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Asunto:[encuentrohumboldt] 20/10 - A influência da criação do Parque estadu al turístico do alto ribeira, nO desenvolvimento de Iporanga, cidade do Vale do Ribeira – SP
Fecha:Lunes, 22 de Febrero, 2010  23:40:14 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..............org>

A influência da criação do Parque estadual turístico do alto ribeira,

nO desenvolvimento de Iporanga, cidade do Vale do Ribeira – SP.

 

the influence of the creation of the high ribeira Touristic state park on the development of iporanga, a town from Ribeira Valley - SP.

 

Fernanda Salvi Santos

– Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Estadual Paulista, UNESP Campus Rio Claro

 

Resumo:

O texto procura estabelecer a relação entre o desenvolvimento alcançado pela cidade de Iporanga, no Vale do Ribeira, sudeste do Estado de São Paulo, nos períodos anteriores e posteriores á criação do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, PETAR, a fim de mostrar as influências positivas que a implantação deste proporcionou para o aumento do desenvolvimento da cidade. Com o uso de dados levantados por recenseamentos demográficos, indicadores sociais de desenvolvimento, e também econômicos.

Palavras – chaves: PETAR, Iporanga, desenvolvimento, IDH, censos.

ABSTRACT:

The text seeks to establish the relationship between the development achieved by the city of Iporanga, in the Ribeira Valley, southeastern state of Sao Paulo, in the periods before and after the creation of the High Ribeira Touristic State Park, PETAR, to show the positive impact that the deployment of this has increased on the development of the city. Using data collected by census demographics, social indicators of development, and also economical.

Keywords: PETAR, Iporanga, development, HDI, census.

 

 

Introdução

O inicial objetivo deste trabalho é estabelecer as relações entre a criação do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, e de suas práticas ao longo do período destacado, no desenvolvimento sócio-econômico, alcançado pela cidade de Iporanga, no Vale do Ribeira, sudeste do Estado de São Paulo.

Através da análise histórica da região, procurar-se-á comprovar a dificuldade do Vale do Ribeira em atingir índices satisfatórios de desenvolvimento ao longo dos anos, e pela associação dos fatores ambientais e físicos da Região, que a caracterizam como a maior e ultima porção remanescente, contínua, do bioma de Mata Atlântica, não só do Estado de São Paulo como do Brasil. E é por meio desta análise histórica e sua comparação com dados atuais que se pretende elaborar este estudo.

Tratar de desenvolvimento em cidades do Vale do Ribeira, é uma questão deveras delicada, uma vez que existem muitas polêmicas sobre a região de menores índices sociais e econômicos do Estado mais desenvolvido da União, e ainda há a questão ambiental conservacionista, que não será descartada ao longo da discussão do texto.

Então, em suma, busca se comprovar a influência positiva do PETAR, sobre o município de Iporanga, sobre a ótica do desenvolvimento, em três de suas faces, a social, a econômica e a ambiental, além de mostrar todas as melhorias que coincidem temporalmente com sua instalação e seu funcionamento, e seu próprio desenvolvimento, ou seja através da comparação de dados referentes aos períodos anteriores e posteriores á sua criação.

 

O Vale do Ribeira

Localizado entre a Serra do Mar e o Oceano Atlântico, o Vale do Ribeira é, no caráter ambiental, uma das regiões mais importantes do Estado de São Paulo, por ser dotado da maior cobertura vegetal contínua de Mata Atlântica. Sua tipologia bastante variada, apresenta vegetações desde floresta tropical até áreas de mangue, sua importância pode, ainda, ser acrescida se relevada sua imponente rede de recursos hídricos.

Em meio ao Vale do Ribeira, situa-se a cidade de Iporanga, precisamente à latitude de 24º35’09’’ sul, e longitude 48º35’34’’ oeste, com uma altitude de 81 metros em relação ao nível do mar. Envolta pela Mata Atlântica, junto às margens do Rio Ribeira de Iguape , e na foz do Ribeirão Iporanga, é reconhecida devido à grande incidência de cavernas calcárias na área de seu município, aproximadamente 360 cavernas catalogadas, a maior concentração do Brasil e possivelmente do mundo.

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, PETAR, encontra-se entre Iporanga e a cidade de Apiaí. Possui aproximadamente 36.000 hectares de cobertura vegetal, é uma das últimas porções remanescentes de Mata Atlântica no estado de São Paulo. A paisagem formada por seus rios de águas cristalinas, vales, cavernas, cachoeiras, e exuberante fauna e flora, fazem do PETAR um dos importantes cenários do ecoturismo nacional.

Os fracassos ao longo das épocas

A história do Vale do Ribeira tem início no século XVI, com a ocupação da costa e a posterior fundação dos povoados de Cananéia e Iguape, por espanhóis e portugueses, seus portos proporcionavam a entrada e comercialização de mercadorias, o Rio Ribeira de Iguape fora a mais importante via de fluxo e acesso de pessoas e mercadorias, bem como seus afluentes, que permitiam penetrar pelas terras da região.

