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Asunto:[encuentrohumboldt] 21/08 - A HIDROPONIA NO CONTEXTO DO NOVO RURAL: UM ESTUDO DE CASO EM MONTES CLAROS
Fecha:Miercoles, 4 de Junio, 2008  19:32:34 (-0300)
Autor:Encuentro Humboldt <encuentro @..................ar>

A HIDROPONIA NO CONTEXTO DO NOVO RURAL: UM ESTUDO DE CASO EM MONTES CLAROS[1][1]

 

Marcos Nicolau Santos da Silva – Unimontes

marcos.nicolau@yahoo.com.br

 

Resumo:

A partir da década de 1990 o meio rural brasileiro passa a ser analisado não apenas pelo seu desempenho nas atividades agropecuárias tradicionais. Este espaço passa a desenvolver novas funções, ainda que em pequena escala, mas de forma intensiva. Tais funções dizem respeito à incorporação de atividades não-agrícolas, que pouco ou nada tem a ver com as atividades agrícolas convencionais. Assim sendo, neste artigo pretende-se discutir o conceito de um Novo Rural e suas relações com o meio urbano, caracterizando a atividade de hidroponia em um estabelecimento da cidade de Montes Claros. Este trabalho apóia-se na consulta ao referencial teórico adotado e na pesquisa de campo realizada no estabelecimento rural. Conclui-se que a mudança na forma e no conteúdo de produção de hortaliças disponibiliza uma maior quantidade e diversidade de produtos durante todo o ano no mercado; além disso, o consumo destes produtos se torna diferenciado, quando se verifica que a classe socioeconômica mais baixa não consome hortaliças mais por questão de hábito alimentar do que econômica.

Palavras-chave: Novo Rural – novas atividades – hidroponia – rural/urbano.

 

5 Introdução

O final da década de 1980, do ponto de vista agrário, é caracterizado por uma retomada dos estudos sobre o meio rural brasileiro, tanto em nível político quanto acadêmico. Estes estudos, além de retratarem o caráter modernizado da agropecuária, dizem respeito também à nova dinâmica observada no meio rural, sobretudo, através da expansão de atividades não-agrícolas.

Muitas dessas atividades mesmo sendo antigas no meio rural ainda não eram reconhecidas como atividades econômicas. Outras sofreram incremento a partir de uma melhora na base técnica de produção. Além disso, destaca-se a intensa revalorização do espaço rural como local de moradia e de lazer.

Nessa perspectiva, os estudos sobre essa nova dinâmica do meio rural brasileiro ganham impulso, principalmente, com os trabalhos de Graziano da Silva em meados da década de 1990 que analisa a evolução do emprego rural não-agrícola baseada no que ele denomina de “novo rural brasileiro”.

Assim sendo, inicialmente será feita algumas considerações sobre o novo rural precedida pela problemática da modernização agrícola da segunda metade do século XX. Posteriormente, o enfoque desse novo rural situa-se na relação rural-urbano em que é abordada historicamente a noção sobre estes espaços, bem como o processo de urbanização. Finalmente, essa análise sobre o novo rural permite caracterizar uma das novas atividades mencionadas por Graziano da Silva (1997) a partir de uma experiência (e pesquisa) realizada em um estabelecimento rural na cidade de Montes Claros – a hidroponia.

6  

7 O Novo Rural: algumas considerações

A agricultura brasileira após a segunda metade do século XX vivenciou um importante período de profundas transformações na organização de seu espaço agrário. A agricultura que, basicamente, estruturava-se na economia de subsistência passa a ocupar espaço de agricultura modernizada. Essa transformação ocorreu, sobretudo, devido à expansão do setor urbano-industrial no mesmo período. A este processo de ruptura, Graziano da Silva (1982, p. 46) chama de industrialização da agricultura, em que a agricultura deixa de ser um setor ‘quase-auto-suficiente’ da economia para se tornar parte integrante de um conjunto maior de atividades inter-relacionadas.

