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Asunto:[encuentrohumboldt] 160/02 - A Geografia na Educacao Infantil e Series Iniciais do Ensino Fundamental
Fecha:Sabado, 19 de Octubre, 2002  00:10:34 (-0300)
Autor:Humboldt <humboldt @............ar>

A GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E SÉRIES INICIAIS

DO ENSINO FUNDAMENTAL

 

Janete da Silva Alano

Mestre em Geografia - UFSC /Universidade Federal de Santa Catarina

Professora do Curso de Pedagogia a Distância - UDESC/CEAD

 

Sou professora de Conteúdos e metodologia de Geografia Na Ed. Inf. E Séries Iniciais do Ensino Fundamental, no Curso de Pedagogia a distância, da UDESC.

Desde muito tempo, estamos observando que o estudo da Geografia nos primeiros anos de escolaridade, vem sendo desenvolvido de forma descomprometida pelos professores, resultando num estudo sem sentido e desinteressante para as crianças.

Percebemos que os professores das séries iniciais, com formação em Pedagogia, concentram sua atenção no ensino da língua Portuguesa e da Matemática, deixando as demais disciplinas para um segundo plano, como é o caso da Geografia, que é ensinada de forma superficial por esses professores. Observamos que o seu estudo vem acontecendo de forma descritiva, cujo conteúdo restringe-se a enumeração e catalogação de dados.

Mas, por outro lado, percebemos que, embora esses professores possuam a formação em pedagogia, ao concluírem o curso, encontram-se despreparados para ministrar aulas de Geografia para as crianças.

 

Portanto, considerando-se que a Geografia seja a ciência que estuda as relações entre os homens e, destes, com a natureza, é natural que o professor dessa disciplina assuma o seu compromisso com a sociedade. A Geografia é das pessoas e, para tanto, deve falar nelas porque são as pessoas que, com o seu trabalho, constróem e modificam o espaço. Compreender, portanto, como vivem estes homens, é fundamental para entender porque os espaços são desiguais e o porquê das desigualdades sociais.

É preciso ir além da aula descritiva e distante da realidade do aluno. Eis o desafio: fazer da Geografia uma disciplina interessante, que tenha relação com a vida e não apenas com dados e informações que pareçam descoladas da realidade do estudante.

O aluno deve se perceber como participante no processo de construção do espaço, onde os fenômenos que ali acontecem são fruto da vida e do trabalho dos homens. O aluno precisa se sentir dentro daquilo que está estudando e não fora, ausente daquele espaço, como é a Geografia que ainda é muito ensinada nas escolas, a que considera o homem como um elemento a mais na paisagem e não como um ser social e histórico. Ao assumir essa postura, a Geografia rompe definitivamente com a dicotomia natureza x sociedade.

Assumindo essa postura, fica claro o porquê estudar e para quê estudar Geografia. Urge saber como conseguir provocar no aluno a sensibilidade, a curiosidade e o desejo de estudar essa ciência e quais os procedimentos metodológicos a serem adotados pelo professor.

Partimos da premissa que na Educação Infantil e Séries Iniciais tem início a alfabetização do aluno. Isso significa que todo conhecimento, não apenas o específico da Língua Portuguesa deve fazer parte dessa alfabetização, ressaltando  que ela não se esgota nos dois primeiros ciclos do ensino fundamental.

O estudo da Geografia deve oportunizar situações que favoreçam a aquisição e ampliação dos conhecimentos pela criança. Nesses seus primeiros anos de escolaridade, que corresponde à alfabetização geográfica, é fundamental que a escola propicie, ao aluno, situações que o desperte para pensar e a fazer relações entre aquilo que está estudando e o mundo em que vive. Sendo assim, a Geografia, como as demais áreas do conhecimento, desempenha um importante papel nessa tarefa. Para isso, é fundamental considerar, nesse processo, as particularidades na leitura de vida que cada criança trás consigo, valorizando as suas individualidades, estimulando o seu interesse e curiosidade.

Visando alcançar esse objetivo, é importante que nos primeiros anos de escolaridade, sejam introduzidos os conceitos essenciais da Geografia: o espaço, a paisagem, o lugar e o território. Entretanto, torna-se necessário ressaltar que esse é apenas um momento introdutório, pois esses conceitos irão permear todos os estudos relativos a essa disciplina, em todos os níveis de ensino, não se restringindo portanto ao Ensino Fundamental.

Sendo o espaço geográfico o conceito-chave da Geografia, o seu estudo do deve desencadear discussões que instrumentalizem o aluno para o entendimento da realidade, do concreto, como lugar que os homens ocupam para morar e viver. É o espaço real e, como tal, precisa compreendê-lo intelectualmente. É este concreto que precisa ser construído no processo de aprendizagem.

A apropriação do conceito de espaço geográfico acontece quando o aluno exerce a crítica de tudo aquilo que faz parte da sua vivência diária e, da história que os homens estão construindo, nos grupos sociais aos quais pertencem. "A construção do conceito de espaço tem início com a vida, supõe sair de si próprio para perceber o que existe além. Cabe a Geografia, neste momento do currículo escolar, aproveitar-se da vivência diária do aluno para conhecer, exercitar de forma consciente as relações espaciais e compreender o espaço em que se vive (como resultado da nossa história), e construir o seu conceito, apropriar-se dele" CALLAI (1998: 65).

Nesse sentido algumas atividades que poderão contribuir, devem ser realizadas de forma interessante, prazerosa e descontraída com seus alunos. Os questionamentos iniciais são importantes, porque aguçam a curiosidade das crianças, que estão ávidas por encontrar respostas, principalmente nesses primeiros anos de escolaridade. Agindo dessa forma, o professor estimula a formação dos conceitos pela própria criança, mesmo que ela não se dê conta disso.

Nos primeiros momentos da escolarização, é fundamental criar situações que favoreçam a ampliação e aprofundamento dessas noções que a criança traz consigo. Ela deve ser estimulada à reflexão e à representação, a partir das suas leituras do lugar, não em círculos concêntricos, do menor para o maior, mas sempre transpondo tais relações para a leitura de lugares onde não esteve, num compromisso com a totalidade das relações, clareando ao aluno a idéia de estar relacionado ao todo planetário, num ir e vir constante.

Essa é a tarefa da Geografia: realizar um estudo articulado entre o espaço mais próximo da criança, que é o seu local de vivência e outros espaços, vizinhos ou não. Agindo assim, a criança percebe que faz parte de um todo e que o seu mundo não é fragmento mas, que os diferentes espaços estabelecem relações constantes entre si.

Por outro lado, a abstração do conceito espaço geográfico só é possível se acontecer simultaneamente à compreensão do que seja o lugar. Por esse motivo a criança necessita conhecer o seu espaço, o lugar de sua vida diária, para compreender a totalidade.

O lugar, para CARLOS (1996:20) “é a porção do espaço apropriável para a vida – apropriada através do corpo – dos sentidos – dos passos de seus moradores, é o bairro, é a praça, é a rua, e nesse sentido poderíamos afirmar que não seria jamais a metrópole ou mesmo a cidade latu sensu a menos que seja a pequena vila ou cidade – vivida /conhecida / reconhecida em todos os cantos”.

