Inicio > Mis eListas > encuentrohumboldt > Mensajes

 Índice de Mensajes 
 Mensajes 2201 al 2220 
AsuntoAutor
171/07 - De quem e encuentr
172/07 - OS EVENTO encuentr
173/07 - A PLURIFU encuentr
174/07 - DESLOCAME encuentr
175/07 - EL SISTEM encuentr
176/07 - A PROBLEM encuentr
1/08 - 10mo ENCUEN encuentr
2/08 - SITUACIÓN Y encuentr
3/08 - PRIMERA CIR Alexande
4/08 - A questão c encuentr
5/08 - A desiguald encuentr
6/08 - DESENVOLVIM encuentr
7/08 - EXTERNALIDA encuentr
9/08 - PRIMERA CIR encuentr
8/08 - VIOLÊNCIA C encuentr
10/08 - NOVAS GEOG encuentr
11/08 - SEGUNDA CI Alexande
12/08 - LUGAR DEL Centro H
13/08 - PRODUÇÃO F centro H
14/08 - URBANIZAÇÃ centro H
 << 20 ant. | 20 sig. >>
 
ENCUENTRO HUMBOLDT
Página principal    Mensajes | Enviar Mensaje | Ficheros | Datos | Encuestas | Eventos | Mis Preferencias

Mostrando mensaje 2267     < Anterior | Siguiente >
Responder a este mensaje
Asunto:[encuentrohumboldt] 10/08 - NOVAS GEOGRAFIAS NO ESPAÇO URBANO-REGIONAL DE JUIZ DE FORA
Fecha:Martes, 4 de Marzo, 2008  10:39:00 (-0300)
Autor:encuentrohumboldt <encuentrohumboldt @..................ar>

NOVAS GEOGRAFIAS NO ESPAÇO URBANO-REGIONAL DE JUIZ DE FORA

Nuevas geografías en el espacio urbano-regional de Juiz de Fora

 

 

Maria Lucia Pires Menezes

mlmgeo@terra.com.br

Universidade Federal de Juiz de Fora

 

RESUMO

No município de Juiz de Fora tem se configurado uma série de investimentos em fixos territoriais para atender a demanda local e regional por negócios, valorização do espaço, ampliação do consumo e ofertas alternativas de emprego. Tal processo é fruto de uma política estruturada há cerca de sete anos pelo Plano Estratégico da cidade, elaborado com assessoria do Programa Centro Ibero-americano de Desarrollo Estratégico Urbano (CIDEU). O Plano Estratégico propõe organizar e garantir as condições políticas para implantação de vários projetos. Dentre eles destacaremos a construção do Aeroporto Regional e dos "bussines parks" como inovações na logística dos fluxos para atender o circuito das economias regional, nacional e do MERCOSUL. No setor das comunicações, as inovações incluem a reformulação da Rede de Comunicação Panorama, afiliada da rede Globo e que atua como estruturadora do mercado e da identidade regional da Zona da Mata mineira. Tais processos contabilizam um importante incremento no mercado de terras, setor tradicionalmente importante na economia municipal e regional.

 

Palavras-chave: Juiz de Fora-Minas Gerais; inovação; gestão do território; planejamento.

 

RESUMEN

En el municipio de Juiz de Fora aparecen una serie de inversiones en fijos territoriales para atender a la demanda local e regional por negocios, valoración del espacio, ampliación del consumo y ofertas alternativas de trabajo. Fruto de una política estructurada a cerca de siete años, este proceso se elaboró con la asesoría del Programa Centro Íbero-americano de Desarrollo Estratégico Urbano (CIDEU). El plan Estratégico propone organizar y garantizar las condiciones políticas para la implatación de diversos proyectos. Entre ellos destaremos la construcción del Aeropuerto Regional y de los “bussiness parks” como innovaciones en la logística de los flujos para atender el circuito de las economías regional, nacional y del Mercosur. En el sector de lãs comunicaciones la Red de comunicación Panorama, afiliada de la Red Globo, estructura el mercado y la identidad regional de la ‘Zona da Mata’ minera. Esos procesos contabilizan um importante incremento en el mercado de tierras, sector tradicionalmente importante en la economía municipal y regional.

 

Palabras-clave: Juiz de Fora-Minas Gerais; innovación; gestión del territorio; planeamiento.

 

 

Introdução:

 

Os anos 90 marcaram uma profunda mudança na estrutura econômica brasileira. A privatização dos serviços, o maior peso político e de decisão dos setores privados, os movimentos de internacionalização dos grandes conglomerados mundiais, da liberalização financeira e de reestruturação produtiva compõem os principais fatores da inserção do Brasil na chamada “globalização”. Paralelamente, surge um movimento de realinhamento espacial e igualmente territorial da indústria localizado no que Moreira (2004) denominou de Polígono Industrial, isto é, uma grande região industrial que se estende de Belo Horizonte para o sul até Porto Alegre. Para entender esta nova cartografia é preciso analisar o processo que Diniz (2002) caracterizou como de desconcentração da nova configuração urbano-industrial do Brasil, o qual se baseia na argumentação baseada nos fenômenos espaciais: da reversão da polarização industrial de São Paulo, do deslocamento da fronteira agrícola e mineral e das mudanças tecnológicas incentivadas pela abertura externa e criação do MERCOSUL.

Juiz de Fora, centro regional, evidencia empiricamente transformações na matriz territorial que aponta para um novo papel na atual divisão territorial do trabalho e da reestruturação. Tais transformações aparecem na forma de investimentos fixos (Santos, 2003) que vem cumprindo o papel de elementos da constituição do meio técnico-científico-informacional e da renovação da


materialidade do território. Assim, renovação e inovação de investimentos consubstanciados em

projetos industriais, na melhor operacionalidade da malha viária, em novas instalações do comércio atacadista e varejista como shoppings e malls atacadistas, centros de negócios e logística, assim como novos padrões de urbanização revelam na organização urbano-regional de Juiz de Fora elementos de sua readequação no Polígono Industrial brasileiro. Na organização do espaço interno da cidade e seu entorno novos empreendimentos demonstram através de espaços de segregação e segmentação um processo de monopolização e extração da mais valia, onde o território constitui-se num fator fundamental, enquanto espaço de domínio político e apropriação simbólica, ou seja, um espaço com acesso relativamente controlado (Haesbeaert, 2001). Uma abordagem geográfica deste panorama revela, a princípio, um mapa onde sobressai no espaço urbano eixos urbano-viários, onde sobressaem novos padrões de moradia – como condomínios fechados, que interligam a área produtiva e valorizável da cidade à malha viária nacional localizados juntos às rotas de interligação com as principais metrópoles nacionais. Do mesmo modo, revelam, também, uma capacidade crescente de empreendimentos monopolizados por determinados atores econômicos que consorciam seus investimentos privados na adequação funcional, implantação de infra-estrutura necessária à operacionalidade da economia regional e seu papel na divisão territorial do trabalho.

