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Asunto:[encuentrohumboldt] 32/08 - A GEOGRAFIA FÍSICA E TURISMO NA CHAPADA DIAMAN TINA
Fecha:Domingo, 22 de Junio, 2008  16:53:05 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..................ar>

A GEOGRAFIA FÍSICA E TURISMO NA CHAPADA DIAMANTINA

 

Dante Severo Giudice¹

Prof. Assistente

IFCH/UCSAL

 

 

INTRODUÇÃO

 

A Chapada Diamantina localiza-se na parte central do estado da Bahia, abrange 33 municípios. Apresenta características singulares no que se refere a aspectos naturais. Trata-se, sem exagero, de um santuário ecológico dos mais surpreendentes, de beleza selvagem dificilmente encontrável em qualquer outra região brasileira. As maiores elevações da Bahia aí se encontram, e do alto da Serra do Sincorá, a paisagem é deslumbrante, e guarda surpresas que levará o visitante a descobrir rios de pedras coloridas, cascatas, cachoeiras e escorregadeiras naturais, que a ação do tempo produziu, e se transformaram nos grandes atrativos turísticos da região.

 

CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE TURISMO

 

O turismo é uma das vertentes mais expressivas das sociedades ditas pós-industriais. O desenvolvimento do turismo está ligado as políticas públicas, seja de forma espontânea ou através de planejamento, o setor privado, ou a uma ação conjunta sos dois. É considerado hoje uma indústria não poluidora (será mesmo?), mas na verdade representa na atualidade uma das mais significativas formas de reprodução de capital e de captação de recursos no comércio internacional, muito embora carregue o estigma de que se presta muito a lavagem de dinheiro ilícito. Apesar disso o turismo vem crescendo e se tornando um fenômeno internacional, onde se procura aventura, o autêntico e o inusitado de cada lugar, mas paradoxalmente se quer o conforto e a segurança de casa, bem como o ‘status’ que a viagem oferece ao indivíduo. Na procura de sua de sua própria epistemologia, o turismo é, segundo Rodrigues (1996):

 

“um fenômeno que por sua natureza complexa, reconhecida por todos os seus estudiosos, é um importante tema que deve ser tratado no âmbito de um quadro interativo de disciplinas de domínio conexo, em que o enfoque geográfico é de fundamental importância, uma vez que, por tradição, lida com a dualidade sociedade x natureza. Se esta característica basilar da Geografia foi sempre tida como um elemento complicador, visto como responsável pela sua dificuldade de firmar-se como ciência no período moderno, cremos que no momento atual, à luz de novos paradigmas e com a emergência da questão ambiental, a situação está revertendo-se. Nunca o discurso geográfico foi tão valorizado, a ponto de ser apropriado por outras disciplinas. Este discurso tem sido, entretanto, superficial, permeado pela retórica, necessitando de aprofundamento para assumir a qualidade de texto”.

 

Na geografia do turismo atualmente vem se desenvolvendo o aspecto ambiental, plenamente incluído na Geografia Física, denominado turismo ecológico. Conforme Rodrigues (op. cit.):

 

“Estes referenciais teóricos da contemporaneidade correspondem ao paradigma emergente das ciências sociais, procurando-se romper com a dicotomia sujeito-objeto na pesquisa científica. Este enfoque é fundamental nos estudos do chamado turismo ecológico, em particular levando-se em consideração os paradigmas de ecologia profunda, que exigem o abandono da perspectiva antropocêntrica para um enfoque biocêntrico, em que o homem é considerado uma das espécies da natureza. Preservar a natureza, então, significa preservar o próprio homem”.

 

Entretanto esta modalidade de turismo, tida como ‘alternativa’ e que teoricamente é capaz de conciliar a conservação do patrimônio natural e cultural com o uso, dito, racional, pode sob este rótulo de turismo ecológico, legitimar velhas práticas do turismo tradicional predatório, já que muitas vezes o turismo não está educado para tal, e as limitações existentes, não lhes são impostas, para não afugentá-las.

 

Segundo Becker (1994), a política nacional de turismo no Brasil é inconsistente, desarticulada e ambígua quanto aos seus propósitos, contempla hoje no país o ecoturismo como um dos principais programas de turismo.

