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ENCUENTRO HUMBOLDT
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Asunto:[encuentrohumboldt] 150/09 - O PAPEL DA PROXIMIDADE COMO FATOR DE COMPETITIV IDADE NOS ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS – UMA ANÁLISE D A COORDENAÇÃO E CONCENTRAÇÃO GEOGRÁFICA DE EMPRESAS EM AGLOMERADOS
Fecha:Lunes, 23 de Noviembre, 2009  09:04:15 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..............org>

O PAPEL DA PROXIMIDADE COMO FATOR DE COMPETITIVIDADE NOS ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS –

UMA ANÁLISE DA COORDENAÇÃO E CONCENTRAÇÃO GEOGRÁFICA DE EMPRESAS EM AGLOMERADOS

 

Juliana Emy Carvalho Tanaka[1]

 

Resumo: A proximidade tem sido cada vez mais discutida nas análises geográficas, especialmente como fator gerador de dinâmicas ligadas á concentração geográfica de empresas que utilizam mecanismos de coordenação voltados ao desenvolvimento local e inserção global. A atual visão sobre a proximidade difere das abordagens tradicionais de medição de distâncias e cálculos de transportes, pois a concentração geográfica leva em consideração além das relações econômicas, as redes sociais e institucionais territorializadas.

Palavras-Chaves: Proximidade, Concentração Geográfica, Arranjos Produtivos Locais, Vantagens Competitivas

 

Abstract: The proximity has been more and more discussed in the geographical analyses, specially like factor creator of dynamic rings á geographical concentration of enterprises that use mechanisms of co-ordination turned to the local development and global insertion. The current vision on the proximity differs from the traditional approaches of measurement of distances and transport calculations, so the geographical concentration takes into account besides the economical relations, the social nets and institutional territorializadas.

Keywords: Proximity, Geographical Concentration, Productive Local Arrangements, Competitive Advantages.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Introdução

         As pesquisas atuais em Geografia Econômica, bem como em Economia Regional e Industrial, têm voltado suas capacidades nas questões referentes á proximidade e no seu papel de coordenação da dinâmica espacial. A noção de proximidade na atualidade extrapola a visão tradicionalista na qual reduz as preocupações apenas nos custos de transportes, se ocupando neste momento em superar esta visão através da coordenação, organização e regulação do território.

De acordo com PECQUEUR e ZIMMERMAN (1998, p.77), ao passar de uma concepção do espaço, apenas reduzida a noção de distância, aquela de um espaço com base na concepção de proximidade, impõem-se sobre a supressão de algumas restrições, tais como a hipótese de um espaço homogêneo e a análise anterior da formação de heterogeneidades, a supressão de uma teoria estática de dotações de fatores para examinar os processos de criação de recursos e o alargamento dos fluxos de informação, para além dos mercados e dos preços, considerados como instituição, permite assegurar a informação e os custos de distância. Através da evolução em relação á estas restrições, os autores persistem:

A superação desses limites constitui em si mesma, um programa de pesquisa focado na singularidade e na complexidade. Se o espaço está no centro da preocupação, temos que reconhecer que o fato de dois agentes serem vizinhos não implica, necessariamente, em melhor coordenação. Requerem-se outras condições que demandam expandir a análise da proximidade para além de um entendimento espacial único e a mudança do nível único de análise da relação interindividual para entrar na análise da construção de um nível coletivo (PECQUEUR; ZIMMERMAN, 2005, p.78).

Através da ótica de articulação entre determinadas condições específicas para a organização de empresas e do território no contexto da proximidade emergem os estudos acerca dos Arranjos Produtivos Locais, que tem na proximidade entre os agentes, suas imersões em redes sociais, institucionais de forma territorializadas através das relações econômicas fomentadas pela concentração geográfica. Deste modo, o território assume fundamental importância, pois define o ambiente no qual se localizam as empresas, além de poder influenciar no desenvolvimento econômico, articular espacialmente e institucionalmente os atores sociais, que por sua vez tem como finalidade a mobilização de recursos e ativos genéricos e específicos, incrementando o processo produtivo (BENKO e PECQUER, 2001).