Dentro deste contexto este trabalho apresenta o tema das novas geografias urbano-regional do município de Juiz de Fora. Inicialmente, propomos analisar as novas formas espaciais presentes a partir de 1990, tomados aqui como referenciais da abertura econômica e aprofundamento da política de reestruturação produtiva nacional em face de inserção na economia mundial e nas formas de regionalização dos blocos comerciais, em evidência o MERCOSUL. Pretende-se, portanto, identificar e analisar os processos que explicam os novos equipamentos territoriais presentes no município juiz-foranos e sua área de influência direta. Um segundo momento da pesquisa pretende analisar um novo componente da configuração regional da cidade e que diz respeito à consolidação de um mercado de cultura e lazer sendo a cidade de Juiz de Fora o lugar da produção e difusão do produto cultural seja através das mídias e seus equipamentos culturais, seja através do incremento da atividade turística.

Por novas geografias entende-se, a princípio, não apenas formas geográficas de per si (Correa, 1987), mas que sua existência cumpre a função de viabilizar uma nova rede de fluxos que perpassam o lugar articulando-o ao mesmo tempo em que o singularizando. Assim, nossa hipótese inicial propõe que shoppings, aeroporto, centros de negócios e inovações, assim como novos projetos urbanísticos configuram novas geografias locais e instauram, portanto, novas territorialidades articuladas com as demais dimensões escalares: regional, nacional e global.

 

Juiz de Fora de rotas e redes:

 

Embora do alto da cidade mais próspera de Minas Gerais Juiz de Fora perde a oportunidade

de tornar-se capital para um novo projeto de localização da capital do estado da recente república

brasileira localizado no centro-norte do estado e defendido por setores ligados economicamente a

emergente mineração do ferro, da siderurgia e da indústria têxtil, setor regional que se beneficiou em detrimento do bloco da Mata e do sul de Minas. Defendido o projeto em função de critérios de

salubridade, ambiência e disponibilidade de expansão territorial a Câmara Legislativa (dezembro de 1883) escolheu Belo Horizonte (Curral d ‘El Rei) em detrimento de Paraúna (região do rio das

(Velhas), Várzea do Marçal (entre São João Del Rei e Tiradentes), Barbacena e Juiz de Fora.

A prosperidade, contudo trouxe para Juiz de Fora cultura e educação laica, técnica e religiosa. Na esteira da industrialização, entre a urbanidade mineira e o cosmopolitismo da metrópole a cidade se referencia e atrai investimentos de todas as ordens, inclusive o interesse das Igrejas que controlam importantes estoques de terra urbana e dominam a oferta no setor educativo.

Com o declínio da produção cafeeira se iniciando já em 1900 a cidade que antes recebeu investimentos externos passa a ver a reinversão dos capitais regionais na cidade e a chegada também do capital financeiro através dos bancos de investimentos e de créditos reorientando a economia para inversões nas atividades urbanas. A intensificação da atividade industrial e o investimento das elites agrárias em herdeiros profissionalizados formam um quadro técnico onde

sobressaem as escolas e o atendimento médico de qualidade, além de contabilistas e advogados. Ao longo de sua existência Juiz de Fora nunca perdeu a função de polarizar a prestação de serviço e de ofertar o maior mercado de trabalho na e da região. A partir dos anos 30 a nova política rodoviária nacional reafirma a posição de Juiz de Fora nas rotas para o interior da Zona da Mata, ao nordeste do país e em direção e Belo Horizonte e posteriormente daí a Brasília. Mesmo quando as inovações tecnológicas e as novas indústrias não mais se localizam em Juiz de Fora, quando o Rio de Janeiro não é mais a capital do país e o novo momento da indústria nacional reorienta os investimentos para São Paulo e seu interior, a cidade continua sendo um ancoradouro da migração intra e inter-regional. O novo modelo econômico da era Juscelino Kubitschek (1956-60) e que se solidifica na ditadura militar (1964-85), tripé onde o setor estatal se ocupa dos bens de produção, infra-estrutura e energia, marcou uma grande inflexão da corrente migratória para as metrópoles nacionais e capitais de estado, com a proeminência também de Belo Horizonte. A economia regional ancorada na pecuária leiteira e seus derivados hegemoniza o setor agrário que vai perdendo a participação também como fornecedor de produtos agrícolas para a região metropolitana do Rio de Janeiro devido à concorrência com a agricultura modernizada de São Paulo e para o próprio interior fluminense.

A cidade passa a se ressentir então do menor dinamismo econômico, porém continua reafirmando sua posição como prestadora de serviço de qualidade para a região, reforçada desde 1960 com a criação da Universidade Federal de Juiz de Fora como aglutinadora de faculdades isoladas (muitas existentes desde o período áureo da industrialização): faculdade de Farmácia e Odontologia, Direito, Engenharia, Ciências Econômicas, Medicina e da faculdade de Filosofia e Letras. A importância da universidade se expressa no alcance da região de influencia da cidade que vê seus limites se expandirem para além da região produtora imediata e dá uma nova racionalidade técnica e cientifica a formação de quadros especializados para o mercado urbano regional.

Paulatinamente, decresceu a capacidade da cidade de absorção de novos empreendimentos e, consequentemente alavancar o mercado de trabalho. A região não modernizou as atividades agropecuárias e manteve contínua a liberação de força de trabalho. O modelo geral de capitalismo

tardio da América Latina promoveu a formação de imenso exército de reserva alijado e alojado na periferia das metrópoles nacionais. Porém a periferização era contínua e simultânea em toda a rede urbana brasileira. As metrópoles, por questão de escala, se preocupam, então, com a formação de grandes bolsões de miséria nas periferias urbanas. A criação do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Juiz de Fora – IPPLAN/JF em 1977 é antes de tudo o resultado do capital cultural acumulado na cidade, das relações da cidade dentro da esfera de influencia do Rio de Janeiro e da posição da cidade dentro da rede urbana nacional. Dentro da região de influencia da metrópole do Rio de Janeiro, Juiz de Fora estaria localizada no eixo Petrópolis - Três Rios juntamente com Teresópolis e Friburgo e as cidades do médio vale do Paraíba (Cf. Davidovich, 1975).

Ao final dos anos 70, Juiz de Fora é incluída no projeto CPM – Centro de Porte Médio financiado pelo Banco Interamericano – BIRD e gerenciado pelo governo brasileiro através inicialmente do CNPU – Conselho Nacional de Política Urbana, depois CNDU – Conselho Nacional de Política Urbana órgãos ligados ao Ministério do Planejamento e pela Secretaria Especial da Região Sudeste ligada ao Ministério do Interior. A ação do projeto pressupunha atuar sobre os centros urbanos classificados de porte médio pela sua posição geográfica, população, importância sócio-econômica, função regional significativa, de modo a incrementar seu desenvolvimento com vistas à estruturação de uma rede urbana “mais equilibrada”. Coube ao IPPLAN coordenar juntamente com as UAS – Unidades de Administração de Subprojetos, unidade autônoma dentro da Secretaria de Planejamento - a coordenação das atividades. Principalmente deve-se ao IPPLAN/JF uma boa integração entre a UA e a administração municipal o que acarretou numa boa avaliação externa do projeto e sua continuidade juntamente com a cidade de Florianópolis, pois eram as que se encontravam mais adiantadas nas ações. As diretrizes do Banco Mundial para o financiamento de projetos de melhorias urbanas em países do Terceiro Mundo propunham especificamente gerar impacto sobre a pobreza urbana. Juiz de Fora recebeu verbas e assessoria técnica para operar sobre três metas: investimento em infra-estrutura e serviços urbanos, geração de emprego e renda e melhoria da administração pública. Até o final do projeto entorno de 1984 a cidade efetivamente promoveu uma reurbanização da área central da cidade, redirecionou novas vias de acesso e reestruturou o sistema de transportes.