 

Por seu lado – As Diretrizes para uma Política Nacional de Turismo da Embratur (1994), diz que:

 

“A indústria do turismo e viagens, líder mundial em movimentação de recursos e geração de empregos, que depende umbilicalmente de uma gestão sustentada dos patrimônios natural e cultural, cruza seu caminho com o Brasil, o maior país tropical do mundo, proprietário e gestor do maior banco de biodiversidade do planeta. Desta relação surge o ecoturismo como um dos mais inteligentes instrumentos de viabilização econômica para o gerenciamento correto dos recursos naturais, oferecendo aos brasileiros uma alternativa digna de conquistar seu sustento e uma vida melhor, ao mesmo tempo que assegura às gerações futuras, o acesso aos legados da natureza”.

 

Atualmente, após a exploração do mundo como um todo, são os grandes geossistemas com a sua geodiversidade, e até então preservados, do mundo tropical, em particular dos continentes africano e latino-americano, os denominados espaços de reserva de valor, que são agora chamados a entrar em cena.

 

Para Rodrigues (op. cit.), o turismo,

 

“nessas regiões expressa-se como verdadeiro processo civilizatório, podendo ser comparado às conquistas expansionistas das metrópoles nos territórios coloniais, na fase do capitalismo concorrencial, seja na exploração dos minérios,  seja na monocultura de produtos tropicais de exportação”.

 

Desta forma, os países de economia periférica, em particular do mundo tropical, com grandes e diversificados recursos turísticos naturais e culturais, têm sido objeto da intervenção por meio de megaprojetos de empresas de capitais transnacionais que dominam hegemonicamente o mercado mundial. Estes projetos têm efetivamente captado divisas, porém a um alto custo para as populações locais e para o meio natural.

 

Assim sendo, mesmo nos locais mais inacessíveis, o turismo se instala com voracidade e alta tecnologia, causando total revolução no lugar, que passa a assumir nexos sofisticadamente urbanos, como na Chapada Diamantina, a 450 km de Salvador.

 

OS ATRATIVOS TURISTICOS E A GEOGRAFIA FÍSICA

 

A região da Chapada Diamantina há muito tempo vem despertando atenção pelos seus  atrativos naturais, decorrentes das ações físicas,  através da ação dos rios, dos ventos, num trabalhamento que produziu paisagens de rara beleza cênica, onde se destacam córregos e rios cristalinos (como o Serrano), áreas alagadas (como Marimbus), belas cachoeiras (como a da Sibéria), serras esculpidas (como a região do Pai Inácio), grutas (como a Gruta Azul) que associado ao clima ameno, devido a  atitude, se tornaram por conseguinte de grande valor para a exploração turística.

 

O turismo na Chapada Diamantina é intensamente explorado na forma de lazer e recreação, sobretudo no triângulo Lençóis – Mucugê – Andaraí, localizado na zona limítrofe do Parque Nacional da Chapada, onde o  ecoturismo é a principal prática.

 

As formas de relevo da Chapada Diamantina (Figura 1), responsável pelos aspectos paisagísticos que atraem a atividade turística estão condicionadas tanto pela sua estrutura sedimentar como pela tectônica superimposta. Na borda oeste, de Botuporã até Rio de Contas, dobramentos mais apertados, associados a faixas de cisalhamento, de grande extensão, favoreceram a formação de serras alongadas, de direção N-NW, com vales suspensos, estreitos, intercalados. Aí está o Pico dos Barbados, de 2033 m, ponto culminante da Bahia e do Nordeste. Na borda leste, de Lençóis a Morro do Chapéu, o dobramento mais aberto, com sinclinais e anticlinais de larga amplitude, favoreceram a formação de platôs e morros tabulares (mesas), com altitudes de cerca de 1000 m, tais como os conhecidos Morro de Pai Inácio, em Palmeiras e o próprio Morro do Chapéu, que dá o nome à cidade, intercalados a vales abertos, como o vale do Paty, em Lençóis. Amplos platôs calcários são encontrados ao norte da chapada, na região de Irecê.

 

 

                       Fonte:

                   Figura 1 – Morro do Pai Inácio.

 

 

Assim sendo, a Chapada Diamantina se enquadra na forma do turismo paisagístico, com atrativos de cachoeiras (Figura 2), corredeiras, mananciais hídricos, cavernas, grutas, canyons, balneários, entre outros. Este tipo de turismo se faz na forma do turismo contemplativo, científico, de aventura ou ecoturismo, cultural e o agroturismo (Bordest, 1999).

