,  em função do predomínio de navios a vapor, de calado maior e por isso inviáveis ao porto  da capital, e pela estagnação da atividade agrícola, que dependia do porto para exportação.

Com  a  decadência  da  navegação  de  cabotagem,  a  produção  das  colônias  perderam mercado, pois o que não era consumido pela população da Capital era encaminhado para o  mercado interprovincial pelo capital comercial de Desterro.

A economia na  Ilha estava estagnada,  se baseava nos excedentes  tributários do  resto do  Estado  em  função  da  administração  publica,  e  esta  estava  ameaçada  pois  Florianópolis  estava  prestes  a  perder  a  condição  de  Capital,  pois  havia  uma  forte  corrente  política  defendendo  sua  transferência  pra  outras  cidades  do  interior  do  Estado.(ANDRADE,  1981)Essa  corrente  reclamava  que  em  função  dos  motivos  de  estagnação  acima  mencionados  a  Ilha  não  teria  meios  para  se  desenvolver  assim  como  pela  falta  de  integração com o restante do estado devido a precariedade da ligação Ilha-Continente. Para  evitar a mudança da Capital o Governador Hercílio Pedro da Luz contraindo empréstimos de  Bancos Norte-Americanos inicia a construção de uma ponte afim de resolver o problema da  integração regional. Com a construção da ponte e sua inauguração em 1926, recebendo o  nome  de  Hercílio  Luz,  Florianópolis  firmou-se  enquanto  Capital  do  Estado,  substituindo  definitivamente  o  transporte  por  lanchas  realizado  de  São  José  e  Palhoça  sentido  Ilha.  Dessa  forma,  com  o melhoramento  da  estrada  Lages  -  Palhoça  e  a  principal  barreira  do  meio físico rompida, o colono ambulante teve mais facilidade para chegar a orla marítima, e  nela livre do serviço de transporte embarcado, podendo ele mesmo trazer sua produção ao  mercado  da  capital,  conseguindo melhores  preços  e  gerando  uma  pequena  acumulação  pré-capitalista,  sendo  capaz de atuar  como  capital  comercial no escoamento da produção  dos  demais  produtores  tornando-se  a  base  do  comercio  regional.(CRUZ,2008).  O  surgimento  do  colono  ambulante  diminui  a  rede  de  comercialização,  porem  o  colono  produtor continua a ser explorado, enquanto o colono ambulante o qual no começo realizara  o  transporte com carroças, na relação capitalista da qual faz parte extraindo mais valia do

produtor, capitaliza-se, e posteriormente adquire armazéns e caminhões para estocagem e

transporte da produção.

 

Pós década de 30

Na década de 30 a economia mundial estava em recessão devido a crise na Bolsa de Nova  York(1929), as idéias de Keynes começam a ganhar força, e a intervenção do Estado passa  a  ser  necessária  na  regulação  da  economia  que  se  encontrava  organizada  pelas  leis  do  mercado. No Brasil, Getulio Vargas  inicia o processo de  industrialização brasileira através  da  via  Prussiana,  com  políticas  de  substituição  de  importações  e  criação  de  empresas  estatais do setor de bens de capital. Em Santa Catarina a região de colonização alemã no  vale do Itajaí e nordeste do Estado são beneficiadas por essas políticas e fundamentam sua  industrialização.  Em  Florianópolis  e  vales  litorâneos  adjacentes,  devido  a  condicionantes  sócio-espaciais diferentes dos núcleos coloniais anteriormente citados, como a falta de uma  pré-acumulação  capitalista  consistente,  além  da  desestruturação  do  porto  no  começo  do  sec. XX, a situação continua a mesma.  Somente após a década de 50, quando as forças  capitalistas  imprimem uma característica urbano  industrial sobre o cenário agro-exportador  da economia nacional é que Florianópolis é afetada pelas  transformações em curso. Alem