No século XVII, a descoberta de ouro na Serra de Paranapiacaba atraiu garimpeiros para a região, e deu condições para o início do desenvolvimento na região. Com a descoberta de abundantes minas de ouro em Minas Gerais, e a evasão dos garimpeiros do Vale do Ribeira , a agricultura que era subsistência, passou a ter maior valor na região. Porém, a expansão desse mercado esbarrou em uma série de obstáculos, que dificultaram a sua manutenção, relativos à produção, a concorrência mundial e as deficiências dos meios de transporte, levaram a rizicultura da região à decadência. Atenuando a situação, a cafeicultura no Estado de São Paulo movimentou os investimentos para outras regiões, com isso o Vale do Ribeira estava desprovido de incentivos para a reorganização da região.

Deste modo, a evidente dificuldade em promover o desenvolvimento na região, fez com que inúmeras medidas fossem estudas, algumas implantadas, mas todas esbarraram em entraves, físicos, culturais, ambientais e políticos. Com isso, a região da bacia do Rio Ribeira, em relação à economia do Estado de São Paulo, continua às margens dos processos de desenvolvimento da economia paulista.

Voltando á Iporanga, a habitação da área só ocorreu a partir de 1576, com a exploração do ouro de aluvião, por tal fato sua ocupação foi incentivada pela notícia da existência de riquezas em seu subsolo, mas só passou a ser reconhecida como município em 1936.

Como as demais cidades do Vale do Ribeira, Iporanga também apresenta índices de desenvolvimento muito abaixo da média estadual, Média do IDH-M em São Paulo: 0,814, segunda maior média do índice de desenvolvimento humano do país, enquanto Iporanga tem IDH-M 0,692, comparado aos índices de cidades do sertão nordestino do país.

Sobre o processo de implantação do PETAR, teve origem nas articulações do antigo Instituto Geológico e Geográfico (IGG) e em 1957, da formação de uma comissão especial que viabilizasse a criação do Parque. Com isso, o PETAR foi criado pelo decreto 32.283, de 19 de maio de 1958. Assim como o processo de tombamento da cidade de Iporanga, como patrimônio natural da humanidade, as vias para a efetivação do PETAR foram arduamente complicadas, o processo de efetivação foi marcado por inúmeros conflitos. Mesmo com a tão divulgada preservação ambiental e as propostas de turismo, como principais opções de promover o desenvolvimento na região do Alto Ribeira, o parque ficou em estado de total abandono, durante muitos anos. O processo voltou a ser focado, com a retomada do período democrático, e em 1983, iniciou-se a demarcação do PETAR, todavia, isso não diminuiu ou muito menos controlou quaisquer resistências ou conflitos.

A economia iporanguense era fundamentada nas atividades ilegais, como a extração do palmito e de madeira, ou irregulares como a mineração dentro do Parque. A única atividade que o agente de proteção ambiental considerava legalizada, era o funcionalismo público, que ocupava uma significativa porção da população. Essa condição gerava problemas, já que grande parcela dos iporanguenses trabalhava na clandestinidade.

 

O desenvolvimento e sua relação com fatores sócio-ambientais

Ao estudar a questão do desenvolvimento, relevando uma visão social acima da econômica, relacionada com questões de cunho ambiental conservacionista, fez-se necessário, além do entendimento dos processos históricos, a coleta de dados que pudessem comprovar e quantificar o desenvolvimento atribuído desde 1950, que precede a implantação do PETAR na cidade de Iporanga, com o simples intuito de estabelecer uma comparação entre os períodos antecessores e sucessores á tal implantação.

Brevemente ressalta-se algumas considerações conceituais de desenvolvimento, inicialmente a pesquisa utiliza da mescla entre as concepções de desenvolvimento, a visão reducionista, que restringe o desenvolvimento a dimensão do crescimento econômico, a mais usual. Suas limitações se notam pois, ao invés de acompanhar a ampliação das oportunidades das pessoas, revela o aumento da riqueza de uma sociedade, que pode vir acompanhado do aumento da desigualdade e da restrição das liberdades de determinados indivíduos ou grupos sociais, relativos a outros que a compõem essa sociedade.

Em contra partida, o discurso sobre desenvolvimento que se fomentou nas cooperativas, nas organizações não-governamentais e nos movimentos sociais de contestação acabou por destacar elementos normativos, o que no geral se traduz como um meio de ajuste, com o qual se pretendia destacar as dimensões que necessitavam estar presente nas iniciativas com a intenção de promover ou mesmo possibilitar o desenvolvimento social, o desenvolvimento humano, e o desenvolvimento integral.

Tais princípios revelam uma concepção de desenvolvimento que intenciona, realçar um aspecto onde os ganhos privados e sociais deveriam ser percebidos, como a dinamização econômica ou a diminuição da pobreza. A atual difusão do fundamento de desenvolvimento territorial também se insere neste caso.

A ocorrência desigual dos bons indicadores, além de não permitir que se fale de uma tendência uniforme, dificulta a identificação das razões pelas quais a mesma ocorre. Pode-se garantir, que a imagem de região pobre, estagnada e com economia, fortemente, agrícola está em transição, e dará lugar a uma diferenciação interna, de causas bastante redundantes e pouco conhecidas pelos próprios agentes do Vale do Ribeira.

Com isso, a opção de trabalhar e analisar dados censitários em uma visão mais econômica afim de traçar a evolução do desenvolvimento na cidade de Iporanga, mostrou-se mais condizente á pesquisa, mesmo com a dificuldade ocasionada pela incompatibilidade de dados levantados de um censo para o outro.