Mais uma vez a modernização da malha viária se fez sentir sobre a cidade concomitante ao Projeto Cidades Médias. Foi a renovação e o novo traçado da estrada Rio- Belo Horizonte- Brasília

que impactou a cidade no sentido do arco sul-oeste-norte inserindo novos territórios para expansão

do mercado imobiliário, do distrito industrial e do surgimento de bairros entorno de conjuntos ou loteamentos de moradias populares, estes dois últimos seguindo a montante do várzea do Paraibuna. O rescaldo do PCM significou intervenções pontuais, no caso a área central e a construção da seletiva de ônibus na avenida Rio Branco, a construção do Distrito Industrial, os acessos a cidade Alta – região do São Pedro, beneficiando a comunicação ao campus universitário e a valorização de bairros para moradias de classe média, além doas acessos a rodovia BR 040, principalmente no eixo sudoeste ao longo da avenida Independência, atualmente um dos espaços mais valorizados da cidade. E, principalmente, sucesso político (devidamente capitalizado quando da redemocratização do país) aos prefeitos empreendedores das obras com o aporte do PCM. Na verdade o PCM seguia uma cartilha geral em que se organizava um sistema de contenção prioritária das metrópoles através de uma desconcentração da pressão populacional, sendo a rede urbana estudada de modo que as cidades mais apropriadas dentro deste sistemas seriam escolhidas dentro de uma pretensa racionalidade técnica da alocação de cidades-diques na contenção do fluxo migratório. Em tese, haveria de haver uma mudança estrutural na economia de modo que o dique fosse por si só um gerador de novas escalas de produção de modo que a força de trabalho ali represada fosse completamente absorvida e gerasse um novo ciclo local de oportunidades via ao menos uma expansão do consumo consuptivo. Nos anos 70 o PCM é incorporado pelo II Plano Nacional de desenvolvimento – PND através do Programa de Apoio as Capitais e Cidades de Porte Médio quando Juiz de Fora recebe dois projetos de grande porte; a Siderúrgica Mendes Júnior e a Paraibuna de Metais, mas que não foram capazes de gerar uma economia de efeito multiplicativo para o setor econômico do município.

Ao revés a pobreza, cerne principal do discurso do projeto aumenta exponencialmente por uma série de fatos conjunturais dentre eles destaca-se a crise econômica nacional, o modelo privativo de administração pública, a centralização fiscal da União e o rapto da organização popular por meio de políticos conservadores e paternalistas no tocante a questão da moradia popular em Juiz de Fora, onde se superpõem as funções de centro regional, cidade média e cidade-pólo postulante aos investimentos globais, nacionais e regionais. Sobre a “posição estratégica” freqüentemente atribuída a cidade é preciso salientar que tanto a cidade drena quanto difunde, transfere e perde recursos para as cidades da hierarquia imediatamente superiores. Para exercer a função de cidade atrativa Juiz de Fora precisa também cuidar dos problemas ambientais. Pobreza e meio ambiente se inter-relacionam de maneira simbiótica, e freqüentemente conflituosa, porém sob o ponto de vista das formas organizadas de luta social e por parte da administração pública a defesa e a preservação do meio ambiente conquista mais territórios do que aqueles assegurados a qualidade de vida dos pobres.

 

Inovação e organização do espaço urbano-industrial:

 

A reinversão de capitais na indústria com o apoio do capital financeiro representado na região, principalmente pelo Banco de Crédito Real de Minas Gerais, seguindo modelo auto-explicativo em outras regiões cafeeiras do país iniciam o comando da economia sobre base urbana-industrial. A cidade de Juiz de Fora veio paulatinamente consolidando-se como centro regional da Zona da Mata (3) Centro médio fabril prestador de serviço e polarizando uma região agrícola tradicional Juiz de Fora sentirá os efeitos sobre o espaço urbano de um crescimento acelerado e constante. A economia urbana cresce apoiada na difusão da indústria fordista e no mercado imobiliário criando bairros, vilas operárias e adensando a ocupação da área central da cidade. A princípio os vales laterais a calha do Paraibuna são ocupados e depois na medida em que a demanda aumenta a meia encosta das elevações no entorno da várzea são paulatinamente loteados. O transporte de bondes chega a cidade em 1880, quando foi criada a CIA. Ferro Carril de Bondes de Juiz de Fora. A geografia de suas linhas é capaz de revelar a estrutura urbana da cidade, a complexificação do espaço da área central da cidade e a formação dos bairros mais afastados ou ainda não totalmente urbanizados como Tapera de Baixo – onde existiu a hospedaria dos imigrantes Horta Barbosa (Santa Terezinha), Tapera de Cima (Bandeirantes), Pito Aceso (Bonfim), Manoel Honório (homenagem ao dono da Fazenda da Divisa que tinha sede na atual rua Américo Lobo), José Weiss - ponto da cervejaria e mais tarde por causa do bonde – Fábrica, Passarela (final do São Mateus), Lamaçal, (futuro Bom Pastor), Creosotagem (Francisco Bernardino), e aqueles que se estendiam numa primeira expansão urbana ao longo de ambas as margens do rio como Poço Rico (Três Pontes) na margem direita e Costa Carvalho (Bota n de baixo) – antigo Caminho Novo de Garcia Paes, Vitorino Braga (Bota n´Água de cima) dentre outros.

A Companhia Bernardo Mascarenhas, empreendimento que reuniu investimentos em produção de energia e iluminação pública criou as bases para uma série de inovações urbanas a partir da atividade industrial (Cf. Menezes, 2003): a primeira usina hidrelétrica da América do Sul passa a tender à fábrica e à iluminação pública da cidade ao mesmo tempo. Assim como fez Mariano Procópio, Bernardo Mascarenhas cria a Associação Promotora da Imigração, sociedade particular

que reunia os financiadores e interessados no projeto, principalmente os mais importantes fazendeiros. A abolição da escravatura e a crescente urbanização demandam força de trabalho. A

subvenção governamental apóia o projeto e uma nova onda de imigrantes chega à região e, em sua maioria, instalam-se em Juiz de Fora. Afora os bairros de São Pedro (Colônia de Cima) e Borboleta (Colônia de Baixo) sempre muito referenciados como localização da população alemã; acredita-se que outros grupos de imigrantes se alojaram na cidade obedecendo ao mercado imobiliário, incluindo pequenos promotores particulares e assim disseminando-se pelos bairros que surgiam no entorno da área central da cidade original.

