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Asunto:[encuentrohumboldt] 35/08 - VULNERABILIDADE DO USO DO TERRITÓRIO DA CIDADE PELOS TURISTAS
Fecha:Miercoles, 25 de Junio, 2008  09:15:10 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..................ar>

Resumo

  VULNERABILIDADE DO USO DO TERRITÓRIO DA CIDADE PELOS TURISTAS

 

Marília Steinberger 

 Neio Campos

Programa de Pós-Graduação em Geografia e Centro de Excelência em Turismo

                                                                                                            Universidade de Brasília

 

A cidade é um território intrinsecamente complexo e desordenado onde o planejamento, entendido como expressão antecipada do futuro, envolve forte dose de imponderabilidade, razão porque suas estratégias de intervenção precisam estar abertas ao devir que se caracteriza pela incerteza. De fato, complexidade e incerteza não se constituem novidades para os analistas urbanos, pois a coexistência de múltiplos usos e funções em permanente mudança já é uma realidade sobejamente conhecida por eles. Entretanto, nas últimas décadas, essa tarefa tornou-se mais desafiadora na medida em que o território de muitas cidades de diferentes tamanhos vem acolhendo, de maneira mais intensiva, um novo uso: o turismo. Pensar no turismo como um uso do território leva a questionar quem usa e como usa, o que nos remete aos turistas e sua influência na dinâmica temporal-espacial da cidade. Tal abordagem permite refletir não só sobre riquezas socioeconômicas, mas também sobre os riscos sócio-ambientais advindos desse novo uso.

 

O objetivo deste trabalho é discutir a vulnerabilidade do uso do território da cidade pelos turistas, tomando como referencial empírico algumas pequenas cidades do Brasil Central ainda bastante desconhecidas enquanto objetos turísticos. Para tanto, primeiramente, pretende-se realizar uma breve revisão teórico-conceitual sobre o turismo como um uso do território. Em uma segunda seção, serão apresentados exemplos de pequenas cidades brasileiras onde o turismo ainda incipiente pode vir a trazer, simultaneamente, riqueza e riscos. A guisa de conclusão, destacam-se ações dos turistas que, em conjunto com os citadinos e os governos locais, propiciem uma minimização das vulnerabilidades decorrentes do uso turístico.

 

 

 

Introdução

Uma das características mais marcantes da cidade é a coexistência de múltiplos usos em seu território. De fato, os tradicionais usos residencial, comercial e industrial, retratam a dinâmica dessa coexistência em permanente mudança. Nas últimas décadas, a cidade vem acolhendo, extensivamente, um novo uso: o turismo.

 A análise do turismo enquanto uso do território da cidade leva a adotar como eixo teórico básico a contribuição de Milton Santos sobre a relação entre espaço geográfico e território usado, o que permite refletir sobre quem usa e como usa esse território.

Moradores, empresários hoteleiros, agentes de viagem, governos locais e, também, os próprios turistas, compõem o conjunto dos principais agentes sociais responsáveis pela apropriação do território da cidade pelo uso turístico. As maneiras como tais agentes praticam o turismo na cidade gera maior ou menor vulnerabilidade. Assim, a vulnerabilidade será adotada neste trabalho como eixo teórico complementar.

Embora a interferência do uso turístico na dinâmica da cidade seja realizada por esse conjunto de agentes, o turista é quem concretiza tal dinâmica porque sua ação, singularizada por deslocamentos, amplia a mobilidade espacial e demográfica na cidade.

Nesse sentido, o turismo não deve ser visto como uma panacéia capaz de sempre ampliar oportunidades de emprego e renda em cidades estagnadas economicamente ou sem uma nítida identidade funcional. Paralelamente, o turista não deve ser satanizado como o causador de ameaças de deterioração ambiental, desfiguração cultural, pressão sobre infra-estrutura e serviços urbanos, entre outras. Isso porque o binômio turismo-turista, ao mesmo tempo, gera e sofre vulnerabilidade.

Tal compreensão permite considerar a vulnerabilidade do uso turístico do território da cidade tanto no seu aspecto negativo como positivo, visto que ela não representa apenas o reconhecimento de ameaças e riscos, mas, também, a capacidade de respondê-los.

O objetivo deste trabalho é discutir a vulnerabilidade no uso do território da cidade pelos turistas, à luz da teoria espacial, tomando como referência empírica algumas pequenas cidades do Brasil Central, ainda pouco conhecidas enquanto objetos turísticos.