Embora os censos demográficos, elaborados e disponibilizados pelo IBGE, não detenham todos os mesmo tipos de dados, uma vez que durante os anos foi preciso à inserção de novas questões e a supressão de outras, consideradas mais e menos importantes á avaliação censitária respectivamente, foram as tabelas dos censos que forneceram os dados referentes ao consumo dos moradores de Iporanga, e por esse enfoque econômico, pretende-se mostrar a melhoria na situação e qualidade de vida da população, uma vez que se considera como fator de desenvolvimento a variação do poder aquisitivo da população, ou a renda per capita desta.

Para este trabalho optou-se por levantar dados referentes aos domicílios particulares permanentes, por utilidades existentes, segundo os Municípios, para as cidades de Iporanga e Registro, esta última cidade também situada no Vale do Ribeira, possuí uma história diversa á de Iporanga, mas os entraves ao desenvolvimento foram vencidos ao longo desses anos, seu maior crescimento se deu após a massiva chegada de imigrantes nipônicos á região.

Em seguida os gráficos mostram a evolução do IDH entre o período compreendido entre 1970 e 2000, para fins de comparação o gráfico apresenta os índices do Brasil, do Estado de São Paulo, de Registro, e de Iporanga, que neste caso é o alvo de estudo.

Gráfico1: Índice de Desenvolvimento Humano 1970 – 2000. Fonte: Autor. Elaborado á partir de dados do IPEA.

O gráfico1 mostra claramente a evolução do IDH, no período abordado, para a cidade de Iporanga o IDH sempre foi apresentado abaixo da média estadual, seu maior crescimento foi de 1970 á 1980, de 0,271 para 0,488, seguido por um período de quase estagnação entre 1980 e 1991, o baixíssimo crescimento na década de 80, é contrária a evolução do IDH em cenário nacional, já que essa década ficou conhecida como a década de ouro do desenvolvimento no país.

É importante ressaltar que foi justamente na década de 80 que o PETAR foi devidamente instaurado, o que forçou uma adaptação ás novas medidas de produção, extração, e sobrevivência, essa adaptação aparece ardorosa no gráfico, como não se consta a evolução do desenvolvimento humano de modo á atender as projeções, e também sem acompanhar os índices de desenvolvimento humano nem ao menos próximo ás variações Estaduais e nacionais.

Em contra partida, no período de 1991 á 2000, seu IDH volta a evoluir acima das médias, Estadual e nacional, uma das aparentes razões é justamente a adaptação aos novos parâmetros de sustento e sobrevivência acarretados ao município, que após décadas de insatisfação, revoltas, e oposições, começou á interagir mais com a população, procurando estabelecer maior contato e também mostrar alternativas para que a vida no município pudesse seguir positiva e proveitosamente com o parque.

Após a década de 80 a população de Iporanga começou a ser informada, instruída e conscientizada para que a sua relação com o PETAR não viesse á se transformar em mais uma medida mal sucedida de desenvolvimento, e ainda não foi apenas no caráter econômico que essas instruções ocorreram, o conhecimento sócio-ambiental da população foi acrescido, e tornou-se a base para todo o discurso de melhorias sobre a vida dos iporanguenses, uma vez que a intenção é de fazer com que a população retire seu sustento de atividades relacionadas ou dependentes do Parque, seja por estalagens, artesanato, alimentação, turismo, mas que deixassem de ver o PETAR como um projeto que os impedisse de explorar a área que agora pertencia ao parque. Esse contato e demonstração de interesse do corpo do PETAR, pela integração da população, renderam resultados á partir de 1991, e ainda mais se relacionado com uma nova fase política e econômica mais satisfatória para todo o país.

Não seria nenhuma surpresa notar que o IDH-E, referente á educação, tenha crescido nestas proporções, porém esse não obedece o mesmo padrão. Apesar de também sempre se apresentar abaixo das médias, nacional e estadual, o desenvolvimento relativo á educação mostra o acompanhamento destas mesmas médias, de modo que a quase estagnação apresentada no gráfico1 no período de 1980 á 1991, não aparece no gráfico2, mais uma vez em razão de ações também relacionadas ao parque, é conhecido o fato de que com a legalização do PETAR, foi necessária a instrução de pessoas, afim de capacitá-las á atender as necessidades empregatícias no parque, sendo para atender aos turistas, como guias de excursões, ou mesmo para trabalhos internos e administrativos do parque, e ninguém melhor do que as pessoas que conhecem a área abrangida por serem naturais dela. Para que essa instrução se desse da melhor maneira possível, a melhoria na educação foi cobrada tanto por ações do município e sua população como também pelo parque que tinha interesse em gerar mão-de-obra informada, além de trazer qualificação.

Gráfico2: Índice de Desenvolvimento Humano referente á variável Educação, 1970 – 2000. Fonte: Autor. Elaborado á partir de dados do IPEA.

Gráfico3: Índice de Desenvolvimento Humano referente á variável Longevidade, 1970 – 2000. Fonte: Autor. Elaborado á partir de dados do IPEA.

Apesar de ainda se manter abaixo das médias, Iporanga obteve um crescimento evolutivo proporcional ao dos demais considerados pelo gráfico3, esse crescimento implica também em se concluir que o desenvolvimento humano sobre a longevidade obteve melhoras significativas, não só na cidade de Iporanga como em todo o país, sobretudo no Estado de São Paulo.