A formação dos arranjos produtivos locais está associada á processos endógenos e historicamente constituídos, portanto de difícil reprodução em outros locais, possuindo assim, identidade e vínculos territoriais á partir da interação social e o envolvimento dos atores sociais e econômicos que promovam a tal interação, cooperação e confiança entre si. Tal sentimento de pertencimento á determinado grupo depende da realidade e da intensidade das coordenações existentes nos territórios.

Nos arranjos produtivos locais, as empresas encontram vantagens ao se estabelecerem próximas umas das outras, pois desta forma compartilham dos mesmos recursos em potencial que a localidade oferece, obtendo benefícios através de uma melhor coordenação do tipo horizontal (MATTEACCIOLI, 2004). Em um aglomerado deste tipo, pressupõe-se, uma inter-relação entre empresas especializadas, normalmente em setores correlatos que além de competirem entre si ainda possuem laços de cooperação. Os laços de cooperação e a intersecção entre os agentes envolvidos definem as vantagens competitivas locais, pois, os aglomerados podem de maneira ampla manifestar aumento de produtividade, maior capacidade de inovação e maior estímulo á formação de novas empresas que reforçam a inovação e ampliam o aglomerado (PORTER, 1999).

O enfoque da proximidade nos arranjos produtivos locais estimula a geração de dinâmicas locais e a construção de formas espaciais de ação coletiva, segundo GILLY e TORRE (2000, p.278), se dá por três caminhos principais. O primeiro através da noção de redes localizadas entre agentes, o segundo através de modalidades de desenvolvimento das relações de confiança e ou de cooperação, bem como a definição de regras comuns e a consideração do espaço e a integração das noções de proximidade nas análises sobre coordenação que se referem ao grau de desenvolvimento das instituições e governança dos territórios.   

Assim, a partir da ação coletiva localizada territorialmente, criam-se recursos específicos que estão arraigados no território, no contexto organizacional e institucional e que se constrói principalmente á partir da coordenação local entre os agentes e entre as atividades. Portanto, desta forma, estes recursos não são reproduzíveis em outros lugares. Dentre esses recursos tem-se a formação de conhecimentos tácitos que estão altamente vinculados á concentração geográfica, bem como uma atmosfera industrial favorável á inovação (GILLY e TORRE, 2000).

Portanto, a proximidade geográfica por si só não garante o uma posição privilegiada para esta ou aquela região, mas se estiver aliada á certo grau de coordenação seus agentes e empresas podem usufruir da proximidade espacial para se desenvolverem e desenvolverem seu território através de ações coletivas, criando desta forma certa dinâmica local de inter-relações, tanto na esfera global como local devido à articulação realizada entre proximidade geográfica e organizacional (GILLY e TORRE, 2000).

Objetivos

            O objetivo central deste artigo é discutir o papel da proximidade, nos Arranjos Produtivos Locais, especialmente sobre a análise dos mecanismos de coordenação entre agentes, da formação de recursos específicos e institucionais territorializadas e suas imersões nas relações mercadológicas.

            Para tanto, faz-se necessário a distinção entre a visão mais tradicionalista que reduzia á análise espacial ás distâncias de custos de transportes e mera medições de distâncias para uma análise mais ampla da dimensão espacial apoiada em uma complexa relação de coordenação dos agentes no espaço.  

            Ainda pode-se ter ainda como objetivo nesta discussão, a identificação da proximidade como um fator de vantagem competitiva destes territórios, fazendo-se necessário a compreensão, através da Geografia Econômica, dos tipos comportamentos de localização, o gerenciamento e geração de recursos, bem como de externalidades intrínsecas ao local.

            Portanto cabe á este artigo uma breve discussão sobre temas atuais na Geografia e Economia, em relação á analise espacial em especial aos Arranjos Produtivos Locais enquanto aglomerações territoriais de agentes não apenas econômicos, mas, sobretudo sociais e político, possuindo certo grau de enraizamento, governança, conhecimento tácito, alta capacidade inovativa, dentre outros fatores essenciais para a promoção destes territórios, competência para competitividade e inserção global para além da local.