Primeiramente, realiza-se uma breve revisão da teoria espacial para fundamentar a idéia de que o turismo é um uso do território e compreender a vulnerabilidade a ele associada. Em uma segunda seção, mostra-se como a Geografia pode contribuir para o entendimento da noção de vulnerabilidade aplicada ao turismo. Em uma última seção, apresentam-se exemplos de cidades onde o turismo ainda incipiente pode trazer, simultaneamente, ameaças/riscos e oportunidades/respostas. A guisa de conclusão, sugere-se que somente ações compartilhadas entre turistas, moradores e governos locais propiciam a minimização da vulnerabilidade suscitada pelo turismo no uso do território da cidade.

 

1. O turismo como um uso do território

 

A idéia de que o turismo é um uso do território não é uma novidade, pois Rita de Cássia Cruz e Maria Geralda Almeida já o mencionam. Cruz, ao lembrar que o turismo surgiu em meados do século XIX, utilizando “infra-estruturas criadas em razão de outros usos do território” (2000:7), apenas deixa implícito que o turismo é um uso do território, porém não o discute como tal. Por outro lado, Almeida considera o turismo como um “uso novo dos lugares que revoluciona o território” (2006:109), mas também não o discute. 

O enfoque do turismo é um uso do território encontra seus fundamentos na teoria espacial de Milton Santos, visto que para falar em território é preciso entender o que é o espaço e, portanto, a relação indissociável espaço-território.

O autor começa a sua teorização afirmando que o espaço humano é um fato histórico, pois “a história não se escreve fora do espaço e não há sociedade a-espacial”, razão pela qual, diz que “o espaço, ele mesmo é social” (Santos, 1977:9-10) e acrescenta:

O espaço, como realidade, é uno e total. É por isso que a sociedade como um todo atribui, a cada um dos seus movimentos, um valor diferente a cada fração do território [...] e que cada ponto do espaço é solidário dos demais, em todos os momentos. A isso se chama a totalidade do espaço. (Santos, 1985: 64)

 

Além disso, diz que o “espaço se define como um conjunto de formas representativas de relações sociais do passado e do presente” (1978:122) e considera que o espaço realiza uma dupla função: “ele é simultaneamente produtor e produto”. (ibidem: 130). Considera, ainda, que “o espaço é, também e sempre, formado de fixos e fluxos. Nós temos coisas fixas, fluxos que se originam dessas coisas fixas, fluxos que chegam a essas coisas fixas. Tudo isso, junto, é o espaço.” (Santos, 1988:77)

Posteriormente, explica que a essência social do espaço está nele ser constituído, de um lado, por “objetos geográficos naturais e artificiais, distribuídos sobre um território”, e, de outro lado, por processos sociais que dão vida a esses objetos. Esses processos se realizam não apenas através das formas, mas das formas-conteúdo que “terminam por adquirir uma expressão territorial”. Portanto, formas-conteúdo, em um movimento em que o “conteúdo ganha uma nova dimensão ao encaixar-se na forma.” (Santos, 1985: 2)

O autor entende que “a utilização do território pelo povo cria o espaço”. Esclarece que o território se chama espaço quando “encarado segundo a sucessão histórica de situações de ocupação efetiva por um povo.” (Santos, 1978:189). A partir de 1988, passa a falar não só em território, mas em configuração territorial como uma noção mais ampla, pois envolve “o território e mais o conjunto de objetos existentes sobre ele”, sejam os naturais ou artificiais. 

Alguns anos depois, discorre explicitamente sobre o uso do território. Assevera que “é o uso do território, não o território em si mesmo, que faz dele objeto de análise social”. Interpreta que território é uma noção que carece de constante revisão histórica e o que ele tem de permanente é ser o nosso quadro de vida. Diferencia território de território usado, ao ressaltar que: “O território são formas, mas o território usado são objetos e ações, sinônimo de espaço humano, espaço habitado.” (Santos, 1994:15-16) O autor deixa claro que a “configuração territorial não é o espaço, já que sua realidade vem de sua materialidade, enquanto o espaço reúne a materialidade e a vida que a anima.” (Santos, 1996:51).

Na sua última obra, demonstra nitidamente a relação indissociável entre espaço e território:

[...] o espaço geográfico se define como união indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações, e suas formas híbridas, as técnicas, que nos indicam como o território é usado: como, onde, por quem, por que, para quê [...] apreender a constituição do território, a partir de seus usos [...] permite pensar o território como ator e não apenas como um palco, isto é, o território no seu papel ativo. (Santos & Silveira, 2001:11).