da transferência e criação de instituições estatais, Eletrosul e UFSC respectivamente, sendo  que com a criação da Universidade diversas empresas de tecnologia viriam a se instalar na  região, Florianópolis é integrada ao cenário nacional através da BR 101, no sentido Norte-Sul acompanhando a linha de costa, concluída em 1971 e ao cenário estadual, através do  asfaltamento  da  BR  282,  concluído  em  1981,  e  consecutivamente  sua  expansão  sentido  oeste. O aprofundamento da rodoviarização permitiu que os circuitos alimentares regionais  de  Florianópolis  fossem  atravessados  por  circuitos  estaduais  e  nacionais,  que  somado  a  redução  gradual  das  propriedades  rurais,  devido  as  repartições  pelas  sucessões  hereditárias, representou um decréscimo na produção de gêneros alimentícios por parte das  colônias. Com a formação do Pólo Turístico e Tecnológico e a valorização fundiária gerada  pela BR-101  e BR282  formou-se  na  região  um  alto  adensamento  urbano,  conurbando  as  cidades  de  Florianópolis,  São  José,  Palhoça  e  Biguaçu.  Esse  inchaço  populacional  em  grande parte é  reflexo do êxodo  rural  regional e estadual, alterando a base da  segurança  alimentar  existente  até  então,  pois  o  pequeno  excedente  comercializável  do  colono  era  compensado por haverem muitos colonos, assim suprindo as necessidades alimentares da  pequena população urbana, com o êxodo  rural e a urbanização,  ficam poucos produtores,  cada qual produzindo seu pequeno excedente, para uma população urbana cada vez maior.

Com  uma  demanda maior  que  a  oferta  o  preço  do  alimento  aumenta,  como  a  produção  agrícola da  Ilha é praticamente ausente, e as populações das áreas rurais de colonização  alemã,  estavam  em  processo  de migração  campo/cidade,  o  abastecimento  alimentar  de  Florianópolis,  em  grande  parte  provinha  de  outros  estados,  resultando  em  preços  mais  elevados devido a logística do transporte.

Nesse período, mais precisamente na década de 60, a sociedade global é marcada por uma  diversificação do capital, com a introdução destas relações de produção no campo, através da mecanização agrícola,  intensificação do uso de  insumos e do  surgimento do proletário  rural.  Essa  diversificação  do  capital  foi  denominada  Revolução  Verde.  Como  na  região  serrana próxima a Florianópolis predomina a pequena propriedade  rural, os colonos por si  só não tem condições de competir ou aderir a lógica do capital agrário, sendo necessário a  intervenção do estado. Na década de 60 os governos estaduais passam a ter autonomia na  criação  de  novos municípios,  antes  a  cargo  do  governo  Federal,  em Santa Catarina  são  emancipados 96 municípios, sendo que na região serrana foram sete emancipações. Dessa  forma a maquina estatal em sua menor escala administrativa é capaz de levar os serviços  públicos, como saúde, educação e infra-estrutura (melhoramento das estradas vicinais) mais  próximo dos pequenos produtores. Alem é claro de dar um impulso a economia urbana da  sede  em  função  dos  empregos  gerados  pela  administração  publica.  Segundo  Noronha(1996)o processo de criação de municípios muitas vezes provoca efeitos colaterais  positivos que não são facilmente detectados. Isto ocorre por exemplo, em relação ao êxodo  rural e principalmente regional. 

A  descentralização  levou  os  serviços mais  próximos  aos  pequenos  agricultores  porem  o  extensionismo  rural no Brasil ainda era embrionário, em 1948 o governo de Minas Gerais  em associação com a AIA (American International Association) cria a Associação de Crédito  e  Assistência  Rural  de  Minas  Gerais  (ACAR-MG)  que  tinha  por  tese  a  ideologia  norteamericana   de  que  o  credito  rural  orientado  associado  a  assistência  técnica melhoraria  as  condições  de  vida  do  homem  do  campo,  essa  tese  penetrou  com  muita  facilidade  na  America Latina, mesmo em governos de esquerda, ou seja, o capital monopolístico central  orientou  sua  reprodução  na  periferia.  Vale  salientar  que  a  modernização  do  sistema  alimentar, com a elevação social do pequeno produtor transforma o campo em consumidor  de  bens  industriais,  comprador  de  energia  e  num  processo  dialético  vetor  de  uma  nova  cultura.  Em  1954  o  governo  brasileiro  assina  um  convenio  com  o  governo  dos  Estados  Unidos,  apoiado  por  um  programa  de  ajuda  aos  países  subdesenvolvidos  deste  ultimo,  criando    o  Escritório  Técnico  de  Agricultura  (ETA).  Em  Santa  Catarina  foi  criado  o  ETAProjeto

 17, o qual introduziria as bases do extensionismo no estado em um período de até  quatro anos, a partir daí caberia ao estado catarinense desenvolver essa função. Em 1957 o governo Catarinense cria a Associação de Crédito e Assistência Rural de Santa Catarina

