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Asunto:[encuentrohumboldt] 142/02 - Fronteira e mito: Turner e o agrarismo norte-americano
Fecha:Lunes, 7 de Octubre, 2002  18:41:50 (-0300)
Autor:Humboldt <humboldt @............ar>

 
Fronteira e mito : Turner e o agrarismo norte-americano
 
 

Prof. Hilda Pívaro Stadniky

Universidade Estadual de Maringá

Apucarana - Brasil

 
Resumo
 
A pertinência e a atualidade da discussão do conceito de fronteira podem ser facilmente constatadas pela multiplicidade de centros e instituições acadêmicas voltadas ao tema. Ele carrega uma diversidade de sentidos e reflete os significados edificados em realidades históricas distintas. Mais que a demarcação política entre dois países ou o limite entre regiões habitadas ou colonizadas, a linha divisória entre duas culturas ou civilizações, a fronteira é um lugar de encontro e colisão de culturas, de mundos distintos e, em geral, incompatíveis. A fronteira é um espaço cultural, é o lugar de encontro entre o “eu” e o “outro”. Na realidade, somos a fronteira. É, no fundo, um conflito de identidades que se apresentam irreconciliáveis e sem dúvida, o contágio, a mescla, a mestiçagem, a fusão, são inevitáveis. É uma identidade indefinida e conflitiva que perdeu suas características e, portanto, seu lugar no mundo. Contudo, a questão da terra tem sido colocada como central para as discussões mais recentes, a exemplo das propostas de José de Souza Martins, no Brasil, para distinguir e enfatizar as leituras acerca de frentes de expansão e frentes pioneiras na fronteira agrícola. A trajetória da edificação de sentidos para a fronteira nos leva a retomar as propostas da tese de Turner, o que resulta na recuperação da fronteira enquanto lugar de mitos. Neste sentido, a retomada do Mito de Jardim nos proporciona elementos constitutivos do agrarismo norte-americano edificado na política ao longo do século XIX.
 
Fronteira e mito : Turner e o agrarismo norte-americano.[1]
 
 
The existence of an area of free land, its continuous recession, and the advance of American settlement westward explain American development.
(Frederick Jackson Turner, 1893).
 
A natureza abre seu colo para receber os recém-chegados e os fartar com comida. Não tenho certeza que posso ser chamado de um americano parcial quando digo que o espetáculo oferecido por essas cenas agradáveis deve ser mais interessante e mais filosófico do que aquele que se sente olhando para as ruínas mofadas de Roma.
(Crèvecoeur. Cartas de um agricultor americano, 1782).
 