O caráter de agricultura modernizada incorpora ao campo novas tecnologias, máquinas agrícolas, fertilizantes, agrotóxicos, sementes melhoradas, medicamentos veterinários, entre outros.

A representação dessa era moderna alterou as relações entre o rural e o urbano e, até mesmo, entre o rural e o rural. Neste último caso, pode-se destacar os sentidos que foram atribuídos aos setores da agricultura que não se modernizavam, como representado por Monteiro (2006, p. 156):

[...] o imaginário socioespacial da modernidade projetou sentidos territoriais e territorializantes nos quais os lugares e os grupamentos sociais que se modernizavam igualmente urbanizavam-se, e a condição rural era imaginada como ‘atraso’.

 

Este cenário moderno no campo, por outro lado, provocou profundas conseqüências na estrutura socioespacial e ambiental, uma vez que, aumentou a concentração da terra, empobreceu o homem do campo, expulsando o pequeno trabalhador e/ou agricultor para as cidades ou absorvendo-o e transformando-o em mão-de-obra assalariada. Além disso, o maior impacto ao meio ambiente foi através da substituição da cobertura vegetal original pela instalação das grandes monoculturas, auxiliada pela contaminação dos recursos naturais por insumos químicos.

Diante dessa problemática gerada pelo efeito da modernidade sobre o campo e da dificuldade da agricultura gerar emprego, associada a uma suposta “crise” ambiental, Monteiro (2006, p. 160) destaca e situa a discussão que emerge a cerca de um novo rural: “na dialética entre os andaimes da modernidade e sua provável ruína é que situamos e discutimos, então, a problemática do Novo Rural”. Ainda, “... o que se designa como novo rural, é novo em contraste com os critérios de modernização, vigentes até muito recentemente” (MONTEIRO, 2006, p. 158).

Alguns autores analisam o afirmamento de um novo rural defendendo que sua expansão implicaria no aniquilamento do mundo rural representado pela agricultura modernizada. Outros autores destacam que o rural está condenado a desaparecer. Sobre esse assunto, Moreira (2005, p. 16) destaca que “[...] o rural que desaparece não é o rural, mas sim o rural da consolidação da modernidade burguesa. Em seu lugar emerge um novo rural, da pós-modernidade, para alguns, e da alta modernidade, para outros”.

Baseado na perspectiva de que o novo rural surge em oposição à agricultura modernizada adotada na segunda metade do século passado, esse novo paradigma não vem estrategicamente sepultar a agricultura patronal brasileira, mas representar algumas novas funções que estão sendo adotadas no campo vinculadas ao rural agrícola e não-agrícola. Muitas dessas novas funções se transformam em atividades econômicas e passam a constituir importante fonte de renda para as famílias e os empregados rurais.

 

A relação rural-urbano

Durante muito tempo o rural e o urbano foram discutidos a partir de uma intensa dicotomia, tanto no trato de categorias epistemológicas quanto na distinção entre os territórios. Historicamente, ao rural era concebido a imagem de local do atraso, da incivilização, das técnicas rudimentares e onde preservava uma cultura “inferior”, já o urbano emerge representado pelo locus do moderno, da civilização e do desenvolvimento. Nesse aspecto, Froehlich (2000, p. 2) destaca:

Para a história moderna e sua ideologia do progresso, a cidade tem constituído, tanto para os citadinos como para os rurícolas, uma representação de liberdade, de desenvolvimento, de civilização, um lugar que possibilitava o pluralismo e uma grande variedade de estilos de vida, enquanto que o meio rural fomentava o autoritarismo, o tradicionalismo, o conservadorismo e a ignorância.

 

Partindo da premissa de que a dinâmica do novo rural está intimamente relacionada com a dinâmica do urbano, vale ressaltar que o caminho a trilhar neste tipo de discussão parte da territorialidade exercida nestes espaços.

Atualmente, observa-se uma série de transferências de rendas da cidade para o campo, principalmente, através das famílias urbanas que utilizam o meio rural como local de moradia secundária, de lazer ou como descanso de final de semana. Por outro lado, os membros das famílias rurais também mantém relações com a cidade e vice-versa, através do trabalho, dos estudos, do acesso aos serviços de saúde, comércio e etc. Acrescenta-se ainda ao campo algumas infra-estruturas básicas, de comércio e serviços tidas como do meio urbano.