 

Referencial Teórico e Conceitual

            A proximidade tem sido utilizada na literatura geográfica e econômica nas mais variadas abordagens teóricas. Neste momento procura-se romper com a visão tradicionalista da idéia de proximidade que consistia em estudos relativos a distâncias e custos de transporte. Nas pesquisas contemporâneas a proximidade é utilizada como uma categoria de análise das dinâmicas espaciais, especialmente aos mecanismos de coordenação (RALLET, 2002).

                                       En el marco de este enfoque se ha desarrollado en Francia a partir de principios de la década de los `90, un grupo informal definido “dinámica de la proximidad”, integrado por economistas industriales que se dedican al estudio de los aspectos espaciales y por economistas espaciales que se interesan por las problemáticas concernientes a la empresa y a la organización, ha desempeñado un rol precursor muy especial […], ha desarrollado una reflexión colectiva con el fin de poner en evidencia las convergencias y las coherencias en un ámbito que actualmente presenta una gran cantidad de nuevos enfoques teóricos sobre el espacio económico. Se basa en la idea común de que el espacio no es neutral y no tiene que representar un aspecto marginal en el análisis industrial (GILLY e TORRE, 2000, p.259-260) [1].


            As investigações acerca das dinâmicas da proximidade utilizam comumente os conceitos de território, espaço e organização vinculados á uma tradição, sob a qual a proximidade geográfica é grande facilitadora do desenvolvimento de interdependências mesmo que de caráter informal entre os diversos atores locais e que podem gerar uma dinâmica industrial específica. Portanto são utilizadas as noções de economias externas, relações informais, redes de interação, dentre outros para explicar a construção de um território á partir de ações e práticas sociais dos agentes econômicos e institucionais (GILLY e TORRE, 2000).

            Tal dinâmica industrial específica faz com que o território ganhe uma postura mais ativa e geradora de recursos específicos que não podem ser replicados em outros locais e estão ligados á acumulação de conhecimentos a aprendizagem coletiva cognitiva.

                                       Quanto aos recursos específicos, esses só existem no estado virtual e não podem em nenhum caso ser transferidos. Esses recursos nascem de processos interativos e constituem a expressão do processo cognitivo, que é engajado quando atores tendo competências diferentes produzem novos conhecimentos pela disponibilidade desses últimos. No momento em que conhecimentos e saberes heterogêneos são combinados, novos conhecimentos emergem abrindo novas combinatórias e possibilidades (BENKO E PECQUEUR, 2001, p.42).

 

A criação de um recurso específico arraigado no território é considerá-lo indivisível no contexto organizacional e institucional gerado á partir de ações coletivas localizadas, ou seja, de coordenação. Tal recurso não se reproduz em outro local, pois é resultado de mecanismos específicos de coordenação local entre os agentes e as atividades.

A questão da aprendizagem coletiva e a geração de recursos específicos estão altamente ligadas ao processo de inovação dentro de um aglomerado industrial, possibilitado principalmente pela especialização setorial, interação entre atores e o grau de confiança entre os agentes envolvidos.

[...] las relaciones que  implican la activación de los conocimientos tácitos refieren a la proximidad geográfica, mientras que las que se basan en los conocimientos codificados se fundamentan en la distancia. En este sentido, este enfoque, además de basarse en un concepto limitado de la relación  proximidad/distancia, desconoce que los conocimientos tácitos y los codificados coexisten en el ámbito de las empresas o de las redes, y no considera la importancia que tiene el tiempo en la evaluación de los efectos de la proximidad (es decir la existencia de etapas de apropiación  y de aprendizaje, de etapas de decodificación y recodificación de la información), ni el éxito de las etapas de procesos de capacitación y transferencia de las competencias que privilegian la movilización de los conocimientos tácitos y de los conocimientos codificados (GILLY e TORRE, 2000, p.275)[2].  

            Neste processo de produção, trocas e coordenação têm surgido com freqüência no debate geográfico e econômico, ênfase das relações entre o local e o global, especialmente de aglomerados industriais como campos territoriais regulatórios, meios dotados de certo dinamismo endógeno sob o qual características físicas, geográficas, humanas, institucionais e uma determinada atmosfera industrial (BENKO, 2002) culminarão no processo de revalorização da região.  Para ALBAGLI, (1998), o local configura-se como um subespaço ou um subconjunto espacial que envolve de certa maneira a delimitação ou o recorte territorial em termos econômicos, políticos e culturais. Sendo assim, o local é meio tanto para o movimento do capital como das mercadorias e do trabalho e da ação social.   