 

Sendo assim, para o autor, o território usado é sinônimo de espaço geográfico, dada “a interdependência e a inseparabilidade entre a materialidade que inclui a natureza, e o seu uso que inclui a ação humana e a política.” (ibidem: 247)

Tais recortes da teoria de Milton Santos, não só permitem embasar a idéia de que o turismo é um uso do território da cidade, mas, principalmente, enfatizar que o território usado da cidade pelo turismo precisa ser entendido a partir da mencionada indissociabilidade espaço-território, por que:

[...] o espaço, ao ser definido como materialidade + vida que a anima, sugere perguntar: O que anima a vida? As ações. Quem anima a vida? Os agentes sociais e os atores que o representam. Como se anima a vida? Usando o território, criando e recriando objetos geográficos. Quando se anima a vida? Ao longo do tempo histórico. (Steinberger, 2006: 62).

 

Ao propor que o turismo seja entendido como um uso do território não basta constatar que ele se realiza no território, pois não é uma realidade objetiva explicada por si mesma simplesmente por acontecer de maneira imediata em uma dada configuração territorial. Assim, o “fazer turismo” significa uma apropriação do território para fins turísticos o que é fruto de uma vontade política, ou seja, de uma intencionalidade em usar o território para fins turísticos.

Esse uso do território é resultado de uma práxis social obra de uma intencionalidade que, ao se materializar, produz espaço. No entanto, essa materialização não ocorre sobre uma tabula rasa, mas, sim, em um acontecer histórico que representa um acúmulo de temporalidades diversas, apropriadas pelo uso turístico.

Em outras palavras, poderíamos nos perguntar o que estão fazendo os agentes sociais ao promoverem uma nova atividade, que se convencionou denominar turismo? Estão se apropriando de objetos geográficos naturais e artificiais, presentes em uma dada configuração territorial, e dando a esses um novo significado – o turístico. Isto é, estão modificando o conteúdo de formas pré-existentes.

Ao agir dessa maneira estão permitindo a concretização do turismo por meio de fixos e fluxos. Embora suas intenções imediatas sejam ter acesso a oportunidade de empregos e aumentar renda (moradores); auferir lucros (empresários hoteleiros e agentes de viagem); ampliar receitas (governos locais) e desfrutar de lazer (turistas), estão fazendo algo maior, mesmo que inconscientemente. Na verdade, estão produzindo espaço geográfico e território usado, ou seja, possibilitando que o turismo seja visto como parte do processo de produção do espaço e, concomitantemente, do território usado. Isso equivale a admitir que tais agentes, ao serem responsáveis por efetivar o uso turístico, interferem na dinâmica sócio-espacial. Porém, não o fazem igualmente, pois cada um tem uma participação específica nesse processo. Dentre os agentes mencionados, o turista é quem consolida tal dinâmica porque sua ação, singularizada por deslocamentos, engendra uma nova mobilidade espacial e demográfica que não se realiza no território usado como um todo e nem de uma só vez.

As ações dos turistas são seletivas e efetivam-se em determinadas frações do território. Steinberger (2006), retomando as formulações de Milton Santos, infere que a cidade é uma das frações do território usado e o espaço urbano é uma fração do espaço enquanto totalidade. Essas inferências levam a autora a concluir que, de fato, é preciso reconhecer a existência de um par indissociável: cidade – espaço urbano.

O espaço urbano aqui está sendo entendido como:

[...] o lócus estratégico de poder de agentes e atores sociais, uma vez que aglomera pessoas, atividades, interesses, e, portanto, conflitos.

[...] a efervescência do espaço urbano está no fato de congregar produção, consumo, inovação, circulação de informações e idéias e, conseqüentemente, a tomada de decisões. (Steinberger & Ferreira, 2002:18)

 

Assim, o espaço urbano é um aglutinador de relações de poder porque comanda as decisões de apropriação e uso do território, as quais envolvem interesses conflitantes de agentes sociais e atores que os representam. (Steinberger & Amado, 2006) A presença do turista tem sido considerada na literatura como geradora de inúmeros conflitos.

Levando em conta que a cidade como fração do território usado vem abrigando extensivamente o turismo, cabe perguntar: como o turismo enquanto uso do território se apropria da cidade? Para responder a esta pergunta não basta entender a cidade como fração do território usado, mas, principalmente, entender o processo de produção do espaço urbano, fulcro da materialidade que a constitui, o que implica, necessariamente, em trabalhar com o par cidade - espaço urbano. Analogamente as já mencionadas ações dos agentes sociais (em especial o turista) que concretizam o turismo e, ao fazê-lo, produzem espaço geográfico e território usado, aqui se pode falar em produção do espaço urbano e produção da cidade enquanto território usado para diversos fins, inclusive o turístico.

Dentre esses agentes, nesse paper destacam-se as ações dos turistas na produção do espaço urbano e na produção da cidade, ou seja, as maneiras como eles praticam o turismo que gera maior ou menor vulnerabilidade.