A cidade passa próspera pela década de 20, progressista, liberal, católica, conservadora, protestante, imigrante, negra e acolhedora de migrantes de toda a região. Do ponto de vista da cidade formal e oficial a cidade se modernizou se aculturou, e se embelezou. Os anos 30 marcam o início da inflexão da cultura cafeeira, mas a atividade urbana-industrial foi capaz de manter a

poupança interna pelo crescimento dos setores secundários e terceiras da economia urbano industrial e, principalmente, pelo crescimento da infra-estrutura da cidade física. Um marco na historia e geografia urbanas de Juiz de Fora foi a enchente de 1940 que desalojou a população pobre que morava em suas margens, além de atingir o setor comercial da “parte baixa” da cidade. O rescaldo desta tragédia refletiu-se no mercado imobiliário de baixa renda quando surgiu o bairro Vila Furtado de Menezes que abrigou inicialmente os flagelados da enchente de 1940. O governo local conseguiu verbas do governo federal para retificação do rio, liberando assim mais terras as margens do rio e, principalmente na margem direita aumentando o espaço que foi sendo ocupado por fábricas e grandes armazéns, constituindo o setor atacadista da cidade, em virtude da proximidade com a estação ferroviária.

Do ponto de vista das mudanças estruturais Juiz de Fora subsistiu e ampliou o setor industrial, enquanto a base industrial era a de substituição de importação, sendo a indústria têxtil e alimentar as de maiores expressões na cidade. No entanto quando a base industrial nacional muda para nos anos 50 privilegiar o setor de bens de capital e bens de consumo durável, outra geografia regional tinha se delineado na Zona da Mata Mineira e a cidade de Juiz de Fora, estabelece novas relações de centro com sua região. Uma das expressões espaciais mais reveladoras das novas interações espaciais se expressam na falência gradativa da rede ferroviária e sua substituição pela malha viária rodoviária. A maior acessibilidade dada pelos transportes terrestres e novos eixos de rodovias federais marcam uma série de clivagens na dinâmica regional e em especial refletem sobre Juiz de Fora de duas maneiras bem importantes. A primeira com a construção da rodovia Rio - Bahia que adentrou na Zona da Mata no sentido longitudinal e que vai estabelecer a ligação entre o Sudeste Oriental e o Nordeste a leste da Zona da Mata. E, por conseqüência, impulsiona as cidades sobre este eixo, dentre elas Leopoldina, Cataguases e Muriaé, Caratinga e Manhuaçu, todas oriundas da produção cafeeira e interligadas na época por malha ferroviária. A segunda diz respeito ao eixo com Belo Horizonte, como eixo preferencial, o que ocasionou a decadência e muitas vezes isolamento das ligações mais interiores com municípios próximos a Juiz de Fora, ligações que passam a ser vicinais, quando órfãs da decadência ferroviária. As ligações se tornam mais difíceis, cidades próximas devido a precariedade se tornam quase que inacessíveis. O resultado para a economia municipal se dá em função de uma combinação de fatores que incidem sobre uma política nacional que não reverte investimentos para a região e que articulam outros espaços com investimentos de ponta. Como caso modelar, o governo Juscelino Kubitishek (1956-60) e a montagem do arcabouço da indústria automobilística, indústria motriz para o complexo industrial que irá consolidar a liderança da economia paulista, a partir da expansão, articulação e funcionalidade da região metropolitana de São Paulo.

A mudança da capital para Brasília inicia um processo de desmobilização geopolítica e conseqüente desaceleração econômica para o Sudeste Oriental. Para Juiz de fora, e obviamente para o estado do Rio de Janeiro tal fato gerou um espaço de transição, onde uma economia regional sem fôlego de competição e cuja base agrária sobrevivia com problemas de renovação, ausência de inovações, inexistente processo de beneficiamento, frágil organização de circulação e distribuição de bens e produção. Paulatinamente se consolidam no país as multinacionais do setor de laticínios. Localizadas no sul mineiro e em São Paulo foram uma concorrência agravante para com a economia da Zona da Mata e em especial para Juiz de Fora. Enquanto isto a maior parte da distribuição da produção agropastoril passa a ser dominada pelo Central de Abastecimento da Grande São Paulo (CEAGESP), capturando, inclusive a região metropolitana do Rio de Janeiro, antes mercado consumidor preferencial da produção agropecuária da Zona da Mata.

A crise regional dos anos 50 se somaria a crise nacional dos anos 60 acrescentando um quadro de crise industrial local. Na verdade, a indústria e mais amplamente a economia regional estavam a deriva na divisão interna do trabalho. A região perde participação na produção e competitividade no mercado interno. “Nos anos 50, os setores que passaram a liderar o crescimento econômico brasileiro foram os de bens de capital e de bens de consumo durável (siderurgia, metalurgia, química e automobilística), em detrimento dos setores tradicionais. Juiz de Fora esteve ausente dos grandes projetos de investimentos idealizados pelo Plano de Metas, sendo apenas beneficiada marginalmente com a instalação da Facit S.A. Máquinas de Escritório e da Becton Dickinson Indústrias Cirúrgicas Ltda., de capital internacional, sem alterar a tendência de decadência industrial da cidade. O capita local entrou num processo de falência, com várias indústrias tradicionais fechado suas portas e os novos empreendimentos não foram seguidos de similares, razão pela qual não possibilitaram a dinamização da estrutura produtiva da cidade.”

Os anos 70 são um importante marco para a economia da cidade, pois significaram a inserção do território municipal na economia regional do estado de Minas, através de incentivos propostos pelo II Plano de Desenvolvimento Nacional. Neste processo o espaço juiz-forano passa a compor uma complementaridade com o setor metalúrgico da região de Belo Horizonte, integrando-se, pela primeira vez, à economia de Minas Gerais. A instalação da siderúrgica Mendes Jr., atual Belgo Mineira e da Paraibuna de Metais – metais não ferrosos foram capazes de revitalizar parcialmente o mercado de empregos e a dinâmica interna da economia urbana. Além destas plantas o município recebeu uma unidade da White Martins multinacional no setor de gases químicos e a Paraibuna de Papéis fábrica de embalagens situada no distrito industrial no bairro de Benfica e primeira indústria a receber a ser atendida, recentemente, pelo gasoduto Rio – Belo Horizonte.

Na verdade, a crise da indústria tradicional, a nova política industrial brasileira, a centralização fiscal e administrativa do Estado nacional pós-64, a decadência rural e a perda de hegemonia do Rio de Janeiro aliados a emergência do Região Metropolitana de Belo Horizonte ancorado no novo modelo da indústria de transformação reverberaram na organização espacial da Zona da Mata. Juiz de Fora como centro regional constrói novos espaços de expansão, acompanhando o modelo dominante da América Latina, ou seja, a constituição de uma imensa periferia social ocupando cada vez mais espaços sem infra-estrutura, cujo resultado é o padrão de crescimento urbano acelerado sobre uma base econômica setorizada cada vez mais concentrada e especializada. Coube ao Estado autoritário a função de interventor no acoplamento de infra-estruturas de inserção numa nova dinâmica baseada no capital monopolista de base urbana-industrial. Portanto a mudança de modelo incorreu na necessidade de regular as forças de mercado, implantar os setores de indústria estratégica, balizando o modo do desenvolvimento de sob um aparato técnico

centralizado e do modelo planejado.