A introdução de qualquer um desses elementos observados na dinâmica do rural contemporâneo há quem diga que acontece um movimento urbanizante da cidade para o campo ou uma urbanização do campo, ficando assim estabelecida a possibilidade deste desaparecer pelo avanço do processo de urbanização acelerado.

Sobre esse assunto, Neumann (2006, p. 103) afirma que existem dois processos distintos que caracterizam a urbanização do campo. O primeiro diz respeito ao processo de urbanização mais tradicional, que se dá pela incorporação de novas áreas rurais à zona urbana, por meio do parcelamento do solo, da edificação horizontal e/ou vertical e da criação de infra-estrutura para usos urbanos residenciais, comerciais ou industriais. O segundo processo diz respeito à mudança de uso e de ocupação das áreas rurais para o desenvolvimento de atividades que não aquelas essenciais e tradicionalmente agrícolas, mesmo que sem a transformação das áreas rurais em urbanas.

Os processos caracterizados por Neumann de fato conferem uma alteração das relações atuais entre o rural e o urbano, entretanto assumir uma visão de que acontece uma urbanização do campo talvez seria afirmar que o processo urbanizante é homogeneizador e, mais que isso:

Quando se assume esta visão do campo como espaço atrasado e dependente do urbano, renegamos qualquer função social e necessidades que a população rural possua, como se esta não necessitasse morar, ter momentos de lazer e além de tudo não necessitasse de infra-estrutura. Portanto, qualquer introdução destes elementos no cenário rural há quem afirme que houve um processo de “urbanização”, mas na verdade são requisitos básicos de sobrevivência de qualquer população, independentes de sua origem e de seu lugar (FERNANDES; PONTE, 2002, p. 120).

 

Alentejano (2003, p. 31), reconhece que o desenvolvimento do fenômeno urbano altera (ou alterou) as relações sociais, econômicas, culturais e espaciais no meio rural, mas com isso, o rural não deixou nem deixará de existir. Segundo o autor, o rural teve e está tendo seu significado alterado.

Com o intuito de reconhecer o processo urbanizante, Souza (2004) propõe uma saída metodológica para o fenômeno da urbanização que adentra o campo:

Para abordar essa discussão partimos da premissa que ocorre sim um processo urbanizatório, mas este ao invés de se transformar numa urbanização do campo, pode ser visto como urbanização no campo. A pequena diferença gramatical nos dá uma saída metodológica, pois ao tratarmos da urbanização no campo estamos aceitando o movimento urbanizante que de fato se realiza, levando inúmeras inovações típicas da cidade ao campo, mas estamos também propondo que o rural ainda conserva características que são só suas, não tornando-se assim continuum. As urbanidades são levadas ao campo, mas este conserva sua essência[2][2].

 

Diante dessa discussão pode-se concluir que o processo de urbanização acelerado tem conduzido entre a relação rural-urbano diversas controvérsias. Apesar disso, essa relação não tem sido abalada devido à intensa territorialidade que se faz presente nas estruturas sociais, econômicas, culturais e espaciais de ambos os territórios. Esta territorialidade confere aos meios rural e urbano a condição de territórios que estão, inseparavelmente, interligados pelos seus processos ou inter-relações.

 

A hidroponia em Montes Claros

Graziano da Silva (1997) ao analisar a dinâmica do novo rural brasileiro identifica e enumera uma série de “novas” atividades (agrícolas e não-agrícolas) que estão presentes no território nacional e possuem um alto grau de dispersão espacial. Para o autor, muitas dessas atividades são seculares no país, mas até recentemente não tinham importância como atividades econômicas. O autor considera que estas novas atividades originaram-se de importações de outros países ou de atividades que não eram comerciais e que, já nasceram como parte de uma cadeia produtiva altamente especializada e integrada a um complexo sistema de serviços que delimitam nichos específicos de mercado.