Entretanto, um lugar não pode ser considerado em si mesmo, isoladamente, seja nas suas condições naturais, seja nas suas condições sociais. O estudo do lugar precisa estar ligado a situações e espaços que vão além da escala geográfica considerada.

Para que a criança consiga entender tudo isso, é importante que ela perceba o lugar na esfera do seu cotidiano, do espaço vivido. Ao analisar a rua onde mora, a sua vizinhança e a vizinhança da escola, as pessoas que conhece no bairro, como o padeiro, o açougueiro, o dono da mercearia e ao perceber que sabe onde muitos dos seus colegas residem, perceberá que esse é o seu espaço de vivência e, portanto é o seu lugar.

Trabalhando nesta perspectiva, o estudo realiza um movimento e supera a simples descrição e o tratamento simplório das questões, buscando-se outras referências “que permitam entender o fenômeno em uma dinâmica que é própria vida” CALLAI (1998:74).

Para que a criança consiga fazer uma leitura do seu espaço, é fundamental que ela desenvolva análises das paisagens, daquilo que vê, que sua visão observa. Para  CALLAI (1998:69) a paisagem “é a imagem, a representação do espaço em um determinado momento. Não é o espaço em si, é a fotografia do espaço que tem em si as relações sociais e, como tal, expressa tudo o que existe por detrás dela. Quer dizer, tem uma história, um movimento que é resultado do jogo de forças dos homens entre si e destes com a natureza”.

No seu trajeto diário para a escola, a criança observa a paisagem do lugar onde vive e, de tanto olhar, acostuma-se com ela e muitos de seus detalhes são despercebidos. Nesse caminho a criança vê varias formas construídas, como resultado do trabalho dos homens sobre o espaço, alem das formas naturais, que correspondem àquelas que não foram construídas pelo homem/ rios, serras, florestas, etc. Entretanto, é cada vez mais difícil encontrar formas naturais autênticas, devido à intervenção humana, que vai transformando-as em formas construídas, portanto humanizadas.

No processo de compreensão e reelaboração do conceito paisagem, a criança deve ser estimulada a fazer análises que lhe permitam descobrir o que existe por trás daquilo que enxerga. Observando seu bairro, por exemplo, o aluno deve ter a preocupação de ir além de sua simples descrição. A descrição é importante, mas ele precisa perceber que o seu bairro não é apenas um conjunto de prédios construídos, um ao lado do outro, em ruas pavimentadas, ou não, que possui poucas praças arborizadas, entre outros detalhes. O que precisa ficar bem claro, é que o seu  bairro se apresenta dessa forma porque pessoas ocupam diferentes classes sociais e que, portanto, interesses também diversos estão presentes na sua construção. Entenderá porque algumas ruas são pavimentadas e outras não, porque somente algumas quadras possuem redes de água encanada e saneamento básico, entre outras questões importantes.

 E, é imprescindível também que nessa análise a criança perceba o dinamismo que o espaço contém, que ele não é estático, mas que continua sendo (re)construído e transformado por outras pessoas, em outros tempos. Portanto, essa observação precisa ultrapassar a simples visualização da paisagem para buscar as suas histórias, o seu significado.

Conseguindo fazer essa análise, a criança irá perceber que o espaço em que vive está organizado de modo a atender aos interesses daqueles que o habitam, podendo perceber que nessa organização, geralmente alguns são mais beneficiados do que outros. Poderá entender porque a igreja fica ali (geralmente na parte mais elevada), as casas comerciais ficam mais no centro do bairro, onde geralmente também ficam as casas melhores, melhor equipadas, enquanto que as piores casas ficam na periferia, nos morros, além de outras análises importantes.

Saber, por exemplo, porque alguns bairros são mais bonitos do que outros, porque as chuvas causam mais danos em algumas áreas de sua cidade do que em outras, porque as matas nativas quase não existem mais, são algumas análises que conduzem a uma leitura espacial.

Buscando conhecimentos que expliquem esses fatos, a criança necessitará fazer pesquisas em livros, revistas, via internet, poderá conversar com outras pessoas, realizar pesquisas de campo etc. e perceberá que são muitas as razões que explicam determinado fato. Ao constatar, por exemplo, que as matas nativas de sua cidade estão desaparecendo, ela descobrirá que podem ser muitas as razões que contribuem para esse fato, como a ascensão do capitalismo e o desenvolvimento tecnológico.

Conforme já foi afirmado, o estudo da Geografia, no âmbito da Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental, vislumbra a possibilidade de conseguir fazer a leitura do mundo. Entretanto, isso só é possível, se a criança conseguir compreender a teia de relações, na maioria das vezes conflituosas, que se estabelecem entre os homensque vivem num determinda do lugar. São, portanto, essas relações de poder que se concretizam no espaço, que configuram o território.

SOUZA (1995:78,9), afirma que o  território “é fundamentalmente um espaço  definido e delimitado por e a partir de relações de poder. A questão primordial, aqui, não é, na realidade, quais são as características geoecológicas e os recursos naturais de uma certa área, o que se produz ou que produz em um dado espaço, ou ainda quais a ligações afetivas e de identidade entre um grupo social e seu espaço.” Segundo esse mesmo autor, esses aspectos podem ser importantes para a compreensão da gênese de um território ou do interesse por tomá-lo ou mantê-lo, mas o importante é compreender “quem domina ou influencia e como domina ou influencia esse espaço?”

É consenso, entre os autores, que todo território tem como fundamento principal as relações de poder que nele se estabelecem. Essas relações podem ser investidas de violência, ou não, dependendo dos interesses de quem governa, ou seja, por que governa,  para quê e para quem governa.

Para que as crianças da Educação Infantil e Séries Iniciais consigam entender bem esse conceito, o professor pode iniciar a “conversa” a partir de alguns questionamentos em sala de aula, que façam refletir, primeiro, sobre o meio em que vive: as relações de poder que acontecem na própria sala de aula, no pátio da escola e nas demais dependências da escola.

A partir daí já é possível iniciar a discussão sobre o conceito de território. Primeiro de uma forma mais simples, para que eles comecem a compreender que naquele momento têm um certo poder sobre o seu espaço, ou seja, durante o horário de aula, possuem o poder sobre o espaço que ocupam, onde sua carteira está situada. Esse é o seu território, a sua área de domínio. Ao mesmo tempo, perceberá que os outros espaços da escola também são "dominados" por outras pessoas, que existe uma hierarquia de poderes e que todos possuem direitos, que devem ser respeitados, além dos deveres que precisam ser cumpridos para o bom andamento das atividades escolares.

Dependendo do nível de aprendizagem em que se encontra a turma, o professor pode desenvolver atividades que extrapolem o espaço ocupado pela escola, realizando atividades de pesquisa sobre a administração municipal vigente, inclusive comparando-as com outras acontecidas no passado – assim, estará ressaltando a relação espaço/tempo, tão presente nos estudos geográficos. Essa pesquisa deve atingir o principal objetivo que é o de analisar as relações de poder que vêm se estabelecendo no seu município – participativa, autoritária, violenta, voltada aos interesses de toda a população ou apenas de uma minoria, etc.