A longevidade é uma variável que depende diretamente de infra-estruturas, políticas de saúde e sobre tudo de ações governamentais, mas também devemos relacioná-la á questões como educação, uma população instruída tem menor incidência de doenças que se propagam por descaso, falta de orientação ou mesmo ignorância nata. Com a evolução positiva da educação na cidade a evolução positiva da longevidade acabaria se mostrando por conseqüência.

Embora longevidade e renda sejam freqüentemente associadas, o próximo gráfico não fortalece esse tipo de associação, a disparidade entre as linhas do gráfico anterior relacionado com o gráfico4, á seguir, não permite qualquer relação, que leve a perceber a conexão entre as duas variáveis, nesse específico caso. Não se poder fazer qualquer associação sem uma avaliação mais profunda e detalhada, o que exigiria maior discussão sobre essas variáveis, e em razão aos objetivos do trabalho, esta discussão, infelizmente, se dará de modo superficial.

Gráfico4: Índice de Desenvolvimento Humano referente á variável Renda,1970 – 2000. Fonte: Autor. Elaborado á partir de dados do IPEA.

            Mais uma vez a linha de Iporanga é contrária as demais linhas apresentadas, se comparada diretamente com a linha azul de Registro, nota-se que são quase que inversamente proporcionais. O fato que desencadeou esse súbito crescimento no período compreendido entre 1970 e 1980, foi a construção da BR116, interligada com outros fatores, mas com o fim da obra a população que possuía vínculos empregatícios com esta, voltou a condição de desempregados ou aos empregos anteriores, os quais não proporcionavam grandes acúmulo de renda, por isso, o momento sub-seqüente ao término da obra da BR116, desacelerou esse crescimento da renda, que repercutiu na década seguinte.

            Interessante observar que após essa década o crescimento é retomado, e é cabível relacioná-lo com as atividades geradas pelo turismo do PETAR, nos anos 80 o projeto do parque foi consolidado, e buscou atender ás necessidades sócio-ambientais, da região onde se encontra, no caso a cidade de Iporanga, mesmo com a insatisfação e contrariando alguns moradores, uma parte significativa obteve a melhoria de suas rendas em razão das práticas do parque. Essa melhoria foi percebida no calculo do IDH-R de 1991 á 2000, quando após a baixa de 0,581 para 0,395, de 1980 para 1991 respectivamente, votou á crescer e chegou á seu ápice em 2000 com o índice de 0,592. E ainda que muito abaixo da média estadual 0,790, estava mais uma vez seguindo o comportamento contrário, enquanto as demais médias mostradas caiam Iporanga estava em ascendência.

            O fato de que enquanto todas as outras linhas ascendiam, e a de Iporanga declinava, novamente entre 1970 e 1980, mostra o que se comentou antes, de que os investimentos gerados pelo Vale do Ribeira não retornam ao Vale do Ribeira, para esse período Registro de mostra como exceção, uma vez que seu mega crescimento estava associado á novas culturas que chegavam ao município, a colonização japonesa rendeu á Registro a implantação de fábricas e cooperativas bem estruturadas, significativamente á frente de quaisquer outras em toda a região, Registro na construção da rodovia BR116, não forneceu mão-de-obra, como Iporanga e as demais cidades do Vale do Ribeira, mas sim maquinários e empresas, com mão-de-obra qualificada, por isso seu desenvolvimento relativo á renda foi muito superior, já que para Registro o investimento fora reaplicado no município.

 

 

            Não cabe á presente pesquisa ressaltar os motivos, pelos quais ás linhas referentes ao Estado de São Paulo e ao Brasil declinaram ou ascenderam, como dito anteriormente, elas estão nos gráficos apenas para que sirvam de parâmetros comparativos.

            Também não cabia discutir sobre a questão de Registro, mas essa tem serventia para demonstrar que nem todas as cidades do Vale do Ribeira estavam fadadas ao fracasso desenvolvimentista, e tão pouco desacreditadas, mas a proximidade com a capital estadual, pode ser apontada como uma importante engrenagem desse crescimento.

            Se para Registro sua localização auxiliou na questão do desenvolvimento, Iporanga por sua vez possui uma localização que muito dificulta o alcance de qualquer coisa, o relevo que circunda a cidade se mostra hostil, cheio de morros de declives acentuados, de solo pobre, um Rio meandrante, de grande vazão, e dotado de inúmeras e imensas planícies de inundação, impedem a implantação de qualquer fonte de renda que requeira especificidades, contrárias ás citadas, por isso a instalação de um parque que é ao mesmo tempo é voltado para a preservação e conservação dessa área tão peculiar e específica do estado, também é voltado para o turismo ambiental que pode proporcionar tanto noções de preservação e cuidados para com o meio-ambiente, como proporcionar atividades que complementem, substituam ou supram a renda dos moradores do município de Iporanga.

            Se ao falar de renda é atribuir relação econômica ao desenvolvimento, então agora há de se considerar o consumo ou poder aquisitivo da população, para estabelecer uma tendência ao longo dos períodos, como mencionado anteriormente, essa análise será feita sobre dados levantados pelos censos demográficos do IBGE, de 1950 á 2000. A tabela completa será adicionada aos anexos no final do trabalho.