Como foi mencionado anteriormente, as novas atividades aproximam as relações entre o rural e o urbano, principalmente por algumas delas fomentarem a revalorização do espaço rural enquanto patrimônio natural e cultural. No caso da hidroponia, destaca-se o fato desta ser uma das novas atividades que possui maior base agrícola mantendo relações mais diretas com o meio urbano através da produção, comercialização e do emprego.

O termo hidroponia significa trabalho em água e origina-se do grego hydro (água) e ponos (trabalho). É uma técnica de cultivo de planta sem o uso do solo, ou seja, cultivo em água contendo os elementos minerais que a planta necessita para sua nutrição, bom desenvolvimento e produção.

A ausência de contato com o solo evita contaminações e produz uma mercadoria de qualidade com os mesmos nutrientes da que é cultivada no solo. Os mesmos nutrientes que estão presentes no solo, tais como o ferro, cálcio e outros são acrescentados à água em quantidades balanceadas. A alimentação ou “irrigação” dessa “horta aérea” é feita através de um sistema de bombeamento que retira a água de uma caixa d’água e passa por todo o cultivo até ser captada novamente para o mesmo reservatório. Sendo, portanto, esse sistema de cultivo e irrigação feito em canaletas de PVC. Além disso, as hortaliças ficam encobertas por uma estufa que as protegem da incidência direta dos raios solares que podem danificar as folhas. Todo o processo de cultivo leva em torno de sessenta dias, desde a germinação da semente até a colheita (Figura 1).

Esse tipo de sistema de cultivo em hidroponia garante uma série de vantagens ao produtor, sendo que: diminui os riscos de doenças provenientes dos solos e contaminações por água de irrigação e agrotóxicos, previne quanto a possíveis danos climáticos, permite um maior número de colheitas em qualquer época do ano, exige atenção diária do produtor o que permite detectar, no início, doenças e pragas e a combater com aplicação de produtos naturais e biológicos e, ainda é possível produzir com menor custo de mão-de-obra.

 

fotos Marcos 021

FIGURA 1: HIDROPONIA – ESTÁGIO FINAL DE PRODUÇÃO APÓS 60 DIAS.

Foto: SILVA, M. N. S. da. Trabalho de Campo, 2006.

No caso da cidade de Montes Claros, os resultados da pesquisa realizada no estabelecimento rural que desenvolve a produção de hortaliças no sistema de hidroponia foram obtidos através de visita ao local e da realização de uma entrevista com o proprietário através da aplicação de um questionário semidirigido.

O estabelecimento visitado é legalmente uma propriedade agrícola que paga o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), pelo fato de estar localizado no sítio urbano. Segundo o proprietário, o estabelecimento é uma propriedade rural de cerca de dois hectares e a atividade desenvolvida é agrícola e, devido à expansão horizontal da cidade de Montes Claros, hoje está inserida dentro da área urbana.

Ao ser perguntado, o sócio da empresa disse que a propriedade é de origem familiar e utiliza a mão-de-obra de dez funcionários que são do meio urbano. Segundo o sócio, ele faz questão de empregar moradores locais por se tratar de um bairro onde a maioria da população é carente.

Numa abordagem feita ao proprietário a fim de saber se ele se considera um produtor rural e o porte, ou seja, se é pequeno, médio ou grande produtor, obteve-se a resposta de que é um pequeno produtor rural. Tal resposta permite entender, que mesmo desempenhando uma atividade que não depende diretamente da terra como elemento de produção, o sentimento de pertencimento à terra é presente ao se considerar um produtor rural. Este tipo de sentimento é a expressão da ruralidade que configura a identidade do homem do campo.

As hortaliças cultivadas na hidroponia são a acelga, agrião, almeirão, mostarda, cebolinha verde e, principalmente, a alface. Além disso, são cultivadas também couve, cebolinha verde e mostarda no solo enquanto são feitos testes de adaptação dessas hortaliças com o sistema de hidroponia.