Fazendo essas reflexões, inicialmente bastante sutis com os alunos na Educação Infantil e aprofundando-as gradativamente na Séries Iniciais do Ensino Fundamental, os conceitos essenciais da Geografia vão sendo incorporados pelas crianças. Aos poucos elas conseguirão identificar, analisar e avaliar o impacto das transformações naturais e sociais que acontecem no espaço mais próximo, relacionando-os aos mais distantes e perceberá a essência das aparências como resultado dos processos históricos construídos em diferentes tempos.

 

 

Durante muito tempo a Geografia foi considerada um saber neutro e até recentemente o seu ensino no Brasil, assim como o da História, sobretudo no período militar (pós 1964), apresentaram caráter positivista-descritivo, marcando  profundamente os livros didáticos e  reinando nas salas de aula. Como resultado, os professores foram reproduzindo, junto a seus alunos, um estudo completamente descolado da realidade e, por isso mesmo, desinteressante e enfadonho.

A partir de 1978, com o III Encontro Nacional de Geógrafos no Brasil, a ciência geográfica passa a adotar o materialismo histórico como método de investigação e, nos meios acadêmicos, assume a denominação de geografia crítica, que tem o espaço como seu objeto de estudo. Ao assumir essa nova postura teórico-metodológica, reage contra a Geografia tradicional e indica novos e promissores rumos para o seu desenvolvimento no país. O seu compromisso passa a ser, então, com a sociedade e superação de suas desigualdades.

Entretanto, ainda hoje são muitos os professores que vêm desenvolvendo um ensino pautado nos moldes tradicionais, completamente descolado da realidade do aluno.

Nesse contexto, torna-se urgente perceber que estudar Geografia pode ser estimulante e extremamente agradável para o estudante ou, ao contrário, desestimulante, do ponto de vista de seu entendimento. Afirmamos isso porque, na maioria das vezes o aluno não entende porque está estudando Geografia e não percebe a relação que existe entre a disciplina e o seu cotidiano de vida.

Muito mais do que repassar informações sobre o mundo, o papel da Geografia é o de refletir sobre o espaço geográfico e entender como vem sendo organizado pelo homem. E, mais do que isso, é perceber que não se trata de uma espécie de enciclopedismo ilustrado, cujos conteúdos encerram-se em si mesmos, mas que estes devem instrumentalizar o aluno, permitindo-lhe fazer a leitura do espaço construído, a leitura do mundo, do mundo da sua vida. Essa leitura deve ter referenciais teóricos que superem o senso comum, realizando análises que favoreçam uma interpretação e compreensão do espaço em sua totalidade.

Considerando que a Geografia seja a ciência que estuda as relações entre os homens e, destes, com a natureza, é natural que o professor dessa disciplina assuma o seu compromisso com a sociedade. A Geografia é das pessoas e, para tanto, deve falar nelas porque são as pessoas que, com o seu trabalho, constróem e modificam o espaço. Compreender, portanto, como vivem estes homens, é fundamental para entender porque os espaços são desiguais e o porquê das desigualdades sociais.

É preciso ir além da aula descritiva e distante da realidade do aluno. Eis o desafio: fazer da Geografia uma disciplina interessante, que tenha relação com a vida e não apenas com dados e informações que pareçam descoladas da realidade do estudante.

Ao analisar as relações entre a sociedade e a natureza e a transformação delas resultantes ao longo do tempo, percebe-se que da mesma forma que a natureza adquire outras características, a sociedade também sofre transformações, num processo constante que vai lhe atribuindo uma nova roupagem, muito embora algumas delas ainda continuem com fortes características primitivas. O aluno deve se perceber como participante no processo de construção do espaço, onde os fenômenos que ali acontecem são fruto da vida e do trabalho dos homens. O aluno precisa se sentir dentro daquilo que está estudando e não fora, ausente daquele espaço, como é a Geografia que ainda é muito ensinada na escola, a que considera o homem como um elemento a mais na paisagem e não como um ser social e histórico. Ao assumir essa postura, a Geografia rompe definitivamente com a dicotomia natureza x sociedade.

Assumindo essa postura, fica claro o porquê estudar e para quê estudar Geografia. Urge saber como conseguir provocar no aluno a sensibilidade, a curiosidade e o desejo de estudar essa ciência e quais os procedimentos metodológicos a serem adotados pelo professor. Partimos da premissa que na Educação Infantil e Séries Iniciais tem início a alfabetização do aluno. Isso significa que todo conhecimento, não apenas o específico da Língua Portuguesa deve fazer parte dessa alfabetização, ressaltando  que ela não se esgota nos dois primeiros ciclos do ensino fundamental.

O espaço escolar deve oferecer condições para que a criança se aproprie ativamente dos conhecimentos acumulados e sistematizados historicamente pela humanidade e consiga ser capaz de (re)formular conceitos científicos. 

O estudo da Geografia deve oportunizar situações que favoreçam a aquisição e ampliação dos conhecimentos pela criança. Nesses seus primeiros anos de escolaridade, que corresponde à alfabetização geográfica, é fundamental que a escola propicie, ao aluno, situações que o desperte para pensar e a fazer relações entre aquilo que está estudando e o mundo em que vive. Sendo assim, a Geografia, como as demais áreas do conhecimento, desempenha um importante papel nessa tarefa. Para isso, é fundamental considerar, nesse processo, as particularidades na leitura de vida que cada criança trás consigo, valorizando as suas individualidades, estimulando o seu interesse e curiosidade.

Uma outra questão fundamental é o conhecimento teórico científico que o professor possui, pois “(...) saber e gostar são as duas faces do desenvolvimento humano, cognitivo e afetivo...” BECKER (1993:127). Não é possível despertar a paixão do aluno pela disciplina de Geografia se o professor não conhecer bem o que está sendo estudado. O fundamental é saber para poder gostar e provocar a busca de novos saberes, desafiando o aluno para querer saber cada vez mais.

E conhecer muito o saber geográfico é perceber, também, que a Geografia não é uma ciência isolada, mas entender o seu arcabouço teórico científico e suas conexões interdisciplinares. Buscando atender a essa necessidade, é fundamental o desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar, principalmente envolvendo os conhecimentos de História, haja vista a intensa ligação que essas duas áreas do conhecimento possuem entre si. Afirmamos isso, porque o conceito-chave da Geografia é o espaço, enquanto que o da História é o tempo. Entretanto, a existência desses dois conceitos só é possível se acontecerem simultaneamente, pois o saber geográfico, enquanto processo é, em cada momento da história, um modo de pensar a época. Ao desenvolver o estudo junto aos seus alunos, o professor de Geografia deve ter consciência dessa necessidade e o compromisso com a sua efetivação.

Ainda, visando alcançar o sucesso desejado junto aos alunos, é imprescindível, que as atividades a serem desenvolvidas exijam o envolvimento dos mesmos e deixem de  representar uma tarefa, cuja única finalidade é a sua avaliação pelo professor. O fundamental “(....) é criar situações de aprendizagem que valorizem as experiências dos alunos, quanto aos espaços vividos” CASTROGIOVANNI (2000:07).