 

 

 

 

 

 

 

 

Qual o lugar da região – Zona da Mata neste modelo? Quais os efeitos sobre a cidade de Juiz de Fora?

 

Inicialmente concebida como “periferia estagnada”, onde seria necessário ordenar a força de trabalho, e imputar a cidade, enquanto centro regional a função de reter o fluxo migratório que congestionava os espaços metropolitanos do país. O plano adotado foi o das Cidades de Porte Médio. No âmbito rural o governo estadual lançou o PRODEMATA, programa destinado a recuperar a produção agropecuária em áreas de concentração de pequenos agricultores, mas de atuação pífia. Como articulação regional nenhum programa contemplou especialmente a Zona da Mata. O resultado não tardaria a se apresentar na paisagem urbana.

Sobre a organização interna da cidade assistiu-se nos últimos 20 anos a busca de modelos e as tentativas de implantação de políticas e projetos de regulação da pobreza urbana. Efetivamente foram realizadas obras de infra-estrutura viária, marketing e inovações no mercado imobiliário de alta renda, com a implantação de novos bairros exclusivamente residenciais, os primeiros condomínios fechados e a ordenação da expansão urbana em eixos de alcance da rodovia BR-040, na direção oeste do município. Funcionalmente a expansão urbana estruturou e equipou novos subcentros dentro da cidade, como o bairro Benfica, no setor noroeste e uma região de modernidades e inovação que compreende o espaço entre o Alto dos Passos, o São Mateus, o bairro Cascatinha e a Cidade Alta no setor sudoeste da cidade.

Ao longo do processo de espacialização atualmente verifica-se a implementação de novos empreendimentos que operam com agentes complementares que envolvem a ação do mercado imobiliário local com soluções de equipamento territoriais e inserção no livre mercado da economia

globalizada. A cidade passa a ser servida pelo sistema de cabos de fibra ótica e por gás natural. O

gás natural associado que é comercializado em Juiz de Fora é processado na bacia de Campos (Petrobrás/RJ) e bombeado até Minas, através de uma rede que liga Rio de Janeiro a Belo Horizonte. Atualmente a maior consumidora de gás natural é a siderúrgica Belgo Mineira.

Os novos tempos da economia aberta e da chegada de novas tecnologias parecem redundar no abandono por parte do inconsciente coletivo do ideal da industrialização fordista, perfeitamente compreensível e muito desejado por sua capacidade de empregar força de trabalho. Mas, segue preponderante a estratégia do investimentos em terras e patrimônio. A permanecia histórica do setor imobiliário, feliz em tempos de bonança e seguro em tempos de desânimo, segue como agente fundamental sobre o espaço urbano com sua generosa capacidade de açambarcar alianças com diferentes agentes sociais e econômicos legais e ilegais. Sua contra face é a necessidade da

regulação do espaço geográfico sobre o uso e a ocupação do solo. Seu ethos incentiva o prazer juiz-forano de cultuar a casa. Casamento duradouro... mesmo porque, ambos, ampliam a reprodução do capital.

Ainda o grande motor da economia de Juiz de Fora é o mercado imobiliário, Sua tradição tem sido continuamente sua capacidade de inovação e reinvenção. Ele está presente em parceria com todos os grandes empreendimentos aqui citados, seja no mercado urbano ou de conversão para o urbano, através do granjeamento (áreas com mais de 2000m² que funcionam como áreas de lazer e segunda residência da classe média) e dos condomínios fechados que abundam no entorno das

áreas remanescentes rurais seja acoplados a projetos de preservação ambiental onde o setor imobiliário pode aparecer cheio de regras e controle urbanístico para que agregue sempre e sempre mais valor ao solo. Segundo a prefeitura o mercado varia desde as construções de moradias em mutirão, com atividades sociais nos fins de semana, até às camadas média alta e média, formadas por empresários, comerciantes e profissionais liberais, cujos rendimentos excedentes permitem a aquisição de imóveis com a finalidade de ampliar o patrimônio, ou visando a renda extra, decorrente do aluguel e ainda por compradores das cidades-pólo para manter uma segunda residência na cidade grande ou para os filhos que vêm estudar em Juiz de Fora. Ultimamente, de acordo com os sindicatos do mercado imobiliário a lucratividade se mantêm em baixa, em razão de considerável aumento da matéria prima, principalmente do cimento, além dos preços de imóveis terem se mantido estáveis nos últimos dois anos, ao contrário da década de 80, quando se obteve altos lucros. Ainda, segundo a Prefeitura, as obras oferecem oito mil empregos diretos à classe operária e se levarmos em consideração os vários segmentos que envolvem uma construção, deve chegar a 20 mil, contando com empregos indiretos. A movimentação lucrativa fica por conta do recolhimento de impostos, IPTU, ISSQN e ICMS dada a extrapolação pelas áreas do comércio, indústria e profissionais liberais, decorrentes do mercado imobiliário. Deste modo a “rota BR 040” parece ser o lugar da vez, pois o governo federal, o estadual, as prefeituras e os agentes locais se movem no sentido de viabilizar a inserção da economia regional a partir da melhoria das condições logísticas, do fortalecimento do mercado interno regional e da promoção de negócios de lucratividade crescente dos setores econômicos urbanos. A produção da renda urbana torna-se fundamental para garantir o continuar do ciclo de crescimento e torna-se simultaneamente o maior desafio.

Recentemente, a região recebeu aporte financeiro federal para que a rodovia Rio–Juiz de Fora se torne melhor e mais segura. “Com um financiamento de R$ 42,18 milhões do BNDES, a Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora - Rio (Concer) duplicará 37 km de pistas entre

Matias Barbosa e Juiz de Fora, em Minas Gerais”. O projeto contribui para a redução do número de acidentes, além de diminuir o tempo de viagem entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora. O investimento total da Concer no projeto, já aprovado pelo DNER, é de R$ 108 milhões. Serão duplicadas cinco pontes, além de construídos dois retornos e barreiras separando os dois sentidos das pistas. Com sua conclusão, a empresa homogeneizará a qualidade dos seus serviços, uma vez que o restante da rodovia administrado pela Concer já possui pistas duplas. A realização das obras permitirá a redução dos custos logísticos associados aos transportes de produtos numa estrada vital para a integração econômica da Região Sudeste. Os investimentos ao longo do eixo rodoviário deverão significar a montagem de uma estrutura territorial que deverá transbordar para conexões com outros sistemas viários inter-regionais e intra-regionais e, especificamente intermodal no caso do Aeroporto da Zona da Mata, cujo projeto se inscreve na diretriz estadual que busca através do planejamento regional definir e potencializar cluster econômicos regionais mineiros.