            Neste sentido têm chamado á atenção no âmbito dessas aglomerações os Arranjos Produtivos Locais, Distritos Industriais, Clusters, Sistemas Produtivos de Inovação, dentre outros tipos de designações para aglomerados de competitividade e solidariedade de economias locais e regionais. No Brasil existem diversos estudos empíricos, somados á uma ampla discussão teórico-conceitual, permitindo-se avançar-se para uma definição mais rigorosa do conceito de Arranjos Produtivos Locais. O serviço Brasileiro de Apoio a Média e Pequena Empresa – SEBRAE conceitua  Arranjos Produtivos Locais como:

Aglomerações espaciais de agentes econômicos, políticos e sociais, com foco em um conjunto específico de atividades econômicas e que apresenta vínculos e interdependência. Por meio desses vínculos, origina-se um processo de aprendizagem que possibilita a introdução de inovações de produtos, processos e formatos organizacionais, gerando maior competitividade para as empresas integradas ao arranjo. A formação de APL encontra-se associada a trajetórias históricas de formação de vínculos territoriais (regionais e locais), a partir de uma base social, cultural, política e econômica comum.

 

Outros autores, como PORTER (1999) utiliza o termo Aglomerações para definir concentrações geográficas de empresas inter-relacionadas, fortemente especializadas, prestadores de serviços, empresas de setores correlatos e outras instituições específicas (universidades, órgãos de normatização e associações comerciais) que competem, mas também cooperam entre si. Para este autor, um aglomerado para obter sucesso, deve superar ás restrições á produtividade e ao aprimoramento, como por exemplo, o foco na mão-de-obra mal qualificada e barata como forma de atração para empresas no conglomerado, especialmente nos países em desenvolvimento no qual falta acesso ao capital e há um subdesenvolvimento das instituições. O aglomerado deverá, portanto, superar também alguns efeitos não eficientes advindos da proximidade, como por exemplo, a imitação e investir em inovação como forma de competitividade e desenvolvimento econômico.

            Portanto, de acordo com COURLET apud MATTEACCIOLI (2004), através da operação e do modo de coordenação um sistema produtivo localizado é capaz não somente de gerar uma dinâmica industrial, mas se auto- reproduzir ao mesmo tempo por meio desses processos.

 

L’analyse des territoires montre que le développement se déploie á partir d’un système d’interrelations, de circulaction d’informacions, de proction et de reproduction des valeurs qui caractérisent un mode de proction. Cela signifie que les facteurs critiques du développement sont historiquement enracinés dans la réalité sociale et ne sont done pas facilement définitive, comme un processus social et non comme un processus uniquement thecnique (MATTEACCIOLI, 2004) [3].            

 

 

Principais Questões

           

            A análise dos Arranjos produtivos Locais colocam em evidência o papel da proximidade geográfica dentro da análise territorial. Entretanto para uma maior eficiência da proximidade repousam determinadas condições específicas de coordenação e articulação desta proximidade que gere recursos específicos e vantagens competitivas (MATTEACIOLLI, 2004; PORTER, 1999).

 

Les entreprises tirent avantage de leur implatation á proximité les unes des autres parce qu’elles partagent un même potentiel de ressources (non seulement en infrastructures collectives, mais aussi en savoir-faire, en compétences scientifiques et techniques, en recherche-développement, etc.). Cette proximité permet d’obtenir un bénéfice économique supérieur á celui résulterait de la simple addition des perfomances des firmes concernées (MATTEACIOLLI, 2004) [4] .

           

A eficácia dos arranjos produtivos locais advindos de atividades produtivas geograficamente concentradas se concentra na articulação de uma dinâmica econômico-industrial, ou seja, a proximidade organizacional e de uma dinâmica territorial, a proximidade geográfica, uma vez que não se trata mais de recursos genéricos e sim na geração de recursos específicos, criados á partir da relação e interação no interior do território. Daí também a importância das relações informais neste processo de criação de recursos e ativos específicos, bem como no processo de inovação e criatividade (GILLY e TORRE, 2000; MATTEACCIOLI, 2004, RALLET, 2002).