Essa estratégia dialógica conduz a uma educação mais ampla à formação cidadã do aluno e não a mera cópia do texto e memorização de dados, que não leva a lugar algum. Um estudo desenvolvido nessa perspectiva contribui para que o aluno consiga fazer uma leitura mais crítica e menos ingênua do mundo, aprendendo a se posicionar diante da sua realidade e, mais do isso, consiga contribuir com a sua transformação. Ao mesmo tempo, assumindo essa postura, o estudante consegue perceber que faz parte do contexto abordado nos conteúdos. Estes deixam de ser textos sem vida, cuja única função é a de transmitir informações fragmentadas e voltadas à memorização e passam a fazer um diálogo com o mundo real,  para além dos muros da escola.

Após essa breve reflexão acerca do desenvolvimento da Geografia na Educação Infantil e Séries Iniciais Ensino Fundamental e, considerando que  os alunos, em sua maioria crianças, ainda não sentem o gosto do seu estudo em sala de aula, torna-se urgente a tomada de novos  encaminhamentos que conduzam a um estudo mais atrativo e interessante para eles.

Visando alcançar esse objetivo, é importante que nos primeiros anos de escolaridade, sejam introduzidos os conceitos essenciais da Geografia: o espaço, a paisagem, o lugar e o território. Entretanto torna-se necessário ressaltar que esse é apenas um momento introdutório, pois esses conceitos irão permear todos os estudos relativos a essa disciplina, em todos os níveis de ensino, não se restringindo portanto ao Ensino Fundamental.

Sendo o espaço geográfico o conceito-chave da Geografia, o seu estudo deve desencadear discussões que instrumentalizem o aluno para o entendimento da realidade, do concreto, como lugar que os homens ocupam para morar e viver. É o espaço real e, como tal, precisa compreendê-lo intelectualmente. É este concreto que precisa ser construído no processo de aprendizagem.

A apropriação do conceito de espaço geográfico acontece quando o aluno exerce a crítica de tudo aquilo que faz parte da sua vivência diária e, da história que os homens estão construindo, nos grupos sociais aos quais pertencem. "A construção do conceito de espaço tem início com a vida, supõe sair de si próprio para perceber o que existe além. Cabe a Geografia, neste momento do currículo escolar, aproveitar-se da vivência diária do aluno para conhecer, exercitar de forma consciente as relações espaciais e compreender o espaço em que se vive (como resultado da nossa história), e construir o seu conceito, apropriar-se dele" CALLAI (1998: 65).

O conhecimento empírico do espaço é feito diariamente pelas pessoas, mesmo que não tenham consciência disso. Embora não se dê conta, ao percorrer o trajeto da casa para o trabalho ou simplesmente para ir ao supermercado, mapeia-se mentalmente, de forma mecânica o caminho a ser percorrido. O mesmo procedimento também já era adotado pelo homem das cavernas, que sem perceber traçava o seu percurso para poder caçar, colher frutos, etc.

Procedendo dessa forma, mesmo que esse propósito não esteja previamente definido, essa é uma demonstração das noções de espaço, orientação e localização espacial já adquiridas. Conforme afirma KAERCHER (1899:66) "O homem faz seu espaço diariamente, sem perceber que está fazendo Geografia e, ainda menos se põe a pensar sobre ele".

Portanto, quando chega na escola a criança já possui algum conhecimento sobre o espaço, conhecimento este que deve ser valorizado e explorado pelo professor. A partir da observação do meio mais próximo das crianças, serão construídos os conceitos que lhes permitirão compreender a sua realidade, o seu espaço, para perceber que faz parte dele e que possui um papel na sua (re)construção.

Todos os momentos em que a criança realiza uma atividade na escola, ou simplesmente uma brincadeira, ou ainda quando, no recreio escolar, conversa descontraidamente sobre sua família com seus colegas, têm um significado. Em cada atividade estão sendo desenvolvidos conceitos fundamentais para a aprendizagem e o aprofundamento das noções espaciais.

Esses instantes de descontração acontecidos na vida escolar do aluno são fundamentais para que se possa discutir e compreender os conceitos básicos de Geografia. Essa é uma abstração que vai acontecendo lentamente, primeiro de uma forma mais concreta, partindo das experiências do aluno, da sua realidade mais próxima, ampliando-se gradativamente, de modo cada vez mais elaborado e abrangente. Nesse processo, o papel do professor, como mediador, é extremamente importante.

Nesse sentido algumas atividades que poderão contribuir, devem ser realizadas de forma interessante, prazerosa e descontraída com seus alunos. Os questionamentos iniciais são importantes, porque aguçam a curiosidade das crianças, que estão ávidas por encontrar respostas, principalmente nesses primeiros anos de escolaridade. Agindo dessa forma, o professor estimula a formação dos conceitos pela própria criança, mesmo que ela não se dê conta disso.

Nos primeiros momentos da escolarização, é fundamental criar situações que favoreçam a ampliação e aprofundamento dessas noções que a criança traz consigo. Ela deve ser estimulada à reflexão e à representação, a partir das suas leituras do lugar, não em círculos concêntricos, do menor para o maior, mas sempre transpondo tais relações para a leitura de lugares onde não esteve, num compromisso com a totalidade das relações, clareando ao aluno a idéia de estar relacionado ao todo planetário, num ir e vir constante.

Essa é a tarefa da Geografia: realizar um estudo articulado entre o espaço mais próximo da criança, que é o seu local de vivência e outros espaços, vizinhos ou não. Agindo assim, a criança percebe que faz parte de um todo e que o seu mundo não é fragmento mas que, os diferentes espaços estabelecem relações constantes entre si.

O trabalho com o espaço envolve a noção de orientação e localização, representação e o estudo dos seus elementos, sejam eles naturais ou culturais. Nas séries iniciais, tem início a compreensão do espaço como totalidade, bem como a percepção do papel do aluno e da sociedade como um todo, na sua (re)construção.

O professor deve trabalhar os conceitos essenciais da disciplina de forma atrativa, estimulando o interesse pelas novas descobertas nessa área do conhecimento. Para isso, as atividades devem respeitar o nível de conhecimento anteriormente adquirido pelas crianças e a sua capacidade de abstração, de forma que exijam delas o raciocínio e a curiosidade pelas novas descobertas.

O papel da escola deve ser o de criar condições para que a criança consiga se localizar no espaço, bem como desenvolver a sua capacidade de analisar os espaços sociais, compreendendo-os como construções do homem, em determinado tempo. Certamente, o desenvolvimento da noção de espaço exige um longo caminho preparatório, acontecendo aos poucos, gradativamente.

Agindo dessa forma, o professor rompe com o ensino fragmentado da Geografia, que estuda, por exemplo, o bairro na 1ª série, o Município na 2ª e o Estado na 3ª e introduz o estudo do município na 4ª série, como se esses espaços não tivessem relação um  com o outro. Imprescindível perceber que não é possível entender o seu espaço local, o seu lugar de vivência, sem considerar que ele está inserido num espaço maior e que este, por sua vez, faz parte de outros espaços, fornecedores de matérias-primas, mão-de-obra, capital, etc., num relacionamento direto ou indireto, influenciando-se mutuamente.