Arantes (2001) apresenta a idéia de cluster econômicos, enquanto concentrações de empresas e entidades do mesmo ramo de atividades associadas numa mesma região geográfica, cuja interligação se dá por um eixo rodoviário, o que gera a necessidade de se ter também na área fornecedores especializados provedores de serviços e instituições. O autor analisa a Rota 459, a partir da cidade mineira de Poços de Caldas até a cidade paulista de Lorena no vale do rio Paraíba e constituída oficialmente como fórum regional e que congrega os municípios de vocação industrial do sul de Minas e parte do Vale do Paraíba, onde identifica um processo de organização de uma infra-estrutura para operacionalização produtiva.“ Pelo fato de estarem situadas próximas umas das outras e produzirem produtos característicos de uma região, empresas que fazem parte desses nichos, além de influírem significativamente nas exportações, desempenham também um importante papel no desenvolvimento regional, na medida em que um espaço comum de trocas e, o que é mais importante, de complementaridade entre os diversos atores envolvidos, sejam eles governamentais, empresariais e/ou comunitários”.

É fato que Juiz de Fora e seu entorno não apresentam núcleos urbanos capazes ainda de compor uma divisão territorial do trabalho e do consumo que seja capaz de estruturar especialmente a aglomeração urbana, como por exemplo, as cidades do Vale do Aço. No entanto, a capacidade de polarização de Juiz de Fora se expande para além do limite administrativo político estadual, muitas vezes este se tornando um entrava à análise geográfica. Pode-se afirmar que Juiz de Fora assume um espaço de competência para comandar a distribuição e redistribuição de fluxos que atendam ao crescimento de uma urbanização extensiva espraiada por toda a rede urbana hierarquicamente inferior da Zona da Mata e do Vale do Paraíba, estendendo-se em território constituído por vários municípios do estado do Rio de Janeiro. Ao contrário do sul de Minas que sofre influência de Campinas, São José dos Campos e Ribeirão Preto, além obviamente de São Paulo; Juiz de Fora sofre influência apenas da metrópole global representada pelo Rio de Janeiro e da metrópole nacional Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais.

É provável que muito breve, além do eixo preferencial na BR 040, possa se estabelecer uma complementaridade espacial através do eixo da rodovia que no sentido nordeste em relação a Juiz de Fora e que alcança Ubá, centro microrregional com função industrial e a cidade de Viçosa, importante centro universitário federal com ênfase nos cursos de Agronomia e, mais adiante Ponte Nova, já bem próximo da região metropolitana do Vale do Aço. Deste ramal, Juiz de Fora enlaça e conecta para o eixo que enlaça as cidades de Barbacena, São João Del Rei e Lavras, centro universitário de ciências agrárias e florestais e onde, também, está previsto a construção de um Parque Tecnológico e de um Centro de Convenções. A cidade de Lavras já se encontra às margens da BR 381 que faz a ligação de Belo Horizonte com o sul de Minas, atingindo o vale do Paraíba, São Paulo e a região de Campinas.

Seria possível para os pesquisadores investirem na análise da efetiva área de influência da cidade se destravado do território estadual, para compreender melhor a configuração da região comandada por Juiz de Fora e a importância dos eixos e circuitos de escalas territoriais mais ampliadas. Por sua vez, o governo de Minas ao lançar o Projeto Cresce Minas de 2000, concebido e coordenado pela FIEMG tem por objetivo fomentar o crescimento de Minas Gerais, captando investimentos e reunindo os talentos capazes de colocar o Estado num eixo de desenvolvimento. Alega a necessidade de reforçar a dinâmica do desenvolvimento auto-sustentado de setores e regiões geográficas de Minas Gerais, reduzindo as disparidades e viabilizando o crescimento das indústrias existentes, incentivando a competitividade inter-regional, a atração de investimentos complementares, o implemento de atividades de suporte técnico e de produtos de padrão internacional. Segundo o projeto, Juiz de Fora, se insere nos seguintes clusters: automobilístico, laticínios, mobiliário, têxtil e vestuário. Interessante notar que não são elencadas as maiores indústrias presentes na região e que são do setor de transformação, no que revelam por sua natureza e importância geopolítica o caráter de complementaridade e junção no projeto econômico nacional.

No âmbito regional, recentemente consolidou-se a expansão do setor de informação, comunicação e cultura, a partir da organização Rede Panorama de jornal, rádio, rádio via internet, televisão e todos os serviços da internet; como afiliadas do Sistema Globo de Telecomunicações e da Globo.com, em que ambas buscam atender a um determinado perfil regionalizado de produção. É importante apreender que a regionalização da mídia, além de cumprir um preceito constitucional, significa muitos outros valores em jogo, Dos mais éticos aos mais competitivos. Na verdade, o sistema de comunicação regional atende aos anseios de consolidação do mercado interno regional, da ampliação do mercado interno nacional, da ampliação geral do consumo, do reforço da identidade regional, da auto-estima e do regionalismo, impulsionando a produção de mão de obra qualificada local, de talentos e tecnologias geradas na própria região. É com este conceito que o ipanorama.com pretende-se como referência em conteúdo, informação e entretenimento regionalizados, com foco no dia-a-dia dos mineiros. No discurso são incorporados a novidade, a inovação e, portanto, o caráter de modernidade que aporta a região com ao empreendimento. Uma idéia inovadora que já nasce com grandes parcerias e investimentos maciços, visando a criação de serviços diferenciados e conteúdos exclusivos. Além de um rico conteúdo local que abrange informação, entretenimento, diversão, relacionamento, serviços on-line e comércio eletrônico, o ipanorama.com cria produtos para as mídias interativas, sempre associadas à Internet: web, WAP, banda larga e TV interativa são alguns exemplos. O ipanorama.com oferece um espaço completo ao 'internauta', fidelizando a audiência de um mercado que cresce a cada dia, com milhares de consumidores em potencial, acessando, comprando e vendendo pela Internet. A partir de agora, pensou em internet na região da Zona da Mata e Vertentes, pensou em ipanorama.com. Apostando na interatividade e na integração regional o sistema amplia o tempo em sua grade programação e no investimento de consumidores internautas do provedor Globo.com, incluindo a transmissão diária do noticiário local pela internet de modo a atingir os internautas de todos os cantos das Minas Gerais e do mundo. O espaço destinado ao jornalismo foi ampliado de 16 para 40 minutos diários e são divulgadas informações de 129 municípios da Zona da Mata e Vertentes atingindo um público de um milhão e 700mil telespectadores. Uma equipe foi criada em Barbacena para a cobertura de 43 cidades. A rede empregou jovens profissionais formados pela Universidade Federal de Juiz de Fora, incorporou novos talentos e profissionais já estabelecidos na região, trouxe assessoria externa introduziu uma nova competição na mídia local enfatizando a importância de garantir ao cidadão o seu direito de expressão e da possibilidade de conquista a da auto-imagem local e regional.