 
1. A tese da fronteira na História americana.
 
Há pouco mais de um século Frederick Jackson Turner[2] proferiu na Associação Histórica Americana, em Chicago, sua famosa palestra The significance of the frontier in American History.[3] A existência de uma área de terra livre, sua contínua recessão e o avanço rumo ao Oeste da colonização americana explicam o desenvolvimento americano.[4] Com essas palavras Turner colocou os alicerces do estudo histórico moderno do Oeste Americano e apresentou a tese da fronteira que ainda influencia o pensamento histórico contemporâneo. Nela, ele explicita a afirmação de que o caráter nacional americano foi forjado no movimento de expansão das populações para o Oeste.[5]
O ponto central da idéia de fronteira, desenvolvida por Turner, reside na existência das  free lands,[6] desabitadas, prontas a serem ocupadas pelos brancos de origem ocidental européia, que nelas vivenciam seus ideais de liberdade, de individualidade, num espaço de oportunidades ilimitadas. A contribuição de Turner para a história norte-americana foi sua argumentação de que o seu passado, caracterizado pela fronteira, melhor explicava a história específica dos Estados Unidos.[7] Assim, a expansão americana para o Oeste era o próprio âmago da experiência americana, o cadinho no qual o caráter individualista foi formado na confrontação entre a barbárie e a civilização. O movimento para o Oeste garantiu a democracia política e social através da disponibilidade de terras livres e energizou o crescimento econômico com bonanças sucessivas da fronteira. Aqui, igualmente, está contida a idéia do movimento.
Três anos antes da conferência sobre a tese da fronteira, o Instituto de Recenseamento dos Estados Unidos anunciara o desaparecimento da linha fronteiriça contígua. Até então ninguém havia interpretado o papel da fronteira no delineamento do desenvolvimento da América e do caráter do americano. Alguns poucos, a exemplo de Aléxis de Tocqueville, haviam reconhecido que um continente sem fronteiras ajudou a formar a nação. A maioria dos pesquisadores ligava o desenvolvimento americano às origens da nação na Europa. A importância da fronteira como força primária no desenvolvimento americano foi primeiramente reconhecida por Turner,  ele próprio crescido na fronteira.
Turner tomou o fechamento da fronteira como uma oportunidade para refletir sobre a influência que ela exercia. Argumentou que a fronteira significava o retorno de cada geração de americanos às primitivas condições sobre uma linha que avançava continuamente.[8]  Ao longo dessa fronteira – que ele também descreveu como o ponto de encontro entre a barbárie e a civilização – os americanos cada vez recapitulavam as etapas de desenvolvimento da ordem industrial emergente da década de 1890.  Esse desenvolvimento, de acordo com sua descrição, começa com o ameríndio e o caçador; continua com a desintegração da barbárie através do aparecimento do comerciante... o estágio pastoril na vida de fazenda; a exploração da terra no cultivo do trigo e do milho em comunidades esparsas; o cultivo intenso nas fazendas e finalmente na organização de manufaturas através da cidade e do sistema de fábricas.
Para Turner, o sentido mais profundo da fronteira estava nos efeitos desta recapitulação social no caráter americano. Ele afirmou: A fronteira é a linha na qual existe a mais rápida e efetiva americanização.[9] A presença e a predominância de numerosos caracteres culturais, ou seja, aquela rudeza e força combinadas com a agudez e a vontade de adquirir; a propensão prática e inventiva da mente, rápida para descobrir saídas; aquela tomada experiente de dominar as coisas... aquela incapacidade de descansar, a energia nervosa; o individualismo dominante, todos esses fatores poderiam ser atribuídos à influência da fronteira.[10]
A fronteira era o lugar de encontro entre a barbárie e a civilização.[11] E ela estava se fechando. Do ponto de vista de teoria econômica, o sertão além da fronteira, o reino da barbárie, é uma área de terras livres em constante recessão. Para Turner a terra livre funcionou como uma válvula de escape para o Leste e até para a Europa, porque oferecia a todos os homens uma oportunidade de adquirir um sítio e tornar-se um membro independente da sociedade. Essas tendências contribuíram para o aumento da democracia.[12] A dívida mais importante de Turner no que diz respeito à tradição intelectual consiste nas idéias sobre a barbárie e a civilização que usa para definir o elemento principal, ou seja, a fronteira. Para ele e para seus predecessores, o limite mais externo da colonização agrícola é a fronteira da civilização. Em seu pensamento, devemos distinguir dois Oestes, um além dessa linha tão importante e outro dentro dela.
Turner argumentava que o Oeste, e não o Sul escravista ou o Norte antiescravista, era a seção americana mais importante. Ademais, que as atitudes e as instituições novas produzidas pela fronteira, especialmente através do incentivo à democracia, foram muito mais importantes do que a herança importada da Europa que formou a sociedade americana.[13] Assim, a luta dos pioneiros americanos contra as adversidades do Oeste contribuíra para o desenvolvimento da iniciativa privada, o individualismo e a capacidade de improvisação da sociedade americana. E isso, segundo ele, acabou se refletindo na constituição das instituições americanas, na democracia americana que é capaz de adaptar-se às mudanças do povo em expansão.
 This brief official statement marks the closing of a great historical movement. Up to our own day American history has been in a large degree the history of the colonization of the great West. The existence of an area of free land, its continuous recession, and the advance of American settlement westwards, explain American development… American social development has been continually beginning over again on the frontier. This perennial rebirth, this fluidity of American life, this expansion westward with its new opportunities, its continuous touch with the simplicity of primitive society furnish the forces dominating American character. The true point of view in the history of this nation is not the Atlantic coast, it is the Great West.[14]