Ao observar o lugar específico, que é o espaço vivido, e confrontá-lo com outros espaços, tem início o processo de abstração do real aparente, do visível, do espaço perceptível. Nas primeiras séries do ensino fundamental a criança já é capaz de lembrar o percurso realizado entre a sua casa e a escola, o que não acontecia antes. Por exemplo, ao observar uma gravura, a criança tem condições de identificar a localização dos objetos e distinguir as suas distâncias. Antes percebia apenas o “aqui”, nesse momento, atinge o “acolá” ALMEIDA (2000).

Nesse processo, aconteceu uma ampliação no campo de conhecimento empírico da criança, no que se refere à análise do espaço, pois passa a acontecer também pela observação.

Inicia-se aos poucos, por parte da criança, a construção da função simbólica, ou seja, a substituição de uma ação (engatinhar, procurar, etc.) ou um objeto (bola, boneca etc.) por um símbolo, imagem ou palavra. Com o amadurecimento físico, os contatos com os seus colegas e a mediação do professor, ao realizar as atividades escolares, a criança vai conseguindo representar aquilo que vê ou imagina, utilizando-se de símbolos. Ocorre, dessa forma, a construção do espaço representativo.

Por outro lado, a abstração do conceito espaço geográfico só é possível se acontecer simultaneamente à compreensão do que seja o lugar. Por esse motivo a criança necessita conhecer o seu espaço, o lugar de sua vida diária, para compreender a totalidade.

Segundo DURÁN (1998:58), “o lugar, do ponto de vista geográfico refere-se a localização (...)segundo os geógrafos, lugar é o espaço vivido, é o horizonte cotidiano, que tem sentido de identidade e pertencimento. É o lugar de cada um de nós. Em conseqüência, para que o espaço seja lugar, deve transformar-se em algo fundamental para as pessoas e, conseqüentemente, poderá ser significativo e valorizado no seu estudo”.

O lugar, para CARLOS (1996:20) “é a porção do espaço apropriável para a vida – apropriada através do corpo – dos sentidos – dos passos de seus moradores, é o bairro, é a praça, é a rua, e nesse sentido poderíamos afirmar que não seria jamais a metrópole ou mesmo a cidade latu sensu a menos que seja a pequena vila ou cidade – vivida /conhecida / reconhecida em todos os cantos”.

 

Interessante atentar para o que afirma DURÁN (1998:59), quando diz que existem os não lugares, ou seja, “são os espaços onde não há identidade, nem vínculos, nem história, nem geografia. (...) Se trata de localizações desenhadas para circulação acelerada de pessoas e bens ( vias rápidas, aeroportos, etc.) os grandes centros comerciais de consumo (supermercados, shoppings centers), e, também os campos de trânsito dos refugiados do planeta”.

Quando se refere à metrópole, CARLOS (1996) também observa que esta não é lugar, na medida em que extrapola a esfera do plano vivido, sem criar laços profundos de identidade, habitante – identidade, habitante – lugar. A metrópole não cria vínculos entre seus habitantes e desses com o espaço. Essa autora faz lembrar que, ao contrário, é no lugar que as casas comerciais, por exemplo, são mais do que pontos de compra e venda de mercadorias, são pontos de encontro. Também os motoristas de ônibus, os bilheteiros, são considerados parte da comunidade, porque são conhecidos – reconhecidos por seus habitantes, que é o plano vivido. É evidente que é possível encontrar isso na metrópole, mas apenas se considerarmos o bairro como escala de análise, entretanto, definitivamente, não é o que caracteriza a grande cidade.

Após analisar essas definições, ainda é possível pensar o lugar enquanto singularidade, ou seja, como um  espaço isolado e independente?

O problema a resolver é como reparar o vazio que separa o mundo real do mundo em sala de aula. Não podemos considerar o lugar sem perceber a rede de inter-relações que há entre ele e o mundo, da mesma forma que os estudos desenvolvidos na escola como descolados dos fatos acontecidos fora dela. Escola e  mundo têm relação direta e um influencia o outro.

O lugar é uma fração do todo, do espaço totalidade e dos diferentes tempos. Portanto, a compreensão do lugar só é possível considerando-se a totalidade, num trânsito pelos outros lugares, desde os mais próximos geograficamente, aos mais distantes, não em círculos concêntricos, do menor para o maior, mas sempre transpondo tais relações para a leitura de lugares onde não esteve, num compromisso com a totalidade das relações, clareando ao aluno a idéia de estar relacionado ao todo planetário, num ir e vir constante.

O lugar “não se limita aos limites administrativos do bairro e/ou da cidade. O lugar é, para nós, a possibilidade da empirização do mundo, ou seja, é no lugar que o mundo – a totalidade – se faz sentir”. STAFORINI (2001: 03).

Conforme faz lembrar CALLAI (1998:67) “o processo de globalização impõe uma lógica que fragmenta os espaços além de suas divisões político-administrativas e, nesta perspectiva, torna-se indispensável, mais que considerar essa nova lógica, entender de modo crítico qual o novo lugar e se atribui aos velhos lugares; como operar com o local, o regional, o nacional, o global nos estudos, nas análises, nas descrições dos lugares”.

Nesse sentido, um lugar não pode ser considerado em si mesmo, isoladamente, seja nas suas condições naturais, seja nas suas condições sociais. O estudo do lugar precisa estar ligado a situações e espaços que vão além da escala geográfica considerada.

Torna-se necessário desenvolver o estudo do bairro, sem considerá-lo como  espaço absoluto das crianças para se tornar um espaço relacional, ou seja, entender que a partir dele é possível estabelecer outras relações espaciais.

Será necessário recuperar no ensino de Geografia “a noção de lugar no mundo pós-moderno de redes intangíveis e aldeia global. Será imprescindível compreender a unidade do planeta e a diversidade característica dos lugares, já que nenhum lugar pode escapar do processo conjunto de globalização e fragmentação” DURÁN (1998: 62).

Para que a criança consiga entender tudo isso, é importante que ela perceba o lugar na esfera do seu cotidiano, do espaço vivido. Ao analisar a rua onde mora, a sua vizinhança e a vizinhança da escola, as pessoas que conhece no bairro, como o padeiro, o açougueiro, o dono da mercearia e ao perceber que sabe onde muitos dos seus colegas residem, perceberá que esse é o seu espaço de vivência e, portanto é o seu lugar.

Trabalhando nesta perspectiva, o estudo realiza um movimento e supera a simples descrição e o tratamento simplório das questões, buscando-se outras referências “que permitam entender o fenômeno em uma dinâmica que é própria vida” CALLAI (1998:74).

A principal finalidade da Geografia e das demais disciplinas curriculares é a de contribuir para que o aluno desenvolva a sua cidadania, dando-lhe condições para que se reconheça como um sujeito que tem uma história e um conhecimento do mundo, sendo capaz de atuar como cidadão. E isso só acontece se o aluno se sentir parte integrante daquilo que ele está estudando, ou seja, que é a sua realidade concreta, vivida cotidianamente e, não coisas distantes, abstratas e descoladas do seu espaço de vivência.