 

2. A vulnerabilidade do turismo e do turista

 

A noção de vulnerabilidade nas ciências sociais é complexa e polissêmica, como mostram Daniel Hogan e Eduardo Marandola (2006). Resumidamente, os autores ressaltam que a vulnerabilidade não pode ser entendida só no seu aspecto negativo, como o senso comum aponta, mas, representa, principalmente, a capacidade de indivíduos ou grupos populacionais responder a ameaças e riscos. De fato, as várias definições compiladas pelos autores, têm em comum o reconhecimento que a noção envolve aspectos positivos e negativos.  

No presente paper, toma-se a vulnerabilidade como um eixo teórico complementar porque ela permite estabelecer uma ligação entre quem sofre tais ameaças e como as enfrenta. Ligação que, por sua vez, está estreitamente relacionada com o eixo teórico básico, na medida em que o uso do território da cidade pelo turismo permite refletir sobre quem usa e como usa esse território, em especial o turista.

Embora Hogan e Marandola (op.cit.) evidenciem o “estado da arte” do estudo da vulnerabilidade, por meio de um diálogo com vários pesquisadores que acionam a noção, deixam em aberto a expectativa de buscar “caminhos para uma conceituação interdisciplinar”. Nessa revisão, percebe-se a importante contribuição da Geografia até o momento, pois trabalhos de alguns geógrafos foram citados.

Essa contribuição da Geografia está explicitada pelos autores ao dizerem que:

[...] o estudo de uma ‘ciência da vulnerabilidade’ deve primar pelo enfoque espacial. A dimensão geográfica dos fenômenos é fundamental, na medida em que permite uma melhor compreensão do ‘jogo de escalas’ e das interações regionais e locais. Conceitos como lugar e região, abordados a partir da Geografia, recebem uma dimensão mais robusta, contribuindo decisivamente na busca da ‘totalidade dos sistemas’. (op. cit: 44)

 

Nesse sentido, a própria teoria espacial de Milton Santos, ao trabalhar com as idéias de circuito superior e inferior, cidadania e homens lentos, possibilita não só aprofundar a dimensão geográfica da noção de vulnerabilidade como relacioná-la ao turismo e ao turista.

No que diz respeito aos dois circuitos, o autor começa mostrando que o espaço dos paises subdesenvolvidos organiza-se, basicamente, a partir de interesses distantes comandados por forças mundiais que impõe uma modernização seletiva. Para ele a seletividade econômica e social do espaço é a chave para elaborar uma teoria espacial, por que:

[...] exprime duas coisas diferentes segundo se considere a produção ou o consumo. A produção tende a se concentrar em certos pontos do território com tanto mais força quanto se trate de atividades modernas. O consumo responde a forças de dispersão, mas a seletividade social age como um freio, pois a capacidade de consumir não é a mesma qualitativa e quantitativamente. (Santos, 1979:15)

 

Em decorrência dessa afirmação, diz que “o aparelho econômico deve se adaptar ao mesmo tempo ao imperativo de uma modernização poderosa e as realidades sociais”. Acrescenta que se criam “dois circuitos econômicos, responsáveis não só pelo processo econômico, mas também pelo processo de organização do espaço” (ibidem: 16).

Segundo ele, o desafio, então, é que a cidade não pode ser mais estudada como uma “máquina maciça”, pois é preciso reconhecer que no seu território coexistem a concentração e dispersão, as quais são materializadas no circuito superior e inferior, possibilitando, assim, analisar não apenas uma parte da cidade, mas, a “cidade inteira”.

O circuito superior originou-se diretamente da modernização tecnológica e seus elementos mais representativos hoje são os monopólios. O essencial de suas relações ocorre fora da cidade e da região que os abrigam e tem por cenário o país ou o exterior. O circuito inferior, formado de atividades de pequena dimensão e interessando principalmente às populações pobres, é, ao contrário, bem enraizado e mantém relações privilegiadas com sua região.

É necessário doravante levar em conta o circuito inferior como um elemento indispensável à apreensão da realidade urbana e encontrar as medidas a serem adotadas para atribuir a esse circuito uma produtividade mais elevada e um crescimento sustentado ao mesmo tempo, conservando o seu papel de fornecedor privilegiado de empregos. (op. cit.:16, grifo nosso)

 

O turismo como um uso do território da cidade movimenta os dois circuitos. O superior, quando os turistas se apropriam da modernização tecnológica presente nos complexos hoteleiros e nas companhias de viagem internacionais, assim como nos próprios pacotes vendidos à distância, via internet. O inferior evidencia-se nas relações com as comunidades locais receptoras que, por um lado, beneficiam-se com a ampliação das oportunidades de emprego e renda, mas, por outro lado, vêem a sua cultura e valores ameaçados pela presença mais ou menos expressiva de turistas provenientes de diversas partes do mundo, o que demonstra a vulnerabilidade intrínseca ao turismo.