Com esta afirmação Turner inaugurou uma nova era no estudo da história Americana. Ao invés de olhar para a costa Atlântica ou para a Europa na procura de respostas para as origens de atitudes, valores e instituições, ele e muitos outros historiadores que seguiram seus passos voltaram-se para a fronteira. Ao definir a fronteira, partindo da costa Atlântica, Turner identificou inúmeras fronteiras geográficas conforme os colonos americanos se mudaram do Leste para o Oeste através do continente. Explicou como a fronteira se originou no litoral Atlântico, cruzou as montanhas Allegheny no vale do Ohio, moveu-se através do rio Mississippi e estendeu-se de todos os modos até a costa do Pacífico. Nestas sucessivas fronteiras geográficas ele delineou inúmeras semelhanças que se repetiam nas ondas de colonos e na direção da colonização.
Stand at the Cumberland Gap and watch the procession of civilization, marching single file – the buffalo following the trail to the salt springs, the Indian, fur-trader and hunter, the cattle-raiser, the pioneer farmer – and the frontier has passed by. Stand at South Pass in the Rockies a century later and see the same procession with wider intervals between.[15]
Turner dividiu este processo de colonos marchando através de terras desconhecidas em uma série de fronteiras movendo-se uma a uma  através de cada fronteira  geográfica  que denominou de fronteira do comerciante, do rancheiro, do minerador e do fazendeiro. Após estudar e comparar os vários tipos de fronteiras e o modo como elas avançaram através do continente, propôs uma série de conclusões sobre seu significado para o desenvolvimento americano. Primeiramente, reconheceu que a fronteira ajudou a criar uma nacionalidade americana complexa. A fronteira colocou colonos ingleses ao lado de colonos de outras nacionalidades que dividiram experiências e compartilharam idéias ao longo de muitos anos possibilitando o desenvolvimento de uma única nacionalidade americana que era composta de todos. In the crucible of the frontier the immigrants were Americanized, liberated, and fused into a mixed race, English in neither nationality nor characteristics. The process has gone on from the early days to our own.[16] Este isolamento ajudou a reforçar esta nova nacionalidade americana e na medida em que a fronteira deslocava-se para o Oeste a influência inglesa decrescia em função da auto-suficiência dos colonos. Do mesmo modo, Turner acreditava que as leis que edificaram a nação responderam às necessidades e às demandas da fronteira. The legislation which most developed the powers of the national government, and played the largest part in its activity, was conditioned on the frontier… The growth of nationalism and the evolution of American political institutions were dependent on the advance of the frontier. Em grande parte, estas leis concentraram-se na distribuição de terras do domínio público. The disposition of the public lands was a third important subject of national legislation influenced by the frontier.[17]
Embora a fronteira desempenhasse um importante papel na criação da nacionalidade americana ela teve um papel ainda mais significante na evolução da democracia, em parte através de sua tradição de individualismo. Na fronteira o individualismo foi colocado acima de um governo forte em razão de o povo discordar de ter alguém lhe ditando o que fazer. Disto resultou que os colonos mantivessem o governo em suas mãos impedindo que fossem governados por poucos. Além disso, a fronteira promoveu a democracia através do voto, ou do direito ao voto, pois ali os governantes foram mais rápidos e ágeis que os do Leste para relaxar as exigências do voto para os homens, forçando idênticas providências para a costa Atlântica. Assim, o aumento de eleitores reforçou a participação no governo tornando-o mais democrático.
The frontier States that came into the Union in the first quarter of a century of its existence came in with democratic suffrage provisions, and had reactive effects of the highest importance upon the older States whose peoples were being attracted there. An extension of the franchise became essential. It was western New York that forced an extension of suffrage in the constitutional convention of that State in 1821; and it was western Virginia that compelled the tide-water region to put a more liberal suffrage provision in the constitution framed in 1830, and to give to the frontier region a more nearly proportionate representation with the tide-water aristocracy. The rise of democracy as in effective force in the nation came in with western preponderance under Jackson and William Henry Harrison, and it meant the triumph of the frontier – with all of its good and with all of its evil elements.[18]
Em função de a fronteira haver encorajado o individualismo e expandido o sufrágio, Turner concluiu que a democracia norte americana é fundamentalmente o resultado de experiências do povo estadunidense na lida com o Oeste. But the most important effect of the frontier has been in the promotion of democracy here and in Europe. The frontier individualism has from the beginning promoted democracy.[19]
 Esta tese vai encontrar uma grande receptividade nos Estados Unidos no princípio   século XX, quando da expansão imperialista norte-americana.[20] O ensaio de Turner alcança, assim, alturas triunfalistas em sua crença de que a promoção da democracia individualista era o efeito mais importante da fronteira.[21] Forçados a contar com sua própria inteligência e força, os indivíduos simplesmente descartavam posições de privilégio e desprezavam o exercício do poder político centralizador.
Não só vantagens ou benefícios resultaram da democracia promovida pela fronteira. Indícios de riscos foram apontados e a fronteira parecia provocar períodos de caos econômico na América o que levou Turner a deter-se em diversos períodos históricos. Concluiu que eles coincidiam no tempo e no espaço com a abertura de novas fronteiras e que:
The democracy born of free land, strong in selfishness and individualism, intolerant of administrative experience and education, and pressing individual liberty beyond its proper bounds, has its rangers as well as its benefits. Individualism in America has allowed a laxity in regard to governmental affairs which has rendered possible the spoils system and all the manifest evils that follow from the lack of a highly developed civic spirit.[22]
Concebia a democracia como uma característica de comunidades agrícolas. Para Turner, no sistema da propriedade da terra se assentava a chave do surgimento democrático que atingiu o auge no século XIX. É esse o pano de fundo teórico da proposição do ensaio de 1893: que a democracia nasce de terra livre ou, como diria alguns anos mais tarde, a democracia americana não nasceu de um sonho de algum teórico. Veio forte e cheia de vida da floresta americana e ganhou nova força cada vez que tocou uma nova fronteira.[23]
 