 

 

 

Conclusão:

 

É importante assinalar que a despeito do quadro acima descrito sobre empreendimentos negócios e inovações no espaço urbano de Juiz de Fora é importante contemporizar em relação a atual situação econômica do pais, onde os investimentos tem sofrido com as altas taxas de juros e esforços de contabilidade interna e externa que praticamente paralisaram a economia interna, No caso de Minas Gerais e mais especificamente do setor produtivo de Juiz de Fora a maioria das empresas que pesam no Produto Interno Bruto de Minas não tem comando no Estado. O poder decisório via de regra encontra-se fora de Minas e cada vez mais podem estar bem longe de Minas.

As empresas privatizadas pertencem a fundos de investimento e de pensão, cujos interesses nada têm a ver com os interesses do Estado. Percebe-se claramente a expectativa de determinados setores econômicos pela maior presença do Estado tanto na esfera decisória, reguladora, normativa e executora, principalmente, na capacidade de aporte de investimentos, como fica claro o impacto econômico que virá com o investimento do Banco de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES) no principal eixo rodoviário que cruza a cidade e a região.

Em Juiz de Fora, principal centro urbano de uma região em fronteira estadual, portanto, com seções específicas de competência, o fenômeno urbano-regional se organiza ao sabor do mercado e das influências geográficas mais diretas. As políticas estaduais efetivamente não se realizam, enquanto que a municipalidade se lança com ousadia na estratégia dos negócios, descuidando do setor social, incentivando a privatização da cultura e cuidando para que a classe média continue se

embalando no sonho realizado de seu mais caro território – a casa. Um menu variado impele às novas formas de localização: perto da mata, do shopping, na estrada, na reserva de proteção ambiental, próximo ao verde, às margens da represa. Como exemplo, um dos novos negócios da empresa Pangea consta de um projeto de interligação entre o Park Sul e a Reserva de Patrimônio Natural (RPPN) de 300 ha. do Instituto Celso Juarez de Lacerda, empresário e latifundiário na região, onde se pretende construir um corredor ecológico e futuramente criar um projeto imobiliário dentro da concepção de desenvolvimento sustentável. Enfim, um enorme apelo às paisagens variadas, mas que paradoxalmente ainda longe do rio, já que este só visto de longe – o rio Paraibuna, um dos ícones mais exaltados da história urbana de Juiz de Fora.

A despeito das inovações introduzidas pelo Planejamento Estratégico de Juiz de Fora, as novidades se referem muito mais ao marketing do próprio plano e à promoção de projetos pontuais

localizados nas áreas mais bem estruturadas da cidade, do que propriamente a soluções dos graves problemas sociais e da promoção da cidade como um todo articulado. A Prefeitura capitaneou um plano “estratégico” para a cidade que no discurso e na apresentação da metodologia se apresenta como participativo, mas que na prática é extremamente competitivo e empresarial. Na paisagem, em resumo, vislumbramos a cidade atrativa do oeste, enquanto que tentamos encobrir o “panorama” da cidade esquecida do leste. Apesar da assessoria do CIDEU – Centro Ibero-americano de Desarollo Estratégico Urbano a rede de cidade ibero-americana precisa saber conhecer melhor a cidade latino americana nas diferenças fundamentais que apresentam em relação as cidades ibéricas. Uma das diferenças fundamentais é a presença de uma periferia social de baixa escolaridade, excluída da formação atualizada do trabalho. Do ponto de vista espacial a população habita um estoque de terras mal localizados, isto é, em área de risco ambiental; sem infra-estrutura urbana básica e sem plena cidadania e sobre a qual se reverte minimamente investimentos e nenhum empreendimento.

Recentes investimentos imobiliários apontam para monopólio do mercado de terras e dos empreendimentos, sendo esta estratégia configurada espacialmente também de maneira concentrada, em especial o setor sudoeste da cidade. O que aponta a necessidade da análise geográfica para os objetivos de: mapear as conexões dos empreendimentos locais com outros equipamentos na região para demonstrar seu papel (Juiz de Fora) de articuladora do espaço regional e nacional. Para, então: evidenciar e analisar a estratégia de localização dos principais empreendimentos da economia urbana local, geradores do capital local, associado ou não, porém necessário a reafirmar o papel de centro regional e, portanto, manter o comando do processo de articulação e desconcentração produtiva do espaço nacional.

 

 

Bibliografia:

 

 

Andrade, Thompson & Serra, Rodrigo – Notas sobre a experiência de Crescimento Recente das

Cidades Médias Brasileiras. In: Kon, Anita (org.) – Unidade e Fragmentação. A questão regional

no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2002. Pp. 117-164.

 

Arantes, Paulo T. L. – Cidades: competitividade, competição e cooperação. Estudos de caso de

quatro cidades sul mineiras, São Paulo: USP/FAU. Tese de Doutorado, 2001 Pp.342.

 

Azzi, Riolando – Sob o Báculo Episcopal. A Igreja Católica em Juiz de Fora (1850-1950). Juiz de

Fora: Centro de Memória da Igreja em Juiz de Fora, 2000.

 

Bastos, Suzana Quinet de A. B. - Juiz de Fora: análise do desenvolvimento industrial e dos desafios colocados pela implantação da Mercedes-Benz, Diamantina: X Seminário sobre a Economia Mineira, 2002. Pp.28.

Bastos, Wilson de L. – Do Caminho Novo dos Campos Gerais à Atual BR-135. Juiz de Fora: Imprensa Universitária, 1975.

 

Blasenheim, Peter. As Ferrovias de Minas Gerais no Século Dezenove. 1996, Locus. Revista de

História. n. 3.p. 81-110.

 

Borja, Jordi et alli – Barcelona. Eurocitat v. 1. Barcelona: Ajuntament de Barcelona, 1992.

Caiado, Aurélio S. C. & Santos, Sarah M. M. – Novas Espacialidades da Rede Urbana Paulista. Rio

de Janeiro: ANPUR. Anais do IX Encontro Nacional: Ética, Planejamento, a Construção Democrática do Espaço, 2001. Pp. 496-510.

 

Capel, H. Ciencia, innovación tecnológica y desarrollo económico en la ciudad contemporánea.

Barcelona: Universidad de Barcelona, Revista Electrónica de Geografia y Ciencias Sociales no. 23,

15 de junho de 1998.

 

Casanova, Janderson – Criação da Região Metropolitana de Juiz de Fora: distorções de uma

microrregião heterogênea. Juiz de Fora: UFJF – Departamento de Geociências. Trabalho final de

pós-graduação. 2004. Pp.22.

 

Correa, Roberto Lobato – O Espaço Urbano. São Paulo: Ática, 1987.

 

Diniz, Clelio Campolina – A Nova Configuração Urbano-industrial no Brasil. In: Kon, Anita (org.) – Unidade e Fragmentação. A questão regional no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2002. Pp.87– 115.