Quanto à cidadania, Milton Santos chama atenção que há um salto qualitativo “do homem solitário ao homem solidário”. Afirma que “sozinhos, ficamos livres, mas não podemos exercitar a nossa liberdade. Com o grupo, encontramos os meios de multiplicar as forças individuais, mediante a organização.” (Santos, 1993:79) Paralelamente, o autor também mostra que é impossível “imaginar uma cidadania concreta que prescinda do componente territorial” (ibidem: 116). Portanto, é participando de grupos organizados em determinadas frações do território usado que o homem exerce a sua cidadania em termos políticos.

Em geral, os turistas são considerados como agentes ativos, que se apropriam do território da cidade e seu entorno de uma maneira predatória, enquanto os moradores são tomados como agentes passivos. De fato, cabe argumentar que nenhum dos dois entendimentos está correto. Os moradores não devem ser vistos somente como os agentes passivos da atividade turística, visto que a sua capacidade de responder aos riscos não se dá em termos individuais, e sim, organizados enquanto grupo, no exercício da cidadania que se concretiza no território.  Por outro lado, John Swarbrooke mostra a necessidade de enfatizar o papel do turista e adotar uma atitude mais imparcial em relação a ele, o que significa, entre outras coisas, aceitar que o turista tem direitos e responsabilidades. O autor lista como responsabilidades básicas do turista:

[...] obedecer as leis e aos regulamentos locais;

[...] não tomar parte em atividades [...] condenadas pela sociedade;

          [...] não ofender propositalmente as crenças religiosas locais ou as normas culturais de

                comportamento;

[...] não danificar propositalmente o meio ambiente físico local;

[...] minimizar o uso de recursos locais escassos (Swarbrooke, 2000: 91).

 

Complementando essa citação, Philip Pearce ao analisar a relação entre residentes e turistas, chama a atenção de que essa nem sempre é negativa:

O contato direto entre os turistas e a população local do Terceiro Mundo e as comunidades pobres freqüentemente gera discórdia, exploração e problemas sociais. [...] exemplos contemporâneos amplificam, em vez de mudar, coisas como invasão da privacidade, abarrotamento, influências sobre o comportamento sexual e identidade cultural.

Muitos dos efeitos sociais e psicológicos que o contato gera na população local são de natureza menos direta, e nem todos eles são negativos. Um dos argumentos mais fortes para a opinião de que o turismo pode resultar em benefícios sociais para o Terceiro Mundo ou para as comunidades pobres sem sofisticação tecnológica é que ele pode revitalizar as artes e tradições étnicas. (Pearce, 2002:148-9)

 

Independente da cidadania dos moradores estar ligada a um enraizamento permanente no território e a dos turistas a um enraizamento transitório, ambos, devem exercê-la de forma plena, em direção ao salto qualitativo do homem solidário.

Corroborando com essa colocação, Andréa Zimmermann (2001), em estudo realizado sobre a influência da demanda turística dos moradores de Brasília em algumas praias baianas, constata que as atitudes cidadãs dos turistas podem contribuir positivamente para um turismo responsável. Isso significa que os turistas podem transferir para o lugar de destino sua experiência de cidadania vivida no cotidiano do lugar onde residem.

Por fim, no que diz respeito à idéia de homens lentos, Milton Santos afirma que a cidade, sobretudo a grande, é o lugar que os fracos podem subsistir, porque, como “palco da atividade de todos os capitais e de todos os trabalhos, ela pode atrair e acolher as multidões de pobres” expulsos de outros lugares. Segundo ele, “a presença dos pobres aumenta e enriquece a diversidade sócio-espacial”.  Assevera que esse é o caminho do futuro da cidade e conclui que, “nas cidades, o tempo que comanda, ou vai comandar, é o tempo dos homens lentos”, ou seja, “a força é dos lentos”, uma vez que, eles “escapam ao totalitarismo da racionalidade, aventura vedada aos ricos e as classes médias”. (Santos, 1996:258-261)

Na esteira dessa idéia, Maura Veras, ao analisar São Paulo, ressalta que entre as principais coordenadas socioeconômicas da metrópole estão as assincronias urbanas, entendidas por ela como “as diferenças de ritmos entre usuários da cidade, abrangendo desde a velocidade conectada à globalização, até a história lenta que pode transformar fracos em fortes, recuperando um tempo perdido na vida das cidades: o da fruição.” (Véras, 2001:1)