No que se refere à comercialização, foi perguntado ao proprietário onde os produtos são comercializados e se o mercado de consumidores é diferenciado. A informação obtida foi a de que os produtos abastecem aos maiores supermercados da cidade, sacolões, hospitais, restaurantes e lanchonetes, conforme o Gráfico 1.

GRÁFICO 1: DESTINO DA PRODUÇÃO DAS HORTALIÇAS.

Elaboração: SILVA, M. N. S. da., 2006.

O primeiro gráfico apresenta os principais locais de comercialização dos produtos cultivados na hidroponia com destaque para os supermercados que compram mais da metade de toda a produção, seguido dos sacolões com 35% e, os outros 10% correspondem à comercialização feita com os hospitais, restaurantes, lanchonetes e vendas externas para o consumidor final. Ainda, disse que quando começou com essa atividade, há cerca de dez anos atrás, o mercado de consumidores era diferenciado, no entanto hoje, o produtor afirma que o segmento da população que não adquire seus produtos, mais precisamente a classe socioeconômica de nível de renda mais baixo, é devido essas hortaliças não fazerem parte de seu consumo ou hábito alimentar. Isto permite concluir que o consumo de hortaliças e legumes é muito mais uma questão de hábito cultural do que econômica.

A pesquisa ao sistema de produção de hortaliças em hidroponia, possibilitou constatar o que Graziano da Silva (1997) chama de mudança de forma e de conteúdo. Pois, ocorreu primeiro uma mudança na base técnica de produção (estufas, hidroponia) e depois, novas formas integram essa produção ao circuito das mercadorias, já que a maior parte da produção é feita sob encomenda, principalmente através da verticalização com os supermercados da cidade. Por último, tem-se um aumento da variedade de produtos e agregação de valor, através da embalagem, entrega, entre outros.

Verificou-se que os produtos cultivados em hidroponia apresentam um maior valor no mercado; ao perguntar para o produtor o motivo dessa diferença de preço em relação ao mesmo produto cultivado em solo, ele destacou que o sistema de hidroponia garante um produto de melhor qualidade e livre de contaminações que eventualmente podem estar presentes no solo, como por exemplo, os coliformes fecais.

Além disso, o que aumenta os custos do produto são a energia elétrica utilizada no sistema de bombeamento, o tipo de semente, os nutrientes e adubos, a embalagem e a mão-de-obra, conforme o Gráfico 2. As outras fontes de custos incluem serviço de entrega, outros materiais de produção e serviços administrativos.

É importante destacar ainda que há uma outra fonte de custo a ser considerada, correspondente à origem das sementes e de alguns materiais utilizados na produção das hortaliças, pois a maior parte é comprada em São Paulo e na Bahia, o que aumenta os custos de produção e, conseqüentemente, reflete no preço final da mercadoria.

GRÁFICO 2: PRINCIPAIS FONTES DE CUSTOS DA PRODUÇÃO DE HORTALIÇAS.

Elaboração: SILVA, M. N. S. da., 2006.

 

Contudo, verifica-se que o cultivo de hortaliças através do sistema de hidroponia vem promovendo alterações nas relações entre o rural e o urbano, assim como nos meios de produção, de comercialização, nas técnicas, nas tecnologias e, até mesmo, no hábito alimentar da população. Isso reflete a necessidade de ampliar os estudos, principalmente na perspectiva geográfica, a fim de buscar novas interpretações e contribuições para as questões agrárias e urbanas.

 

Considerações Finais

Os processos presentes no meio rural brasileiro nas últimas duas décadas têm mostrado a dinamicidade deste espaço. A expansão dos pequenos negócios agrícolas e não-agrícolas no campo tem contribuído para aumentar a renda dos agricultores, além de gerar novos postos de trabalho. Os novos empreendimentos vão desde a instalação de hotéis-fazenda, pesque-pague, vaquejadas, festas de rodeio (com pouca ou nenhuma base agrícola), até o cultivo agrícola incorporado a novas técnicas, como é o caso da hidroponia.