 
2. O mito do jardim e o agrarismo norte-americano.
 
A idéia de natureza lhe sugeriu o viés poético da influência da terra livre como um renascimento, uma regeneração, um rejuvenescimento do homem e da sociedade quando a civilização encontrava o sertão ao longo da fronteira. O renascimento e a regeneração são, portanto, categorias de mito. Um poder beneficente saindo da natureza cria uma utopia agrária no Oeste. O mito do jardim é assim construído.
O mito do jardim ratificou a idéia de que a força dominante da vindoura sociedade do vale do Mississipi seria a agricultura. Tal idéia derivou das comunidades que surgiam em cada leva do movimento rumo ao Oeste. Tais comunidades na realidade dedicavam-se ao cultivo da terra, demandavam o uso do arado e plantavam mantimentos. Desse modo, o grande vale transformou-se em jardim instituindo na imaginação o Jardim do Mundo, a tal ponto de converter-se num dos símbolos dominantes ao longo do século XIX, uma representação coletiva, uma idéia poética que definia a promessa da vida americana. Neste símbolo foram  incorporadas metáforas que expressavam a fecundidade, o crescimento, o desenvolvimento e o trabalho abençoado da terra, elevando o agricultor idealizado à uma figura heróica munida de seu instrumento sagrado, o arado. A idéia de jardim do mundo passou a expressar as aspirações da sociedade americana e o conteúdo narrativo impresso pela figura do agricultor do Oeste deu-lhe as características de mito. A imagem de um paraíso agrícola no Oeste, incorporando as memórias grupais de um estágio de sociedade, mais simples, primitivo e feliz, sobreviveu como uma força no pensamento e na política americana.[24]
Embora as imagens do jardim do mundo estivessem presentes ao longo do século XVIII e as predições de uma sociedade comercial urbana já se fizessem presentes, o Oeste ficou totalmente dedicado à agricultura e deste fato derivou como teoria social agrária. Escritos políticos como os de Franklin, Crèvecoeur[25] e Jefferson surgiram no contexto da fisiocracia e se alimentaram de reflexões que exaltavam a composição da população como basicamente de agricultores trabalhadores e frugais em contraposição à indolência e à extravagância das cidades do litoral. O foco imaginário concreto era a figura idealizada do homem do campo, trabalhador rural, agricultor livre.
Os escritos de Franklin, a partir de meados do século XVIII, já revelavam elementos desta teoria e ficaram mais evidentes após a independência dos Estados Unidos. Para ele o grande negócio do continente era a agricultura e o corpo da nação consistia de agricultores trabalhadores e frugais, habitando o interior dos estados Americanos. Para una nova sociedade que emergia sob a influência da abundância da terra à espera da colonização  a agricultura era a única fonte de verdadeira riqueza e nela cada homem, através do trabalho, se torna virtuoso e feliz, tem o direito natural à terra e que a propriedade da terra torna o agricultor independente. Neste sentido, a América oferecia um exemplo ímpar de uma sociedade que encarnava tais características e que, por conseguinte, o governo deveria dedicar seus esforços aos interesses do agricultor livre. Idealizava-se, portanto, a figura do homem do campo, foco concreto para tais doutrinas abstratas convertido na imagem do trabalhador rural, homem livre, agricultor livre.
Crèvecoeur forneceu aos Europeus uma apaixonada idéia de oportunidades de paz, saúde e orgulho na América. Nem Americano, nem fazendeiro, mas um francês aristocrata que possuía uma plantação, um trecho de 371 acres ao Oeste do rio Hudson, em Orange County, escreveu:
   Aqui não há famílias aristocratas, corte real, reis, bispos, domínio eclesiástico, nenhum poder invisível dando o poder visível a uma minoria... Os ricos e pobres não são tão distantes uns dos outros como são na Europa. Com exceção de algumas cidades, somos trabalhadores da terra. Somos um povo de cultivadores, esparramados sobre um imenso território, comunicando-nos uns com os outros através de estradas boas e rios navegáveis, unidos pela fita de cetim de um governo tênue, respeitando as leis, sem temer o poder, já que elas são eqüitativas. Somos formados pelo espírito de comércio sem restrições e livres, porque cada pessoa trabalha para si. Se viajares pelos distritos rurais, não notarás os castelos hostis e as mansões orgulhosas; verás apenas a cabana de barro e a barraca miserável nas quais o gado e os homens ajudam uns aos outros para se manterem quentes, nas quais moram na fumaça, na pobreza e na indigência. Uma uniformidade agradável de competência decente aparece em nossas casas. A mais pobre de nossas cabanas é um lar confortável. O advogado e o comerciante são os títulos mais importantes que nossas cidades mostram; o título de agricultor é o apelido que nossos habitantes rurais se orgulham em ter... Não há príncipes para quem trabalhamos e derramamos nosso sangue: somos a sociedade mais perfeita sobre a terra.[26]
Entusiasticamente exaltou as colônias pela sua indústria, tolerância e crescente prosperidade nas 12 cartas que descreveu a América como um paraíso agrário – uma visão que iria inspirar Thomas Jefferson, Ralph Waldo Emerson e muitos outros escritores. Assim se expressava Hector St. Jean de Crèvecoeur, em 1782:
As leis, as leis indulgentes os protegem quando chegam, carimbando-os com o símbolo de adoção; recebem os grandes prêmios de seus trabalhos; os prêmios acumulados os ajudam a possuir terras; as terras lhes conferem o título de homens livres e qualquer benefício que os homens necessitam se adere àquele título. De onde vêm estas leis? De nosso governo. De onde vem o governo? Deriva-se do gênio original e da vontade suprema do povo, ratificados e confirmados pela coroa. Esse é o grande elo que nos une... O americano deve, portanto, amar essa pátria muito mais do que aquela em que ele ou seus pais nasceram. Neste lugar os frutos de seu trabalho seguem igualmente ao progresso de seu esforço; seu esforço baseia-se na natureza e no interesse. Poderia ter um motivo maior? As mulheres e as crianças que antes e em vão lhe pediam um pedaço de pão, agora são fartas e alegres. Alegremente ajudam o pai a limpar os campos. A colheita exuberante lhes dará alimento e vestimenta, sem ninguém, um príncipe déspota, um abade rico, um senhor poderoso, exigir nada. Aqui a religião demanda muito pouco dele; apenas um salário para o pastor e a gratidão a Deus. Poderá ele recusar isso? O americano é o homem novo que age sob novos princípios. Portanto, deve possuir novas idéias e formar opiniões novas. De uma situação de preguiça forçada, dependência servil, penúria e trabalho inútil, ele passa para os trabalhos de uma natureza completamente diferente, premiado por uma subsistência generosa. Esse é um Americano...[27]
 
Foi o primeiro europeu a desenvolver uma considerável visão da América e do novo caráter Americano e explorar a imagem do "melting pot" da América, e em uma notável passagem, ele pergunta:
O que é o americano, esse homem novo? Ele é ou um europeu ou um descendente de europeus. Portanto, uma mistura estranha de sangue que jamais será encontrada em outros países. Posso lhe mostrar uma família cujo pai era inglês, a mãe holandesa, o filho se casou com uma mulher francesa e cujos filhos têm mulheres de quatro nações diferentes. Ele é americano que, deixando todos os seus antigos preconceitos e maneiras, recebe novas maneiras desse novo modo de vida que ele abraçou, do novo governo que obedece e da nova posição que ele tem. Ele se torna um americano porque foi recebido no colo carinhoso de nossa Generosa Mãe. Nesse lugar os indivíduos de todas as nações fundem-se numa nova raça, cujos trabalhos e cuja posteridade serão um dia causa de grandes transformações no mundo.[28]
 