Nessa mesma direção, Maria Adélia de Souza, em uma entrevista concedida ao editor da revista Expressões Geográficas, diz que: “o grande sujeito da transformação social que já se opera são os homens lentos, os homens pobres e lentos do planeta que têm a sabedoria permanente da construção do amanhã”. Acrescenta que, “com a difusão da informação, eles, os homens lentos, estão acelerando uma compreensão sobre o mundo e estão tendo a possibilidade de acelerar os processos de resistência.” (Souza, 2007:14)

Essa possibilidade de aceleração dos processos de resistência é mostrada por Danichi Mizoguchi, em recente trabalho conjunto com outros pesquisadores, ao referir-se a três níveis de resistência e destacar a experiência do Jornal Boca de Rua.

A resistência espacial é tida como a própria maneira do morador de rua habitar a urbe - seja como morador, seja como vendedor -, ou seja, a reinvenção dos desvalidos vãos da cidade. A resistência midiática, por sua vez, é caracterizada pela construção de um meio de dispersão alternativo ao mass-mídia, possibilitando a um grupo emitir palavras e imagens sobre si e fazê-las agenciáveis em circuitos antes não alcançados. A resistência do consumo, por fim, dá-se na possibilidade do deslocamento da posição de pedinte para a de prestador de serviço, o que, em última análise, possibilita outros modos de inserção do morador de rua nas tramas da sociedade atual. (Mizoguchi, Costa & Madeira, 2007:1)

 

Para os autores, a resistência insere-se nas “fissuras do sistema”, o que nos permite inferir a importância da atuação dos homens lentos em explicar a vulnerabilidade no que tange não apenas aos riscos, mas à capacidade de respondê-los. Se por um lado, a articulação entre a idéia de homens lentos e a vulnerabilidade pode ser facilmente percebida, o mesmo não se pode dizer a respeito de sua articulação com o turismo. Cabe, então, questionar como os homens lentos participam do turismo, especulando sobre o que eles ganham ou perdem com o turismo e qual sua relação com os turistas. 

Embora, atualmente, o turismo não possa ser caracterizado somente como uma atividade de elite, mas, ao contrário, seja cada vez mais de massa, os homens lentos sempre estiveram presentes como trabalhadores desse setor. Tal constatação, a princípio, levaria dizer que eles ganham empregos e rendas. De fato, os ganhos representam migalhas quando comparados ao volume de recursos financeiros movimentados pelo turismo. Já as perdas, estão relacionadas, principalmente, ao preconceito que existe contra a visibilidade desses homens no território da cidade. Em geral, ao turista é mostrada apenas uma parte da cidade, a mais rica e bonita, ao passo que o território ocupado pelos homens lentos é escondido. Entretanto, não é em qualquer cidade que os homens lentos podem ser escondidos, pois a própria geografia de algumas delas, a exemplo do Rio de Janeiro, não permite esta ocultação. Além disso, vale destacar que, em alguns casos, como o passeio turístico à favela da Rocinha, eles representam o folclórico e o exótico.

Portanto, esses três recortes do pensamento do Milton Santos sobre os circuitos, a cidadania e os homens lentos possibilitam relacionar o uso do território da cidade pelo turismo e a vulnerabilidade.

 

3. Riscos e respostas à vulnerabilidade suscitada pelo turismo no Brasil Central

 

 Em linhas gerais, a vulnerabilidade é reconhecida por Liliane Bensahel e Myriam Donsimoni, ao dizerem que o turismo é objeto de dois discursos:

O primeiro parte da desestruturação das sociedades vítimas da exploração turística; a imagem que marca o turismo não é tão positiva. As denúncias justificadas do turismo sexual, de degradação das coerências familiares, sociais, ecológicas, patrimoniais e culturais, dos custos do turismo são tomadas em consideração, ainda que possamos falar do papel do turismo no desenvolvimento de uma sociedade. Daí, então, a importância de se informar e de se proteger contra os excessos do turismo [...].

O segundo inscreve a atividade turística no campo do desenvolvimento sustentável, em ligação com a preocupação ecológica. O turismo é uma atividade econômica que não se limita à demanda, portanto é necessário conhecer os seus limites, sua organização e seu controle. Il s’agit permite a desenvolver um turismo de massa, de proteger o patrimônio das degradações devidas às próprias atividades turísticas, de se adaptar a uma demanda muito sensível e flutuante, de garantir receitas para os investidores e permitir aos países receptores de lucrar com esta atividade por engajar um desenvolvimento global ao nível econômico e social. (Bensahel & Donsimoni, 1999: 8-9, trad.nossa).