O caso da hidroponia em Montes Claros a partir do contexto do novo rural, mostra que o uso desta técnica coloca no mercado uma maior disponibilidade e melhor qualidade de produtos durante todo o ano. Além disso, a mudança no conteúdo possibilitou a verticalização com supermercados e outros segmentos do mercado, numa maior diversificação de produtos, acrescido do valor agregado pela embalagem e outros custos.

Nesse sentido, o desafio para o produtor é superar os altos custos de produção e percebe-se que, atualmente, há um acréscimo do consumo de hortaliças no hábito alimentar dos consumidores em geral, exceto para o segmento da população de nível de renda menor, que não tem uma dieta alimentar equilibrada em legumes e hortaliças.

 

Referências

ALENTEJANO, Paulo R. R. O que há de novo no rural brasileiro?. Revista Terra Livre, São Paulo, n. 15, p. 87-112. 2000.

_______. As relações campo-cidade no Brasil do século XXI. Revista Terra Livre, São Paulo, v. 2, n. 21, p. 25-39. jul./dez. 2003.

CAMPANHOLA, Clayton; GRAZIANO da SILVA, José (Org.). O novo rural brasileiro: novas ruralidades e urbanização. v. 7. Brasília: Embrapa, 2004. 216 p.

DIESEL, Vivien; FROEHLICH, José Marcos. (Org.). Desenvolvimento rural: tendências e debates contemporâneos. Ijuí: Editora Unijuí, 2006. 189 p.

FERNANDES, Bernardo Mançano; PONTE, Karina Furini da. As vilas rurais do Estado do Paraná e as novas ruralidades. Revista Terra Livre, São Paulo, v. 2, n. 19, p. 113-126. jul./dez. 2002.

FROEHLICH, José Marcos. Turismo rural e agricultura familiar: explorando (criticamente) o cruzamento de abordagens e estratégias para o desenvolvimento local. Disponível em: http://www.ufsm.br/desenvolvimentorural. 22 julho. 2006.

GRAZIANO da SILVA, José. et. al.. O emprego rural e a mercantilização do espaço agrário. Revista São Paulo em Perspectiva, São Paulo, v. 2, n. 11, 1997.

_______. A modernização dolorosa: estrutura agrária, fronteira agrícola e trabalhadores rurais. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1982, 192 p.


 MARQUES, Marta Inez Medeiros. O conceito de espaço rural em questão. Revista Terra Livre, São Paulo, v. 2, n. 19, p. 95-112. jul./dez. 2002.

MONTEIRO, Rosa Cristina. Novas ruralidades e políticas públicas: proposições para um debate. In: DIESEL, Vivien; FROEHLICH, José Marcos. (Org.). Desenvolvimento rural: tendências e debates contemporâneos. Ijuí: Editora Unijuí, 2006. 189 p. p. 155-173.

MOREIRA, Roberto José. Ruralidades e globalizações: ensaiando uma interpretação. In: MOREIRA, Roberto José. (Org.). Identidades sociais: ruralidades no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. 316 p. p. 15-40.

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NEUMANN, Pedro Selvino. Desenvolvimento local: o debate do “modelo rural” X “modelo agrícola”. In: DIESEL, Vivien; FROEHLICH, José Marcos. (Org.). Desenvolvimento rural: tendências e debates contemporâneos. Ijuí: Editora Unijuí, 2006. 189 p. p. 99-109.

SCHNEIDER, Sérgio. A pluriatividade na agricultura familiar. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2003. 254 p.

SOUZA, José Luiz Amado de Menezes e. Algumas noções sobre o rural. In: Congresso Brasileiro de Geógrafos. Anais...Goiânia: AGB, 2004. CD-ROM.

VEIGA, José Eli da. Cidades imaginárias: o Brasil é menos urbano do que se calcula. 2.ed. Campinas: Autores Associados, 2003. 304 p.



[1][1] Artigo elaborado a partir de uma parte do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Montes Claros no ano de 2006.

[2][2] Grifos no original.


Ponencia presentada en el IX Encuentro Internacional Humboldt. Juiz de Fora, Minas Gerais - Brasil. 17 al 21 de setiembre de 2007.