Jefferson, por sua vez, avançou nas conotações políticas do ideal agrário. Para ele a república americana se assentava sobre uma rocha, a figura do agricultor livre, o bem mais precioso para o estado. Neste sentido, o futuro da democracia residia na expansão ilimitada da sociedade agrária para o Oeste e sua política de terras tinha isto como alvo. Suas doutrinas agrárias, influenciadas pela fisiocracia francesa e por pensadores radicais, a exemplo de Raynal, que retratavam o agricultor como símbolo republicano, ganharam um tom nacionalista após a Revolução e a América passou a encarnar concretamente o sonho do que fora a utopia na Europa. O estágio subseqüente da utopia agrária contava com a realização mais que perfeita do ideal agrário em uma escala bem mais ampla.
O Meio Oeste passou a receber atributos proféticos, a exemplo das próprias palavras de Crèvecoeur: Considero a colonização dessas terras aguadas por esse rio (Ohio) como uma das melhores conquistas que poderia ser dada ao homem. O destino dela será a fonte de força e riqueza e a glória futura dos Estados Unidos.[29]
Turner sustentava que a democracia foi uma característica das comunidades agrícolas e, desse modo, elas seriam necessárias para estabelecer e assentar o agricultor. O viés econômico de sua análise sobre a fronteira foi iluminado pelo mito do jardim, ou seja, que a democracia americana teve sua origem na floresta, no rejuvenescimento recorrente do homem e da sociedade ao longo da fronteira. O uso de metáforas, na realidade, é um mero recurso discursivo sobre o racional, exalta o nascimento da democracia e retrata uma natureza maternal e benevolente que institui uma utopia agrária no Oeste. Faragher argumenta com propriedade que a democracia da fronteira de Turner é o ideal agrário de Jefferson revestido de análise histórica.[30]
A outra idéia que definiu a fronteira foi a da civilização e teve a conseqüência de  comprometê-lo à teoria pela qual se afirma que todas as sociedades, inclusive aquela de Oestes sucessivos, desenvolvem-se por vários estágios, cada vez mais complexos e progressivos.[31] A aceitação dessa teoria por Turner o envolveu em dificuldades.
Tal pressuposto relegava aos homens da fronteira o status primitivo e contradizia diretamente com a imagem do agricultor virtuoso que labora no jardim do mundo. A idéia implicava que o agricultor do Oeste era uma pessoa rude e não-refinada, representante de um estágio primitivo da evolução social.   Isso se deve ao fato de a teoria de estágios sociais ser contrária ao conceito do agricultor do Oeste como o sitiante rodeado por um esplendor utópico.
Esta contradição é visível nos esforços de Turner para conciliar sua crença de que os valores sociais mais elevados se encontravam nas comunidades da fronteira agrícola, com sua convicção de que a sociedade melhorava enquanto evoluía da simplicidade pastoril à industrialização. Enquanto tratava das origens da democracia no Oeste, Turner considerava boa a influência da fronteira. Essa atitude era inevitável enquanto se mantinha a doutrina de que a sociedade da fronteira era moldada pela influência da terra livre. Terra livre era a natureza e a natureza nesse sistema de idéias é algo simplesmente benigno.[32]
Enfatizava, portanto, o determinismo geográfico, a colonização agrícola e a afirmação da democracia e que todos esses elementos podiam ser recuperados através do mito do jardim do mundo. A tese da fronteira para explicar os acontecimentos atuais se desenvolvida a partir do mito do jardim e a  ênfase sobre a colonização agrícola o colocam no contexto da teoria agrária que flui da Inglaterra e da França do século XVIII através de Jefferson. A imersão de Turner neste fluxo de influência intelectual teve o efeito desastroso de comprometê-lo a certas premissas arcaicas que impediam a abordagem dos problemas sociais do século XX.
Quando Turner invoca o conceito de civilização a questão torna-se mais complexa. Sua convicção básica era de que os valores sociais mais altos se encontravam na sociedade relativamente primitiva no interior da fronteira agrícola. Contudo, a teoria dos estágios sociais colocava os valores mais altos no fim do processo, justamente na sociedade urbana industrial, entre o desenvolvimento das manufaturas e a vida da cidade, a qual Jefferson e outros teóricos agrários haviam considerado perigosa para a pureza social.
Turner titubeava entre os dois pontos de vista. Referiu-se à evolução de cada região sucessiva do Oeste como um estágio mais elevado, de acordo com a teoria ortodoxa da civilização e do progresso.Baseou seu valor mais alto, a democracia, sobre a terra livre. O avanço rumo ao Oeste da civilização através do continente fez com que a terra livre desaparecesse. O que aconteceria com a democracia?
A dificuldade tornou-se maior porque quando se associava a democracia com a terra livre ele a tinha ligado inevitavelmente à idéia da natureza como fonte de valores espirituais. Todas as tonalidades de sua concepção de democracia estavam maculadas com o primitivismo cultural e tendiam a se opor à idéia da civilização. Porém, Turner aceitara a idéia de civilização como uma descrição geral da sociedade que tinha se expandido através do continente e, com o desaparecimento da terra livre, esta idéia era o único princípio remanescente com a qual podia realizar a análise da sociedade americana contemporânea. Como a democracia estava ligada à idéia da natureza e parecia não ter nenhuma relação lógica com a civilização, a conclusão posta por Turner era que a sociedade americana pós-fronteira não continha nenhuma força rumo à democracia.
Com o desaparecimento da fronteira desapareciam também as bases da democracia e Turner tornou-se prisioneiro das assunções hauridas do mito do jardim.[33] Ele próprio admitiu que o aparato teórico da tradição agrária não ajudava a entender a América urbana e industrializada. Voltou-se para a idéia não tão convincente de que as universidades estaduais do Meio Oeste poderiam salvar a democracia produzindo líderes treinados.[34] Mais tarde, ele colocou a ciência ao lado da educação como outra força à qual os homens podem recorrer em sua perplexidade moderna. Voltou à convicção que tinha no tempo de faculdade: uma confiança nem na natureza nem na civilização, mas simplesmente no homem, no homem comum. Esta afirmação é uma admissão de que a noção de democracia nascida da terra livre, colorida pelo primitivismo, não é um instrumento adequado para lidar com um mundo dominado pela indústria, urbanização e conflitos internacionais.
Semelhante às afirmações do mito do sonho americano, contrário à sociedade americana urbana e industrial, o mito da fronteira continuou firme na mente americana muito tempo depois que foi declarado o seu fechamento.[35]  A dificuldade mais importante da tradição agrária americana é ter aceitado as idéias contraditórias de natureza e de civilização como o grande princípio da interpretação histórica e social.
 