 

Expressões concretas desses discursos serão exemplificadas aqui, tomando como referência empírica algumas pequenas cidades do Brasil Central, pouco conhecidas enquanto objetos turísticos. A região da Chapada dos Veadeiros, situada no Estado de Goiás, envolve três cidades que recaem na situação acima mencionada: Colinas do Sul, Cavalcante e Alto Paraíso.

A escolha de tais cidades justifica-se, propositadamente, pela presença ainda incipiente da atividade turística, mas, ao mesmo tempo, pela pressão que as mesmas já vêm sofrendo por parte dos turistas. Considera-se que o provável incremento dessa atividade possibilita analisar, simultaneamente, riscos e oportunidades em um momento ainda propício a intervenções que podem desencadear futuras respostas. Entende-se que os riscos estão relacionados às decisões de promover a intensificação da atividade turística nessas cidades, ao passo que as oportunidades estão relacionadas às decisões de priorizar ações capazes de minimizá-los.

De acordo com Cláudio Fernandes (2001), o turismo em Colinas do Sul, mesmo após a formação do lago da Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa, ainda vem ocorrendo de maneira espontânea. Embora já esteja proporcionando uma maior dinâmica econômica, não se constitui uma prioridade para o poder público local. Nesse sentido, aponta que é fundamental despertar a consciência sobre a necessidade de articulação entre a comunidade, os empreendedores e o poder público, de modo a frear três manifestações de vulnerabilidade que começam a ser observadas pelo aumento de turistas: a pressão de alguns proprietários de terra em implantar loteamentos na expectativa da valorização imobiliária, a pressão demográfica sobre a infra-estrutura de saneamento e a pressão ambiental. O autor sugere algumas ações a serem realizadas pelos mencionados agentes como exemplos de capacidade de resposta para minimizar tais vulnerabilidades, entre as quais se destacam: fiscalizar a aplicação de legislações; organizar mutirões de limpeza; definir padrões de consumo coerentes com a conservação do meio ambiente, a exemplo da coleta seletiva do lixo e da economia de energia; promover campanhas de educação ambiental; controlar o volume de pesca e incentivar a pesca esportiva; implementar o planejamento e o orçamento participativos, assim como o associativismo; conciliar os limites da capacidade de suporte do território e de seus recursos com as taxas demográficas; apoiar a preservação de tradições e identidades culturais; viabilizar a construção de um Centro de Atendimento ao Turista; e buscar parcerias com outros municípios da Chapada e do Lago para fomentar o desenvolvimento regional.

 Cavalcante, estudado por Márcio Cabral (2004), possui uma peculiaridade turística em relação às demais cidades pela presença do Quilombo dos kalungas no território de seu município. Os kalungas são descendentes de escravos que viveram isolados até o início dos anos 1980, no norte de Goiás, fronteira com o Tocantins e hoje, com uma população de aproximadamente 2.000 pessoas, são oficialmente donos de uma área de mais de 237 mil hectares, dos quais 70 a 80% estão invadidas por grileiros, o que revela uma forte pressão fundiária, constituindo-se em uma vulnerabilidade. A fragilidade das atividades econômicas que desenvolvem e a quase total ausência de infra-estrutura denotam que essa comunidade está à margem de uma assistência efetiva por parte do Estado. Há uma recente preocupação em manter a unidade do quilombo uma vez que se constata uma dispersão de seus habitantes. Por esse motivo, os kalungas começam a admitir o turismo como atividade econômica alternativa. Mais especificamente o ecoturismo, dada a concentração de uma grande quantidade de atrativos naturais (cachoeiras) dentro do seu território, e o turismo cultural, dada à preservação de tradições religiosas seculares. Além disso, em outras partes do município, também há atrativos naturais importantes. No conjunto, esse turismo ainda incipiente traz um alerta sobre a desproporcionalidade entre o potencial e a capacidade de carga dos atrativos naturais e culturais, uma outra manifestação de vulnerabilidade. Para minimizar tais vulnerabilidades, o autor sugere a adoção de um planejamento turístico participativo que contemple, inclusive, um plano de paisagismo urbano; investigações sobre o patrimônio arquitetônico; implantação de visitas obrigatoriamente guiadas para evitar agressões à natureza; definição de áreas de proteção ambiental e parques ecológicos; e o estímulo à realização de investimentos em equipamentos de hospedagem e alimentação. Por fim, ressalta que o turismo em Cavalcante deve ser visto como parte de uma estratégia de desenvolvimento regional na Chapada dos Veadeiros como um todo, antes que os turistas se apropriem inadequadamente de tais atrativos.