CALLAI (1998:72) 2 observa que “ao querermos instrumentalizar o aluno para que tenha condições de compreender o mundo em que vive, devemos dar atenção ao conteúdo que é trabalhado e a forma como ele é desenvolvido. Assim, entendemos que o estudo do município em que vive o estudante  (isto é, o lugar em que vive) deve ocorrer desde as séries iniciais, juntamente com o processo da alfabetização”.

Quando o professor cria condições para que o aluno trabalhe com a sua realidade próxima, conhecendo de modo mais sistemático o lugar em que vive, consegue construir os conceitos necessários, tanto para as aprendizagens futuras como para a sua vida.

O espaço é, portanto, construído e organizado por grupos sociais em diferentes momentos da história. Esse espaço apresenta diferentes aparências, dependendo de como viviam aqueles que o construíram e de como vivem os que hoje o (re)constróem e, assim, novas imagens vão moldando a paisagem.

Para que a criança consiga fazer uma leitura do seu espaço, é fundamental que ela desenvolva análises das paisagens, daquilo que vê, que sua visão observa. Para  CALLAI (1998:69) a paisagem “é a imagem, a representação do espaço em um determinado momento. Não é o espaço em si, é a fotografia do espaço que tem em si as relações sociais e, como tal, expressa tudo o que existe por detrás dela. Quer dizer, tem uma história, um movimento que é resultado do jogo de forças dos homens entre si e destes com a natureza”.

No seu trajeto diário para a escola, a criança observa a paisagem do lugar onde vive e, de tanto olhar, acostuma-se com ela e muitos de seus detalhes são despercebidos. Nesse caminho a criança vê varias formas construídas, como resultado do trabalho dos homens sobre o espaço, alem das formas naturais, que correspondem àquelas que não foram construídas pelo homem/ rios, serras, florestas, etc. Entretanto, é cada vez mais difícil encontrar formas naturais autênticas, devido à intervenção humana, que vai transformando-as em formas construídas, portanto humanizadas.

Nesse sentido, tudo aquilo que a criança consegue enxergar nesse caminho para a escola, ou durante um passeio a uma cidade vizinha ou ainda a um lugar distante, é a paisagem.

Ao observar criteriosamente uma paisagem, é possível perceber , ao menos a nível de imediato, como vivem as pessoas que o habitam. Ela é, portanto, o resultado de uma dada cultura que a modelou e a modela, expressando-a em seus diversos aspectos. Reforçando essa constatação, CORREA (1997) faz lembrar das “paisagens excluídas”, referindo-se às minorias e grupos pouco integrados como os ciganos e minorias raciais e religiosas. Tratam-se de paisagens próprias, geralmente imperceptíveis aos olhos da cultura dominante, mas rica de símbolos e significados para o grupo excluído.

Constituindo-se num dos conceitos-chave da Geografia, para numerosos geógrafos a paisagem possui o papel de integrar essa ciência, articulando o saber da natureza com o saber do homem.

Há que se considerar, entretanto, que existe uma paisagem que é natural e, portanto, representada apenas pelos aspectos naturais – rios, morros, vegetação, etc. e intocada pelo homem. Por outro lado, há a paisagem cultural, representada pelas alterações promovidas pelo homem sobre o meio natural. E, é essa paisagem cultural que reproduz o status social dos indivíduos que viveram e vivem no lugar. E, como as interferências humanas estão presentes em praticamente todas as partes do globo, hoje são raras as paisagens consideradas completamente naturais.

No processo de compreensão e reelaboração do conceito paisagem, a criança deve ser estimulada a fazer análises que lhe permitam descobrir o que existe por trás daquilo que enxerga. Observando seu bairro, por exemplo, o aluno deve ter a preocupação de ir além de sua simples descrição. A descrição é importante, mas ele precisa perceber que o seu bairro não é apenas um conjunto de prédios construídos, um ao lado do outro, em ruas pavimentadas, ou não, que possui poucas praças arborizadas, entre outros detalhes. O que precisa ficar bem claro, é que o seu  bairro se apresenta dessa forma porque pessoas ocupam diferentes classes sociais e que, portanto, interesses também diversos estão presentes na sua construção. Entenderá porque algumas ruas são pavimentadas e outras não, porque somente algumas quadras possuem redes de água encanada e saneamento básico, entre outras questões importantes.

E, é imprescindível também que nessa análise a criança perceba o dinamismo que o espaço contém, que ele não é estático, mas que ele continua sendo (re)construído e transformado por outras pessoas, em outros tempos. Portanto, essa observação precisa ultrapassar a simples visualização da paisagem para buscar as suas histórias, o seu significado.

“É fundamental considerar,na análise de qualquer lugar, certos critérios que possibilitem o entendimento do que está acontecendo, sem que se fique na simples descrição linear dos fenômenos, sem a possibilidade de contribuir para a compreensão dos mesmos, para perceber que o que acontece não é apenas acaso, mas extremamente encadeado numa lógica que não é apenas interna, pelo contrário está posta pelas inúmeras relações a que estão envolvidos os homens em geral e os daquele lugar em especial” CALLAI, 1997:04.

Conseguindo fazer essa análise, a criança irá perceber que o espaço em que vive está organizado de modo a atender aos interesses daqueles que o habitam, podendo perceber que nessa organização, geralmente alguns são mais beneficiados do que outros. Poderá entender porque a igreja fica ali (geralmente na parte mais elevada), as casas comerciais ficam mais no centro do bairro, onde geralmente também ficam as casas melhores, melhor equipadas, enquanto que as piores casas ficam na periferia, nos morros, além de outras análises importantes.

Saber, por exemplo, porque alguns bairros são mais bonitos do que outros, porque as chuvas causam mais danos em algumas áreas de sua cidade do que em outras, porque as matas nativas quase não existem mais, são algumas análises que conduzem a uma leitura espacial.

Buscando conhecimentos que expliquem esses fatos, a criança necessitará fazer pesquisas em livros, revistas, via internet, poderá conversar com outras pessoas, realizar pesquisas de campo etc. e perceberá que são muitas as razões que explicam determinado fato. Ao constatar, por exemplo, que as matas nativas de sua cidade estão desaparecendo, ela descobrirá que podem ser muitas as razões que contribuem para esse fato, como a ascensão do capitalismo e o desenvolvimento tecnológico.

A crescente exploração dos recursos naturais, em atendimento aos interesses do capital, a concentração das riquezas nas mãos de poucos, figuram entre os principais responsáveis pela degradação ambiental, provocando grandes alterações no meio ambiente.

"O avanço tecnológico no processo de desmatamento tem permitido a maximização da exploração florestal no mundo tropical, acentuando o uso das madeiras 'duras', madeiras de lei, provocando uma desenfreada exploração de florestas na Indonésia, na Malásia, na Tailândia e, mais recentemente, no Brasil" ANDRADE (2000:165 ).