 
3. A nova historiografia do Oeste.
 
A partir dos anos 30, logo após a morte de Turner, inúmeros estudos críticos foram desenvolvidos e passaram a propor leituras alternativas da tese da fronteira. As contestações a partir daí estruturadas passaram a negar a existência de uma “terra livre” e a incidir na origem das instituições democráticas, importadas do Leste. Igualmente se rebateu a afirmação de que o Oeste funcionou como válvula de escape para o desenvolvimento urbano e se demoliu o mito do individualismo da fronteira. A conclusão sumária, nos anos 40, era que a tese da fronteira exigia uma revisão completa no que havia proposto para explicar o desenvolvimento americano.[36]
Estudos passaram a clamar por uma história multinacional e multi-étnica para o Oeste, por uma história colonial do Oeste, por uma história social e ambiental do Oeste, por uma história do povo americano-mexicano, por uma narrativa épica do povo Métis, por uma história urbana do Oeste. Passou-se a contestar o espírito criador e inovador do homem do Oeste e se reivindicar uma história dos povos excluídos.
A partir dos anos 80 conveniou-se catalogar os autores da história do Oeste em “velhos” e “novos”, configuração que não se revelou muito adequada. Na realidade, muitas obras identificadas como “a nova história do Oeste” foram escritas por historiadores de uma geração anterior aos anos 50. A “nova história do Oeste” foi escrita por historiadores atingidos pela experiência do Vietnã e pelas contestações nacionais quando a fronteira foi re-pensada a partir da visão dos índios, revelando-se uma rica história de colaboração e conflito. Passou-se a combinar história e etnografia, derivando estudos questionadores do impacto dos índios americanos sobre a cultura americana. Foram incluídos no rol dos novos objetos a experiência de mulheres e de minorias étnicas, a violência e o meio ambiente. O tema ambiental tornou-se uma das tendências mais recentes e mais importantes da historiografia do Oeste. Do ponto de vista mais amplo, as abordagens alternativas emergiram a partir de uma reconsideração da tese da fronteira.
Entre os questionamentos endereçados à tese da fronteira e ao próprio sentido de Oeste, iluminadores de uma vastíssima produção acadêmica ao longo do século XX, abre-se espaço para o reconhecimento do trabalho de Turner em termos de engajamento com seu tempo, com os problemas de seu tempo. Tal preocupação injetou grande energia a sua história, ainda que o emprego de termo fronteira revele tal ausência de historicismo e não contemple a dinâmica de uma trajetória de três séculos de uso, com um amplo leque de significados. Turner estudou a fronteira não apenas porque foi sua área de interesse, mas, sobretudo porque acreditava que sua história poderia iluminar a história da América. Seu grande poder, sem dúvida alguma, deriva do compromisso de estudo de seu significado para o americano, mesmo que isto devolva ao passado a segurança e a arrogância dos vitoriosos na conquista do Oeste.
Um sentido que se contrapõe à elaboração conceitual de Turner, que abarca de maneira mais ampla uma discussão interessante é o que indica a fronteira como um lugar de encontro e colisão de culturas, de mundos distintos e em geral incompatíveis. La frontera es, así, el lugar de encuentro entre “yo” y “el otro”, ese que es distinto a mí y, por tanto, inferior. La frontera es una tierra en disputa. Es un espacio cultural o, si prefieren, un texto, que se escribe con sangre. [37]

 