As condições da demanda, interna e externa também irão influenciar na evolução das empresas, a diferenciação de produtos e na inovação. Cada vez mais o mercado se torna exigente e os clientes mais sofisticados em busca de diferenciação de segmentos de mercados. Portanto, a qualidade da própria demanda irá influenciar fortemente o aglomerado na economia global (PORTER, 1999).

 

A evolução para uma economia avançada exige o desenvolvimento de acirrada rivalidade local. Esta deve se deslocar-se dos salários baixos para os custos totais baixos, o que exige o aprimoramento da eficiência na fabricação e na prestação de serviços. Em última instância, ela também deve ir além dos aspectos de custos, para incluir a diferenciação. Também é preciso que a competição evolua da imitação para a inovação e de baixos investimentos para altos investimentos, não apenas em ativos físicos, mas também em intangíveis, como habilidades e tecnologia (PORTER, 1999, p.224).

            De acordo com PORTER (1999), os aglomerados influenciam fortemente a competição, embora também cooperem entre si. Tal competição se dá através de três maneiras. Primeiramente pelo aumento em produtividade que se dá através do acesso á insumos e a pessoal especializado, ao acesso á informações (técnicas, de mercado e outras áreas especializadas que se acumulam dentro do aglomerado, nas empresas e outras instituições). Também a produtividade aumenta pela facilitação de complementaridades entre as atividades dos diferentes participantes, ao acesso á instituições e a bens públicos além de incentivos e mensuração de desempenho.

            Segundo, pelo fortalecimento da capacidade de inovação, pois de acordo com PORTER (1999), freqüentemente se torna mais fácil as empresas dentro de um aglomerado perceber com mais rapidez e clareza as necessidades de seus compradores, especialmente pela relação entre empresas e setores correlatos e um denso conjunto de entidades geradoras de informação especializada, discernindo assim tendências da demanda. Outro elemento a ser levado em conta em relação á inovação é a pressão competitiva dentro dos aglomerados típico da forte concentração geográfica.

            Como terceiro elemento, faz referencia ao estímulo á formação de novas empresas, pois os aglomerados possibilitam maiores incentivos, informações e oportunidades existentes. De acordo com estas três influencias, PORTER (1999) argumenta:

Cada uma de suas três grandes influências na competição depende, até certo ponto, dos relacionamentos pessoais, da comunicação face a face e da interação entre as redes de indivíduos e instituições. Embora sua existência torne mais provável o desenvolvimento desses relacionamentos, além de aumentar a eficácia da sua atuação, o processo não é de modo algum automático. Mecanismos organizacionais e aspectos formais e informais geralmente desempenham papel importante no desenvolvimento e funcionamento dos aglomerados [...] (PORTER, 1999, p.226).

 

            As redes sociais estão ligadas aos vínculos entre os atores que mantêm a coesão dos Arranjos Produtivos Locais. As redes de relacionamento extrapolam o âmbito da empresa para a formação de comunidades, o chamado capital social. Ainda de acordo com PORTER (1999), a noção de capital social se amplia ainda mais nos aglomerados ao tentar explorar como tais estruturas sociais – que se agrupam em uma localidade – produz benefícios para as empresas. Tais benefícios podem ser adquiridos principalmente pelo sentimento de pertencimento á determinada localidade, seus vínculos afetivos, sentimento de confiança e permeabilidade organizacional, dentre outros.   

                                      L’originalité de cette analyse est de mettre l’accent sur le rôle des individus dans les relations entre les organisations au sein de ce système local d’innovation. Les liens particuliers qui se nouent á travers les interactions et les interdépendances concernent principalement des relations informelles. Elles contribuent grandement à faire émerger des ressources spécifiques á travers des liens individuels et sociaux qui s’inscrivent à la fois dans la durée et dans le territoire. Elles constituent alors un ensemble de ressources partagées dont les dimensions sociales et symboliques sont determinantes (MATTEACCIOLI, 2004) [5].

 

            A compreensão das redes locais implica muitas vezes na imersão das relações econômicas nas relações sociais, como exposto acima e também nas redes institucionais. Na perspectiva regulacionista da economia, as instituições desempenham papel essencial no espaço e na abordagem geográfica, organizando normas impostas pela lógica da produção (GILLY e PECQUEUR, 1995). 