A terceira e última referência empírica de cidades turísticas do Brasil Central é Alto Paraíso. Renata Barreto (2005) analisa as transformações ambientais geradas em decorrência da implantação rápida e intensa do turismo que, em menos de dez anos, tornou-se a principal atividade econômica local, ao atrair uma grande quantidade de turistas. A autora estuda, especificamente, o povoado de São Jorge, situado na entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, destino preferido de esotéricos atraídos pelo misticismo que envolve a história do lugar. Define transformações ambientais como aquelas que afetam todo o ambiente, ou seja, envolvem, além do meio natural, as socioculturais e as econômicas. Embora a autora tenha construído um quadro de transformações positivas e negativas, identificadas a partir de entrevistas com agentes sociais (moradores, empresários e funcionários governamentais), algumas dessas podem ser traduzidas como riscos e respostas que configuram a vulnerabilidade. Entre os riscos estão: a poluição do ar, da água e sonora; a perturbação da fauna e da flora próxima ao povoado; a compactação e a erosão do solo; a desvalorização da cultura local, incluindo a descaracterização do artesanato e dos hábitos alimentares; a degradação e a segregação de áreas públicas invadidas pelos turistas; a exclusão da população nativa do processo de crescimento econômico; a expansão urbana acelerada e desordenada; as mudanças nos padrões da arquitetura local; a especulação imobiliária; e a elevação do custo de vida. Dentre as ações realizadas para enfrentar tais riscos, ressaltam-se programas de preservação e educação ambiental para a população e os turistas; e investimentos públicos e privados em infra-estrutura.

Cumpre ressaltar que Paulo André Brandão (2000), também, em estudo feito sobre Alto Paraíso, mostra que já alguns anos a comunidade vem tomando iniciativas que constituem respostas aos riscos acima mencionados. Dentre elas, está a criação da AJOR (Associação de Moradores de São Jorge) e de uma rádio comunitária.

Poderiam ser apresentados, ainda, outros estudos elaborados sobre pequenas cidades turísticas no Brasil Central, tais como o de Ângela Silva (1999), Bruno Carneiro (2002) e Suellen Fernandes (2005). O primeiro analisa a cidade de Formosa, localizada no Estado de Goiás, cuja importância remete-se ao Ciclo da Pecuária, no século XVIII. O segundo envolve três cidades do Estado de Tocantins que possuem praias fluviais: Peixe, Miracema e Tupirama. O terceiro trata da cidade histórica de Goiás Velho, primeira capital do Estado de Goiás, um dos berços do Ciclo do Ouro no Brasil no século XVIII. Embora esses estudos sejam importantes por mostrar a diversidade geográfica da ocorrência do turismo no Brasil Central, eles corroboram com as reflexões realizadas sobre os três casos antes detalhados. Entretanto, cabe chamar a atenção que nenhum dos estudos mencionados prioriza o turista, pois ele ainda é visto basicamente como um predador.

 

A Guisa de Conclusão

Nesse paper defende-se a idéia de que somente ações compartilhadas entre os agentes possibilitam a minimização da vulnerabilidade do turismo sobre o território da cidade. Isso porque como já mostrado, o espaço urbano é um aglutinador de relações de poder que envolve interesses conflitantes de agentes sociais.

De fato, alguns autores têm mostrado a importância de se reconhecer no turismo a presença de três tipos de agentes que, a despeito de suas especificidades, precisam ser analisados em conjunto. Remy Knafou (2001) destaca os turistas, o mercado, além dos planejadores e promotores “territoriais”. Eduardo Yazigi (2006), ao propor a separação entre a pessoa do turista e as produções do turismo, também, refere-se ao turista e ao mercado, mas, acrescenta, o papel fundamental dos receptores e das instituições.

A maioria dos trabalhos sobre o turismo enfoca-o como um setor econômico que vem crescendo aceleradamente em todo o mundo e, com isso, acaba dando destaque aos agentes econômicos. John Naisbitt (1994), apesar de utilizar inúmeros indicadores para mostrar essa relevância, propõe o que denomina de “paradoxo global”, ou seja, os protagonistas menores, ao contrário do que se pensa, são os que decidem. No caso do turismo, consideram-se o turista e o morador como protagonistas menores que, conforme anteriormente mostrado, são agentes ativos. Tal consideração, de maneira nenhuma, não implica em prescindir da presença fundamental do Estado e das empresas mercantis, enquanto protagonistas maiores.

 

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Ponencia presentada en el IX Encuentro Internacional Humboldt. Juiz de Fora, Minas Gerais - Brasil. 17 al 21 de setiembre de 2007.