[1] STADNIKY, Hilda Pívaro. Docente do Departamento de História da Universidade Estadual de Maringá e do Programa Associado de Pós-graduação UEM/UEL – Mestrado em História Social – linha de pesquisa “Fronteiras e Populações”.
[2] Nascido em Portage, Wisconsin, em 1861. Seu pai, jornalista e historiador, foi o incentivador de seu interesse pela história. Após sua graduação pela Universidade de Wisconsin em 1884, tornou-se historiador e doutorou-se pela Universidade John Hopkins, em 1890. Trabalhou como professor e pesquisador na Universidade de Wisconsin de 1889 a 1910, ano em que ingressou em Harvard. Mesmo aposentado em 1924, continuou seu trabalho de pesquisa até sua morte, em 1932.
[3] Em 1893 Chicago era a sede da Exposição Mundial sobre Colombo, uma grande feira para comemorar os 400 anos da viagem do descobrimento. Embora a palestra de Turner passasse quase desapercebida, mais tarde adquiriu tanta notoriedade e influência que um pesquisador contemporâneo considerou-a a escrita mais influente na história da história dos Estados Unidos.
[4] TURNER, Frederick Jackson. The frontier in American History.  New York: Dover Publications, 1996, p.1.
[5] Estabeleceu-se, em 1893, uma polêmica entre as duas escolas de historiadores: o grupo que interpretava a história americana em termos da controvérsia sobre a escravidão, encabeçada por Hermann Edouard von Holst e o do ex-professor de Turner, Herbert B. Adams, de John Hopkins, que explicava as instituições americanas como um acréscimo de núcleos ingleses plantados no Novo Mundo.
[6] TURNER, Frederick Jackson. Op. cit., p.3.
[7] Duas foram suas atitudes permanentes e que devem ser alvo de destaque. De um lado, sua crença de que o meio, e não a herança das instituições, é a força maior do desenvolvimento histórico norte-americano. A fronteira e a secção, neste sentido, foram os fatores nativos mais relevantes. De outro, seu desejo de interpretar o passado como uma totalidade coerente, fugindo de enfoques isolados e analíticos.
[8] Existiram sucessivas linhas de avanço da fronteira, a partir do século XVII, cada uma com suas respectivas características e experiências, que logo foram transformando-se em novos territórios para a colonização. A delimitação dessas fronteiras sucessivas explica o desenvolvimento e o caráter peculiar das regiões norte-americanas e o caráter do norte-americano, em geral. Junto ao aparecimento de cada fronteira se assinala o predomínio de um tipo distinto de pioneiro: o comerciante, o caçador, o fazendeiro, o lavrador, o soldado de fronteira, e finalmente o povoador semi-urbano, uma vez que o estabelecimento disperso se transforma em uma comunidade.
[9] TURNER, Frederick Jackson.  Op. cit., p.3.
[10] O espírito missionário das diversas denominações religiosas e os esforços educacionais na fronteira imprimiram no norte-americano o contorno de seus traços intelectuais: rudeza e fortaleza combinadas com agudez e curiosidade; disposição prática e criatividade rápida; carência de espírito artístico e poder para encontra soluções; enérgico, nervoso, incansável; dominante individualismo que trabalha para o bem e para o mal. TURNER, Frederick Jackson.  Op. cit.,  p.36-7.
[11] TURNER, Frederick Jackson.  Op. cit., p.3.
[12] A fronteira foi válvula de escape de toda a problemática sócio-econômica do país pela ampla possibilidade de obtenção de terra livre. O fechamento dessa fronteira indica o fechamento do primeiro grande período da história norte-americana, no qual foram forjados seu caráter nacional e sua democracia. Nacionalidade, democracia e individualismo foram, pois, os três grandes atributos conformados pela fronteira.
[13] A fronteira fomentou a democracia ao criar uma permanente relação entre o indivíduo e a possibilidade de posse de terras, sobre a base de uma competitividade sem precedentes. A contrapartida será dada por sua rudeza, tendência anti-social, antipatia ao controle direto e escasso espírito cívico.
[14] TURNER, Frederick Jackson.  Op. cit.,  p.2-3.
[15] Idem, idem, p. 30.
[16] Ibidem, p. 23.
[17] Ibidem, p. 24-5.
 