            Antes de discutir os bens duráveis existentes nos domicílios, serão apresentados dados que mostram a estrutura dos serviços básicos na cidade, e assim denotar a progressão destes ao longo do período relevado. A importância de avaliar esses dados se dá em apresentar a evolução da melhoria das condições estruturais das habitações, proporcionadas pelas iniciativas públicas na vida dos iporanguenses. Afinal o desenvolvimento, aqui abordado, depende também do poder público, ora municipal outrora estadual, e ainda com a população, as infra-estruturas e serviços básicos prestados irão denotar, justamente, o quanto pode ser atribuído á esses poderes públicos do desenvolvimento decorrente, e do mesmo modo julgar as ações, iniciativas e participações, municipais e estaduais, bem como a falta delas.

Gráfico5: Serviços Básicos de 1950 á 2000, para a cidade Iporanga. Fonte: Autor. Elaborado á partir de dados censitários coletados pelo IBGE.

            De imediato o gráfico5 faz-se notar a melhoria na estrutura de serviços básicos, em 1950 pode ser assinalado como o levantamento das ausências dos serviços, já que a falta de saneamento básico e de abastecimento de água, era comum aos recenseados, deve-se relevar que para este censo os dados coletados eram poucos, e muito se diferem dos demais censos, no caso do saneamento básico só se levantavam questões se havia ou não este serviço no domicílio, não existiam opções como Rede geral ou pluvial de saneamento, ou fossa séptica, e para o abastecimento de água o censo tinha interesse em notar se o domicílio dispunha de rede geral de abastecimento, geralmente encanada, ou se dispunha de outra forma de abastecimento d’água não canalizada. As demais questões apareceram apenas nos próximos censos.

            Mesmo com tal ausência de levantamentos e disparidades entre as questões, pode observar-se que nas décadas seguintes esse quadro se falta de estruturas sofreu uma inversão. De acordo com uma ordem natural de evolução tanto dos serviços quanto do município, e até mesmo do país, então esse censo serve para conhecer a situação de Iporanga, e possibilitar a comparação com os demais censos.

            Os censos de 1960, 1970 e 1980, mostram a real melhoria dessas estruturas, a grande diferença é que para estes as questões sobre rede geral de saneamento, já eram aplicadas, e a inexistência das colunas quer de fato expressar que para estas décadas nenhum dos domicílios recenseados possuía rede geral de saneamento básico, isso em uma cidade do Estado de São Paulo, um dos primeiros á implantar rede de saneamento, em sua totalidade, certamente este caso de inexistência não era singular de Iporanga, outros municípios do Vale do Ribeira também obtiveram resultado zero nesta questão, inclusive entre eles Registro. O mesmo gráfico foi elaborado para Registro e será anexado ao trabalho no avançar das páginas, para que a comparação possa ser feita pelo leitor.

            Visualmente, o gráfico5 apresenta o aparecimento de novos dados e a benéfica mudança dos demais, é necessário salientar que o número de recenseados sofreu alterações, por isso a melhoria pode ser apenas visual, e não real de fato. Para sanar essa visualização, os dados serão transformados em porcentagens, mas anteriormente, ao considerar as três ultimas coletas, 1980, 1991 e 2000, o significativo crescimento das questões é indubitável.

            Mesmo que esse crescimento se dê, em uma pequena razão, as melhorias acompanharam justamente as três décadas de maiores índices do IDH, que já foram relacionados com todo o processo de implantação, adaptação e conseguinte evolução do PETAR. Razão pela qual se atribui relação positiva, mais uma vez, entre a existência do parque e o desenvolvimento de Iporanga. Visto que coincidências não passam de meros pensamentos superficiais sem quais quer sustentação teórica, ou, inocentes “achismos” ignorantemente desinformados.

            Quando analisados os dados em forma de porcentagens, fica claro que após 1980 o desenvolvimento das estruturas ocorreu de modo mais apreciável, sendo que o levantamento de 2000, é o que expressa as maiores porcentagens, esta razão permite entender que a evolução do desenvolvimento, direcionado ás estruturas e serviços básicos, se mantém em ascendência, e de mesma maneira espera-se a continuidade dessa evolução crescente para o futuro censo de 2010.

Gráfico7: Utilidades Existentes 1960 á 2000, Iporanga. Fonte: Autor. Adaptado de dados censitários coletados pelo IBGE.

            A relação entre as utilidades existentes nos domicílios e o desenvolvimento, mostra a evolução da aquisição de bens, em razão do aumento da renda e do poder de consumo das populações. O censo de 1950 foi descartado, por não levantar qualquer informação que pudesse acrescentar dados á esta parte da análise. As questões referentes á utensílios não constituíam o universo da pesquisa censitária até a década seguinte, 1960, com o passar dos anos e a ininterrupta evolução tecnológica, cada censo é dotado de novos utensílios, assim afirma-se que todos os censos diferem-se quanto á tais dados, e a grande dificuldade está em estabelecer séries de dados comuns á todos os levantamentos, quando possível, são poucos utensílios que possam ser considerados, para este trabalho apesar dos gráficos acima mostrarem todos os utensílios levantados, lembrando que foram adaptados á pertinência da pesquisa, apenas os dados que remetem quantias de rádios e geladeiras, são comuns, e por tal motivo, passíveis de análises e comparações.