Por outro lado, a expansão das transnacionais, que através compra ou fusão de empresas, acabam por absorvê-las. A deflagração de políticas espoliativas dos países ricos sobre os pobres e o emprego da tecnologia para substituir os trabalhadores por máquinas, são fatores que geram a concentração econômica. Poucos ficam cada vez mais ricos, enquanto que muitos, a grande maioria, fica cada vez mais pobre.

Conseguindo fazer essas análises, a criança poderá compreender melhor as questões do seu cotidiano, como as causas do desemprego de seu vizinho, ou de seu pai, saberá analisar se esse é um desemprego estrutural (causado pela tecnologia), ou não, mesmo que ainda não esteja familiarizada com esse novo termo. Conseguirá ainda, analisar os bairros de sua cidade e compreender porque não são iguais.

A partir dessas discussões, o professor ampliará o estudo para outras questões sociais, como: a violência urbana, a fome, a falta de moradia, entre outras formas de exclusão social, tanto em âmbito local como global.

Os meios de comunicação, como revistas, jornais escritos, telejornais e outros programas veiculados pela televisão e o uso da internet, entre outros, são muito importantes para obtenção de informações diversas, principalmente em relação aos lugares mais distantes geograficamente.

Nesse contexto, o uso do rico material tecnológico, os estudos e discussões sobre o assunto devem ser o compromisso do ensino e da Geografia, em especial. Enfocando essa questão atual, a Geografia ampliará os horizontes dos alunos, permitindo-lhes compreender o mundo como  realmente é, para conseguir lidar com os problemas sociais e ambientais que os cercam, podendo, principalmente, atuar como agente transformador do meio em que vive.

A Geografia deve oferecer um referencial de análise capaz de compreender a realidade, sob o ponto de vista da organização/construção do espaço. Essas análises deverão estar permeadas por um outro conceito muito importante para a Geografia e, utilizado para interpretar as relações entre os homens e destes com a natureza, que é o território.

Conforme já foi afirmado, o estudo da Geografia, no âmbito da Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental, vislumbra a possibilidade de conseguir fazer a leitura do mundo. Entretanto, isso só é possível, se a criança conseguir compreender a teia de relações, na maioria das vezes conflituosas, que se estabelecem entre os homensque vivem num determinda do lugar. São, portanto, essas relações de poder que se concretizam no espaço, que configuram o território.

SOUZA (1995:78,9), afirma que o território “é fundamentalmente um espaço  definido e delimitado por e a partir de relações de poder. A questão primordial, aqui, não é, na realidade, quais são as características geoecológicas e os recursos naturais de uma certa área, o que se produz ou que produz em um dado espaço, ou ainda quais a ligações afetivas e de identidade entre um grupo social e seu espaço.” Segundo esse mesmo autor, esses aspectos podem ser importantes para a compreensão da gênese de um território ou do interesse por tomá-lo ou mantê-lo, mas o importante é compreender “quem domina ou influencia e como domina ou influencia esse espaço?”

BALBIM (2001:166) afirma que “o território se forma a partir de uma relação espaço/tempo; ao se apropriar de um espaço em determinado tempo e com todas as perspectivas de possibilidades acarretadas, o ator territorializa o espaço. Assim, o território constitui-se num espaço onde se projetou o trabalho, revelando, segundo Raffestin, relações de poder”

Agora, compare-o com o que diz ARENT (1985:24):

“O ‘poder’ corresponde à habilidade humana de não apenas agir, mas de agir em uníssono, em comum acordo. O poder jamais é propriedade de um indivíduo; pertence a ele um grupo e existe apenas enquanto o grupo se mantiver unido. Quando dizemos que alguém está ‘no poder’ estamos na realidade nos referindo ao fato de esta pessoa estar investida de poder, por um certo número de pessoas, para atuar em seu nome. No momento em que o grupo de onde origina-se o poder (potestas em populo, sem um povo ou um grupo não há poder), desaparece, ‘o seu poder’ também desaparece”

Segundo essa autora, o poder corresponde ao ato de representar um grupo de pessoas e, por esse motivo, não carece de justificativas, já que seria inerente à existência de qualquer comunidade política e, por isso, precisa ser legítimo. Ou seja, todo grupo humano, ao se organizar precisa de alguém que os lidere, coordenando e articulando suas ações para, acima de tudo, promover o progresso para todos. Por outro lado, quando o poder está em vias de desaparecer, ou seja, quando o grupo já não aceita mais quem está no poder, este só poderá permanecer através da força, pois “o domínio através da violência pura vem á baila quando o poder está em vias de ser perdido” (Op. Cit. 29).

Nesse sentido, poder e violência se opõem, pois a violência só é empregada quando não há o poder legítimo e representativo, aceito pela maioria do grupo. É importante chamar a atenção para a confusão que se costuma fazer entre esses dois termos. Poder e violência não convivem juntos. “Onde um domina de forma absoluta, o outro está ausente” (Op.Cit.:30). O poder só existe se for aceito pelo grupo que representa, mas se houver necessidade de haver violência para que os representantes permaneçam no poder, descaracteriza a sua função que é a de ser representativa e perde sua legitimidade. Para existir, torna-se absoluto e utiliza-se da violência para dominar o grupo que representa.

Tem sido comum associar a palavra território ao “território nacional”, evocando o Estado como seu gestor por excelência, associando aos sentimentos patrióticos, ao governo, a “defesa do território pátrio”, às guerras, etc. Essa relação que se faz é correta, mas o território não pode se restringir apenas  a essa escala de análise, nem reduzido à figura do Estado. Os territórios existem e são construídos, (re)construídos e (des)construídos nas mais diversas escalas, desde a local (um quarteirão do centro da cidade ocupado por prostitutas durante à noite) até à internacional (como a área formada pelo conjunto dos territórios dos países membros da União Européia).

SOUZA (1995) deixa claro que o território possui como base dois ingredientes importantes: o poder e o espaço. Ou seja, um espaço se torna território quando permeado por relações de poder. Entretanto, é oportuno deixar claro que esse espaço não diz respeito apenas ao solo em si, pois pode haver  um território em alto mar, por exemplo, como uma grande extensão do oceano controlada por poderosos barcos pesqueiros que dominam a prática da pesca nessa área, impedindo ou dificultando a participação de outros pescadores no local. Nesse aspecto também vale lembrar que todo país possui uma extensão de mar territorial, que se estende desde  a orla marítima até alguns quilômetros em direção ao oceano.

É consenso, entre os autores, que todo território tem como fundamento principal as relações de poder que nele se estabelecem. Essas relações podem ser investidas de violência, ou não, dependendo dos interesses de quem governa, ou seja, por que governa, para quê e para quem governa.

Para que as crianças da Educação Infantil e Séries Iniciais consigam entender bem esse conceito, o professor pode iniciar a “conversa” a partir de alguns questionamentos em sala de aula, que façam refletir, primeiro, sobre o meio em que vive: as relações de poder que acontecem na própria sala de aula, no pátio da escola e nas demais dependências da escola.