ACARESC, com seu primeiro escritório na cidade de São José. O trabalho de extensão visa  substituir  o  conhecimento  arcaico  e  tradicional  dos  descendentes  de  colonos  por  um  conhecimento  moderno,  calçado  na  ciência,  sendo  que  os  trabalhos  extensionistas  se  aplicavam  a  projetos  de  suinocultura,  bovinocultura,  avicultura,  horticultura,  silvicultura,  sistematização  de  várzeas,  através  de  cursos  de  curta  duração  realizados  em  centros  regionais,  no  caso  da  área  de  estudo,  em  Florianópolis  no  bairro  Itacorubi,  visando  a  profissionalização  do  agricultor.  Na  região  serrana  fronteiriça  a  Florianópolis  os  projetos  mais  expressivos  da  ACARESC  foram  os  voltados  a  horticultura  (  OLINGER,  1996).  Em  1989 o governo de Santa Catarina, segue as políticas do Governo de Collor, de abertura da  economia  ao  mercado  internacional  e  privatização  estatal,  e  liquida  a  ACARESC.  A  eliminação da ACARESC se deu através da fusão desta com a EMATER, EMPASC, IASC  criando  a  Empresa  de  Pesquisa  Agropecuária  e  Difusão  de  Tecnologia    EPAGRI.  Esta  tinha  a  função  de  realizar  pesquisa  e  difundir  esta  para  os  técnicos  enquanto  a  extensão

rural  ficou  a  cargo  dos municípios,  os  quais  não  possuíam  estrutura  nem  conhecimento  necessário para realizar a assistência técnica aos pequenos produtores. Hoje o trabalho da  Epagri na região serrana esta voltado para a difusão da silvicultura, com culturas exóticas,  como o pinnus eliotis e o eucalipto. Com o surgimento da agroindústria em Santa Catarina,  surgiu também o sistema de Integração, no qual a agroindústria escolhe os agricultores mais  bem estruturados, estabelecendo um acordo de parceria, no qual a agroindústria impõe um  pacote  produtivo  ao  produtor,  transformando  este,  indiretamente,  em  seu  proletário.  Na  região serrana esse sistema de Integração  se realiza com agentes hegemônicos voltados a  agroindústria avícola. 

Apesar  do  apoio  técnico  na  produção  o  sistema  de  comercialização  de  hortigranjeiros  encontrava-se estrangulado, não havia informação sobre o mercado e  a comercialização se  dava literalmente na rua porque o produtor e/ou atravessador não tinha outro espaço para comercializar. Na tentativa de organizar o sistema de abastecimento alimentar das grandes  cidades o governo federal editou, em 1972, o Decreto nº 70.502 criando o Sistema Nacional  de  Centrais  de  Abastecimento  -  Sinac,  que  regulamentava  sobre  infra-estruturas  denominadas  CEASAs(Centrais  de  Abastecimento),  que  concentram  a  produção  regional  em  um  único  ponto  para  assim  facilitar  sua  transferência  do  espaço  de  produção  e  a  distribuição  ao  comercio  varejista,  reduzindo  o  numero  de  intermediários  e  conseqüentemente o preço final do produto. Em 1976 é criada a CEASA na cidade de São  José,  sendo  que  em  1986  74%  dos  vegetais  e  frutas  comercializados  pelos  maiores  supermercados da área são adquiridos na CEASA/SC (ZEFERINO, 1989), porem devido a  sazonalidade da produção e do consumo, pois nos meses de verão a população da Ilha de  Santa  Catarina  aumenta  consideravelmente  em  função  da  atividade  turística,    parte  da

produção  é  importada  da  CEAGESP,  localizada  na  cidade  São  Paulo,  por  ser  a  maior  Central de Abastecimento do país e manter  relação  comercial com as demais  centrais do  território nacional, sendo que a CEASA/SC até o começo da década de 80 importava 80%  dos gêneros agrícolas(Prefeitura municipal de Florianópolis, 1978) Mais tarde, as linhas de  crédito  ao  pequeno  agricultor  garantiram  uma  produção  regional  mais  competitiva,  resultando  em  90%  a  50%  de  alguns  produtos  hortículas  consumidos  na  própria  região  metropolitana (PRATES & CORRÊA, 1987).