            Durante a década de 60, deu-se a difusão das Antenas Emissoras de Rádios, pelo território paulista, firmava-se como um massivo instrumento de mídia e entretenimento, e demorou á ser substituído pelo aparelho televisor no Vale do Ribeira.  Em Iporanga cerca de 3% dos recenseando dispunham de rádios, enquanto que em Registro esse percentual era maior, cerca de 34% dos recenseados possuíam o aparelho. A dificuldade em adquirir alguns bens, pode ser encarada como falta de oferta destes na cidade ou na região comercial, á qual pertence à cidade de Iporanga, mas também o baixo poder econômico dos cidadãos era outro fator que implicava ainda mais nessas dificuldades.

            Ainda á respeito dos dados de 1960, percebe-se a ausência de geladeiras, pelos mesmos fatores comentados acima, como agravante temos o valor de mercado desse eletro-doméstico, se considerar que para essa década menos de 8% dos recenseados possuíam iluminação elétrica, a razão de comprar tal utensílio torna-se condicionada e reduzida, e assim dificultada. Esses argumentos podem explicar o valor de zero de geladeiras, entre os recenseados de 1960.

Gráfico9: Utilidades Existentes nos domicílios – Rádio e Geladeira, Iporanga e Registro, de 1960 á 2000. Fonte: Autor. Transformados á partir de dados censitários coletados pelo IBGE.

            O censo de 1970, mostra dados que revelam o desenvolvimento do poder aquisitivo dos iporanguenses, mesmo que não expressivo como o de Registro, lembra-se aqui que nessa década construía-se a BR116, como medida desenvolvimentista que ao mesmo tempo buscava a integração do território nacional. Os empregos gerados com a obra, bem como o acréscimo de renda para a população, repercute justamente sobre os bens matérias adquiridos. A porcentagem de recenseados com posse de aparelhos de rádio, aumentou para 30%, e com geladeiras o aumento foi de ínfimos 1,5%.

            Por mais inexpressivo que fosse esse crescimento, ele ainda comprova a melhoria na qualidade de vida da população da cidade, foram contadas doze geladeiras neste censo, isso remete, pensar que também houve aumento nos números de domicílios com rede elétrica, quatro por cento á mais de domicílios eram atendidos por eletricidade no censo de 1970, em Iporanga. Os processos e discussões para a definitiva instalação do PETAR, já estavam em fase de conclusão, e as iniciativas pró-desenvolvimentistas e preservacionistas começavam a ser apresentadas á população, na década seguinte 1980, muito dos avanços se deve á intervenções feitas para que possibilitassem o funcionamento do parque, e assim agrega-se, outra vez, importância á existência do PETAR sobre o desenvolvimento de Iporanga, com o diferencial que até então os crescimentos percentuais que mostraram esses desenvolvimentos foram de fato muito baixos, se comparados á outros municípios.

            Os dados de 1980 apresentam crescimento mais significativos que os anteriores, cerca de 12% á mais dos entrevistados possuíam energia elétrica, os que continham rádio eram 67%, e o número de pessoas com geladeiras cresceu 6,5% á mais que no ultimo censo, a população de Iporanga ainda tinha renda acumulada da obra da rodovia BR116, e também já iniciavam algumas novas alternativas para o sustento dos domicílios. A partir deste censo é que se pode comprovar o impacto do parque sobre o desenvolvimento da cidade, por que é em 1983 que o PETAR inicia suas atividades, e com essas promove o desenvolvimento e a melhoria nas condições de vida da população de Iporanga.

            O impacto do parque sobre a cidade, na ótica do desenvolvimento,é expressado no período seguinte, o censo de 1991, evidencia a benéfica influência sobre Iporanga, a iluminação elétrica passou a ser fornecida para cerca de 53% dos pesquisados, o aumento da rede elétrica foi forçado pelas pretensões de explorar o potencial turístico do PETAR, com isso a fiação acabou atingindo áreas que até então estavam á margem dessa estrutura. Claramente, se houve o aumento dos atendidos por energia elétrica, também ocorreu o aumento de bens de consumo que necessitavam dessa fonte, como televisores, geladeiras, rádios, que até então em sua grande parte eram á bateria convencional ou pilhas. O número de geladeiras havia subido mais 29%, e de rádios mais 8%.

            Contudo essa desaceleração do consumo de rádios marcava um novo momento. Tal aparelho de entretenimento fora substituído pelo televisor, que de 9% em 1980, foi para 38% em 1991, a uso da televisão como meio de lazer, proporciona á população uma nova visão do mundo, é pela mídia televisiva que novas idéias vão fomentar nas mentes e quereres do iporanguenses. Conhecer o mundo fora do Vale do Ribeira, fermenta a vontade de melhorar, de viver como se viviam nas telas, e também faz se conhecer a importância, mesmo que superficial, de cuidar do patrimônio ambiental, o interesse da população e a visão que detinham sobre o parque começam a se alterar, novas cooperativas virão á se formar, e as iniciativas conjuntas passarão a ser mais freqüentes.