 

 

                           Fonte: www.vicfoto.br.                   

                           Figura 2- Cachoeira do Sossego

 

 

Desta forma, fica evidente a correlação entre a geografia física e o turismo na Chapada Diamantina, uma vez que tem hoje sua atração vinculada as unidades de conservação, por serem espaços protegidos, e que por lei preservam seus recursos naturais e ecológicos da região.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Os impactos do turismo em ambientes naturais estão associados tanto à implantação de infra-estrutura nos territórios para que o turismo possa acontecer, como à circulação de pessoas que a prática turística promove nos lugares.  No que se refere à implantação de infra-estrutura, muitos são os casos em que elas são feitas de forma ambientalmente inadequada. Dentre eles podemos citar a edificação de meios de hospedagem em áreas não urbanizadas bem como outras infra-estruturas a eles associadas que podem representar riscos importantes de desestabilização dos ecossistemas em que se inserem. Assim, o planejamento físico-territorial é o único instrumento capaz de evitar ou de minimizar possíveis impactos dessas estruturas sobre esses ambientes. No que se refere à circulação de pessoas, os impactos mais comuns, decorrentes do turismo, sobre ambientes naturais, são aqueles associados à produção de dejetos e de lixo e, em grande parte dos casos, à incapacidade das municipalidades de lidar com a presença de uma dada população flutuante sobre seus territórios.  Há também os impactos ambientais decorrentes do pisoteio de grupos de turistas sobre trilhas em áreas de mata, em função de caminhadas. Se tais impactos podem soar como um exagero para alguns, para ambientalistas atentos às transformações impostas pelo homem aos

 

O patrimônio natural da região da Chapada Diamantina é muito grande. A implantação de áreas de proteção e criação de parques, por si só não leva a preservação desse patrimônio, seja pela falta de fiscalização, por razões diversas que não vamos aqui discutir, seja pela falta de uma maior conscientização da população, visitante ou local, de que  este patrimônio é de todos e a todos cabe a sua preservação. Esta é uma questão educacional de base, quando se incute a noção de cidadania e de coletivo.

 

É evidente que falta também a profissionalização do turismo nessa região, afinal nem nossos vizinhos menos desenvolvidos oferecem visitação de graça aos seus patrimônios naturais.  Não se trata de privatizar a ‘natureza’ como afirmam alguns, mas regular e sistematizar o seu uso. Isso além de trazer emprego e gerar recursos, cria uma infra-estrura básica que protege o atrativo da ação de turistas vândalos que adoram levar um ‘souvenir’ de grutas e cavernas, ou registrar seus nomes nas rochas para a ‘posteridade’.

 

Tendo em vista que nem todos os atrativos são passíveis de serem ‘fechados’, nos locais  abertos deve se sistematizar a fiscalização e incrementar um processo de conscientização ao  visitante. 

 

Enfim, e as agressões aos ambientes naturais podem soar como um exagero para alguns, para ambientalistas atentos, às transformações a eles impostas pelo homem, podem representar verdadeiros desastres ecológicos.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BORDEST, S.M.L. (Org.). Matutando turismo. Cuiabá:Edufmt, 1999.

CORIOLANO, L.N.M.T.; SILVA, S.C.B. de M. e. Turismo e geografia: abordagens críticas. Fortaleza: Ed. UECE, 2005.

CRUZ, R. de C. A. da. Introdução à geografia do Turismo. São Paulo: Ed. Roca, 2003.

JUCÁ, F.A.; Funch, L.; Rocha, W. (Orgs). Biodiversidade e conservação na Chapada Diamantina. Brasília: Ministério do Meio ambiente, 2005.

LEMOS, A.I.G. de (Org.). Turismo: impactos socioambientais. São Paulo: Hucitec, 1996.

RODRIGUES, A.A.B. (Org.) Turismo e geografia: reflexões teóricas e enfoques regionais. São Paulo: Hucitec, 1996.

YÁZIGI, E.; CARLOS, A.F.A. (Orgs.). Turismo: espaço, paisagem e cultura. São Paulo: Hucitec, 1999.


 Ponencia presentada en el IX Encuentro Internacional Humboldt. Juiz de Fora, Minas Gerais - Brasil. 17 al 21 de setiembre de 2007.