 

                                      [...] Em relação ao território, as instituições desempenham também importantes funções na organização da política local. Para Clingermayer e Feiock, estas funções derivam de três circunstâncias: na primeira, os arranjos institucionais moldam as ações individuais; na segunda, reduzindo as incertezas, as instituições estabelecem premissas para a decisão; na terceira, as instituições propiciam estabilidade nas escolhas coletivas. Em resumo, por serem territorializadas elas definem padrões significativos dos fenômenos sociais no espaço (CLINGERMAYER e FEIOCK, 2001, p. 3 apud CASTRO, 2003 p.14).

            Portanto, de acordo com PORTER (1999), as associações ou órgãos coletivos institucionalizam os elos do aglomerado, podendo proporcionar um foro neutro para a identificação de necessidades, limitações e oportunidades. Para o autor, os ,próprios aglomerados devem mobilizar iniciativas para o seu desenvolvimento. Com base em diversos casos de sucesso, ele apresenta algumas características em comum de diversos aglomerados bem sucedidos no mundo. Tais características envolvem uma visão compartilhada da competitividade e do papel dos aglomerados na vantagem competitiva, ligados á produtividade e á inovação. Maior foco na remoção de obstáculos e atenuação das restrições ao aprimoramento dos aglomerados. Uma estrutura que abarque todos os aglomerados do país em detrimento do privilégio á este ou aquele conglomerado. Fronteiras apropriadas, pois muitas vezes extrapolam as divisões geográficas políticas. Amplo envolvimento dos participantes e instituições associadas, liderança do setor privado, atenção aos relacionamentos pessoais, viés para a ação e institucionalização, como estratégia para sobrevivência em longo prazo.

 Conclusões             

           

            A noção de proximidade na Geografia Econômica contemporânea, alcança novos significados além das tradicionais análises de custos de transportes, passando á             maior análise da dinâmica espacial. Seu foco atual vai além da proximidade geográfica, para necessidades de coordenação.

            A visão geográfica atua na perspectiva de analisar de forma holística as várias formas de de organização dos sistemas territoriais de produção atuais, baseando-se não apenas em uma lógica técnica e funcional, mais também espacial e territorial.

            Através das breves considerações deste artigo, pode-se compreender que existe uma determinada lógica na territorialização de determinadas empresas, especialmente aquelas que se encontram nos chamados Arranjos Produtivos Locais, sob o qual o território que desempenha papel ativo. Tais empresas historicamente e horizontalmente organizadas mantêm relações de cooperação e competição, no qual a própria territorialidade representa uma fator competitivo.

            Os Arranjos Produtivos Locais, embora diferentes entre si, representam uma nova e complementar forma de promover o desenvolvimento, pois não constituem uma forma aplicável á qualquer realidade, pois necessitam de certa especificidades para a        sua constituição.

            Portanto, emerge a importância do local, como nova forma de competitividade no contexto da globalização, pois a especialização local constrói certas vantagens competitivas, relacionadas á promoção e inovação local.

O território desta forma assume fundamental relevância, pois define o ambiente no qual se localizam as empresas, proporcionando a articulação espacial e institucional de atores, mobilizando recursos genéricos e específicos, incrementando o processo produtivo.

 

 

  

Referências

BENKO, Georges. O local e o global: especificidade regional ou interregionalismo. In Economia, Espaço e Globalização: na aurora do século XXI. São Paulo, Ed. Hucitec, 1996.

 

––––––––––. Economia, espaço e globalização na aurora do século XXI, Hucitec, São Paulo, 2002.

 

BENKO Georges & PECQUEUR Bernard. Os recursos de territórios e os territórios de recursos”. Geosul, Florianópolis, v.16, n.32, jul./dez, 2001.

 

BENKO, G; LIPIETZ, A. (org.). As Regiões Ganhadoras. Distritos e Redes: os novos paradigmas da geografia econômica. Ed. Celta, Oeiras, 1994.

 

BNDES – Banco de Desenvolvimento Econômico e Social. Arranjos Produtivos Locais e Desenvolvimento. Área de Planejamento e Departamento de Produtos – DEPRO. Rio de Janeiro, 2004.