             Finalmente, o censo de 2000, apresenta, como já se esperava, a continuidade desses acréscimos. Em 2000 mais de 73% dos recenseados possuíam energia elétrica, 62% já tinham televisores e geladeiras, 71% possuíam rádios, que continuavam a declinar em suas quantidades, nesse caso do censo de 1991 para o censo de 2000, a quantidade de pessoas que tinham rádios caiu 4%. O censo de 2000, estabelece o seguimento, a continuidade, da relação entre o PETAR e o desenvolvimento na cidade de Iporanga. Em 2000, o número de pousadas na cidade aumentarem, para atender a demanda gerada pelo turismo do parque. Organizações não governamentais começaram a participar de reuniões sociais de grupos de moradores, novos grupos surgiram, como associações de artesanatos, de guias de excursão, grupos culturais conseguiram se fazer notar aos olhos do poder público, e ainda novas iniciativas de cunho desenvolvimentistas e ambientais, foram criadas e disseminadas entre a população. Associações de agentes de turismos, de agricultores, artesãos, entre outros, gestores de empregos, e incentivadores do desenvolvimento sócio-econômico e ambiental, continuam a se fomentar e se organizar no município.

            Em contrapartida, há, ainda a necessidade de uma maior integração dos participantes dos processos geradores de desenvolvimento, mesmo no período de 2000 á 2007, ainda existem pessoas que continuam a se entender como marginalizados pelo governo, acerca de ações desenvolvimentistas. Com razão, pois após a instalação do PETAR, pouco mais foi feito para alavancar o desenvolvimento de Iporanga, a insatisfação continua a ser grande, e não se pode esperar que o parque supra uma maior parte da demanda de mão-de-obra da cidade, ou que o mesmo substitua órgãos estaduais, ou de maiores estâncias, na promoção de políticas em prol do desenvolvimento. Todo desenvolvimento que foi promovido, até então, pelo parque, veio primeiramente por interesse de se agregar desenvolvimento ao próprio parque, mas para tal era necessária a promoção do desenvolvimento na cidade, e assim se fez repercutir os devidos processos de desenvolvimento ora do parque sobre a cidade, e ora de Iporanga sobre o PETAR, deixando claro o mutualismo de seus interesses.

 

 

 

 

 

 

 

CONCLUSÕES FINAIS

O Vale do Ribeira está passando por uma sucessão de mudanças em suas estruturas sociais, as quais, além de não serem notadas em sua íntegra pelas organizações locais, são também conflitantes com as instituições existentes, que orientam o comportamento dos agentes públicos e privados. Isto reduz fortemente o alcance e a eficácia dos empreendimentos propostos pelas diferentes esferas de governo e também pelos programas de apoio ao desenvolvimento da região.

Quando se olha para a economia e as estruturas sociais do Vale do Ribeira, notam-se os sinais de mudança e um movimento de heterogenia, no qual a situação de êxodo rural, marca das últimas décadas, não aparece mais como tendência universalizada, por sua vez, a agropecuária deixou de ser a atividade principal, dando lugar a um crescimento de novas atividades, sobretudo de serviços, setor que mais cresceu nos anos noventa. Nas diferentes dimensões do desenvolvimento, apesar dos valores relativamente baixos, houve melhora dos indicadores de saúde e educação em oito municípios, ocorreu crescimento econômico em quase todos, e em apenas oito a cobertura florestal diminuiu (Chabaribery et al, 2004; Favareto & Brancher, 2005).

Dentre as oito cidades citadas no fragmento de texto acima, está justamente Iporanga, que como mostrado nos resultados teve uma significativa melhora em seus indicadores estruturais, sociais e econômicos. E ao mesmo tempo, que está pertence á este grupo, Iporanga se mantém exclusa ao grupo dos oito municípios nos quais a cobertura vegetal sofreu diminuição, já Registro é inclusa em ambos os grupos.

De acordo com essa ótica, a retórica do desenvolvimento sustentável surge como tentativa de elucidar, tanto as questões referentes á conservação ambiental quanto ás expectativas de dinamização econômica, baseadas no aproveitamento do potencial energético e paisagístico da região, sendo que o ultimo pode, ou deve, ser fortemente explorados pelo eco-turismo, no próprio contexto sustentável.

Em contra ponto ao turismo sustentável , o aproveitamento do potencial energético põe em destaque a grande polêmica á respeito da construção de barragens no Rio Ribeira de Iguape, e corre o risco de ser entendida como uma tentativa de contrariar tudo o que se foi proposto pelas criações dos parques e reservas na região.

Os moradores de Iporanga vêem as barragens como ofensivas tentativas de tirar suas terras, toda a região do vale do Ribeira, por seu processo histórico, não possuí grande confiança nos governos e suas políticas públicas, as barragens hoje pregam exatamente o contrário do que se buscava com a implantação do PETAR.

As iniciativas públicas parecem ter contribuir para a contenção da degradação florestal, que vêem ocorrendo rapidamente. Porém, o governo está criando inúmeros conflitos que envolvem as populações tradicionais, há também um discurso, demasiadamente utilizado pelas autoridades municipais, de que as políticas conservacionistas seriam nocivas à população local, por restringir a probabilidade de instalação de indústrias, e ainda a ampliação da atividade agrícola, comprometendo a dinâmica econômica local. Assim percebe-se que tais autoridades municipais desconsideram o fortalecimento de atividades relacionas ao turismo que podem ser desenvolvidas juntamente com a conservação das áreas, e também desconsideram o aumento agregado por esse ás outras atividades da cidade.