A partir daí já é possível iniciar a discussão sobre o conceito de território. Primeiro de uma forma mais simples, para que eles comecem a compreender que naquele momento têm um certo poder sobre o seu espaço, ou seja, durante o horário de aula, possuem o poder sobre o espaço que ocupam, onde sua carteira está situada. Esse é o seu território, a sua área de domínio. Ao mesmo tempo, perceberá que os outros espaços da escola também são "dominados" por outras pessoas, que existe uma hierarquia de poderes e que todos possuem direitos, que devem ser respeitados, além dos deveres que precisam ser cumpridos para o bom andamento das atividades escolares.

Dependendo do nível de aprendizagem em que se encontra a turma, o professor pode desenvolver atividades que extrapolem o espaço ocupado pela escola, realizando atividades de pesquisa sobre a administração municipal vigente, inclusive comparando-as com outras acontecidas no passado – assim, estará ressaltando a relação espaço/tempo, tão presente nos estudos geográficos. Essa pesquisa deve atingir o principal objetivo que é o de analisar as relações de poder que vêm se estabelecendo no seu município – participativa, autoritária, violenta, voltada aos interesses de toda a população ou apenas de uma minoria, etc.

Finalmente, já é possível concluir - não definitivamente, mas aproveitando as atividades desenvolvidas anteriormente, para refletir que os territórios podem existir dentro das mais diversas escalas cartográficas, geográficas e temporais. Eles podem ser grandes ou pequenos, próximos ou distantes e duradouros, temporários ou cíclicos.

A discussão sobre o seu conceito pode se estender para outros níveis mais abrangentes, de modo a ampliar o seu conhecimento e clarear a confusão que se faz ao associá-lo apenas ao território nacional. Os territórios podem ter existência, ser construídos, (re)construídos ou destruídos muito próximos de nós, no nosso local de vivência cotidiana ou muito distantes geograficamente.

Considerando a escala local, o território pode ser, por exemplo, aquele espaço que é controlado por traficantes de drogas e situa-se no bairro onde a criança mora, ou no quarteirão vizinho ao nosso. Ali, algumas pessoas se apropriam do poder e  comandam todo um esquema de consumo e distribuição de drogas, usando-se da violência nas suas mais diversas formas. Nesse caso o poder investido nesse território não é legítimo porque se utiliza da força para continuar existindo.

Os territórios podem ser, também, aqueles espaços ocupados por grupos de prostitutas e travestis. Esses territórios são chamados por SOUZA (1995) de “territorialidades flexíveis”. Esses espaços apresentam funções diferenciadas: durante o dia as ruas são tomadas por um tipo de paisagem humana caracterizada pelo movimento típico de uma cidade, onde as pessoas fazem compras, trabalham nos escritórios, no comércio fixo e ambulante, nos transportes, etc. e à noite esse mesmo espaço cede lugar a uma outra categoria de freqüentadores, como as prostitutas e os travestis. Geralmente esses territórios ocupados à noite são palco de disputa entre os grupos rivais – nesse caso, prostitutas x travestis –, pelo controle do espaço.

Uma outra questão importante a ser destacada diz respeito aos limites dos territórios. Estes, geralmente são instáveis e sofrem alterações de acordo com a necessidade de expansão das suas áreas de influência, podendo deslizar para ruas vizinhas, becos, praças... ou, por outro lado, sofrerem redução. Esses territórios são, portanto móveis, cujos limites tendem a ser instáveis e, por esse motivo, “a criação da identidade territorial é apenas relativa, digamos, mais propriamente funcional do que afetiva” SOUZA(1995:88). Ou seja, a ligação entre as pessoas e o espaço físico que elas ocupam se estabelece numa relação baseada em interesses, isto é, só há identidade enquanto o território oferecer o que seus “habitantes” esperam encontrar.

Por outro lado, ao nos referirmos ao território nacional, cujo limites e tempo de existência são duradouros, percebemos que esse espaço pode apresentar forte identidade entre seus habitantes, devido às raízes históricas e aos sentimentos patrióticos que os une.

Retomando a discussão sobre conceito de território, é importante observar que os exemplos acima deixam claro que o território só existe se estiver permeado pelo poder, pelas relações de poder estabelecidas entre os homens ou pela disputa pelo seu controle.

O “tempo de vida” dos territórios também é transitório, podendo perdurar por décadas ou até séculos ou, ainda, ter existência periódica ou simplesmente acabar definitivamente. Alguns territórios podem ser extintos temporariamente e depois de algum tempo voltar a sua existência anterior. Para entender melhor, pode-se utilizar o exemplo citado anteriormente, o referente ao território ocupado por traficantes de drogas. Graças às ações de combate travadas pelos policiais sobre a área, este território pode ser desfeito temporariamente, enquanto perdurar as investidas policiais no local. Quando acontece o relaxamento da polícia no combate ao tráfico, os traficantes sentem-se mais seguros e estimulados para retornar para o local, acontecendo, conseqüentemente, a reconstituição do território.

Pode-se citar, ainda, outras situações em que se dá a formação de territórios, gerando espaços públicos “apropriados” por certos grupos específicos e  cuja temporalidade é bem definida. A ocupação das calçadas de certos logradouros públicos por camelôs, geralmente formados por pessoas que migraram para as grandes cidades em busca de melhores condições de vida. Esses espaços têm sido palco de conflitos que se estabelecem entre os seus usuários: os moradores do bairro e, nesse caso os comerciantes que representam os chamados setores formais da economia e os “invasores”, que compõem os setores informais, nesse caso representados pelos camelôs. Os incidentes acontecidos entre esses dois grupos têm sido freqüentes, provocando manifestações e cenas de violência, envolvendo, de um lado, os comerciantes e a polícia e, de outro, os camelôs.

Os pontos de venda do jogo do bicho também correspondem a um outro tipo de territorialidade bastante específica, porque se estendem por áreas muito abrangentes e provocam a formação de territórios pulverizados, ou seja, sem contigüidade espacial. Entretanto, apesar dessa pulverização, os vários territórios são controlados por um poder central, que geralmente disputa “os pontos de venda” com grupos rivais e, é aí que aparece a figura do “bicheiro” ou da família mafiosa, representando o poder sobre as suas áreas de influência. Nesse caso, em que não há um território contínuo, o que há são “nós“ conectados entre si por segmentos que correspondem aos fluxos que interligam, “costuram” os nós. Ou seja, os pontos de venda estão conectados entre si, por redes de comunicação e informação  A esse território em rede ou território-rede SOUZA(1995) chama de território descontínuo.

Fazendo-se essas reflexões, inicialmente bastante sutis com os alunos na Educação Infantil e aprofundando-as gradativamente na Séries Iniciais do Ensino Fundamental, os conceitos essenciais da Geografia vão sendo incorporados pelas crianças. Aos poucos elas conseguirão identificar, analisar e avaliar o impacto das transformações naturais e sociais que acontecem no espaço mais próximo, relacionando-os aos mais distantes e perceberá a essência das aparências como resultado dos processos históricos construídos em diferentes tempos.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

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STAFORINI, Rafael. Ensinar a geografia nas séries inicias: o desafio da totalidade mundo. Campinas, SP: 2001


Ponencia presentada en el Simposio Geografía y Educación, durante el Cuarto Encuentro Internacional Humboldt "Geografía de la Integración". Puerto Iguazú, 16 al 20 de setiembre de 2002.