 

Conclusão

A colonização alemã na região de estudo, esteve inserida em um contexto de ocupação dos  espaços vazios do território, dando suporte a economia tropeira no trajeto planalto-litoral, e o  abastecimento com gêneros agrícolas ao mercado da capital e através do porto de Desterro  ao mercado interprovincial. Com a queda da atividade portuária no sec. XX tanto a pequena  produção mercantil açoriana quanto a alemã foram afetadas, e devido a  falta de uma préacumulação  de capital consistente, quando da industrialização brasileira pós década de 30 a  região  permaneceu  estagnada.  Florianópolis  desde  os  primórdios  da  ocupação  dos  vales  Litorâneos adjacentes exerceu atração sobre a região, na comercialização da produção rural  e  devido  a  sua  variada  oferta  de  bens  e  serviços  atraindo  fluxos  de  pessoas.  Com  a  dinamização  das  relações  capitalistas  de  produção  e  consecutivamente  a  urbanização  e  conurbação  de  Florianópolis  e  dos  municípios  continentais  limítrofes  a  ilha,  a  divisão  territorial do trabalho na rede urbana de Florianópolis  se acentua. A especialização de cada  territorio (município) vai depender do capital e técnica presentes em cada fração do espaço.

Quanto ao capital, na região este não se desenvolveu em seu viés produtivo, salvo por raras  exceções, mas sim na esfera comercial devido aos agentes necessários ao escoamento da  produção  colonial,  como  estes  agentes  por  sua  vez  são  os  mais  abastados  em  termos  fundiários,  de  acordo  com  as  condições  de  mercado  serão  capazes  de  investir  em  determinada  especialização  produtiva  rural.  Quanto  a  técnica,  esta  pode  ser  tradicional,  trazida  pelos  imigrantes,  ou    incrustada  no  meio  técnico  -  cientifico.  Na  região  de  colonização  alemã  os  trabalhos  extensionistas  da  ACARESC  voltados  a  horticultura  resultariam  na  especialização  produtiva  de  Antonio  Carlos(colônia  Leopoldina)  e  Águas  Mornas (Colônia  Vargem  Grande  e  parte  de  Santa  Isabel  e  Teresópolis)  tanto  por  estabelecimentos familiares como agroindustriais. A técnica tradicional por sua vez também  resultaria na especialização produtiva de certos municípios, em São Bonifacio (Teresópolis- Linha  Capivari)  a  técnica  de  processamento  de  embutidos  representaria  uma  forma  de  renda  para  pequenos  produtores.  Em  Angelina  a  técnica  de  processamento  de  queijos  transformaria  o município  em  um  grande  produtor  desse  produto,  sofrendo  influencia  da  rede urbana de Tijucas sobre a comercialização da sua produção. Vale salientar que nesses  municípios esses produtos derivados de matéria prima animal, e que possuem melhor preço  devido  ao  valor  agregado  na  produção,  em  muitos  casos  são  o  único  excedente  comercializável de pequenos produtores. Os gêneros produzidos na  região de estudo  são  comercializados  no  mercado  formal  e  informal.  No  mercado  formal  entraria  a  produção  comercializada por  redes de supermercados,  isso em  relação as hortaliças, e no mercado  informal  representado  pelas  feiras  e  sacolões,  alem  das  hortaliças  entrariam  os  produtos  derivados de matéria prima animal, os quais só são comercializados nesse circuito devido  ao  seu  caráter  informal,  pois  as  unidades  de  produção  familiares  na  grande maioria  dos  casos  não  estão  dentro  das  normas  da  fiscalização  sanitária.  Os  circuitos  regionais  de  Florianópolis apesar da estrutura do Ceasa - São José que deveria possibilitar ao pequeno  produtor  ele  mesmo  vender  seu  produto  ao  varejista  ou  consumidor  final,  acaba  sendo  passivo de agentes de intermediação, comerciantes locais e o colono ambulante, detentores  de capital e informação necessária ao escoamento da produção até o mercado consumidor,  enquanto  o  pequeno  produtor,  aquele  que  realmente  gera  o  valor  do  produto  pelo  seu  trabalho, continua em seu processo histórico de exploração.   

 

                      Apoio:

      

                              

 *Graduando do Curso de Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina e bolsista PIBIC/CNPq.

**Este trabalho constitui-se de resultados parciais do projeto de pesquisa, por mim realizado no Laboratório  de  Estudos  do  Espaço  Rural  (GCN/UFSC),  com  apoio  da  Pró-Reitoria  de  Assuntos  Estudantis  -  PRAE/UFSC e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico - CNPq . 

 

 

 

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Ponencia presentada en el XII Encuentro Internacional Humboldt "El Capitalismo como Geografía", La Rioja, Argentina - 20 al 24 de setiembre de 2010.

 

 





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