Se os poderes Estaduais e Municipais, apoiassem o estudo de casos específicos, em busca de curar feridas do desenvolvimento das áreas, com propostas fundamentadas e singulares para cada cidade, seria o início de processos que poupariam tanto a população, de inúmeras ações descabidas, e á si próprio, por de fato buscar a correta causa e a melhor maneira de se transformar esses entraves do desenvolvimento.

Nesse raciocínio que o presente trabalho procurou se orientar, e depois de muito se pesquisar, concluí-se que algumas medidas são impostas aos habitantes da região, sem qual quer informação do por que está acontecendo, de como irá acontecer, e o que é pretendido com o acontecimento. A simples ação de proporcionar, á população, informações dos projetos, de seus andamentos, de seus métodos, já amenizariam as divergências e contestações, o que facilitaria, ao menos uma parte dessas mudanças, e assim deixariam de serem assimiladas como imposições.

A implantação do PETAR, teve um árduo começo, e a velocidade com a qual se percebeu as implicações benéficas sobre o desenvolvimento de Iporanga, foi de fato lenta. Mas ao considerar toda a história na qual a cidade está imersa, o desenvolvimento que o parque propiciou, está condizente com a transformação de todo a região, embora fosse esperado que este desenvolvimento pudesse ser ao menos proporcional ao desenvolvimento do demais restante do país.

As razões, pelas quais o desenvolvimento de Iporanga não alcança maiores significâncias, podem ser atribuídas á fatores históricos e políticos, o interesse na região é bem outro, que não a conservação ambiental, a exploração calcária, madeireira, energética, ou outras, acabam por desviar ás atenções da medida que seria realmente eficaz, o turismo eco-ambiental estruturado, organizado, que com o passar do tempo e com sua maturação se tornaria sustentável, e garantiria a preservação da porção remanescente da Mata Atlântica.

Não é possível se instituir qualquer evolução sem que realmente se esteja preparado para arcar e sanar suas conseqüências, implantar parques e deixar que eles se mantenham sozinhos, é o mesmo que inundar uma reserva para barragem, nada além de problemas sairá de lá. È necessário pensar no suporte que será futuramente atribuído á estes parques, seja por meio de verba ou de estudos, ou mesmo por meio de fiscalização.

A completa instauração do PETAR levou demasiado tempo para ser concluída, e isso fez com que a população, que já era descrente no governo e suas medidas, desconfiasse ainda mais do sucesso dessa implantação. Anos após muito se discutir, pensar, avaliar, averiguar, e sobretudo lutar pelo parque, ele começa á exprimir o benéfico impacto sobre as estruturas físicas, sociais, econômicas, culturais, protecionistas, conservacionistas, ambientais e desenvolvimentistas, de Iporanga, ou seja, é válido afirmar que a criação do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, proporcionou e agregou desenvolvimento á cidade de Iporanga, ao sul de São Paulo.

Todavia, a análise mostrou quão diferentes são as preferências expressas pelas coalizões governamentais quanto às políticas de desenvolvimento desejáveis, reafirmando a dificuldade de se ajustar soluções que compreendam escolhas entre a imparcialidade e a eficiência e, sobretudo, entre conservação e desenvolvimento. Deste modo, concluí-se que apesar de vastas disparidades e dificuldades, a integração entre o PETAR e a população iporanguense, tende a evoluir de maneira vantajosa para ambos, desde que sigam se relacionando em busca de um mesmo objetivo, desenvolver e conservar, de maneira justa, prudente, e competente.

É necessária a corroboração das diversas frentes de governo, e das demais organizações, para se fomentar medidas de efetividade asseguradas na interdisciplinaridade que pode ser proporcionada pela conjunta ação dos envolvidos, demonstrando assim a seriedade e o envolvimento, tanto dos atos propostos, como dos próprios gestores. Só assim as questões refletidas nas problemáticas desenvolvimentistas poderão ser superadas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • CANDIDO, A.; Os Parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. São Paulo, Editora 34, 2001.
  • CAVALCANTI, A.P.B.;Desenvolvimento sustentável e Planejamento – Bases teóricas e metodológicas. Imprensa Universitária – UFC, Fortaleza;1997.
  • DEMO, P.; Metodologia Científica em ciências sociais. 3ed., editora Atlas São Paulo; 1995.
  • DIEGUES, A.C.; Comunidades tradicionais e Manejos Naturais da Mata Atlântica. 2 ed., Hucitec, São Paulo, 2004.
  • HOGAN, D.J.; CARMO, R.L. do; ALVES, H.P.F.; RODRIGUEZ, I.A.; Sustentabilidade no Vale do Ribeira. et alli, Ambiente & Sociedade, ano II, números 3 e 4, 1998-1999, p.151-175; Unicamp, Campinas, 1999.
  • SANTOS, F.S.; O PETAR, desenvolvimento e Iporanga: a influência da criação do Parque na cidade do Vale do Ribeira – SP. Tese de Conclusão de Curso, 54p., Instituto de Geociências e Ciências Exatas, UNESP Rio Claro, 2008.
  • SEVERINO, AJ.; Metodologia do trabalho científico. Cortez, São Paulo; 1996.
  • VEIGA, J. E.; Desenvolvimento sustentável – o desafio do século XXI. Ed. Garamond. Rio de Janeiro. (2005).

    Ponencia presentada en el XI Encuentro Internacional Humboldt – 26 al 30 de octubre de 2009. Ubatuba, SP, Brasil.  






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