 

CASTRO, I.E. de.  Instituições e território. Possibilidades e limites ao exercício da cidadania. Geosul, Florianópolis, v.18, n.36, p.7-28, jul./dez. 2003.

GILLY, Jean-Pierre; TORRE, Andrè. Proximidad y dinámicas territoriales. In: BOSCHERINI, F.; POMA, Lucio (Org.) Território, conocimiento y competitividad de las empresas: el rol de las instituciones en el espacio global.  Buenos Aires: Mino y Dávila Editores, 2000, p.259-294.

MATTEACCIOLI, A.  Le role de La proximité dans lês performances dês territoires: Les conditions organizationnelles de leur efficience. In : AYDALOT, P. Pionnier de l’Economie Territoriale. L’Harmattan, Paris, 2004.

PECQUEUR, B.; ZIMMERMAN, J.B. Fundamentos de uma economia da proximidade. In: DINIZ, C.C.; LEMOS M.B. (Org.). Economia e Território. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005. Cap.3, p. 77-103.

PORTER, M. E. Competição – Estratégias Competitivas Essenciais. Ed. Campus, 1999.

RALLET, A. Economia da Proximidade: em direção a um balanço. Cadernos IPPUR, ano XVI, n2, 2002 (p59-80).

 

 

Notas



[1] Mestranda em Geografia da UNESP – Rio Claro



[1] Dentro desta abordagem tem sido desenvolvido na França no início da década de 90, um grupo informal definido "dinâmica proximidade", composto por economistas industriais empenhados em estudar os aspectos geográficos e economistas espaciais estão interessados em questões relativas à organização da empresa e tem desempenhado um papel pioneiro muito especial [...] tem desenvolvido uma reflexão coletiva, a fim de evidenciar as semelhanças e consistências em uma área atualmente apresenta uma grande número de novas abordagens teóricas sobre a economia. É baseada na idéia comum que o espaço não é neutro e não tem de representar um marginal industriais análise (GILLY e TORRE, 2000, p.259-260, tradução nossa).

 

[2] [...] As relações que envolvem a ativação do conhecimento tácito relacionados à proximidade geográfica, enquanto que aquelas que são baseadas em conhecimento codificado são baseadas em distância. Assim, esta abordagem baseada em apenas uma parte limitada do conceito de proximidade / distância, que ignora o tácito e o conhecimento codificado existem nas empresas ou a redes, e não considerar a importância do tempo na avaliação dos efeitos de proximidade (ou seja, a existência de fases de apropriação e aprendizagem fases da descodificação e recodificação de informação), ou o sucesso das fases dos processos de formação e de competências transferir esse privilégio mobilização do conhecimento tácito eo conhecimento codificado (GILLY e Torre, 2000, p.275, tradução nossa).

 

[3] A análise mostra que o desenvolvimento territorial se desenvolve a partir de um sistema de relações de circulação de informações de produção e reprodução de valores que caracterizam um modo de produção. Isto significa que os fatores críticos de desenvolvimento são historicamente enraizados na realidade social e não são facilmente feito, em última instância, um processo social e não como um processo apenas técnico (MATTEACCIOLI, 2004, tradução nossa).

 

 

[4] As empresas beneficiam da sua implantação perto uns dos outros porque compartilham um recurso comum potencial (não só em infra-estrutura, mas também know-how, investigação científica e técnica e de desenvolvimento). Esta proximidade permite uma maior vantagem econômica como resultante da soma dos desempenhos das empresas em determinada causa (MATTEACIOLLI, 2004, tradução nossa)

 

[5] A originalidade desta análise é de destacar o papel dos indivíduos nas relações entre as organizações locais no âmbito do sistema de inovação. A relação que é forjada através das interações e interdependências são principalmente as relações informais. Eles contribuem grandemente para o surgimento de recursos específicos através de relações sociais e individuais que são tanto na duração e no território. Constituem um conjunto de recursos compartilhados com os determinantes sociais e simbólicos (MATTEACCIOLI, 2004, tradução nossa).

 


Ponencia presentada en el XI Encuentro Internacional Humboldt – 26 al 30 de octubre de 2009. Ubatuba, SP, Brasil.




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