[18] Ibidem, p. 30.
[19] Ibidem.
[20] Já se passaram 100 anos desde a publicação da tese de Turner. Em 1993 não podemos sustentar mais a noção de que a colonização da fronteira formou a consciência americana.   Devemos reconhecer que não é o colonizador, mas o migrante que incorpora os valores e as idéias considerados americanos. Digo que os americanos “devem” reconhecer esse fato porque, em caso contrário, sua sociedade seria incapaz de satisfazer as demandas hemisféricas e internacionais feitas em suas fronteiras. Ninguém se coloniza nos EUA. Os emigrantes  que deixam sua pátria e chegam na América começam uma vida nova,  mas  é uma vida na qual as situações temporais – desenraizamento e travessia – tornaram-se modos permanentes de pensamento. A fronteira não é algo próprio desse processo. A única liberdade que os americanos devem ter é a liberdade de se mudar. URGO, Joseph R. In: O peso do futuro: a re-invenção da fronteira dos estados unidos no final do século XX. La frontera, mito y realidad del Nuevo mundo. León: Universidad de León, 1994, p. 321-34.
[21] But the democracy born of free land, strong in selfishness and individualism, intolerant of administrative experience and education, and pressing individual liberty beyond its proper bounds, has its dangers as well as its benefits.  TURNER, Frederick Jackson. Op. cit.,  p. 32.
[22] TURNER, Frederick Jackson. Op. cit., p .37.
[23] Muito além do industrialismo urbano do Norte e da sociedade fisiocrata do Sul, o Oeste Selvagem representava, pelo menos na mentalidade americana, não o trabalho cansativo, mas a aventura romântica. Nas palavras de Henry Nash SMITH, seus heróis  não foram  membros da sociedade, mas anarquistas nobres, sem donos, pessoas livres de um sertão sem fim. SMITH, Henry Nash. Virgin Land, p.52.
[24] Na expressão de Walt Whitman, a América realmente genuína. WHITMAN, Walt. Leaves of Grass. Pioneers! O Pioneers!1900. 
[25] Ilustre figura do século XVIII, Hector St. John de Crèvecoeur, casado com uma anglo-americana, autor de   Letters from an American Farmer (1782) dedicadas ao abade Raynal, um ex-jesuíta, célebre pela obra A história filosófica e política da colonização e do comércio dos europeus nas Índias Orientais e Ocidentais (1770).  
[26] CRÈVECOEUR, Hector St. Jean de. Letters from an American farmer. What is an American? (as@uva hypertexts. http://xroads.virginia.edu/~hyper/crev/home.html.). Tradução nossa.
[27] Idem, idem. Tradução nossa.
[28] Ibidem. 
[29] Ibidem.
[30] Consultar: FARAGHER, John Mack. The significance of the frontier in American Historiography: a guide to further reading. In: Rereading Frederick Jackson Turner. The significance of the frontier in American History and other Essays. New Haven & London: Yale University Press, 1998, p. 225-41.
[31] A idéia de civilização, importante em sua análise da história americana, tem sua matriz na teoria contemporânea de Condorcet sobre os estágios da sociedade. Essa teoria relegou aos homens da fronteira o status primitivo e contradisse diretamente a imagem do agricultor virtuoso que labora no jardim do mundo. A sua convicção  era  que a sociedade melhorava enquanto evoluía da simplicidade pastoril à industrialização.
[32] A mobilidade constante da fronteira e sua população mesclada asseguraram a formação de uma nacionalidade complexa, que em função do meio, superava os particularismos regionais.
 
[33]Nas palavras de Henry Nash SMITH. Op. cit. Nash Smith analisa o mito do jardim na expansão para o Oeste ao longo do século XIX. Pretende mostrar os modos nos quais “a imagem de um paraíso agrícola no Oeste, delineando a memória de grupos, como o mais primitivo e feliz estágio da sociedade, por muito tempo sobreviveu como uma força no pensamento e na política Americana”. Mas enquanto Smith proclama ambos, o movimento para o Oeste   e o mito do jardim, como uma especificidade Americana, um exame mais cuidadoso do registro histórico revela que os exploradores europeus foram atraídos para o Oeste na busca literal e figurativa do Jardim do Éden muito antes que os americanos começassem a migrar para o centro do país. Excertos de exploradores europeus demonstram que a expansão Americana para o Oeste na busca do jardim foi simplesmente uma continuação do processo de exploração europeu. A mistura de mito, política e a expansão para o Oeste  que delineou tal expansão,  tem raízes firmemente ancoradas na Europa. 
[34] Sobre o papel das Universidades públicas consultar, particularmente, o capítulo – Pioneer Ideals and The State University, escrito em 1910, Universidade de Indiana e publicado em TURNER, Frederick Jackson. The Frontier in American History. New York: Dover Publications, 1996, p.269-89.
[35] Os mais importantes novos historiadores do Oeste acreditam que o campo de pesquisa continua amarrado a Turner. Segundo Donald Worster Turner reina sobre a história do Oeste como o Espírito Santo. As cabeças ainda se persignam por reverência a ele. Interessante consultar: WORSTER, Donald. Under Western Skies: Nature and History in the American West. New York, 1992.
[36] Para esta discussão consultar, especialmente: GATES, Paul Wallace. The Homestead Law in the incongruous land system. American Historical Review  41, 1936, p.652-81. WRIGHT, Louis B., American democracy and the frontier. Yale Review 22, 1930, p. 349-65. SHANNON, Fred A., The Homestead Act and labour surplus. American Historical Review 41, 1936, p. 637-51. BOTRIGHT, Mody C., The myth of frontier individualism. In:  Southwestern Social Science Quaterly 22, 1941, p. 14-32. PIERSON,George Wilson. The frontier and American institutions: a criticism of the frontier theory. In: New England Quaterly 16, june, 1942, p. 224-255. BOLTON, Herbert Eugene.  The epic of greater America. In: American Historical Review 39, 1933: p. 448-74. WEBB, Walter Prescott. The American west: perpetual mirage, Harper´s 214, May, 1957, p. 25-31. MCWILLIANS, Carey. Introduction. In: Rocky Mountain Cities. Ed. Ray B. West. New York, 1949. HOWARD, Joseph Kinsey. Strange empire: Louis Riel and the Métis people. New York, 1952. SMITH, Henry Nash. Virgin Land: the American west as symbol and myth. Cambridge, Mass., 1950.  EUTALIN, Richard. Writing Western History: essays on major western historians. Albuquerque, 1991. Apud FARAGHER, John Mack. Rereading Frederick Jackson Turner. Yale University Press,  1998. Afterword. The significance of the frontier in American Historiography: a guide to further reading, p. 225-42.
[37] BRONCANO, Manuel.In: Fa frontera, mito y realidad del Nuevo Mundo. León: Universidad de León, 1994, p.168.

Ponencia presentada en el Simposio Espacios Fronterizos, durante el Cuarto Encuentro Internacional Humboldt "Geografía de la Integración". Puerto Iguazú, 16 al 20 de setiembre de 2002.