 

Egler, Claudio A.- Integração Econômica a Redes Logísticas no Cone Sul. Brasília: Seminário sobre Dinâmicas Territoriais. Tendências e Desafios da Integração do Brasil Contemporâneo 2001 pp312-326.

 

Fontes, Pedro Henrique Dias & Cruz, Mendelson Correa – A possibilidade de aproveitamento das

paisagens, potencialidades naturais e culturais do meio rural de Torreões para o desenvolvimento

turístico local. Juiz de Fora: UFJF. Trabalho final da disciplina Planejamento Agrário, 2004 pp.31.

 

Gonçalves, Denise (coord.) – História das Cidades e Teoria do Planejamento. Viçosa: Universidade

Federal de Viçosa, 2001.

 

Gonçalves, Eduardo - Possibilidades e limites para o desenvolvimento da indústria de alta tecnologia em Juiz de Fora. Belo Horizonte: UFMG / Cedeplar. Dissertação de Mestrado, 1998 Pp.115.

 

Goodwin Jr., James W. – A Modernidade como Projeto Conservador: a atuação da Câmara Municipal de Juiz de Fora, 1850-1888. Locus. Revista de História vol. 3 n.1, 1997 pp.116-131.

 

Giroletti, D. Industrialização em Juiz de Fora: 1850 a 1930. Juiz de Fora: UFJF, 1988.

 

Haesbeaert, Rogério (org.) – Globalização e Fragmentação no Mundo Contemporâneo – Niterói,

EDUFF, 2001.

 

Harvey, David – O Novo Imperialismo. São Paulo: Edições Loyola, 2004.

 

Kon, Anita (org.) – Unidade e Fragmentação. A questão regional no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2002.

 

Lordello de Mello, Diogo – Dos Experiências Exitosas de Gerencia Municipal en Brasil: Juiz de Fora y Toledo. Bogotá: Seminario- Taller latinoamenricano Banco de Êxitos Municipales, 1989.

 

____________________ – Regiões Metropolitanas e Aglomerados Urbanos. Rio de Janeiro: Revista de Administração Municipal v. 39n. 208 Pp. 48-55.

 

Menezes, Maria Lucia P. - Juiz de Fora e a moradia popular: o Alto Santo Antônio. 2003, V Colóquio Internacional de Geocritica. Barcelona, 2003.

 

___________________ - A Cidade e o Rio. O Rio e a Cidade. Espaços para o Público. IX Colóquio Internacional de Geocritica. Barcelona, 2007.

 

Minas Gerais. Fundação João Pinheiro. Plano Diretor de uso e ocupação do solo para o município de Goianá. Belo Horizonte, 2002.

 

Minas Gerais. Fundação João Pinheiro- Análise Regional da Funcionalidade da Economia Mineira.

Belo Horizonte, 1990.

 

___________. Secretaria de Estado de Transporte. Plano Multimodal de Transportes. Belo Horizonte: DER/MG, 1994.

 

Moreira, Ruy – Os Quatro Modelos de Espaço-Tempo e a Reestruturação Espacial Brasileira. In:

Moreira, Ruy (org.) – A Reestruturação Industrial Espacial do Rio de Janeiro. Niterói: UFF/CNPq,

2003. Pp.7-27.

 

__________ (org.) – Brasil Século XXI, por uma nova regionalização? São Paulo: Max Limonad,

2004.

 

Motta, Diana M. & Ajara, César. Configuração da Rede Urbana no Brasil. 2001, Revista Paranaense de Desenvolvimento n. 100, p. 5-24.

 

Moura, Rosa & Firkowski, Olga L. C. – Metrópoles e Regiões Metropolitanas: o que isto tem em

comum? Rio de Janeiro: ANPUR. Anais em CD-ROM. Uberlândia - Minas Gerais - Brasil, nov. 2006. p. 1-18.

 

Motta, Diana M. – Principais Características da Urbanização: desafios da gestão urbana. Brasília:

Seminário: Dinâmicas Territoriais. Tendências e Desafios da Integração do Brasil Contemporâneo

2001. pp. 40-57.

 

Pereira, Fabiano M. - Cidades Médias Brasileiras: uma tipologia a partir de suas (des) economias de aglomeração. Belo Horizonte: UFMG/CEDEPLAR, tese de mestrado, 2002. Pp117.

 

Prefeitura de Juiz de Fora. Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano – versão preliminar, 1999.

 

Rocha, Cézar H. B. - Geoprocessamento Aplicado À Análise de Redes com Uso de Estruturas Raster: estudo de caso na Zona da Mata/MG. 2003. Rio de Janeiro; UFRJ. Tese de Doutoramento,

p.218.

 

Rodrigues, Andréia de Souza Ribeiro – Atuais dinâmicas sócio-espaciais: a habitação em Juiz de Fora. Rio de Janeiro: UFRJ: Programa de Pós graduação em Geografia. Projeto de dissertação de

Mestrado, 2004. Pp.36.

 

Sánchez, Fernanda – A (In) sustentabilidade das Cidades-vitrines. In: Acselrad, Henri – A Duração

das Cidades. Sustentabilidade e Risco nas Políticas Urbanas. Rio de Janeiro: DP & A, 2001. Pp. 155- 175.

 

Sànchez, Joan Eugeni. Metropolização e modernidade. In: SANTOS, M. et alli. - O novo mapa do mundo: fim de século e globalização. São Paulo: HUCITEC/ANPUR, 1997. p. 293-302.

 

Santos, Milton & Silveira, Maria Laura – O Brasil. Território e Sociedade no Início do Século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2003.

 

Silva, Vitorino & Guimarães, Eduardo N. et alli. – Aglomeração Urbana de Uberlândia (MG): formação sócio-econômica e dinâmica recente. Rio de Janeiro: ANPUR. Anais do IX Encontro Nacional: Ética, Planejamento, a Construção Democrática do Espaço, 2001. Pp.167-480.

 

Soja, Edward – Geografias pós-Modernas. A reafirmação do espaço na teoria social crítica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 1993.

 

Sposito, Maria Encarnação B. – As Cidades Médias e os Contextos Econômicos Contemporâneos.

In: Sposito, Maria E. B. (org.) – Urbanização e Cidades: Perspectivas Geográficas. Presidente Prudente: UNESP, 2001. Pp.609-643.

 

Vainer, Carlos B. – Pátria, Empresa e Mercadoria: notas sobre a estratégia discursiva do planejamento estratégico. In: Arantes, Otilia et alli. – A Cidade do Pensamento Único. Petrópolis: Vozes, 2000.

 

Universidade Federal de Juiz de Fora. Plano de Desenvolvimento Sustentado do Sudeste Mineiro. Juiz de Fora: UFJF/Centro de Pesquisas Sociais, 1995. 139p.

 

Viscardi, Claudia M. R. – História, Região e Poder: A Busca de Interfaces Metodológicas. Locus –

Revista de História vol.3 n.1, 1997 pp.84-97.

 

 


Ponencia presentada en el IX Encuentro Internacional Humboldt. Juiz de Fora, Minas Gerais - Brasil. 17 al 21 de setiembre de 2007.